Parece uma nave de loucos


Pedro Correia,

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Do céu ao inferno, na política, vai um curto passo. Marta Temido que o diga. Foi vedeta no congresso socialista de 2021, enaltecida pelas pitonisas ligadas ao Largo do Rato como possível futura candidata a secretária-geral do PS, mas tornou-se ministra descartável, cada vez mais ignorada por António Costa e abandonada pela mesma engrenagem mediática que lhe entoava hossanas.

Acaba de anunciar a demissão do cargo. Deixando o Ministério da Saúde muito pior do que estava quando assumiu funções, há quase quatro anos. 

 

Confirma-se: este governo socialista absoluto – o segundo, desde o de José Sócrates – transmite sinais de iniludível esgotamento.

Alguns dos seus membros parecem competir num concurso de dislates – desde a ministra da Agricultura, que se atreveu a dar um ralhete à CAP por não ter recomendado o voto no PS, ao ministro das Infraestruturas, flagelado pelo primeiro-ministro na caótica gestão do sempre adiado aeroporto de Lisboa. Passando, claro, pelo inefável titular das Finanças, envolvido na trapalhada com o amigo que lhe havia dado palco durante anos na TVI, numa escandalosa teia de favorecimentos que nenhum código de boa conduta governamental devia permitir. Ou pela secretária de Estado da Protecção Civil, que vendo Portugal devastado por incêndios, com prejuízos patrimoniais incalculáveis, congratulou-se por «apenas» ter ardido 70% do que estava previsto num suposto algoritmo que lhe serve de guião.

Parece uma nave de loucos.

 

Exausta, a ministra que abria telediários sem já nada ter para dizer acaba de bater com a porta. Não tão exaurida, apesar de tudo, como o SNS que tutelou até agora.

Como aqui escrevi há dois meses, «o Serviço Nacional de Saúde, peça central da narrativa propagandística do Governo, está a precisar de cuidados intensivos. Não é de agora, mas a situação agrava-se a ritmo acelerado. E o rosto desta crise, com picos caóticos que levaram ao encerramento de diversas urgências hospitalares nos últimos dias, é o da ministra da tutela. Que por vezes fala como se fosse recém-chegada ao cargo».

Primeira deserção no Executivo absoluto volvidos apenas cinco meses desde a posse. Costa, como de costume, reagirá com indiferença olímpica. Caiu uma simples peça do dominó político que deixou de lhe ser útil. A prioridade do primeiro-ministo é Bruxelas, não Portugal.

72 comentários em “Parece uma nave de loucos”

  1. De facto está mau … muito mau! Mas o pior é que alternativas … nem vê-las.
    Resta esperar que o outro candidato ao poleiro se apresente com propostas e vontade de melhorar. Esperar ainda que caso a mudança se concretize consiga fazer melhor que o Moedas em Lisboa, que estava mal … mas mal continua.

      1. O carissimo é que deverá ser amigo do Moedas, pela minha parte, até à data, entre o Moedas e o Medina … venha o diabo e escolha.
        Pode ser que o Moedas me faça mudar de opinião até ao fim do mandato.
        Mas ajude-me a clarificar o pensamento. Até à data o que fez o Moedas digno de nota?
        Uma vez que aqui demonstrou o seu apoio deverá estar a par.

        1. A ministra da Saúde aproveita uma madrugada de Agosto para anunciar a saida do governo, quatro anos depois de lá ter entrado, deixando o SNS de rastos.

          A ministra da Agricultura grita contra a CAP por não ter recomendado o voto no PS – numa demonstração evidente de que põe os interesses partidários à frente da gestão governativa.

          O ainda ministro das Infraestruturas é enxovalhado publicamente pelo primeiro-ministro, que lhe anula um despacho e o força a uma sessão de autoflagelação sem precedente na democracia portuguesa. Mesmo assim continua no cargo, numa vergonhosa demonstração de que prefere ser ministro a ser um homem livre e digno.

          O titular da pasta das Finanças contrata por ajuste directo, com uma choruda avença mais bem remunerada do que a própria função ministerial, um ex-director da TVI que lhe dera palco enquanto “comentador político” quando ele estava como alcaide em Lisboa – facto que suscitou críticas no próprio partido do poder e gerou tanta indignação que acabou por ficar sem efeito.

          A secretária de Estado da (Des)protecção Civil, após ter visto arder um terço do Parque Natural da Serra da Estrela, confidencia que as chamas afinal só devastaram 70% do que estava previsto num “algoritmo” do governo. Isto no país da Europa que em 2022 foi mais destruído por incêndios em proporção com a área territorial.

          Você não reparou em nada disto.
          Os ecos do país real, em tempo de “maioria absoluta”, não chegam aí ao parque jurássico.

          1. Reparou ple certa que o meu comentário começou com:
            “De facto está mau … muito mau! Mas o pior é que alternativas … nem vê-las.”
            Como tal, não tendo a pretensão de estar tão informado quanto o meu caro, as questões que aponta tiveram a minha atenção, pelo que manifesto no meu comentário o lamento de não ver alternativas que acabem com esses casos. Espero que o tempo me mostre o contrário.
            Quanto ao parque jurássico, o vivemos os dois no mesmo, a julgar por leituras anteriores dos seus posts.
            E olhe que não é “maioria absoluta”, é mesmo maioria absoluta, para o bem e para o mal.

          2. Não há “maiorias absolutas” em democracias. Só em ditaduras. Incluindo as mais jurássicas, que são as comunistas.

            Quanto às alternativas por que tanto implora, peça ao Costa para apressar a substituição da ministra da Saúde. Manter contra vontade uma pessoa que manifestamente não quer lá estar, enquanto o SNS colapsa, é outra demonstração de arrogância absoluta.
            Se for preciso, chamem outra vez o almirante. Talvez ele consiga pôr ordem naquele caos, como aconteceu no processo das vacinas, que estava em derrapagem total quando ele entrou em cena.

          3. Entretanto o Sua Excelência o Presidente da República explica-se “… com a “vontade popular”, que culminou com uma maioria absoluta do executivo de António Costa.”…nesta Assembleia da República. É verdade. Mas.

            Alguém poderá explicar a Sua Excelência que 3/4 da “vontade popular”, uma maioria substancial dos eleitores, cidadãos do País do qual é Presidente, não votou, de forma alguma, nem em António Costa nem no partido PS.

            Alguém poderá explicar a Sua Excelência que pelo contrário, de esses 3/4 houve 1/4 que se expressou claramente contra, com cruzinha no boletim de voto, contra o partido PS do Sr Costa.
            Alguém poderá explicar a Sua Excelência que 1/4 do eleitorado, os eleitores do partido PS, são uma maioria absoluta na AR, mas são uma tremenda minoria no País, todo, do qual ele devia ser Presidente.
            Será que Sua Excelência se baste em ser só mais um outro Presidente de esta Assembleia da República?.
            Aqui há algo que não está nada bem.

          4. Quem se absteve tem que se contentar com o que os eleitores escolheram. E os eleitores escolheram dar maioria absoluta ao PS. E sim, em democracia existem maiorias absolutas. Portugal já vai em quatro: as duas de Cavaco Silva, a de Sócrates e agora a de António Costa. É aceitar que dói menos.

          5. Papo furado de um privilegiado com ADSE. Ou com um bom seguro de saúde.

            Quando Marta Temido tomou posse, em Outubro de 2018, havia 700 mil portugueses sem médicos de família. Hoje, há mais de 1,4 milhões.
            “Apenas” o dobro.
            E os portugueses continuam a ser dos que mais pagam em despesas de saúde no conjunto dos países da OCDE.

            A si não dói, claro. Daí vir defender o indefensável.

          6. Eu vou mesmo acreditar que os escritores do Delito de Opinião não têm nem ADSE nem seguro de saúde. Já os mais de 40% de eleitores que votaram PS esses têm todos ADSE ou seguro de saúde (só se for daqueles seguros que nem o frasquinho para a urina pagam) pelos vistos.

          7. Se abrisses mais os olhos e os ouvidos e ocultasses menos a identidade, saberias o que é a triste realidade do SNS (que não frequentas, como já se percebeu).

            Hoje só 53,7% dos diabéticos têm os parâmetros controlados – menos 7,8% do que em 2019.
            Hoje só 44,1% têm os parâmetros controlados – menos 9,3% do que em 2019.
            São dados oficiais.

            Esta é uma das pesadas heranças da ministra, que deixa o SNS em muito pior estado do que encontrou, ao tomar posse, em Outubro de 2018.

            Não admira, assim, que Portugal seja hoje o país da União Europeia com maior taxa de mortalidade excessiva: 23,9%, um nada lisonjeiro primeiro lugar. Pelo quinto mês consecutivo.
            Cifra vergonhosa. Que representa quatro vezes mais do que a média comunitária.
            https://www.dn.pt/sociedade/portugal-volta-a-registar-em-junho-maior-taxa-de-excesso-de-mortalidade-da-ue-15097159.html

            Continua aí, de cabeça bem enterrada na areia, a entoar loas ao SNS que não frequentas enquanto tens o seguro de saúde pronto a usar.

          8. Qual seguro de saúde? Aquele que nem cobre o frasquinho da urina para as análises?

  2. É engraçado como se passa de bestial a besta em tão pouco tempo.
    Em pleno covid se a ministra dizia “mata” a oposição dizia “esfola”, era ver quem tinha as ideias mais draconianas, como o führer da Madeira que até para ir ao supermercado era preciso um certificado de vacinação.
    Será que não era evidente nessa altura que mais tarde iria surgir o caos?
    Onde é que estavam os defensores da Pátria nessa altura?
    Agora é mais fácil, claro, como deu asneira, a culpa é da ministra.
    E se a ministra tivesse feito como na Suécia?
    O que é que diriam agora os defensores da Pátria ?

      1. Se calhar vai para a Caixa Geral de Depósitos, para o lugar do outro coitado que agora teve uma acção de despejo.

          1. Ao Banco de Portugal não podia mesmo. O ministro das Finanças chegou lá primeiro. Transferência directa sem “conflito de interesses”, claro. E obedecendo ao mais rigoroso padrão de ética política.

          2. Na questão da ética política já temos o nosso Cherne como presidente da Aliança Global das Vacinas. E no conflito de interesses temos o Gasparzinho no FMI. Portanto nesse aspecto estamos servidos.

          3. Quem tem habilitação própria para dar prelecções de ética política é o ex-alcaide alfacinha (nascido no Porto).

            Fez pós-graduação ao entregar listas de nomes e contactos de activistas anti-Putin à embaixada russa.
            https://www.publico.pt/2021/06/10/local/noticia/camara-lisboa-enviou-dados-manifestantes-antiputin-residentes-portugal-governo-russo-1965956

            Concluiu o mestrado ao incluir na sua lista eleitoral a seriíssima e honestíssima ex-“alcadessa” de Arroios.
            https://observador.pt/2021/10/27/pj-faz-buscas-na-junta-de-freguesia-de-arroios-relacionadas-com-a-gestao-de-margarida-martins/

            Doutorou-se ao convidar para consultor especial, por ajuste directo e com “remuneração equiparada a ministro”, o ex-jornalista que lhe havia dado guarida como comentador na TVI.
            https://www.sabado.pt/portugal/detalhe/-sergio-figueiredo-vai-ser-consultor-de-fernando-medina-para-as-politicas-publicas
            https://www.publico.pt/2022/08/11/politica/noticia/medina-pagou-30-mil-euros-empresa-sergio-figueiredo-13-dias-trabalho-camara-lisboa-2016882
            https://www.jornaldenegocios.pt/economia/politica/detalhe/empresa-de-filho-de-sergio-figueiredo-recebeu-350-mil-euros-de-camara-liderada-por-medina

          4. Agora até me assustei pensei que você fosse divulgar os éticos que constavam nos Panamá Papers.
            Em termos de corrupção parece que ninguém tem telhados de vidro, digo eu…

          5. Não preciso branquear o Medina, o Moedas está a fazer isso muito melhor, segundo o “Tal e Qual” parece uma barata tonta.
            Acho piada como é que partidos com meia dúzia de votos estão sempre cheios de razão. Será que são mais espertos que a grande maioria? Você não é do PCP, pois não?

          6. É preciso amar muito os socialistas para passar da demissão da Marta Temido, do caos no SNS, do amiguismo do Medina, da humilhação pública do Pedro Nuno pelo Costa, tudo em poucos meses, para falar do Moedas citando o ‘Tal & Qual’ como fonte de autoridade e referência.
            Sinal inequívoco de paixão assolapada.

          7. A maioria do povo deve ser muito estúpida, não sei como é que não têm saudades de ficar sem o 13°mês, e ver os filhos a emigrar e ter de ir viver para casa dos pais por não poder suportar a renda. Isso sim é que é viver, cambada de piegas, falam de barriga cheia é o que é.

          8. Os inteligentes como você andaram aos urros contra as vacinas e até contra o uso obrigatório de máscaras.
            Entre essa inteligência e a chalupice vejo pouca diferença. Ou nenhuma.

            Daí ser-lhe indiferente que Portugal tenha hoje uma taxa de mortes excessivas quatro vezes superior à da média da Europa comunitária e que o número de portugueses sem médico de família seja hoje o dobro (1,4 milhões) do que havia quando a ministra agora demissionária iniciou funções.

          9. É verdade, por isso é que os burros da Suécia agora nem constam das taxas de mortes excessivas.
            E também deve ser por isso que os burros da Suécia têm muito menos mortes covid e não precisaram de passar nenhum atestado de estupidez às pessoas.
            Eu não andei aos urros contra as vacinas, eu andei aos urros foi contra as injecções e contra as máscaras obrigatórias, o que é diferente. Mas o tempo vai encarregar-se de mostrar quem tem razão. Aguardemos.

          10. Se o SNS já andava caótico com uma ministra há muito demissionária (Costa deu a novidade há dois dias), imagine-se como ficará agora com Marta Temido já com pé e meio fora mas ainda colada ao cadeirão governamental por decisão do primeiro-ministro que teima que ela deve ficar ainda mais algum tempo de castigo. Costa sem pressa para encontrar quem suceda a Temido naquela pasta.
            Isto é brincar aos governos, à custa do País.

  3. Ficou em baixo de forma depois de ganhar a Liga COVID19, ela e mais alguns.
    E o governo não quer devolver o iva aos mais pobres, por causa do aumento do custo de vida devido à crise energética.
    Bem podiam dizer que a culpa é do Putin e safavam-se de monte de críticas.

    1. Vê-se bem que não percebes peva de bola.
      Quem ganhou a Liga Covid foi o almirante Gouveia e Melo.
      A ministra que agora sai de cena levou Portugal, já em 2022, a ganhar a Liga Europeia dos Países com Excesso de Mortalidade.

    1. Motivo nenhum para rir. Neste que é o segundo país mais envelhecido da Europa, atingimos em 2020 uma triste marca: há 38 anos que não se registava uma taxa de mortalidade materna tão elevada em Portugal.
      Pior, só em 1982.

  4. Não se iluda, a saúde não tem nem terá melhoras. Somos um país pobre e velho, duas doença muito graves.
    Quanto à que partiu, lembrem-se das quotas para as mulheres. Elas fazem a diferença, dizem.

    1. Lembro-me das mulheres que partiram, sim. Das que perderam filhos ou morreram elas próprias por falta de assistência hospitalar condigna neste caótico SNS português após sete anos de governo Costa.
      Ontem à noite, em Lisboa, mais uma.
      20,1 óbitos por 100 mil nascimentos. Ao nível do que existia no início da década de 80.
      Se a palavra vergonha deve ser usada, é para classificar dramas como estes.

      1. Vai ter muito mais vergonhas pela frente, independentemente de quem lá esteja.

        Os custos com a saúde são cada vez maiores. Há medicamentos contra o cancro a custarem mais de 100.000 euros. A rapaziada seropositiva custa cerca de 600 a 800 euros ao mês com os retrovirais. A população está cada vez mais velha, logo a precisar de mais cuidados de saúde. Para as demências é cada um por si.

        Independentemente da má gestão, o problema é que o pilim não chega. Não há.

        Quanto ao SNS sei na pele do que essa “bendita” instituição é capaz ou incapaz – como sei os custos do privado, a que recorro habitualmente.
        Destes digo-lhe que se é para falarem em seguros expliquem como é com os maiores de 65 anos. Isto para não falar de plafonds e de cláusulas de exclusão.

        1. Se você fosse mulher e necessitasse de acesso a uma urgência de obstetrícia, haveria de cantar muitas loas a este SNS. Que tem vindo a ser notícia em toda a Europa pelos piores motivos, dignos de nos atirar para patamares do terceiro mundo.

          1. Eu disse que funcionavam? Porque é que os hospitais privados de Lisboa estão cheios de parturientes? Se o SNS fosse bom não iam para lá. Entre na CUF ao Domingo e é ver.
            Pode crer, o que sucedeu a essa família é semelhante ao que se passou na minha casa há largos anos. Não sou eu que elogio o SNS. Só que sei também que com o nosso PIB, bruto e per capita, e com a nossa pirâmide etária a tendência vai ser sempre a mesma: para baixo. Ainda por cima com a gestão habitual no Estado, os negócios que lá medram e o nepotismo que por lá reina.

            Alguém falou por aqui em barões da medicina. Não acredito em tal coisa. Já lá vai o tempo do grande professor doutor e da sua clínica. Hoje o que há são grandes grupos empresariais. Os professores doutores são avençados, contratados, o que quiser.

            Mas já que está tão indignado, faça uma pequena investigação sobre as infecções nosocomiais e conte. Do meu conhecimento as estatísticas em Portugal nessa área são ocultadas, ou fazem o possível por tal. Se por acaso sai alguma desfavorável é certo que a imprensa atira logo com um dado estatístico positivo.

          2. Tenho muitos dados sobre o desempenho da Saúde em Portugal.
            Dados que me permitem concluir o que escrevi e repito agora: quatro anos depois, a ministra agora demissionária deixa o SNS em muito pior situação do que estava quando assumiu funções.

          3. Não sou eu que o contrario nem serei eu quem defende a tonta. O que digo é que os problemas do SNS são estruturais e não têm remédio. Mais, só irão agravar-se.
            Compreendo que lhe dê jeito atacar esta pobre diaba, mas o próximo e os seguintes será igual.

            Quem diz que a saúde não tem preço está muito enganado. Tem e é bem apimentado. Posso dizer-lhe que a conta de hospitalização de um familiar meu ficou em 1000 euros/dia; sem cirurgia. Diferença em relação ao SNS? Foi tratado/a com humanidade.
            De resto é tudo farinha do mesmo saco, isto é, portugueses, com curso tirado em Portugal. Tal significa por exemplo que a higiene nos hospitais é tipo fio dental na praia de Ipanema com 40 graus à sombra.

          4. A Senhora Ministra da Saúde.
            Já agora, sabia que a taxa de declarações de óbito por causa indeterminada era tão alta por cá aqui há uns anos que havia o risco de deixarem de ser reconhecidas lá fora? Não sei qual o estado de coisas actual mas diz muito da excelsa qualidade dos nossos hospitais.
            Nisto de hospitais, doenças, SNS, seguros e coisas que tais, o que é preciso é acreditar, ter muita fé. De resto é como o destino, será o que Deus quiser. Se morreu morreu, era a hora dele. Se não morreu foi milagre de Nossa Senhora de Fátima.

          5. Não é meu hábito insultar políticos e governantes. Nem considero de forma alguma que a ainda ministra seja tonta.
            É simplesmente descompetente. Forma politicamente correcta de a considerar incompetente para a função que exerceu durante quatro anos.

          6. Seja. Uma mulher excepcionalmente inteligente, muito dedicada e trabalhadora, empenhada, uma referência no serviço público e uma incompetente. Os que se vão seguir não vão ser muito diferentes.

          7. As árvores julgam-se pelos frutos. Neste caso, os frutos foram péssimos.
            E só não foram ainda piores devido à intervenção do almirante no processo das vacinas, que também ameaçava tornar-se um caos.
            Isto nada tem a ver, obviamente, com a inteligência da ainda ministra. Que claramente não estava preparada para esta função.
            Se estivesse, não deixaria o SNS muito pior do que estava quando assumiu o cargo.

  5. Ao início desta tarde, foi por essa altura que a escutei num canal televisivo, não posso afirmar que “em directo”, uma luminária socialista com assento de deputado da nação, uma verdadeira encarnação do retrato queiroziano do parlamentarismo mais gelatinoso, apresentava a posição do seu partido sobre a demissão da ainda ministra da saúde. Um breve mas alucinado, reiteradamente alucinado, panegírico da actuação da senhora e da condição em que deixa o SNS. Um verdadeiro escarro, sobranceiramente lançado sobre todos nós por um poder que se delicia na sua condição de absoluto. Já não é uma questão de viver e afirmar uma realidade paralela; é absoluto desprezo, descarado, impenitente, puro e duro pelo Soberano. Mas o Soberano gosta que seja assim.
    Não parece uma nave de loucos. É.

    1. Em 230 países e territórios, Portugal é hoje o 34.º pior em número de mortos ‘per capita’.
      Fruto da maravilhosa e competentíssima gestão do excelso Serviço Nacional de Saúde.

  6. Um país infestado de partidos, todos com amplos enunciados sobre políticas para o país, todos eles parecem não ter o que justificaria tantas opiniões: gente capaz de avaliar em permanência o resultado das políticas em execução e definir melhorias e soluções.
    A ideia que transparece é que todos estão mobilizados para montar acções de propaganda, sendo essa a missão que têm por essencial.
    E os que estão no governo, comunicam a todo o sistema essa secundarização da melhoria e da reforma, frustrando quem trabalha e privilegiando os serviçais das aparências.

    1. Ao menos países como a Coreia do Norte (governada pelo Partido Comunista desde 1948), a China (governada pelo Partido Comunista desde 1949), Cuba (governada pelo Partido Comunista desde 1959) e o Vietname (governado pelo Partido Comunista desde 1975) não estão “infestados de partidos”.
      Porque lá só existe um.

      1. Ao menos, se o número de incompetentes o conforta, tem razões de grande contentamento.
        Vivi boa parte da minha vida com um regime político bem próximo do partido único; de facto dizia-se de nenhum outro partido senão o da nação. Ao menos deu poder a muitos que, com verdade e competência, só disso se reclamavam.
        Assim, melhor lhe ficaria comentar o que eu quero significar, sabendo por experiência que censurar palavras não deve censurar o pensamento.

  7. É espantosos que o número mensal de 10.000 mortes, não tugissem nem mugissem na cabeça da senhora.
    Bastou UMA para “lhe saltar a tampa”.
    Como não acredito em bruxas, mas há ( basta ver a DGS), algo mais terá acontecido na 25ª hora do dia 29.
    Dada a hora tardia que o nosso querido Marcelo se deita, nao me custa imaginar nele a telefonar à ministra, ou ao Costa , ou acordando ambos a perguntar o que é que se passou com a cidadã indiana..
    Se fosse portuguesa tê-lo-ia feito?
    Confesso, desta vez estou mesmo a ser muito mauzinho para todos, mas eles merecem.

    1. A indiana era uma turista, estava de férias.
      A não ser que viesse de férias só para ter a criança num país de UE, esquisito.

        1. Rumo aos EUA ocorrem excursões organizadas de grávidas chinesas próximas do fim da gestação (e de outras nacionalidades), que pretendem a nacionalidade norte-americana para os filhos. Lá saberão o porquê. Agora basta atravessar o Rio Grande a pé…. Mas para Portugal?.
          Afinal é uma grande honra ser-se co-nacional de Camões, Fernando Pessoa … e outros.

          1. P.C. Turismo de gestantes é hoje capas dos jornais. Factos são factos.

        1. A demissão da ministra, na mesma noite em que soubemos de outra morte que agrava a já alarmante taxa de mortalidade materna em Portugal, neste triste Agosto cheio de urgências hospitalares encerradas, “fala” mais do que qualquer inquérito.
          Não fala: grita.

          1. Nem sei então para que se vai fazer o inquérito, já há quem tudo saiba.
            Que o SNS vai de mal a pior, ninguém tem dúvidas, que no caso em apreço com o que se noticiou, afirmar que foi “falta de assistência condigna do SNS português”, não me parece de bom senso.
            A senhora apresentou-se no SNS em estado avançado de problemas e segundo os médicos foram seguidas as melhores práticas a nível mundial. Até agora não foi referido a situação de encerramento no caso em apreço.
            Já houve muitas razões para a ministra se ter demitido. Com o que foi noticiado, esta situação não me parece uma delas.

          2. Como estava com “graves problemas”, o hospital público mandou-a para outro hospital público, sem acompanhamento médico. Para morrer na ambulância do INEM.
            Portugal, ano 2022. Assim vai o maravilhoso SNS sempre tão enaltecido pelos propagandistas do governo…

          3. “Como estava com “graves problemas”, o hospital público mandou-a para outro hospital público, sem acompanhamento médico. Para morrer na ambulância do INEM.”
            Procedimento que ocorre sempre que necessário no casos em apreço, falta de vaga.
            Quando se deteta que X não chega, alega-se porque não existia X + N. E quanto X + N não chega, pretesta-se porque não havia X + N + N…..

            “Portugal, ano 2022. Assim vai o maravilhoso SNS sempre tão enaltecido pelos propagandistas do governo…”

            E sempre devidadamente enegrecido pelos propangandistas opositores ao governo…
            Farinha do mesmo saco.

  8. Ao comentador que aqui chegou sem assinar (deixando apenas um nome próprio, que nada significa) dizendo que um conhecido político no activo «já provou que se vende de todas as formas e feitios». Comentário chumbado.
    Uma coisa é criticar, seja quem for.
    Outra, muito diferente, é difamar ou injuriar. O anonimato constitui factor agravante.
    Se quer injuriar, faça isso noutro espaço. Não aqui.

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