Regressemos então a Piaget e aos seus estudos sobre o sentido moral nas crianças, submetendo-os a nova análise à luz de factos recentes. De acordo com o epistemólogo suiço, no primeiro estádio de desenvolvimento, até aos 2 anos, a criança não é capaz de perceber a existência da moral e não tem a capacidade para fazer julgamentos (anomia). A partir dos 2 anos, a criança já é capaz de conformar-se e agir de acordo com regras. Mas a moral é heterónoma. A criança precisa que alguém, uma autoridade, lhe diga o que está certo e errado. A partir dos 12 anos a criança passa por um conjunto amplo de transformações e passa a ser denominada de adolescente. É o período em que deve chegar ao estágio cognitivo denominado operatório-formal, no qual se torna apta a alcançar o estádio do raciocínio moral denominado autonomia. Ao alcançar o estádio da autonomia, o indivíduo torna-se responsável por suas própria escolhas, que passam a ser avaliadas de acordo com um referencial interno e não pela imposição de terceiros. É claro que as idades de transição entre estádios identificadas por Piaget teriam sempre de ser entendidas como meramente indicativas e dependentes, obviamente, da maturidade de cada um. Mas uma coisa é uma variação de meses, outra coisa é um desvio de décadas. Tomemos então o caso de Pedro Passos Coelho, primeiro-ministro de um país da Europa dita civilizada. De acordo com informações não desmentidas, precisa, aos 50 anos de idade, da intervenção de uma autoridade (no caso, a Procuradoria-Geral da República) para esclarecer se agiu bem ou mal no caso das remunerações eventualmente recebidas da Tecnoforma. Ora convenhamos: se Piaget não estivesse completamente errado, Passos Coelho deveria ter abandonado, no mínimo há um bom par de anos, a fase da heteronomia.
Passos Coelho e o erro de Piaget
Rui Rocha,

Talvez um caso de “anomia autonómica” de Carolus Linnaeus ….
Já não estou seguro se isto é um caso de taxonomia ou de taxidermia.
“E sou só eu? Cadê os outros”?
Também gostava de ver moralidade na política. Às vezes, sonho com isso…
Não seria mal que começássemos pelo primeiro-ministro.
Moral e etica não são sempre coincidentes em todos os tempos e modos.
Veja-se as viagens fantasmas dos deputados, tambem precisaram que uma entidade externa lhes mostra-se que a etica estava errada, apesar de moralmente se acharem de bem com a consciencia, como se viu.
A questão não é a distância que existe entre a moral e a ética deles. É qual a posição em que mantemos as nossas na avaliação que fazemos dos actos deles.