
O primeiro debate foi uma vitória de António José Seguro por KO, o que surpreendeu todos, incluindo a mim próprio. O segundo debate saldou-se por um empate técnico. Neste terceiro debate António Costa não deixou os seus créditos por mãos alheias e foi absolutamente arrasador, deixando Seguro sem qualquer possibilidade de defesa. Seguro nunca atirou a toalha ao chão, mas a sua situação no debate de hoje equivaleu a um KO técnico.
A única vez em que os dois candidatos estiveram equilibrados foi quando responderam às perguntas do moderador, o que deu para perceber que defendiam exactamente a mesma coisa, mais parecendo Dupont e Dupond: “— É preciso combater o desemprego e criar riqueza. — E eu direi mais, é preciso acabar com o flagelo do desemprego e desenvolver o país“. A partir daí Seguro enredou-se numa estratégia suicida. Primeiro repetiu a argumentação estratégica do primeiro debate de culpabilizar Costa pelo seu avanço mas, como seria de esperar, este estava preparado e devolveu os golpes. Depois, não percebendo que estava numa eleição interna, caiu no ridículo de comparar Costa a Passos Coelho, o que este também facilmente desmontou. A única vez em que Seguro teve algum sucesso foi quando usou um autêntico golpe baixo, ao falar dos apoiantes de Costa. Foi esta a única vez em que Costa acusou o golpe, mas depois de alguma hesitação também se desenvencilhou até com elegância. Em consequência, no momento final, Seguro parecia completamente perdido, enquanto Costa assumiu a pose de homem de Estado.
Costa esteve sempre a meu ver em vantagem nos eleitores socialistas, mesmo quando Seguro ganhou o primeiro debate. Mas depois do massacre de hoje, é evidente que Seguro já era. António Costa é o senhor que se segue no PS. E, se este assunto tiver desenvolvimentos, até é capaz de disputar as legislativas mais cedo do que pensava.

Este debate parece-me que visava esclarecer sobre as companhias que se escolhem ou que se aceitam.
Seguro foi atacado de se socorrer dos mesmos conselheiros do ex-presidente da CMG (que declarou ser falso), presumivelmente sob investigação, e não quis deixar de passar para a opinião pública o que ele pensava a respeito de companhias. Para tal socorreu-se das declarações de um apoiante de Costa que ocupou funções no BES para desmontar o ataque que lhe tinha sido dirigido.
Seguro deixou bem claro que em matéria de honra não deixa os créditos por mãos alheias. Assim como deixou claro a inutilidade de Costa no que respeita a propostas alternativas de governação.
Aliás, Vera Jardim, que é apoiante de Costa, deixou claro o seu sentimento sobre a recuperação de Seguro.
No computo geral o debate esclarecedor foi o primeiro e o segundo, e Seguro, neste último, deixou claro que o ter concorrido à liderança do PS, depois deste ter sido destruído por Sócrates e seus apoiantes, não foi feito por calculismos e oportunismos. De tal forma assim o fez que, como um bom filho que honra os compromissos do pai, ele esteve disposto a uma travessia pelo deserto originado por um memorando assinado também por um partido de que Costa era o nr.2.
Esquecer o que Seguro fez e faz é cuspir na mão que estende o pão.
Na realidade o PS também é co-autor da promiscuidade que se instalou entre política e economia.
É necessário começar a limpar o país sem nos armarmos em justiceiros.
«Depois do massacre de hoje, é evidente que Seguro já era.»
Pretender que os eleitores vão decidir o seu voto em função duma suposta vitória do Costa no debate de ontem é chamar-lhes estúpidos.
Mais do que “poses”, “posturas”, ou “imagens”, a mim o que me interessa são as propostas de cada um. Claro que depois cá estaremos para chamar mentiroso ao eleito que falhar ao cumprimento dessas promessas, mas isso é outra história.
O PS tinha um líder, que foi desafiado. Fiquei atento, durante estes quase quatro meses, às propostas do Costa. E quais foram elas? Pose, postura e imagem. Ou seja, o que está em causa é uma mudança de moscas. Cada um que tire as suas conclusões, sendo que a conclusão final será no domingo.