Pacote laboral derrubado pela Cheringonça


Paulo Sousa,

Na sexta-feira passada, o pacote laboral foi derrubado pela Cheringonça. Toda a esquerda celebrou esta derrota do governo. As forças situacionistas, PCP, Livre, BE, PAN, PS, JPP e Chega, uniram-se para impedir uma reforma do mercado de trabalho.

Bem sabemos como o Chega tem como única convicção conseguir chegar ao poder. Para isso está disposto a afirmar tudo e o seu contrário, a ser favorável a tudo e a nada, e até a unir-se ao Bloco e ao PCP. Os que defenderam o parlamentarismo que sustentou a Geringonça original mudaram de convicção quando exigiram linhas vermelhas que ostracizassem o Chega. Agora emocionam-se ao ver o Ventura de punho fechado na mesma luta que a CGTP. O PS, sem reacção, assiste à entrada do Chega pelo seu eleitorado adentro, como se estivesse a viver um acidente rodoviário em câmara lenta. O governo não vai perder a oportunidade para se vitimizar. Olhando para a insuficiência das medidas propostas, é fácil de ver que o impulso reformista já era fraco. Assim, evitou a normal urticária causada pelas mudanças e ganhou uma narrativa, não governa porque não o deixam.

Eu, que me lembro do pequeno Tavares sugerir que, por considerar o Chega um partido anti-democrático, os seus mandatos deveriam ficar fora das contas normais para alianças governativas, tenho de me rir com a celebração deste chumbo pelo grupo agora mais alargado de compagnons de route. Foi mais um momento em que pudemos assistir a pinos, reviravoltas e abraços improváveis. Ignorando as consequências negativas para o futuro dos portugueses, a política tem momentos engraçados.

32 comentários em “Pacote laboral derrubado pela Cheringonça”

  1. Então agora a esquerda também é acusada das cambalhotas circenses do partido da taberna? E não devia celebrar mas lamentar o chumbo de um pacote laboral contra o qual se bateu, porque não foi chumbado só pelas forças políticas certas? O que se viu foi uma explosão de alegria na assistência, à qual os deputados corresponderam e ventura aproveitou para fazer o tal gesto para as câmaras. Nem sequer é um punho erguido, é uma mãozinha envergonhada, uma coisa em forma de assim… se tal triste figura engana eleitores? É possível, mas não é menos triste por isso.

  2. Aí está ele, a limpar as lágrimas ao guardanapo de pano porque o Governo não conseguiu passar o seu adorado “pacote laboral”. É preciso ter um coração de pedra para não rir de compaixão perante este drama humano: um comentador de bancada em pleno colapso nervoso porque os malvados não deixaram passar as “reformas”. E toda a gente sabe que “reforma do mercado de trabalho”, traduzido de politiquês para português, significa apenas “arranjar maneira do patrão te dar um pontapé no cu mais depressa e mais barato”.

    O autor descobre, pasme-se, que o Chega não tem convicções e vota no que for preciso para aparecer nos jornais. Este Sherlock Holmes da política nacional percebeu que o Ventura é capaz de estar de punho erguido de manhã e a fazer a saudação romana à tarde, dependendo de onde estiver a câmara da CMTV.

    A política, de facto, tem momentos engraçados, mas ver a malta do “impulso reformista” a chorar baba e ranho porque a matemática do parlamento não obedece a folhas de Excel, isso sim, é de ir às lágrimas.

  3. De vitória em vitória até à derrota final!
    O Chega e o punho para a CGTP é testemunho maior dessa abrilesca e mobilizadora vertigem.

  4. em meu entender estão todos a pensar não aprovar o orçamento para haver eleições legislativas em 2027.
    os próximos governos serão minoritários. Portugal também.

  5. “…podemos assistir a pinos, reviravoltas e abraços improváveis. Ignorando as consequências negativas para o futuro dos portugueses…”.
    Votar, em Eleições Legislativas, só e exclusivamente nas siglas dos partidos dá nisto.

    Com votação uninominais a representantividade político de A. Ventura (e outros) seria democraticamente aferida a uma escala incomparavelmente mais exacta.
    A. Ventura (e outros) concorreriam uninominalmente nos seus círculos eleitorias para Deputado na Assembleia da República. Poderiam ser eleitos nos seus respectivos círculos eleitorais.
    Representariam, democraticamente, o seu círculo eleitoral. “… assistir a pinos, reviravoltas e abraços improváveis …” seria um espetáculo de interesse, responsabilidade e consequências restritas, não nacionais.

    A mais que necessária representatividade, na nossa democracia, optimizada.
    (Claro que isto não interessa aos democratas actuais, os donos da bola. Parte do eleitorado tem interesses…. Metade já nem vai a jogo)

  6. So os loucos e que achavam que ia ser aprovado…ate ex-ministros do psd criticaram o acordo. E inacreditavel, ainda acreditaram que o acordo ia ser aprovado, depois de ter falhado na concertação social e das bandeiras que o Chega colocou para o viabilizar…

  7. Os trabalhadores portugueses não são descartáveis.
    As empresas que deixem de receber qualquer tipo de subsidios e façam-se á vida.
    Não é a despedir que quem leva está numa empresa vai 5 anos ou mais e leva para casa 1100€ e a contratar pelo salário minimo que as empresas florescem

  8. Se soubesses o que é trabalhar por turnos fora todas as pressões (inclusivé as de natureza criminal) tinhas mais tento na escrita e na língua.

  9. Não entendo. E não estou a ver reuniões secretas entre Chega e PS a combinarem o chumbo do pacote. Além disso o PS já tinha avisado do chumbo muito antes da votação. Tentar colar a CGTP e a esquerda em geral ao oportunismo e irresponsabilidade do Chega não é correcto nem honesto. Claro que é o que o governo defende para se tentar limpar desta asneira do pacote laboral. As razões do nosso atraso e fraco crescimento não tem a ver com alterações ao código de trabalho, mas sim com burocracia, formação (de trabalhadores e empresário), justiça eficaz e célere, ligação de empresas a universidades tecnológicas, tudo isto e muito mais foi dito e dissecado há muitos anos. A treta porque não há crescimento, nem progresso, nem salários justos por causa do chumbo do pacote não pega. É só desculpa deste governo para esconder a sua incompetência. Infelizmente é assim há muitos anos e nenhum partido de governo escapa a esta desdita.

  10. Como se isso fosse assim tão importante para todos os portugueses comparado com todos os problemas graves não resolvido por este governo de lacaios do dinheiro e dos interesses próprios , e que ainda teve o desplante de os agravar : crise da habitação , o agravamento do custo de vida , a perda de poder de compra das pensões contributivas, resultantes de salários mininos ou até mais e jornada laboral completa toda a carreira, devido ao aumento constante do salário minino sem revalorizar as as pensões proporcionalmente – e se calhar acham que não percebemos que os aumentos brutais de smn são para pagar pensões com aumento dos descontos e não propriamente pelo amor ao trabalhador.
    .Perante isto acha mesmo que alguém quer a AD de parceiro ? um governo que descaradamente empobrece a população todos os dias ? cruzes , canhoto , a derrota é segura.
    E o Ventura tem o mesmo direito dos outros a seguir os seus próprios interesses . Não é o que todos fazem? programar e agir e mentir com o objectivo de ganhar votos?

  11. O governo de Luís Montenegro associou a necessidade da aprovação da “reforma da legislação laboral” como instrumento crucial para ultrapassar a reduzida competitividade da economia portuguesa.
    Por simples curiosidade, resolvi consultar os últimos relatórios das organizações que analisam as políticas económicas, sociais, de emprego, com reflexo na competitividade da economia portuguesa:
    Comissão Europeia “Relatório sobre Portugal – 2025” (https://www.fami2030.gov.pt/wp-content/uploads/sites/20/2026/03/Relatorio-sobre-Portugal-2025.pdf)
    OCDE “Economic Surveys: Portugal 2026” (https://www.oecd.org/en/publications/oecd-economic-surveys-portugal-2026_025b3445-en.html)
    FMI (https://eco.sapo.pt/2024/10/27/fmi-elogia-portugal-mas-produtividade-e-investimento-sao-ameaca/)
    Banco Mundial “Economias – Pesquisas sobre Empresas do Sector Formal (WBE) – Portugal” https://www.enterprisesurveys.org/en/data/exploreeconomies/2023/portugal?view=table&subGroup=-1&topic=24&countries=All+Economies%2F%2FAll+Economies%2F%2F2023%2F%2F155%2F%2Fnull&subtopic=29&regions=Europe+%26+Central+Asia&IndicatorIds=134%2C130%2C235)
    Surpresa, ou talvez não, nenhuma dessas organizações internacionais identifica a legislação laboral portuguesa como “obstáculo principal” ao aumento da produtividade/competitividade.
    Todas são unânimes em acentuar que a baixa produtividade/competitividade da economia portuguesa (e problemas associados, baixos salários, etc.) se deve sobretudo, a:
    • Custos de energia e aos ligados ao licenciamento (industrial, ambiental, urbanístico);
    • Instabilidade legislativa, insegurança regulatória e lentidão da justiça;
    • Fiscalidade e complexidade tributária;
    • Fraca inovação tecnológica (investimento em I&D, Investigação e Desenvolvimento);
    • Fragmentação do tecido empresarial (em micro e PME´s);
    • Baixas qualificações e falta de mão-de-obra qualificada;
    • Restrições à contratação de trabalhadores estrangeiros através de políticas migratórias contraditórias aos interesses dos agentes económicos.
    Nenhum refere a reforma da lei laboral como factor dominante do “déficit” de competitividade da economia portuguesa.
    Como diz o aforismo popular “Quem come o que quer, veste o que cabe”!!!

    1. “Nenhum refere a reforma da lei laboral como factor dominante do “déficit” de competitividade da economia portuguesa.”

      Muito bem observado, Carlos Antunes.

      Na realidade, a pretensa reforma laboral foi apenas um pretexto para alargar os direitos de uns e encurtar os de outros… É lamentável que um Governo utilize este género de expedientes para tentar levar a cabo um conjunto de medidas neoliberais, sem, contudo, ter clarificado ou especificado essa sua pretensão antes das eleições legislativas… Na parte que me toca, estou completamente decepcionada, já me arrependi, muitas vezes, de ter contribuído com o meu voto para a observação desta, e de outras, artimanhas… Vivendo e aprendendo… Tão depressa, não me apanham noutra…

      1. Paula Dias…

        Enquanto não voltar a existir uma disciplina de Introdução à Política,
        que eu tive no 1.° Ano do Curso Complementar (10.° Ano de Escolaridade)
        e no 2.° Ano do Curso Complementar (11.° Ano de Escolaridade),
        a iliteracia política vai continuar.

        A Política só motiva quem se motiva e quem já está motivado (m/f)

        Já equacionou passar a votar em outro partido?
        Talvez no que foi decisivo para chumbar o “Pacote Laboral”?…

        Cumprimentos.

        João Barros da Costa

        1. “Talvez no que foi decisivo para chumbar o “Pacote Laboral”?…”

          Nunca, jamais, em tempo algum! Espero ter respondido à sua pergunta.

      2. Paula Dias
        Obrigado pela concordância ao meu comentário.
        Sinceramente, acho que não se deve arrepender do seu voto na AD – votou com convicção de que, certamente na altura, esse era o melhor sentido de voto.
        A democracia – ao contrário da ditadura – é um bem que se preserva pelo uso do voto, mesmo que por vezes em resultado da frustração das políticas prosseguidas por aqueles em quem votamos, sejamos forçados a mudar o sentido do mesmo.
        Os eleitores exigentes como a Paula Dias o demonstra ser – num país em que votar foi um direito tão dificilmente conquistado e tão fragilmente garantido que não o podemos desperdiçar – é assim que procedem democraticamente.
        Cordiais saudações.

  12. Os blogues são bons para confiramos que ninguém dá nada a ninguém. Vemos muitos postais vazios de conteúdo e que servem para nada. E alguns divertem-se a comentar. As pessoas são o principal problema que temos.

    1. Caro Anónimo…

      Obrigado pela parte que me toca.

      P. S.: Gostei de “confiramos” em vez de confirmarmos. Criatividade ortográfica.

      Cumprimentos.

      João Barros da Costa

    2. Caro Anónimo…

      Obrigado pela parte que me toca.

      P. S.: Gostei de “confiramos” em vez de confirmarmos. Criatividade ortográfica.

      Cumprimentos.

      João Barros da Costa

  13. Caro Paulo Sousa…

    O CHEGA! votou contra o “Pacote Laboral” e fez muito bem.
    Se houvesse liberdade de voto no Grupo Parlamentar do P. S. D.,
    seriam mais os votos contra…

    O André Ventura ergueu o punho direito e depois?
    Qual é o problema?
    Passou a “comuna”?
    O Trump faz o mesmo…
    “Comunas” e “fachos” votaram lado a lado?
    Não foi a primeira vez e não será a última…

    Cumprimentos.

    João Barros da Costa

  14. Nunca fui empresário nem diretor geral de nada de nada, no entanto e, após mais uma vez assistir a uma chuva de comentários contra os tenebrosos e sacanas dos patrões e de vivas à manutenção das políticas de salários à lá socialista (que é como quem diz de salários sempre a nivelar por baixo), não posso deixar de partilhar este artigo:

    https://paginaum.pt/2026/06/11/o-pais-do-salario-unico-e-dos-parasitas-satisfeitos

    Um país de lorpas e invejosos sempre sequiosos de sacar algo a alguém e que odeiam o sucesso alheio. Um país fadado a ser um dos mais pobres da Europa, despejem aqui os milhares de milhões que despejarem.

      1. Tem razão, nada deve ser mudado. Vamos continuar a insistir na mesma receita à espera de resultados diferentes.

  15. Dados mais recentes de 2023 acho eu
    https://www.jornaldenegocios.pt/economia/detalhe/corrupcao-custa-a-portugal-182-mil-milhoes-por-ano

    Mas as próximas tranches já estão asseguradas através das obras megalómanas que já estão a sair do papel como seja o TGV, o aeroporto, a nova ponte e demais coisas “menores” para dar de comer aos facilitadores e maçons e aos patos bravos da construção que de certeza irão deixar de fazer casas para os estrangeiros para passarem a esses negócios mais “rentáveis” escrevizando mão-de-obra importada pela máfia do PS.

    1. mas não era isso que se queria fazer, era passar a pôr e dispôr ainda mais de quem já trabalha mais e ganha menos.
      a reforma do estado é pura e simplesmente impossível, existem muitas maçonarias a mandar

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