Hermínio da Palma Inácio morreu hoje, com 87 anos. Resistente durante o Estado Novo, não resistiu a ser pioneiro no desvio de um avião e a roubar 30 mil contos do Banco de Portugal na Figueira da Foz.
Mentor da polémica Liga de Unidade e Acção Revolucionária (LUAR), reivindicou a natureza política daquele roubo (30 mil contos era então uma fortuna apreciável), mas foi com o desvio do avião, a 10 de Novembro de 1961, que contribuiu para que esse fosse um ano demolidor para o «salazarismo», o qual foi marcado por vários acontecimentos anti-regime, como se sabe.
Já em democracia e apesar de fazer da LUAR um partido político, Palma Inácio nunca encontrou na política o sucesso que teve com o golpe ao banco central.

Palma Inácio merece a homenagem devida a todos quantos lutam contra uma ditadura, arriscando a liberdade e até a vida. Depois do 25 de Abril, nunca o vimos na corrida ao tacho a que tantos se entregaram – sobretudo tantos que jamais contribuíram para a conquista da liberdade. Merece a nossa homenagem também por isto.
Concordo inteiramente com o comentário do Pedro, podendo-se contar pelos dedos das mãos aqueles que desde o 25 de Abril tiveram a verticalidade e a postura deste homem, embora com uma ideologia e localização na arena política que, de todo, não são as minhas. Apesar disso, acho-o inteiramente merecedor da nossa homenagem, pela maneira desinteressada com que se entregou às suas causas.
Não irei tão longe como o Pedro Correia. Creio que o que movia Palma Inácio era a sua natureza inconformada e aventureira. Um homem que não nasceu, a meu ver, para ser político. Creio que há uma diferença considerável entre Palma Ináco e Henrique Galvão quando, num acto premeditado e de cariz político, desviou o Santa Maria.
Mike, poucos meses depois do «assalto ao ‘Santa Maria’», o desvio do Super Constellation da TAP liderado por Palma Inácio foi concebido por Henrique Galvão.
Como bem diz o Tomás Vasques. “Um homem integro, desprendido, generoso, um revolucionário romântico que fez da sua vida um combate pela liberdade sem nada querer em troca”.
… Além dos 30 mil?
Bem, lá saberá mais do que eu João Carvalho, que nestas coisas se calhar tomo a nuvem por Juno , e ainda acredito no pai natal. Mas gosto de ser assim.
Não era uma crítica, Ariel. Longe de mim.