Neste país descuidado e desatento, habituado a correr atrás dos seus mortos para lhes transmitir, em tempo inútil, tudo o que ficou por dizer, é bom que de vez em quando o feitiço se quebre.
Ontem gostei de ver a sala Luís de Pina da Cinemateca encher-se em homenagem a Abel Escoto, um homem cuja carreira se confunde com a história do próprio cinema português, e de testemunhar o interesse que os filmes Abel Escoto – Fragmentos de uma Vida, de Miguel Cardoso, e Abel Escoto e as Fitas do Seu Tempo, de Tony Costa , suscitaram na plateia. Mas mais que tudo, o que me deu prazer foi poder aplaudir o homenageado olhos nos olhos e verificar que naquela sala não houve desperdício, porque a vida, ao contrário do que é habitual, não se baldou ao evento e da primeira fila bateu-lhe palmas de pé.
Nota: A frase do título deste post, da autoria de Fernando Pessoa, roubei-a ao Miguel Cardoso, que a usou no cartaz do seu filme. É isso, Miguel. E não há palavras para dizê-lo melhor.


Feliz e justa homenagem. Infelizmente, como apontas, coisa rara – com o homenageado ainda em vida. Tanta coisa vai mudando em Portugal – esta de nos circunscrevermos às homenagens ‘post mortem’ é uma das que deviam ser mudadas com mais urgência.
Aqui e ali já vai mudando, compadre. Mas muito lentamente, pelo que ainda fica muita justiça para fazer em tempo oportuno, como bem anotas.
Bela homenagem, Teresa.
Fico contente por se terem lembrado em tempo útil.
:))