País de névoas


oanonimoanonimo,

O episódio da nomeação de Domingos Névoa para presidente da Braval – empresa intermunicipal, cujo accionista maioritário é a Câmara de Braga – revela, de forma impiedosa, o estado da Nação. Obviamente, tudo isto só é possível pelo clima de impunidade que por aí grassa, quando se trata de caça grossa. Que se inquietem, pois, os pardais.

Névoa, condenado em primeira instância na pena de multa simbólica de cinco mil euros, por corrupção activa, deve estar a achar piada à situação. Mesquita Machado, edil de Braga, ilibado na sequência de atabalhoada investigação da PJ sobre o seu inexplicável enriquecimento – e o da família -, também deve rebolar-se de riso, perante o débil e ineficaz protesto dos nativos.

Sim: débil e ineficaz protesto.

Fosse este um problema que envolve apenas o PS (ou qualquer outro partido) e talvez houvesse alguma esperança. Mas não é. Névoa não foi nomeado apenas por Mesquita Machado (e pelo autarca socialista de Amares): Névoa teve o apoio unânime dos presidentes social-democratas das autarquias de Póvoa de Lanhoso, Vila Verde, Terras de Bouro e Vieira do Minho, o que deixou Manuela Ferreira Leite a titubear, desesperada.

Ora, como se vê, em política, as solidariedades, quando se trata de defender o quadrado, não têm cor. O sentimento de impunidade também não. Resta o direito à indignação dos descoloridos pardais – parco alimento.

 

4 comentários em “País de névoas”

  1. Bem observado. É que, mesmo existindo um acordo parassocial que conferia aos privados o direito de eleger o presidente do Conselho de Administração, seria fácil aos autarcas, que controlam a maioria do capital da empresa intermunicipal, imporem aos accionistas privados um nome diferente ou, em alternativa, derrotarem aquela proposta na Assembleia Geral. Et pour cause…

  2. Atenção que a Câmara de Vieira do Minho é também CDS, pois é eleita em coligação.
    O Nuno Melo que não tente fugir com o rabo à seringa!!

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