Passado recente e futuro – duas notas


escafandro,

1. Por motivos históricos, culturais, geopolíticos e, acima de tudo, porque a maioria dos gregos ainda o parece desejar, seria importante que a Grécia permanecesse na Zona Euro. Infelizmente, a acção do governo grego ao longo dos últimos meses tornou-o difícil, se não impossível. Primeiro, porque agravou significativamente a situação económica e financeira do país, fazendo com que este necessite hoje de muito mais dinheiro do que necessitava em Janeiro. Depois porque, sendo já por si difícil acreditar que um governo eleito com base em promessas de aumento de despesa pública levaria a cabo as reformas eternamente adiadas no sentido da liberalização da economia, destruiu todos os laços de confiança que poderiam garantir-lhe boa vontade junto dos governos e das populações dos restantes países europeus. Pior ainda: não é de excluir que, ao fazê-lo, tenha tornado mais difícil para qualquer outro estado-membro obter compreensão e flexibilidade nos próximos anos.

 

2. Na Grécia como noutros países, os riscos ligados às tensões sociais e aos partidos extremistas – quase inevitáveis em tempos de dificuldades económicas – devem ser levados muito a sério. Mas isso não pode significar continuar a adiar os problemas. Ou as economias são reformadas no sentido da auto-sustentabilidade e da diminuição do nível de endividamento, o que significa austeridade, ou a situação acabará por rebentar, no plano financeiro, económico e social, de modo ainda mais grave. Em tempo de Keynesianistas, talvez seja conveniente lembrar Mises: There is no means of avoiding the final collapse of a boom brought about by credit expansion. The alternative is only whether the crisis should come sooner as a result of a voluntary abandonment of further credit expansion, or later as a final and total catastrophe of the currency system involved. Na verdade, pode já ser demasiado tarde.

0 comentários em “Passado recente e futuro – duas notas”

  1. Tudo no governo grego me parece fruto da incompetência; onde nos manuais da esquerda de quermesse está a explicação para os sacrifícios que os cidadãos e as pequenas empresas a definhar na Grecia são fruto da revolução em curso e do caminho escolhido por estes “corajosos” dirigentes ?
    A outra explicação engana tolos é que é fruto da maquiavelice da Merkl; alguém acha isso?

    1. Se alguém é incompetente são os dezoito, são duma incompetência tal que o único desejo era pôr a Grécia fora. Há muito que o pensavam, só que o cinismo e a hipocrisia é tal que andaram a gozar com os tristes e a fazer de conta. Tenho vergonha, de estar numa zona euro que envergonha qualquer um que dê valor aos direitos humanos. Que nunca mais estes dezoito, mencionem a palavra solidariedade porque sujam a palavra, a qual só pode ser mencionada por pessoas de bem e estes, não o são, de certeza.

      1. Este comentário do Anónimo mostra como o ódio aos Judeus( credores) foi construído.
        Ironia da história os Judeus de hoje são o Alemães.

        Se a Grécia não quer cumprir as regras de um clube vai fora. E depois?

        1. Este comentador que lhe responde é anónimo e o caro comentador faz parte da banda desenhada, ou seja quem é? Pena que para si, seja, vai fora! Não desconverse porque se alguém mostra ódio, são os credores que sabem que isto, é pior que a emenda. O ministro das finanças alemão é sádico e disso não há dúvida. Ódio, meu caro, é sentimento que ninguém deve ter contra ninguém, mas infelizmente, é o que mais por aí abunda. Austeridade, sobre austeridade e de quererem património grego, como garantia, dum país em agonia, é tão mau e tão absurdo que não cabe na cabeça de ninguém, a não ser quando a loucura começa a despertar e a razão deixa de existir. Quem vai por esta Europa fora e não só, o que vê nos museus? Roubo e mais roubo, aos gregos. Reponham tudo o que lhes roubaram e depois, falem de património como garantia. E Depois? Depois, vamos nós, apesar de cumprirmos para além da Troika ou pensa que com uma dívida impagável como a nossa vamos ficar no limbo, como se estivesse tudo bem? Engana-se…

  2. 1- Acho que Schauble reganharia confiança na Grécia, se colocasse os gabinetes de Atenas como dependência de Berlim. Em Lisboa, a ideia foi acolhida com aplauso e aclamação de “Ja, whol” pelos corredores do Ministério das Finanças.

    2 – Se não criares nova moeda, como quantificarás a nova riqueza gerada?
    Ou será que estamos proibidos de fazer novas coisas, e devemos ficar estagnados na velha riqueza.
    Isso não é só austeridade, chama-se regressão civilizacional.

    Se tiveres 5 euros correspondentes a 5 garfos, o que te adianta produzir o sexto, se continuas a ter apenas 5 euros?
    Deves passar a ter 6 euros, com 6 garfos. Lamentamos que os donos dos 5 garfos tenham visto a sua riqueza relativa perder-se, mas na prática não perderam riqueza absoluta.
    A contracção económica, a austeridade, serve apenas para manter a velha riqueza e proibir a criação de nova riqueza.
    É um mecanismo de regressão, que visa apenas manter velhos poderes, impedindo o aparecimento de novos. É um crime contra a humanidade, por visar uma regressão civilizacional.
    Fomos inundados de pretextos para isso, desde causas ambientais, sustentabilidade, e mais tantas outras histórias da carochinha… tudo para manter as formigas no sítio.

    1. “Se tiveres 5 euros correspondentes a 5 garfos, o que te adianta produzir o sexto, se continuas a ter apenas 5 euros?”

      Estás a falar de um Alemão que paga as asneiras Gregas? Mais os subsídios…

  3. as economias são reformadas no sentido da auto-sustentabilidade e da diminuição do nível de endividamento, o que significa austeridade

    Bem, a economia grega hoje em dia é largamente autossustentável. Tem a balança de transações correntes equilibrada e o orçamento de Estado também (mais coisa, menos coisa).

    Quanto à redução do nível de endividamento, numa época de crescimento – incluindo demográfico – e inflação nulos, é muito difícil a não ser que as dívidas sejam perdoadas.

  4. a acção do governo grego ao longo dos últimos meses […] agravou significativamente a situação económica e financeira do país

    Tem a certeza de que foi a ação do governo grego quem fez tal coisa?

    Eu pergunto, que fez o governo grego de tão mau que tenha conseguido, em meia dúzia de meses, agravar significativamente a situação económica e financeira da Grécia?

    Eu diria que quem piorou essa situação não foi propriamente o governo grego, foram antes os cidadãos e as empresas gregos, que, através da sua falta de confiança e reações de retração, realizaram esse pioramento.

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