Está bem, mas então e antes?


João de Teste,

Numa das primeiras empresas onde trabalhei, contava-se esta “anedota interna”: certo dia, ao fim do expediente, alguns elementos da empresa decidiram fazer uma noitada pelos bares de Lisboa. Voltaram todos para casa em vários estágios de torpor alcoólico. Depois de dormir a bebedeira, o técnico de informática acordou e viu que já passava do meio-dia. Telefonou atrapalhado para o escritório e disse a quem o atendeu que pedia imensa desculpa mas tinha bebido para lá de demasiado e deixara-se dormir. A outra pessoa respondeu-lhe que sim senhor, não havia problema, mas “isso é hoje; então e ontem, porque é que faltaste?” (Nota: ele próprio não me negou a veracidade da narrativa).

Lembrei-me desta história ao ler que Marta Temido se demitiu por sentir que “deixou de ter condições para exercer o cargo”. Está bem, mas isso é hoje; então e na semana passada, ou há um mês, ou há três meses, porque é que ela sentia ainda ter condições para o exercer?

Estará Temido a pôr-se já ao fresco para que seja outro qualquer a apanhar a (ainda maior) confusão que há-de vir com a época alta de doenças respiratórias (gripes, covids, etc)?

28 comentários em “Está bem, mas então e antes?”

  1. A ministra já se devia ter demitido mas não se devia demitir porque demonstrou falta de coragem.
    Parece um pouco incoerente. Diga só que não gostava dela que fica melhor.

  2. A ministra foi uma óptima girl que falou falou iludiu iludiu e sacudiu a água do capote até ao limite. Escondeu até ao limite do ridiculo a incapacidade natural dos xuxas para gerirem a coisa pública. Era combativa não há duvida, mas deixa o SNS a medir meças com os congeneres da Venezuela e Cuba. Já para não falar no excesso de mortalidade que coloca Portugal no topo. Foi tão lindo o ” fiquem casa, não sobrecarreguem o Sns ” nao foi ?

  3. Há uma época alta de doenças respiratórias?
    Que engraçado, não me lembro nestes últimos dois anos de alguém se queixar de outra doença que não fosse a covid.
    Ah! Espera, quem se queixava de falta de consultas e de exames de diagnóstico eram os negacionistas, não era?
    Pois, como não querem admitir que caíram num enorme logro, mandam as culpas para cima da ministra.
    Só gostava de saber se a ministra não tivesse entrado na histeria covid, o que é que diriam agora os salvadores da Pátria.

    1. Não fossem as vacinas e ainda estavam centenas de pessoas a morrer de Covid por dia. E a minoria de lixo negacionista muito tem a agradecer ao resto do povo português. Vivessem noutro país e seriam os “protagonistas” da clássica notícia “negacionista morre de Covid”.

      1. Explique lá isso melhor das “suas vacinas”.
        Ora vá lá estudar o que eram vacinas até chegar o Covid 19, alterarem a definição oficial de “vacinas” e chamarem “vacinas” a algo autorizado ao abrigo do “Emergency Use Listing” da OMS e ainda hoje nessa categoria.
        E continue enfiado em casa, sózinho e de máscara, claro.

        1. Eu saio à rua sem máscara. Porque as vacinas funcionaram e Portugal chegou mesmo a ser o campeão mundial da vacinação. Isto não se deve a nenhum partido ou governo mas sim ao povo português. Os negacionistas esses só aparecem na Internet.

          1. As vacinas e as máscaras funcionaram tanto que agora somos os que temos mais mortos.
            Para não falar da varíola dos macacos.
            Não confunda vacinas com injecções, são coisas diferentes. Mas se você se sente bem em ter sido enganado, força, quem sou eu para o desanimar.

    2. Desde o início da pandemia que eu questionei a dimensão dos futuros danos colaterais. Com um SNS em condições normais já sobrecarregado e atrasado, as opções eram: ou manter o serviço habitual o melhor que fosse possível e encaixar o acréscimo de Covid onde coubesse; ou direccionar todos os recursos possíveis para o Covid deixando o resto em pausa. Costa sabia que cada morte a mais por/com Covid seria contabilizada em directo, enquanto as futuras mortes a mais causadas pelos cancros diagnosticados demasiado tarde, operações não realizadas, tratamentos atrasados e consultas adiadas ficariam, com sorte, remetidas às estatísticas da Pordata e pouco mais. Por isso, ele optou pela segunda alternativa: não quis correr o risco de um “novo Pedrogão” lhe estragar a fantasia do futuro cargo europeu.

      1. Imagine então que ele fazia como na Suécia. O que é que acha que tinha acontecido?
        Porque é que agora toda a gente critica aquilo que no princípio foi elogiado por todos.
        E se fosse o PSD? Como na Madeira que até para ir ao supermercado precisavam de certificado e já queriam vacinar os bebés a partir dos seis meses.
        Criticar é fácil, fazer melhor é um bocadinho mais difícil.

        1. Um bocadinho mais difícil fazer melhor? Bastava a ministra, que se acalma com o hino da Internacional Socialista quando está zangada, ser menos miúra ideológica e articular-se com o sector privado durante toda a pandemia, e não apenas quando os hospitais públicos já andavam aos papéis, para fazer um bom bocadinho melhor.

          1. Pois eu bem me parecia que o problema estava na falta de coordenação com o sector privado.

          2. Com o devido respeito, Carlos, eu nem sequer sugeri o artigo definido. Se o Carlos “quer conversa” e o decidiu ler ali, é o seu jogo, não o meu.

  4. A seguir ao “ronaldo” das finanças foi a “ronalda” da covid as grandes estrelas desta equipa.
    O resto está tudo muito bem feito, como diria o outro, pra mim o cerco dos seguros de saúde está a apertar o SNS.

    1. O SNS é aquele seguro de saúde pelo qual a maioria dos portugueses paga centenas de euros por mês através dos impostos. Como tal o povo português não deveria pedir mas sim exigir um serviço de qualidade e sem taxas ou taxinhas. Ou alguém pagaria voluntariamente 100€ por mês por um seguro de saúde que nem sequer lhe garantisse assistência médica?

    2. O “ronaldo” das finanças teve a sorte de a poltrona já combinada no BP ficar vaga antes de a realidade começar a desbotar a maquilhagem contabilística.

  5. Hum…
    Será que foi a Ministra que se demitiu ou foi o Primeiro Ministro que a mandou demitir-se?
    Inclino-me para a segunda hipótese.

    1. Qualquer uma delas parece-me válida. Costa, que usa os ministros como escudos humanos, poderia temer que Temido estivesse já demasiado danificada para lhe ser útil e ele próprio começasse a ser atingido pelas balas. Mas Costa não é pessoa de acção.

  6. É sempre a história da tal gota de água que faz transbordar o copo.
    Desta feita terá sido a morte de uma grávida…

    1. Ou teria sido a pedido do montenegro ‘o que é preciso mais para demitir a ministra’, disse ao costa pele ao telefone.

  7. A Sra. não é parva. Por muito mau que seja o sair agora, muito pior será o continuar como Ministra, e portanto continuar co-responsável, pelo que se aproxima. E não é na saúde.

    1. Temido disse um dia que quando estava irritada ouvia o hino da Internacional Socialista para se acalmar. Eu questiono a exactidão da sua primeira frase. Pode não sê-lo completamente… e por isso ter percebido que a sua situação tornara-se insustentável após a notícia da morte da grávida.

    1. Se for preciso nacionaliza-se toda a saúde privada. Não é preciso ser de esquerda para defender isto, basta querer o bem da população.

    2. Penso que se devia ter algum cuidado com estas sugestões envolvendo o almirante, Pedro, ou um destes dias o seu musculado ego ainda o convence de ser a reencarnação de D. Sebastião.

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