Pacheco Pereira, parceiro do candidato socialista à Câmara de Lisboa num programa semanal de comentário político, sente uma irreprimível nostalgia dos tempos em que a blogosfera política praticamente se resumia a ele próprio com exclusão de todos os outros. Nessa época de ouro, proclama Pacheco, "a voz crítica da blogosfera preferia relatar alguma coisa de interessante que não vinha nos jornais nem na televisão". Hoje, vejam lá a maçada, "a situação da blogosfera política, em particular da colectiva, é a de um contínuo com os jornais, que não vem apenas da cada vez maior participação de jornalistas em blogues, mas de uma linguagem e agenda comuns, de uma partilha de objectivos igualmente comuns. A sua autonomia em relação à vida partidária é cada vez mais escassa, e nela proliferam candidatos e jornalistas, candidatos a deputados, candidatos a comentadores, uns que já fizeram o salto, outros que desejam ardentemente fazê-lo".
Acontece que esta arenga tão indignada contra os rumos actuais da blogosfera não pode encontrar melhor destinatário do que o próprio autor das linhas que citei. Por mim, não conheço ninguém na blogosfera política com tão pouca autonomia em relação à vida partidária como José Pacheco Pereira, conselheiro privilegiado de Manuela Ferreira Leite, fotógrafo privativo da presidente do PSD e putativo candidato a deputado pelos sociais-democratas.

Realmente, ele reúne tudo o que encontra nos outros. Qualquer dia ainda acaba por ter um blogue…
Agora JPP deixou-me confuso…
Então não é ele que dá o nome num blogue colectivo, o Jamais, com uma clara agenda e de apoio claro a um parido?
pode ser que sim mas, no fim de contas, passar pelo mainstream do bloguismo português hoje é bem diferente de há alguns anos atrás – está muito mais “organizado”, partidarizado. Começou nos grandes blogs colectivos, nos de causa em particular, e tem expoente agora nos colectivo-partidários. Tem menos sumo, diga-se
Querer esquecer isso para bater no jpp (que é partido, claro)?
Muito preciso e muito preciso.
:))))
Faz o que eu digo, não faças o que eu faço… é uma velha máxima que se aplica na perfeição a JPP.
Mas esta arenga não atinge o Delito. Acho bem mais saudável (e instrutivo) um blogue colectivo como este, em que há gente de todos os quadrantes políticos que diz livremente o que pensa, do que um blogue onde todos afinam pelo mesmo diapasão, entrincheirados numa disciplina partidária e condicionados a um pensamento único. Não tenho nada contra esse tipo de blogues – cumprem a sua função, e podem fazê-lo com eficácia e dignidade – mas pessoalmente não me atraem nem acho que aprenda muito com eles.
Penso exactamente como tu, Ana.
Aproveitei para divagar sobre este texto.
Um abraço,
daniel.
Já vi, Daniel. E, naturalmente, gostei.
Um abraço.
É nestas coisas que JPP perde por ser tão Quijotesco, embora com figura de Sancho.
Ora aí está mais um excelente motivo de reflexão.
Já vai sendo tempo de alguém lhe oferecer um espelho.
Já imagino até o diálogo com o referido objecto:
‘Espelho, espelho meu…”
Estou com baixo índice de pachecopereirismo, que está longe de ser uma mera questão de imaginação, mas antes um perfeito delírio…
Meu caro, garanto-lhe que o meu índice de pachecopereirismo ainda é mais baixo que o seu.