![thumbnail_20220314_150317[2].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2022/22262584_r5BsZ.jpeg)
Exemplo supremo de whataboutism – neologismo americano que já vi traduzido em português para entãosismo – foi a lamentável intervenção de José Pacheco Pereira domingo à noite, na CNNP – que ontem mencionei num postal reproduzindo vários trechos do seu fio argumentativo.
Confrontado perante a invasão russa da Ucrânia, Pacheco ilude o essencial da questão: estamos perante a maior agressão à livre autonomia de um Estado soberano por outro na Europa desde a II Guerra Mundial. Ao ponto de em três semanas ter provocado 2,8 milhões de refugiados agora em trânsito no continente, fugindo do seu país fustigado por bombardeamentos letais.
A União Europeia prevê que o número total de desalojados das suas habitações em solo ucraniano ascenda em breve aos sete milhões.
O antigo eurodeputado do PSD, com manifesta relutância em debater o tema, usa um dos seus habituais truques retóricos: introduz outros na discussão, relativizando a invasão russa numa amálgama de agressões registadas noutros momentos, noutros contextos e noutras latitudes.
Foge ao concreto para se abrigar no abstracto.
Sem condenar em termos inequívocos a acção criminosa de Moscovo nem o comportamento do ditador Putin, ocorrido quando a Rússia presidia ao Conselho de Segurança da ONU – o que confere gravidade acrescida à agressão em curso.
De caminho, aproveita para polvilhar esta logorreia com condimentos racialistas, descendo ao patamar de um Mamadou Ba, na enésima variação à «culpa do homem branco», causa de todos os males do mundo. Insinuando que, no essencial, agimos por impulsos racistas.
Eis, literalmente, uma forma de ver o mundo a preto e branco. Ignorando que o caucasiano louro, neste filme de terror, é o déspota do Kremlin – não o judeu Zelenski, Presidente da Ucrânia.
Noutros tempos, Pacheco já foi um pensador estimulante. Agora limita-se a papaguear os últimos chavões em voga da correcção política.
Ao invés, por exemplo, do escritor espanhol Javier Marías, que em recente entrevista ao Corriere della Sera – sem nunca vacilar nas críticas a Moscovo nem usar expressões ambíguas sobre Putin – contesta o «excessivo sentimento de culpa dos ocidentais», bem visível por estes dias.
Em vez de louvar a admirável mobilização europeia em socorro aos ucranianos em fuga, o antigo presidente do grupo parlamentar do PSD vem fustigar a Europa ocidental, de látego em punho. E nem hesita em lançar insinuações torpes, ao dizer que damos-lhes «muita roupa estragada», enquanto ignoramos iemenitas e sudaneses devido à pigmentação da pele. Ignorando que a gigantesca solidariedade europeia com sírios, iraquianos e afegãos em 2015 – levou só a Alemanha a receber mais de um milhão de refugiados, grande parte dos quais já integrados na sociedade.
Outros países, como Portugal, fizeram o que lhes cabia.
Basta recordar a vasta mobilização nacional de 1999 por Timor-Leste que muito contribuiu para o fim da ocupação indonésia e posterior independência do território no Pacífico Sul – enquanto ele, Pacheco, apregoava a realpolitik perante Jacarta.
Tanto quanto sei, os timorenses não se distinguem por ter pele clara nem olhos azuis.
O racialismo brandido por Pacheco não tem o menor cabimento aqui.
Há multidões de louros entre os agressores e os agredidos – o relativismo moral da sua tese entra em colisão frontal com os factos. Enquanto ilude outra evidência: nos movimentos migratórios que sacudiram a Europa desde 2015, nunca a Rússia foi porto de asilo. As populações em fuga – fluxos imensos de Leste para Ocidente – sabem que Putin, responsável pelas carnificinas de Grozni e Alepo – jamais lhes daria abrigo.
Aliás a Rússia é hoje um país de onde se foge, não um país que se procura.
Além disso, convém sublinhar outro facto: existem cerca de 45 mil ucranianos residentes em Portugal, formando a segunda maior comunidade estrangeira entre nós, apenas superada pelos brasileiros. Estão integrados, falam a nossa língua, muitos deles radicaram-se há duas décadas e já têm filhos aqui nascidos.
Alguém se espanta por isto nos mobilizar ainda mais a seu favor?
Outra recomendação de Pacheco: «Temos de moderar pela discussão racional, na comunicação social, muitos aspectos do nosso olhar.»
Curioso: ele pratica agora a tese, sabe-se lá porquê, mas esqueceu-se dela em diversas circunstâncias.
Em 2017, por exemplo, quando advogava com denodo a independência unilateral da Catalunha, entre acusações vibrantes ao Estado espanhol. Pródigo em adjectivos de magna ressonância, como democracia e liberdade, que não aplica na Ucrânia.
Chegou a clamar contra um hipotético cenário de Barcelona «sob ocupação militar» e até já imaginava «presos políticos» na libérrima Espanha que ousou comparar à feroz repressão chinesa em Hong Kong – noutro exemplo do despudorado whataboutism que tanto pratica.
Sem sombra de racionalidade.
«Os catalães mereciam mais dos portugueses» , escrevia ele em 23 de Setembro desse ano.
E os ucranianos, hoje oprimidos pela bota russa, não merecem mais dele?

o caucasiano louro não [é] o judeu Zelenski
Não há contradição entre ser-se judeu e ser-se caucasiano louro. Há muitos judeus que são caucasianos louros.
Imensos. Basta olhar para Zelenski, louríssimo. E de olhos azuis.
Quando vivi na Pensilvânia conheci o judeu Isard Dunietz. Não era louro mas sim ruivo, e tinha olhos azuis. Era alemão, filho de um judeu alemão que tinha escapado ao Holocausto. Parecia-se perfeitamente com um alemão-tipo.
Típico alemão, claro…
Eis o originalissimo pensamento do liberal Luís Lavoura: um caso particular serve para decretar regra geral.
Pensamento indutivo*, que ele confunde ortograficamente com a inducção das placas de cozinha.
* Por acaso já há muitos anos que se escreve mal inductivo — e é por isso que o português, ao contrário do alemão ou do francês, nunca poderá será uma língua analítica da filosofia. Tchauzinho Eduardo, volta lá prós pedregulhos.
Será que o português-tipo ainda tem o garrafão? Ou agora tem de optar pelo óleo de girassol?
Português-tipo anda aí na rua, de máscara na tromba, apesar de já nem a doutora Graça Freitas exigir tal adereço.
Só tem uma vantagem: assim evita ser confundido com um alemão-tipo pelo comentador balio.
É interessante reparar que Pedro Correia é contra a liberdade individual. Ninguém é obrigado a mostrar-lhe a cara, pois você também não mostra.
De forma alguma. Se fosse, nem você nem muitos outros vinham aqui arrotar postas de pescada todos os dias.
Faria como este senhor, por exemplo:
https://causa-nossa.blogspot.com/
Também a diferença entre um alemão-tipo e um português-tipo está na qualidade da salsicha, as alemãs são melhores.
Dizem-me que a mostarda-tipo alemã também é francamente superior à portuguesa.
« La trepanación es el procedimiento de la perforación de un agujero en el cráneo. Se dice que aumenta la circulación de la sangre y mejora la presión dentro del cráneo.
También se realiza para desarrollar la percepción extrasensorial de una persona, la capacidad de utilizar poderes espirituales, ver fantasmas, mover objetos con la mente.
Parece-me indiscutível a autoria da agressão, à qual só com muito, muito ‘boa’ vontade alguém poderá, como fazem as televisões, chamar ‘guerra’. 022/03/tempos-novos-mentiras-velhas.html, que convido a visitar.
Não obstante, parecem-me bastante discutíveis factos indiscutíveis como a insistência, por parte do Presidente da Ucrânia, em pedir o impossível – como a rápida adesão à NATO e à UE.
Maior perplexidade não pode deixar de suscitar a insistente exigência de uma zona de exclusão aérea que, inevitavelmente, mergulharia, no instante em que fosse decretada, o mundo numa terceira guerra – e lembremo-nos de que, depauperado que o exército russo parece estar, apenas a opção pelo nuclear poderia aparecer como viável aos olhos do ditador alucinado que por lá ainda governa.
Sem discordar, de um modo geral, da sua posição, refleti um pouco sobre o tema em https://mosaicosemportugues.blogspot.com/2
A adesão à NATO, como objectivo estratégico do país, está inscrita na Constituição ucraniana desde 2019 – não depende da vontade do presidente X ou do dirigente Y. Foi, aliás, adoptada no mandato do antecessor de Zelenski. nt-signs-constitutional-amendment-on-nat o-eu-membership/29779430.html
https://www.rferl.org/a/ukraine-preside
Tal como Putin introduziu na Constituição russa, em 2020, uma referência expressa a Deus e ao monopólio do matrimónio heterossexual. idad/rusia-aprueba-inclusion-de-dios-en-l a-constitucion-y-que-el-matrimonio-sea-s olo-heterosexual/
https://forbes.co/2020/07/02/actual
Certamente que a intenção de aderir a uma e a outra organização já existe há muito, mas os correspondentes pedidos nem tinham, ainda, sido formalizados. Tal a razão pela qual me parece de estranhar que se venha aproveitar a desgraça da invasão para pedir uma adesão imediata ou, pelo menos, rápida, que bem se sabe ser impossível. Mais parece propaganda mediática.
Há, depois, a tal história da zona exclusiva…
Não percebi a sua objecção.
Qual é o problema de a Ucrânia pedir adesão à UE? Não é um Estado soberano?
Precisará de pedir licença ao czar do Kremlin para uma decisão dessas?
Muitos outros Estados já o fizeram. Até a Turquia, que tem 90% do território fora do continente europeu: _of_Turkey_to_the_European_Union onment-serbia-kosovo-ana-brnabic-b36e241 1cddc09e80f37ff5dd22a02bb
https://en.wikipedia.org/wiki/Accession
Até a Sérvia, aliada histórica da Rússia:
https://apnews.com/article/europe-envir
Peço desculpa por não ter sido claro. 022/03/a-ucrania-e-adesao-ue-o-tiro-no-p e.html, e que se prendem mais com a estrutura da UE do que com a Ucrânia.
Objeção? Nenhuma, absolutamente, além das razões – ultrapassáveis – que explanei em https://mosaicosemportugues.blogspot.com/2
Quanto ao presente, apenas me deixa perplexo a insistência num processo de adesão rápido à União que bem se sabe não ser, formalmente, possível; a insistência, até há algumas horas, numa adesão à NATO que bem se sabe não ser possível; e, sobretudo, na definição de uma zona de exclusão aérea que bem se sabe seria o mesmo que entornar gasolina e esperar que um caça russo a viesse inflamar.
Como nada disto é possível, como considerar razoável que sejam estas as tónicas do discurso de Zelenski? O que espera, com tamanhos disparates, alcançar? Não estará, antes, a desvalorizar uma causa que necessita de tudo menos de que o seu principal e corajoso promotor a ande, com tão desrazoáveis pedidos, a prejudicar?
Zelenski pretende forjar laços de solidariedade expressa com a Europa Ocidental.
Só pode fazê-lo com a UE, naturalmente. Não com a Rússia agressora. Não com a China, cúmplice de Moscovo. Não com o Reino Unido, aliás enfraquecido desde o Brexit – e enfraquecido também graças aos ciberataques russos, que contribuíram para criar um clima “anti-Europa” nos meses precedentes ao referendo.
Não há solidariedade europeia sem UE: eis uma evidência tornada ainda mais notória com a agressão russa à Ucrânia. Tal como não existe verdadeira defesa europeia sem o guarda-chuva protector da NATO, que se estende da costa do Pacífico nos EUA e Canadá até à Ásia Menor, já em território turco.
Só o estatuto de país pré-candidato à adesão já reforça a sensação de segurança entre os ucranianos, que querem – na sua larga maioria – pertencer ao espaço comunitário. E recusam tornar-se um estado vassalo ou satélite de Moscovo, como já se tornou a Bielorrússia do anedótico ditador Lukachenko travestido de general Tapioca.
Inteiramente de acordo quanto aos pressupostos enunciados.
Fica a tal questão da zona de exclusão aérea, que não só nenhum conforto lhe daria, como poria o Mundo aos tiros para lá e para cá…
Como se pode saber se mergulharia “inevitavelmente” o mundo numa terceira guerra? É certo que mesmo dos maiores cobardes se podem esperar atitudes combativas – sobretudo quando encurralados -, e talvez Putin acabasse como o outro, a perguntar se Paris já estava a arder e a ordenar o bombardeamento do seu próprio país por lhe ter frustrado as ambições, antes de se matar, mais à, ou fazer figas mulher e ao cão, enfiado num buraco.
Então, e se os russos atingirem um país da NATO? Na lógica do “inevitavelmente” nada se fará, a não ser o já habitual “segurem-nos, senão…” Porque, por essa lógica, nada se pode fazer, nunca. Resta-nos rezar, ou fazer figas, consoante as crenças de cada um, para que o Zelensky e a Ucrânia rebentem depressa e esta chatice acabe, não é?
Inevitável, inevitável, é que o Putin destruiu a Ucrânia e provou, a si e ao mundo, que faz e fará o que bem lhe der na telha.
Creio que a única saída desta situação passa pela sublevação do povo russo – uma utopia? Bom, então regressemos à tal lógica do “inevitável” e esperemos sossegadinhos na fila que chegue a nossa vez.
Ah, como tinham razão os hippies, nuclear não, obrigado…
Mergulharia inevitavelmente, porque, ao primeiro erro por parte de um piloto que sobrevoasse a dita zona, a NATO começaria aos tiros, nos termos do art.5º do Pacto. Não teria alternativa…
Muito obrigada pela explicação – mas eu não apostaria nisso, se a dita alternativa for a utilização de armas nucleares. Nada indica isso, muito antes pelo contrário: a NATO já por mais do que uma vez fez declarações no sentido de que o seu “principal objetivo” seja “evitar um conflito com a Federação Russa” (cito o que ouvi, com os meus ouvidos, o porta-voz da NATO dizer.
Portanto, embora não seja de modo algum impossível, parece-me bastante improvável essa tal inevitabilidade – e ainda menos por motiva de um erro, como diz.
Seja como seja, volto ao que disse: o que nos resta? Esperar que a Ucrânia rebente, e aguardar sossegadinhos a nossa vez? Fazer figas para que os russos ponham o traste na rua (incluindo a igreja ortodoxa, de quem o Putin é filho dilecto e que também deve achar que a Ucrânia usa a saia muito curta)?
Referia-me a uma guerra convencional, e não nuclear. Uma guerra nuclear seria suicídio para quem a iniciasse, pelo que duvido que haja sérios candidatos…
É, precisamente, por querer evitar um conflito com a Rússia que a NATO não pode, mesmo, aceitar a definição de uma zona de exclusão aérea, na qual o simples sobrevoo por uma aeronave passaria a ser considerado um ato de guerra e desencadearia o conflito generalizado, independentemente da causa pela qual o avião lá tivesse aparecido.
Por isso os Estados Unidos estão a enviar armas anti-aéreas, em alternativa à zona de exclusão pedida.
Eu creio que se nos mantivéssemos no domínio do convencional nada deteria a NATO para se instalar de armas e bagagens na Ucrânia, mesmo à beirinha da fronteira com os russos, só para mostrar quem é o dono do pedaço – como não deteve, aliás, noutros sítios de fresca memória. Sempre sem armas nucleares, ‘of course’, sem serem as dos países da NATO, ‘of course’ outra vez.
Também eu espero que não existam sérios candidatos, mas nem eu, nem a NATO, arriscamos com um candidato que, embora definitivamente pouco sério, não deixou de colocar em prontidão as ditas armas estratégicas… E desde aí, e como os ucranianos insistem em não desistir, lá se têm que ir enviando umas coisas.
Suspeito que só até o Putin querer.
Quem foi que disse que, existindo armas, de qualquer tipo, é apenas uma questão de tempo até surgir a oportunidade de serem utilizadas? Neste caso, é bom de ver, basta a ameaça, o “colocar em prontidão”. E não me parece que o Putin fosse jogar limpo, salvo seja, só no convencional (incluindo javardices químicas e biológicas, hèlas, que sempre ficam mais lá pelo sítio), em caso de guerra a sério, e não de agredir um país que lhe entregou as armas nucleares a troco de promessas de respeito…
Como se pode saber se mergulharia “inevitavelmente” o mundo numa terceira guerra? É certo que mesmo dos maiores cobardes se podem esperar atitudes combativas – sobretudo quando encurralados -, e talvez Putin acabasse como o outro, a perguntar se Paris já estava a arder e a ordenar o bombardeamento do seu próprio país por lhe ter frustrado as ambições, antes de se matar, mais à mulher e ao cão, enfiado num buraco.
Então, e se os russos atingirem um país da NATO? Na lógica do “inevitavelmente” nada se fará, a não ser o já habitual “segurem-nos, senão…” Porque, por essa lógica, nada se pode fazer, nunca. Resta-nos rezar, ou fazer figas, consoante as crenças de cada um, para que o Zelensky e a Ucrânia rebentem depressa e esta chatice acabe, não é?
Inevitável, inevitável, é que o Putin destruiu a Ucrânia e provou, a si e ao mundo, que faz e fará o que bem lhe der na telha.
Creio que a única saída desta situação passa pela sublevação do povo russo – uma utopia? Bom, então regressemos à tal lógica do “inevitável” e esperemos sossegadinhos na fila que chegue a nossa vez.
Ah, como tinham razão os hippies, nuclear não, obrigado…
A tal frase do “inevitavelmente” deriva do pensamento mágico muito em voga hoje. Mero achismo, tão cultivado pelos tudólogos.
E até nem seria mau de todo se derivasse. Mas parece-me que cola mais à magia simpática, que exige muito menos pensamento…
Tendo desertado da análise crítica para o conforto do corretês esquerdalho, o personagem não merece tanta análise.
Ainda entendo que merece, embora esteja cada vez menos convicto disso, tanta é a desonestidade intelectual do que se vai ouvindo.
É o que está a dar. Cá temos mais um poste com PP, o conhecido está sempre no contra que não fala do Putin.
Já vem dos tempos do apoio à elegante da geração rasca (o que será feito desses rascas? Inglaterra?) pra chatear o Santana e agora pra chatear o geral.
Mas, qualquer dia, aparece com a ideia de haver necessidade arranjar um Guaidoich para substituir o Putin. Ou não será tanto assim, dirão os empreendedores na actividade industrial de armamento, por a NATO já não ter com quem se coçar a não ser com quatro pcs portugueses. Realmente havendo um regime verdadeiramente democrático na Rússia, até podia ser como o dos EUA, a NATO teria de alargar-se para Atlântico Sul e investir em África para todos serem felizes e regressar aos velhos tempos quando faziam parte da Europa.
Téquenfim que apareceu Alepo, mas só Alepo que as outras cidades bombardeadas pelos EUA não contam para comparações.
Um “poste”?
Pareces o Vasco Santana a falar com um poste.
Mais grosso que o deus-me-livre.
Esqueci-me que és um letrado, queria dizer post
Vou arranjar paciência e procurar no Delito se aparece um “poste”, que nem reparaste tal era a cardina.
Cardina, sim. Deve ser o teu apelido. Bem apropriado.
É irónico concluir que leio blogs como este (e assino o Observador) para não ter de gramar (mais uma vez) com o que “escrevem” o Pacheco Pereira, o Sousa Tavares, a Carmo Afonso, o Boaventura Sousa Santos e semelhantes aldrabões, e acabo a saber tudo o que eles escreveram a ler os blogs e o Observador. Credo, não há fuga possível! PS: que tal assumir que sim, nos preocupamos mais com os ucranianos porque são da nossa família cultural, a família europeia? Sabem, aquela família que pagou o salário durante anos ao Pacheco Pereira e a uma interminável galeria de “Pachecos” e nos paga, há décadas, o trem de vida (sendo que temos muito mais em comum, em 2022, com um ucraniano, do tínhamos com um alemão, em 1977 – ano em que nos candidatámos a aderir à CEE). E se há algo de natural nos seres pensantes é preocuparem-se mais com a sua família do que com a dos outros. E que tal assumir, também que, se a Palestina, ou a Síria, ou o Iémen, ou, sei lá, o Sudão do Sul ou o Tigré, tivessem um Zelensky a liderá-los, em vez de um Haniyeh ou de um Cheik Yassin, seria mais fácil nós partilharmos a sua (justa) luta?
“Observador”, sim senhor.
Não sabem escrever em português mas não faz mal, utilizam o charles-michel pra amigos
O teu papá não te ensinou que não deves meter-te nas conversas dos outros, camaradinha?
O teu controleiro lá no partido não te disse que isso é um péssimo hábito?
Cada um fala por si. Eu detesto ser amalgamado com gente com quem nada tenho a ver. Há 16 anos que escrevo o que penso, todos os dias, na blogosfera sem precisar de tutela alguma.
Era o que faltava prestar vénia ou vassalagem fosse a quem fosse.
Critico JPP porque noutros tempos tive consideração por ele e por entender que se justifica o contraditório neste momento tão crucial para a Europa – e para o mundo – que traça uma linha de fronteira. E por saber que ele ainda pontifica em três órgãos de informação – no grupo Sonae, no grupo Impresa e no grupo Cofina.
Quanto ao resto, deduzo que V. acaba por subscrever as teses racialistas dele, dando-lhe um aval explícito.
Discordo em absoluto.
O facto de eu discordar sobre a justeza dos 6 pontos que o FC Porto tem de avanço sobre o SCP não os reduz. Não opinei sobre a minha posição moral pessoal (até porque, ao contrário das pessoas cujos nomes citei, não pretendo exibir, sem quaisquer custos, superioridade moral), estou meramente a constatar o que é óbvio: as pessoas preocupam-se mais com os que lhe são próximos: familiares, conterrâneos, compatriotas, pessoas da mesma cultura (o que não corresponde a “raça”, porque “racialmente” um português é muito mais parecido com um sírio ou palestiniano médio do que com um ucraniano – como qualquer homem português que viaje sozinho no pós 11.09 sabe). O facto de Pacheco Pereira utilizar essa evidência, para defender as suas abjecções de estimação (aquelas que estima hoje como no tempo em que assumia o seu maoismo) não justifica que devamos negá-la, ou admitir que haja nisso alguma “perversidade” moral. É um fraco argumento para o contestar, digo eu.
A “raça”, seja lá o que isso for, nada tem a ver com o caso. Até por isso, a tese de Pacheco – sempre na tentativa de relativizar a agressão russa à Ucrânia – é absurda.
Ucranianos e russos são da mesma “raça”, rigorosamente – para usar essa expressão que alguns tanto parecem apreciar.
Os portugueses (excepto franjas da direita mais extrema e os militantes comunistas mais ortodoxos) estão do lado dos “brancos” ucranianos e contra os “brancos” russos não por causa da cor da pele de uns e outros mas por um motivo muito mais evidente e lógico e compreensível. Um motivo de ordem moral: neste caso a Rússia agride e a Ucrânia é agredida.
Essa é a diferença, não há nenhuma outra.
Obviamente.
O homem está “out” desde que assimilou a novilíngua do politicamente correcto. Depois, de tanto ler, perdeu um pouco a visão! Desde que meteu as queixadas no meio de alfarrábios, JPP sucumbiu e encontra-se num estado de obnubilação (temporária?) que se pode observar a nível psicossomático, quer no olhar desregulado que o leva a “tresler”, quer nuns episódios de deslumbramentos/encantamentos agudos por certos “chavões” aprendidos com gente infrequentável. Estas desconexões intermitentes (por enquanto) podem ser resultantes de um tipo de Leituras intensamente praticadas por JPP, proveniente dum meritório saber livresco onde adquire um manancial de informação e conhecimento (embora não enciclopédico). Mas conseguirá JPP elevar-se, um dia, ao admirável patamar dos homens luminosos e Sábios? Por ora não me parece. Falta-lhe um outro tipo de “saber /conhecimento”, aquele que se adquire com “Leituras” menos cínicas da Vida, que nasce dessa forma Superior de “Olhar” Culto e Profundo, simultaneamente humilde, mais bondoso e mais compreensivo, sobre o Homem comum e mediano, com as suas vicissitudes e experiências vividas. Falta-lhe, enfim, ser capaz de “Observar” a Realidade circundante com integridade, de forma viva e inteligente, para depois a “Traduzir” objectiva e racionalmente (sem interpretações subjectivas, toldadas pelos chavões do costume)
No entanto, tenho a certeza de que estas ocorrências de confusão na percepção dos Outros e do Mundo «como ele é», são temporárias e podem diminuir de intensifidade, i.e., JPP pode perfeitamente recuperar a visão! Para tal bastar-lhe-á descer à Terra, olhar para as pessoas concretas e depois, reduzir a sua exposição prolongada aos ácaros livrescos e demais poeiras que lhe têm toldado o siso e turvado a vista.
Mas nada disto é grave e tem solução: dêem-lhe um aspirador para limpar livros e estantes e um paninho envinagrado para limpar as ideias, perdão, “os pós” e teremos de volta o homem em “on”. De novo, o “pensador estimulante” que foi….
que tal assumir que sim, nos preocupamos mais com os ucranianos porque são da nossa família cultural, a família europeia?
porra, eu não tenho dito outra coisa…
isto sem querer meter-me na conversa 😉
A questão de fundo não é essa. Tão “da nossa família” são os ucranianos como os russos.
Aqui a linha divisória é entre quem viola e quem é violentado. Não há equivalência entre verdugo e vítima.
Estamos solidários com as vítimas – por acaso com a mesma pigmentação de pele do verdugo-mor do Kremlin.
Tão “da nossa família” são os ucranianos como os russos.
Pois são, mas agora os russos estao a portar-se muito mal (alguns, nem todos) e estão tecnicamente “do lado de lá”.
Alguém com apelido Putin dificilmente poderia ser da nossa família.
Temos cá alguns grandessíssimos desse género 🙂
Alguns até nesta caixa de comentários.
Existe neste texto um certo ódio a Pacheco Pereira que se evidencia até na foto do texto. Deve haver um motivo muito forte para o Pacheco ter sempre olhos de carneiro mal morto nas fotos.
Se você é gestor de imagem do senhor, como parece, avise-o disso. O facto de o empurrarem agora para a meia-noite ou até depois disso não deve ajudar muito.
Deve haver um motivo muito forte para o Pacheco ter sempre olhos de carneiro mal morto nas fotos.
Pelo contrário: com a soberba intelectual que JPP normalmente demonstra de cada vez que abre o bico (e com o ultrapassadismo com que introduz as banalidades que ele acha que são novidades…) surpreende-me até que o autor do post não tenha escolhido uma foto com os olhos tortos.
Retrato de um «entãosista» militante e faccioso.
O rei emérito Juan Carlos usava o dinheiro dos contribuintes para pagar a profissionais do sexo. Kissinger prometeu a Carrero Blanco uma parte da Lua. A ETA pagou-lhe a viagem.
Qual a relação disso com a publicação? Nenhuma, mas no Estado Espanhol, que o espanholista Pedro Correia, apelida de “libérrimo”, escrever o que eu escrevi pode resultar em pena de prisão. Na Rússia de Putin não se pode falar em guerra, no Estado Espanhol não se pode meter Juan Carlos e profissionais do sexo na mesma frase ou Carrero Blanco e aeronáutica na mesma frase. Mas de facto o Estado Espanhol tem a vantagem de já não andar por aí a invadir países. Emigre para lá.
Emigra tu para Moscovo. Mas toma cuidado: o Putin não aprecia nada gajos com a tua orientação sexual. tics-25800158
https://www.bbc.com/news/av/uk-poli
É disto que o Pedro gosta, ele que até já foi engraxado como o melhor jornalista português.
Estão integrados, falam a nossa língua
É preciso dizer que em muitos casos falam melhor do que muitos portugueses: eu imagino, por exemplo, que o balio fala como escreve.
Balio bale, como o nome indica. Faz sentido.
O que isto mostra é que Pacheco Pereira está a modernizar o seu Marxismo, agora já adopta teses marxo-racistas da esquerda anglo-saxónica.
Deve faltar pouco para começar a chamar “deploráveis” à classe trabalhadora.
“Noutros tempos, Pacheco já foi um pensador estimulante.”
Certíssimo. Noutros tempos visitava o Abrupto tão frequentemente como visito hoje o Delito. Mas, sinceramente, acho que o JPP fritou o miolo. E os complexos de esquerda, que sempre teve, ganharam um protagonismo imprensável. Agora causa-me constrangimento lê-lo.
Sucede-me o mesmo há muito tempo. Para mim é ainda mais confrangedor ouvi-lo do que lê-lo.
Noutros tempos visitava o Abrupto
A soberba intelectual está lá desde o início. Isso e textos mal escritos. Recordo um em particular, que também foi publicado num jornal, em que tenta provar que as caixas de comentários da blogosfera são um nojo, desancando e nomeando nicks conhecidos, num exercício de moralismo e purificação que só mesmo um maoísta mais radical (daqueles que ininterruptamente faziam barulhos com latas para os pássaros terem medo de pousar nos campos e morrerem extenuados no ar) conseguiria desenhar mentalmente.
No fundo ele acredita que só ele utiliza o “meio digital” da forma adequada, tal como foi pretendido pelos deuses no Olimpo, dos quais é descendente directo.
Comentando a invasão da Ucrânia pelo exército Russo, julgo nunca ser demais acentuar que a responsabilidade desse crime contra a humanidade tem um nome: Putin, o fdp ex-KGB.
Quem cumpriu o serviço militar sabe que num exército as ordens são para cumprir, não se discutem, obediência às hierarquias é um princípio inquestionável, pelo que os russos, enquanto indivíduos, devem ser poupados à justificadíssima sanha assassina contra as agressões perpetradas pelo exército do seu País.
As manifestações públicas contestando a agressão Russa vão-se fazendo sentir por toda a Federação, esperemos que os Russos, enquanto povo se libertem deste tirano e consigam recuperar a dignidade e construir um regime de convivência pacífica sem ameaças nucleares.
Quatro dos cinco membros da cúpula russa, onde tudo se decide, vêm das fileiras do KGB. O que já diz quase tudo.
Além do Putin, quem manda na Rússia é este círculo estreitíssimo que integra o ministro da Defesa, o chefe do Conselho de Segurança, o chefe da FSB (ex-KGB) e o chefe dos serviços secretos no exterior.
Como se costuma dizer, juntou-se a fome com a vontade de comer.
Quando o galo daquela capoeira acabar numa cabidela, os outros vão servir para o arroz de miúdos. Socorri-me da culinária para concordar contigo, caro Pedro, comungamos felizmente dos mesmos sentimentos de repúdio por esta barbárie, esperada mas impensável neste século.
Repúdio total. Sem neutralismos, sem ambiguidades, sem “equidistância”.
Pois, mas quem nunca foi à tropa (ou até tendo ido), mas conhece minimamente o que se passou nos julgamentos de Nuremberga, sabe muito bem no que dá essa do “as ordens são para cumprir”, argumento amplamente utilizado por todos os degraus da hierarquia dos finalizadores de judeus…
Pode desculpar-se a estupidez e até a cobardia – quem sou eu para julgar, se nem nunca estive nessa situação? Mas justificar o mal à la Nuremberga deixa os que desobedecem às ordens iníquas em que papel? De mártires cretinos?
Há, decerto, melhores argumentos.
Pois é Gracinha, vê-se logo que nunca esteve na tropa, pelo que o seu comentário não tem graça nenhuma.
Invocar os julgamentos de Nuremberga e deturpar o sentido dos meus considerandos – as ordens não se discutem, etc. – só revela que não entendeu que em nada desculpo a agressão de um regime, não de um povo, e que, consequentemente, lembro que o povo não deve no seu todo ser olhado como conivente numa barbárie para a qual nunca foi ouvido, nem avalizou. O seu comentário sugere ainda que nada disto se passaria se as tropas russas se sublevassem ao som de marchas triunfais, acorrentando comandantes, acabando aos beijos e abraços aos invadidos.
Sugiro-lhe que leia o meu comentário anterior uma segunda vez, talvez assim perceba o que quis dizer.
Pois tenho ainda grande esperança que as tropas russas se sublevem, com ou sem marchas, beijos e abraços, tudo sarcasmos dispensáveis.
Até parece que seria a primeira vez que tal aconteceria, com as tropas russas e com as de muitíssimos outros países, ao longo de toda a história humana.
E, atrevo-me a dizê-lo, ainda bem que assim foi, na grande maioria dos casos.
Quanto ao que diz sobre o povo não dever no todo ser olhado como conivente numa barbárie para a qual nunca foi ouvido nem avalizou, ainda bem que tem opinião formada sobre um tema a que poucos conseguem dar resposta, começando por filósofos como Arendt, continuando por ativistas como Wiesenthal – ou, já agora, militares aliados que participaram na tentativa de desnazificação da Alemanha no pós-guerra e acabaram por desistir: ou os ‘bons alemães’ eram todos nazis convictos, e nada a fazer, ou não tinham, de facto, consciência do mal praticado, e nada a fazer também.
Por mim, acho que é exatamente ‘pour cause’ de não serem ouvidos, nem avalizarem, que a sua culpa é maior: por que motivo haveria o conformismo e a indiferença de justificar melhor a anomia perante a barbárie do que o fanatismo ou as tretas da superioridade? Pelo menos são convicções, por bestiais que sejam.
Já agora, como é que sabe se eu não fui à tropa?