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Kennedy conquistou a nomeação democrata – com 806 votos dos delegados, contra 409 recolhidos por Johnson e 287 distribuídos por vários outros concorrentes, entre os quais Adlai Stevenson, Hubert Humphrey e Stuart Symington. E logo o primeiro gesto público que assumiu, aliás incompreendido à época por vários colaboradores, foi estender a mão ao seu principal rival no interior do partido, convidando-o a ser o candidato à vice-presidência.
Uma aposta que valeu a pena. Em Novembro desse ano, a dupla John Fitzgerald Kennedy-Lyndon Baines Johnson bateu os republicanos por margem muito escassa: cerca de 110 mil votos. Sem a junção dos dois nomes complementares, concluem hoje os historiadores sem sombra de dúvida, a derrota dos democratas teria sido inevitável.
Apeteceu-me fazer esta digressão histórica para assinalar o contraste entre dois modos muito diferentes de estar na política: o que Kennedy revelou em 1960, superando até agravos pessoais, e o de políticos contemporâneos, nomeadamente em Portugal, que preferem subtrair em vez de somar. Como se o verdadeiro adversário estivesse intramuros e não no exterior. E como se não precisassem de cada militante nos combates eleitorais. Vivem obcecados com o guarda-chuva de Chamberlain, que nunca protegeu ninguém contra intempéries políticas.

Um bom texto a apontar uma medida sempre boa e muito escassa.
Estes bons exemplos andam muito esquecidos, Bea.
Há uma grande diferença entre umas eleições legislativas em Portugal e umas eleições presidenciais nos EUA. Nestas últimas, só há, basicamente, dois competidores, pelo que cada competidor deve fazer as alianças mais abrangentes que puder; nas primeiras, todos os competidores podem fazer eleger alguns deputados, pelo que alianças não são imprescindíveis.
Agregar ou segmentar é um dilema que se coloca a qualquer político, em qualquer época, em qualquer quadrante geográfico ou ideológico.
Neste aspecto, tanto vale para as presidenciais norte-americanas ou para as legislativas em Portugal.
Na última eleição presidencial norte-americana, tivemos Clinton, da América liberal e sofisticada, contra Trump, da América profunda. Não houve uma aliança entre as duas, como na candidatura de Kennedy. As duas Américas estão a divergir cada vez mais.
Interessa-me pouco falar da política actual dos EUA. Interessa-me muito mais colher lições proveitosas dos bons exemplos históricos.
Entre a Clynton e o Trump nunca poderia ter havido ‘convites’ era de partidos diferentes.
Por cá, ou em toda a Europa, na se compara com as eleições presidências americanas.
Da outra vez, quando Marcelo se encontrou com Trump, este perguntou se não tinha receio de perder as eleições para o C. Ronaldo, ou que Marcelo respondeu que Portugal não é América. Não pareceu ser uma resposta paliceana, antes quis dizer que por cá não tínhamos trumpices. Até ver!!!
Hillary Clinton podia ser uma política europeia. Trump, não.
A lição que eu tiro disso é que o Kennedy tinha uma mulher incomparavelmente mais bonita. Americano fosse e era nele que votava.
Os americanos não pensam necessariamente dessa maneira. Jacqueline Kennedy foi criticadíssima, entre outros motivos, por ser:
– Demasiado sofisticada;
– Católica;
– Fluente em francês (chamavam-lhe “estrangeira”).
Em suma. Só predicados a engrandecerem ainda mais a encantadora elegância.
Sabe lá o Pedro Correia no que os americanos pensam. Se bem que saber distinguir o inimigo externo do interno, abona muito a favor do sucesso.
Que o diga o Sporting que ao contrário dos américas procura-os em todo lado quando internamente a infestação perniciosa rebenta pelas costuras.
Falei na crença católica e logo apareceu aqui alguém ungido por cónegos e padres. Embora a bênção dos ditos deixe de funcionar mal transpõe a fronteira.
Que padres? Que missas? E de caminho, que religiões?
Torna-se evidente que não conhece o Pedro Boucherie Mendes, e consequentemente não o lê.
Não finja falta de conhecimentos teológicos. Faz parte da vossa cartilha maternal.
Kennedy também era católico
Sim.