Outros tempos


jmmcc,

O Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas é visado aqui nestes (e noutros) termos: «O CD (…) considerou "tecnicamente incorrecta e deontologicamente reprovável o enfoque e identificação da jornalista como sendo "namorada de" nos títulos e destaques das notícias, em análise, elaboradas pela SIC, pelo Correio da Manhã e pelo Expresso", relembrando que "a devassa da vida privada dos cidadãos por alguns meios de comunicação não é, por si, susceptível de transformar acontecimentos privados em públicos, nem a sua divulgação e conhecimento legitima que eles possam ser retomados por outros media".»

Ora, entre a posição do CD e a de quem o visa, lembrei-me de ter sabido um dia que uma das minhas avós namorava numa janela do rés-do-chão, com o pretendente especado na rua à altura do parapeito. Nas redondezas, dizia-se que ela era «namorada de»: não comentavam a sua vida privada; apenas concluíam o que era publicamente percebido. Só seria chato se ela mostrasse "publicamente", por exemplo, que também namorava outro. E haveria "conflito de interesses" se ela recomendasse a uma outra, por exemplo, o seu recomendável namorado.

Hoje em dia, as coisas mudaram muito. Nesse tempo, entre ser dona-de-casa ou ser médica, aquela minha avó nunca viria a ser menos do que uma jornalista. E, se tivesse sido jornalista, jamais se queixaria ao CD ou gastaria energias a deplorar as considerações do CD. O mundo está mesmo muito mudado: passámos a viver entre portas escancaradas para a nossa própria devassa, mas namorar passou a ser do foro privado? Nas capas da imprensa cor-de-rosa também? Ah!… Como vai longe o tempo em que «com CD quem ganha é você».

3 comentários em “Outros tempos”

  1. Pois claro. Tudo exactamente ao contrário da divisa que nestes casos da vida se aplica, não é?: Never complain , Never explain ».
    Mas não, isso é areia demais para.
    Falta ‘estatura’, para usar de eufemismo.
    Isto por cá está tudo muito primário, muito Bolhão, muito rasteiro.
    A coisa só se eleva mesmo da fasquia do chão para o tal ‘salto à vara’.

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