Palavras para recordar (64)


Pedro Correia,

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JOSÉ PACHECO PEREIRA

Diário de Notícias, 22 de Maio de 1997

«Eu não sou crente, mas sei que há algo de terrivelmente humano na fé e na esperança, que são os dois motores invisíveis de Fátima.»

12 comentários em “Palavras para recordar (64)”

  1. Eu não sou crente, mas à cautela deixa-me cá dar uma de compreensão não vá o Diabo tecê-las.
    Mais ou menos como nem a favor nem contra, e muito pelo contrário.

  2. Há muito que já se percebeu que as opiniões de JPP ficaram nos casacos que estava a usar no dia em que as proferiu.

    1. Sobre essa magna questão da “coerência”, o Pessoa esgotou o assunto: https://lishbuna.blogspot.com/2010/06/acerca-da-coerencia-recentemente-entre.html

      Por outro lado, não vejo por que motivo o JPP não poderia repetir, hoje, o que disse em 1997:

      – qualificar algo de “terrivelmente humano” não é um elogio, mas uma admissão das tremendas fraquezas (de todo o tipo) do sapiens;

      – a “fé” e a “esperança” (“a trela da submissão”, como lhe chama o Vaneigem) são apenas duas dessas tremendas fraquezas.

      1. Subtil, mas o exercício não esgota o problema.

        Além do mais, também não me parece que, sei lá, os chineses libertados dessa terríveis grilhetas (para dar um exemplo maoista) não tenham arranjado outras bem piores e mais escravizadoras.

        A própria ideia de que uma crença não é um conjunto de locuções que se relacionam com uma mitologia e que integram uma comunidade, como outras manifestações estéticas, mas um malvado mecanismo de controlo criado por alguém que ninguém sabe quem é (acreditar nisso é quase um acto de fé), mostra bem em que se foca a mente de alguém que começa a olhar o problema pelo lado daquilo que quer que a coisa diga e não do que verdadeiramente a coisa pode dizer.

      2. Mesmo sem ter lido esse trecho de FP, sempre achei que mudar de opinião não encerra nada de problemático — é perfeitamente natural. Embora não me pareça , ao contrário de Pessoa, que isso encerre uma estratificação da inteligência.

        Isto para dizer que num mundo que entretanto superou o modernismo e que analisa agora as condições e não a totalidade da coisa que é dita (o que inclusivamente Alberto Caeiro intuiu muito bem no poema “n’um dia excessivamente nítido” — estava bem à frente de Pessoa, o Caeiro…), também convém averiguar se se muda por se ter obtido uma nova consciência de um problema ou por haver uma necessidade mais oportunista (agora diz-se estratégica) de mudar de opinião, digamos assim.

      3. A “fé” e a “esperança” são forças, não fraquezas que ajudaram historicamente muitas pessoas a sobreviver e a vencer enorme sofrimento.

        lucklucky

  3. Quase parecido com a conversa que tive esta manhã com o meu mano Luís, católico praticante. Retiro da citação as palavras “fé” e “esperança”, que compreendo a custo. Exactamente como não compreendo o conceito de “alma”.

    1. Cara Alexandra G.
      O conceito de alma, depende muito de quem a usa. Para a generalidade do mundo convive-se bem com ela, mas para a verde nação é sempre num desassossego que a trazem, sobretudo quando o Sporting joga contra o Glorioso Vermelhão.
      “É desta! é desta que lá vamos! agora tem de ser, vamos ganhar!”
      Depois do espancamento, se entraram para lá com ela (alma) em desassossego saem de lá com ela, (continua alma), num desassossego agonizante.

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