Palpites para uma longa noite


Pedro Correia,

 

Só vi quatro dos nove filmes que concorrem ao Óscar da Academia destinado a premiar a melhor longa-metragem de ficção de 2011. Não posso, por isso, tecer considerações fundamentadas sobre aquele que merece levar a estatueta. Mas como gosto de apostas adianto o meu palpite sobre o vencedor: O Artista, de Michel Hazanavicius – fascinante revisitação dos anos pioneiros de Hollywood num filme que recupera a estética do cinema mudo que parecia sepultada a oito décadas de distância. Já alguém lhe chamou, e com razão, “a quintessência da nostalgia”.

Estas (filme e realizador) são as vitórias que me parecem mais prováveis. Mas, entre os concorrentes nomeados pela academia, o filme que eu gostaria de ver contemplado com o supremo galardão do ano foi talvez aquele que mais fascinou de quantos vi em 2011: A Árvore da Vida, de Terrence Malick. Há filmes que nos tocam de uma forma tão radical, tão surpreendente, tão prolongada que a partir desse momento se tornam parte integrante do nosso património afectivo. Este é um deles.

Quanto aos prémios restantes, estimáveis mas de segunda linha, deixo apenas dois palpites: Meryl Streep conquista o seu terceiro Óscar (após Kramer contra Kramer em 1979 e A Escolha de Sofia em 1982) pelo seu imbatível desempenho como Margaret Thatcher em A Dama de Ferro e Max von Sydow ganha enfim uma estatueta como actor secundário em Extremamente Alto, Incrivelmente Perto, de Stephen Daldry. O equivalente a prémio de carreira para compensar omissões anteriores – algo muito frequente em Hollywood. Uma lógica que pode aplicar-se também a outro veterano destes lides: Christopher Plummer, nomeado pela actuação em Assim é o Amor, de Mike Mills.

E mais não digo. A festa é mais logo, na TVI. Uma das noites mais compridas do ano.

 

Imagem: fotograma d’ A Árvore da Vida, de Terrence Malick

3 comentários em “Palpites para uma longa noite”

  1. Estou pior do que tu, desses 9 só vi 2: O Artista (uma delícia de filme) e Midnight in Paris (que me reconciliou com o Woody Allen. Gostei de ambos, mas sem achar nenhum deles a oitava maravilha. Por estranho que pareça ainda não vi A Árvore da Vida, de que já ouvi dizer o melhor e o pior. Tenho de vê-lo, portanto.

    1. ‘A Árvore da Vida’ é mesmo um caso à parte, Ana. Voltaremos a ouvir falar muito deste filme nos anos mais próximos. E nos outros a seguir também.
      Mas se o Óscar for para ‘O Artista’ também não está nada mal: é uma pequena obra-prima. E caso raríssimo: um filme francês que conquistou o público americano.

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