1. O programa que Sócrates apresentou aos portugueses, nas legislativas de Setembro de 2009, não incluía nenhuma medida do vasto pacote de sacrifícios exigidos aos portugueses desde então. Não previa o aumento dos impostos. Nem a redução das prestações sociais. Nem o corte dos salários da função pública. Nem o congelamento das reformas. Nem a quebra do investimento público. Hoje é possível concluir, sem constrangimentos de qualquer espécie, que esse programa apresentado a sufrágio equivaleu a uma fraude eleitoral.
2. Há nove meses, quando o PSD – já com Pedro Passos Coelho na liderança – viabilizou o segundo PEC (que previa o aumento do IVA e do IRS, à revelia das promessas eleitorais socialistas), Sócrates assegurou: “Medidas adicionais só seriam necessárias se não estivéssemos a cumprir o objectivo orçamental. A verdade é que nós estamos a cumprir esse objectivo orçamental.” O primeiro-ministro faltou à verdade: depois disso, apesar de Sócrates garantir com insistência que a execução orçamental corria bem, foi aprovado mais um programa de austeridade e há agora outro anunciado pelo Governo à Comissão Europeia, como facto consumado, à revelia do Presidente da República, da Assembleia da República, dos parceiros sociais e do próprio Conselho de Ministros, o que põe em causa o regular funcionamento das instituições.
3. Como todas as sondagens indicam, é notória a vontade de mudança dos eleitores portugueses, como sucedeu com os britânicos em Maio de 2010 e com os irlandeses há poucas semanas. E como sucedeu entre nós em Outubro de 1985 e em Fevereiro de 2005, quando se registaram importantes alterações do ciclo político antes de se esgotar o prazo previsto para a normal conclusão da legislatura.
4. José Sócrates está no poder há 2195 dias. Tempo mais que suficiente para os portugueses terem percebido que ele é parte do problema, não é parte da solução. Este é um dado de reflexão essencial sobre a actual situação política. Direi mesmo: este é o dado essencial.


Concordo consigo, mas por outro lado, tenho dois “receios”: o primeiro é o FMI, porque em parte o sr. primeiro ministro tem razão, os sacrificios serão muito piores e mais fortes e mais radicais; por outro lado, penso que eleições a esta hora do campeonato, também nao ajudaria muito mais os portugueses, e iriamos “desperdiçar” dinheiro que é tão necessário para “reequilibrar” as finanças… penso que se o aguentamos tanto tempo, e tivemos oportunidade para o tirar de forma legitima do poder, e não o fizemos, agora não penso que vá mudar alguma coisa, sou da opinião que ele deve aguentar o barco até ao fim…
Percebo o seu ponto de vista, mas tirar alguém do poder pelo voto é sempre algo legítimo. O facto é que este ano foi perdido: Sócrates desbaratou o pouco que lhe restava do seu prestígio político. O Governo esconde a realidade do País e de três em três meses saca de um novo PEC com mais pedidos de sacrifícios aos portugueses.
É insustentável governar desta forma. É ilegítimo. É imoral.
Pedro,
é facto o que diz.
Só que esta mudança de ciclo contem a maior REVOLUÇÃO DE COMPORTAMENTOS dos últimos 30 anos.Seja aqui, seja no resto da Europa.
Eleições é uma aventura que os portugueses vão pagar caro nos próximos meses.
Passos Coelho esgotou qualquer oportunidade. E não deve esgotar o mínimo dos Portugueses. VAI ser obrigado a fazer o mesmo. O Orçamento PS PSD não chega…, com eleições teremos juros a 9%, em Maio refinanciamento bancário…, ISTO está para além do puro tacticismo…muito para além.
DEixem o PM pedir a ajuda que já se comprometeu pedir….
Meu caro, sem eleições, em Março, já estivemos com os juros da dívida a 8% depois de, em Janeiro, o ainda ministro das Finanças ter considerado insustentável a perspectiva de haver juros acima dos 7%. Devolver a palavra ao povo português é sempre uma solução aceitável em democracia. De resto, foi o que fizeram Ramalho Eanes em 1985 e Jorge Sampaio em 2005, interrompendo as legislaturas então em curso e estabelecendo assim louváveis precedentes constitucionais.
Cansaço
São muitos anos carrancudos
de venturas enganadoras
deixando problemas bicudos
de ilusões esbanjadoras…
Desse cansaço excessivo
após tantas amaritudes
fica um sentir repulsivo
por tão abjectas atitudes.
Manuel Alegre não diria melhor, meu caro.
Estimado vizinho de avenida laboral,
Excelente analise.
E as saudades do Murias e do Lam.
Forte abraço e bom fds,
Um abraço, meu caro. Obrigado pelas palavras amigas e pela recordação de dois excelentes camaradas que já partiram.
Lapidar, caro Pedro. Basta! Os portugueses estão exaustos! Até um povo pacífico tem limites!!!
BFS para o Delito.
Obrigado, Fátima. Os portugueses estão fartos de tanta aldrabice e tanto desgoverno. Só quem vive num país de faz-de-conta não percebe isso.
Bom fim de semana.