Para o Sérgio


Pedro Correia,

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PARA SEMPRE

 

Por que Deus permite

que as mães vão-se embora?

Mãe não tem limite,

é tempo sem hora,

luz que não apaga

quando sopra o vento

e chuva desaba,

veludo escondido

na pele enrugada,

água pura, ar puro,

puro pensamento.

Morrer acontece

com o que é breve e passa

sem deixar vestígio.

Mãe, na sua graça,

é eternidade.

Por que Deus se lembra

— mistério profundo —

de tirá-la um dia?

Fosse eu Rei do Mundo,

baixava uma lei:

Mãe não morre nunca,

mãe ficará sempre

junto de seu filho

e ele, velho embora,

será pequenino

feito grão de milho.

 

 

Carlos Drummond de Andrade, Lição de Coisas

17 comentários em “Para o Sérgio”

  1. De facto os pais(mãe e pai,por causa do correcto) não têm idade,daí estranharmos o seu desaparecimento.
    Assim me solidarizo com o Sérgio.

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