Passos Coelho, o da má memória


Rui Rocha,

Pretende-se então esclarecer se o Dr. Passos Coelho, um dos mais extraordinários produtos da universidade de Verão do PSD, recebeu, ou não, uma determinada importância (ao que parece o equivalente a 150.000€) não declarada quando se encontrava a exercer funções de deputado em regime de exclusividade. Tal pagamento, a ter sido efectivamente realizado, constituiria a contrapartida, entre outros prestimosos serviços, da promoção de indispensáveis acções de formação para funções que não existiam em diversos aeródromos espalhados por este venturoso país fora. Perguntado sobre o recebimento da simpática remuneração que teria sido paga em confortáveis prestações mensais de 5.000€, o Dr. Passos Coelho respondeu “não ter presente todas as responsabilidades que desempenhou há 15 anos, 17 e 18”. Deixando de lado o facto de aparentemente se recordar das exercidas há 16 anos, não pode deixar de sublinhar-se que o que está em causa não são propriamente as responsabilidades mas as contrapartidas financeiras que terão (ou não) sido recebidas. Não sendo a primeira vez que o caso Tecnoforma vem à praça pública, ou o actual primeiro-ministro é um idiota chapado, hipótese que não é de excluir para já, ou é evidente que já teria arranjado tempo na preenchidÍssima agenda para reunir informação e factos que lhe permitissem ter presente, a dias de hoje, se recebeu ou não tais importâncias. Eu, por exemplo, lembro-me sem grande esforço de não ter recebido 5.000€ em todos os meses da minha vida laboral em que não os recebi. Daí que uma resposta deste teor perante um caso desta natureza nos obrigue a colocar como possíveis apenas duas, e não mais, possibilidades. Ou o Dr. Passos Coelho é um idiota chapado com necessidade urgente, para além do mais, de tomar Memofante, ou tem o rabo trilhado. O que é certo, em qualquer circunstância, é que o Dr. Passos Coelho, não tendo presente se recebeu ou não o que não devia ter recebido, tem pouco ou nenhum futuro daquele resto que ainda lhe sobrava.

17 comentários em “Passos Coelho, o da má memória”

  1. A apreciação é precipitada. Revela somente que o autor não gosta de Passos Coelho. Eu também não. Mas não tiro essas conclusões por enquanto.

          1. ora, ora, ora…quem diria?
            com uma visão tão estreita das alternativas não tarda, não tarda mesmo nada, temos o rrocha a combater ao lado dos degoladores…

  2. Há aí um erro, os aeródromos são de 2003 ou 2004. Seja como for, ele basicamente recebia dinheiro para fazer lobbying (resta saber da sua eficácia). O problema de 1995 a 1999 é que ele era deputado eheheh. Evasões fiscais à parte, claro (que não posso dizer com a mesma certeza que existiram, é o mais certo).
    Eu gostava que não fossem buscar casos prescritos, eu gostava que investigassem o que se passa hoje com muitos deputados e governantes do PS, PSD e CDS. Pouco me interessa o caso dele em particular (não que se deva desculpar). O problema está na floresta, não me contento com o «sacrifício de um carneiro para alimentar a sede».

    Fuga ao fisco: se virmos a coisa pelo geral, é aceite em certa medida pela sociedade. Todos conhecemos casos e todos temos uma quota de fuga, partindo do princípio que qualquer compra deve ser facturada. Aliás, até próprios ministros das finanças, sei de um em particular. A moral abate-se no montante. Não é o acto, é o valor sobre o acto.

    Quanto ao resto, nada de ilusões, com ou sem tecnoforma, Passos não tem futuro como PM. Aliás, isso interessa pouco aos eleitores, veja-se Oeiras, entre outros. Não é por aí.

  3. Passos Coelho é 1º ministro do país e não pode responder a situações destas com evasivas, e dizer que não se lembra se recebeu ou não dinheiro e de forma ilegal.
    De resto não me parece credível que alguém tenha recebido, mesmo que há 15 ou 18 anos, mil contos por mês e durante mais de dois anos e não se lembre disso. Não estamos a falar de peanuts, estamos a falar de 30 mil contos!
    Há aqui duas hipoteses: 1ª Passos Coelho não recebeu esse dinheiro e tem que o explicar sem margem para dúvidas; 2ª Passos Coelho era na época deputado em exclusividade e recebeu esse dinheiro, nesse caso tem de retirar daí as respectivas ilações e tem de se demitir.
    É claro que todos percebemos porque é que uma situação que tem tantos anos e foi denunciada anónimamente, surge agora; depois de em dois processos diferentes ter sido condenada tanta gente ligada ao Partido Socialista entre as quais uma ex ministra por ilegalidades praticadas no exercício da função o que é uma première em Portugal, tinha de aparecer nos media alguma coisa que comprometa alguém ligado ao PSD. E não fizeram a coisa por menos: atiraram-se logo à jugular.

  4. Compreende-se. PPC não ganhava 4800 líquidos por mês, nem muito menos 18000, como o MP.

    Tinha de fazer pela vidinha.

  5. A resposta do Coelho é uma clara confissão. Se isto fosse mentira ele simplesmente desmenti-lo-ia. Claro que ele “confessa” mentindo, porque não é crível que não se lembre de ter ou não recebido 150 mil euros. Mas na arte da mentira já ele mostrou ser ainda superior ao Sócrates. O pior (para ele) é que apanha-se mais depressa um mentiroso do que um coxo. O Coelho não foi (e será ainda?) só um serventuário do Ângelo Correia. É uma criação dele. E a gente é que paga. E vamos continuar a pagar, porque no outro partido do sistema “que não tem alternativas” perfilam-se duas belas aventesmas para o substituírem…

  6. Rui, também não podemos deixar de pensar noutra coisa: que Passos Coelho tenha andado a receber quantias consideravelmente superiores no mesmo período de tempo. Tu eu eu lembrar-nos-íamos certamente de receber 5.000 euros por mês, mas se ao mesmo tempo recebêsemos uns, sei lá, 25.000 por outras actividades, esses 5.000 poderiam ser mais esquecidos. Pelo menos penso que não me lembraria se com um rendimento habitual de 1.500 euros eu andasse por uns tempos a receber 300. Por outro lado, talvez me lembrasse que o dinheiro tinha dado jeito para uma renovação da cozinha.

    Mas não sejamos maus. Passos Coelho recebe possivelmente valores que fazem os 5.000 euros por mês parecer apenas uma gota de água no balde. Além disso é homem de gastos frugais (conduz Clio e não oferece prendas de Natal à família e ainda viaja oficialmente de avião em turística quando não precisa de pagar pela executiva). O dinheiro acumula e ele sabe-o. Não precisa de saber se é pela módica quantia de 20.000 ou 25.000 ao mês…

    Gente rica é outra coisa, como se costuma dizer.

  7. Como ainda não implantamos os tribunais populares o PC não tem que dar mais explicações que aquelas e perante um tribunal ninguem é obrigado a dizer seja o que for que o implique. Com a Marinho Pinto tambem a confirmar que o ordenado de deputado é curto, não estou a prever que o eleitor medio ache penalizador abichar uns euritos por fora. Mais interesessante seria que algum curioso fosse pesquisar porque esta noticia(uma gota no oceano da gozação que os deputados fazem aos eleitores que os colocaram) só aparece perto dum ato eleitoral e depois de ter prescrito? Não há nada mais recente e que não tenha passado o prazo legal? … veja lá outra vez… olhe que eu sei que vexas sabe que eu sei…

  8. Eu diria que, se Passos Coelho foi pago enquanto a receber subsídio por dedicação exclusiva, não terá certamente sido o único a fazê-lo. Provavelmente, tratar-se-ia de uma prática bastante comum nesse tempo. Se vão chatear o homem por o ter feito, deveriam também investigar o passado de dezenas de outras pessoas, que provavelmente terão cometido ilícitos análogos.

    No meu tempo era comum assistentes universitários que continuavam a receber com dedicação exclusiva enquanto se deslocavam ao estrangeiro para se doutorarem, recebendo pagamentos das universidades estrangeiras nas quais o faziam. Recebiam simultâneamente dois salários, um em Portugal e outro no estrangeiro, sendo o português ainda por cima em regime de dedicação exclusiva. Estritamente era uma ilegalidade, porém dezenas de pessoas a cometiam e ninguém se preocupava com isso.

  9. Entretanto:

    http://economico.sapo.pt/noticias/parlamento-garante-que-passos-nao-tinha-regime-de-exclusividade-entre-1995-e-1999_201982.html

    Este é mais um exemplo da boa comunicação social que temos cá no burgo: a revista sábado consultou Passos Coelho e a Tecnoforma que não responderam, mas esqueceu-se de ir perguntar ao Parlamento se o deputado em causa tinha ou não exclusividade, que era o que estava em causa.
    A Tecnoforma até podia ter pago 50 mil euros/mês ao Passos Coelho quando ele era deputado, que daí não vinha mal ao mundo. Desde que ele tivesse pago os impostos respectivos, é claro.

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