35 comentários em “Outros motivos para amar Portugal (15)”
Comer uma, sentada nos bancos corridos da pastelaria. Machado, de olhos postos no parque D. Carlos. Há um cheiro que só as Caldas da Rainha têm. Boa lembrança, Ana!
Maravilhosas as trouxas das Caldas, Cristina. E como a compreendo… a pastelaria Machado é uma tentação a que não se resiste. Outras trouxas de ovos de qualidade superior são as de Beja.
No próximo fim de semana vou lá passar. A última vez que lá estive foi a 18 de Setembro, deu para passar pelo Luís da Rocha e depois ir assistir ao XI encontro das Palavras Andarilhas. 😉
Pelos idos de Julho,com a minha mulher e filha mais nova,levámos ás Caldas e ao Machado, uma miúda polaca amiga da minha filha e a quem recebemos em retribuição da ida da nossa à Polónia. “Atacámos” nas trouxas e nos “russos” e no fim a miúda quase chorava para a “arrancarmos” de lá…o deslumbramento foi total !!
Grato pelo cuidado. Mas pense antes no meu estômago que fica a trabalhar a 1000 à hora e depois tem que se contentar com uma sopinha aguada e sempre-em-pé na tasca da esquina.
Por isso mesmo, meu amigo. Pense bem: assim comem os olhos, com luxo e sem custos no peso nem na carteira. Quer melhor do que isto? 🙂
Agora que o tempo arrefece e para quem goste,anotem:
Pombos Bravos
num tacho, fritem em azeite pedacinhos de toucinho e rodelas de bom chouriço de carne.Depois de fritos tiram-se e deita-se bastante cebola bem picada.Quando a cebola estiver loura,põem-se os pombos no tacho com alho picado finamente,louro,noz moscada,salsa picada,colorau,sal,pimenta,um pouco de manteiga,um nico de banha,um golo de vinagre e outro de vinho branco,um pouco de aguardente velha e tomate concentrado,se não tiverem a paciência de escaldar e pelar tomate normal.Tapa-se o tacho e coze em lume forte.Destapa-se a seguir e apura o molho em lume brando.
Com trouxas de ovos da Chamusca, que são queimadas ao de leve por cima !!. E a receita vai bem também com codornizes,narcejas,galinholas,perdizes, enfim, a caça de penas normal.
Escolho as perdizes. Por falta de galinholas, que já é raro conseguir encontrar. Mas com pombos também deve ser bom.
12 – Ovos 3 – Gemas de ovo 1 – Kg Assucar o,5 – Ltº Água em espadana 1 – Cálice vinho do Porto —- “Com o meu cartucho de ovos lá fui subindo, melancolicamente, ao lado do Dr Margaride, a rua Nova do Carmo” Eça de Queiroz
Doze ovos mais três gemas? Um quilo de açúcar? Livra! Estou a imaginar a facilidade com que Eça pode ter depois descido a Rua Nova do Carmo! (Oportuna referência queirosiana, meu caro.)
Meu amigo, só quem sabe alguma coisa de doçaria percebe que para conseguir a sua “água em espadana” tem de pôr o açúcar lá dentro… E as trouxas de ovos – tal como os fios de ovos e os ovos moles – só levam gemas, nada de claras. Além disso, o cálice de vinho do Porto (a não ser que seja para acompanhar) para mim é uma absoluta novidade. Mas obrigada pela achega.
a isso ouvi chamar sempre “ovos moles atrapalhados”. Mas são bons e práticos, não chegam é à espadana.. (o Eça deve ter perguntado a receita à cozinheira inglesa que tinha em Bristol 🙂
Sobre isto, digo sempre: 1- Grande povo o nosso, que inventou os doces de ovos, das trouxas aos papos de anjo, barrigas de freira, fatias de Tomar, toucinho do céu, ovos moles queimados, pingos de tocha, pão de rala, etc, etc, etc……………. 2- Lindos e extraordinariamente decorativos, fazem buffets de sobremesas luxuriantes e imbatíveis ( e então se tiverem por perto um determinado azul cantão, sobre o branco do linho…) 3- Posto isto, cá vai o mais insólito: não gosto! Detesto! Só aprecio o lado estético e criativo, mais nada. Incapaz de comer 🙂
Sorte sua, Chloé. Quem me dera poder dizer o mesmo! Mas o “povo” que inventou todos estes pecados da gula é aquele que não podia (ou não devia) pecar de outra maneira: as freiras, pois claro. Compensações, minha amiga…
Excelentes as trouxas, Ana. A ver se daqui por uns tempos, com o caminho que as coisas tomam, não vai ter que nos apresentar umas austeras omoletas sem ovos.
Comer uma, sentada nos bancos corridos da pastelaria. Machado, de olhos postos no parque D. Carlos. Há um cheiro que só as Caldas da Rainha têm.
Boa lembrança, Ana!
Maravilhosas as trouxas das Caldas, Cristina. E como a compreendo… a pastelaria Machado é uma tentação a que não se resiste. Outras trouxas de ovos de qualidade superior são as de Beja.
Epá Ana…Beja? Hum, será no Luis da Rocha ?
Isso mesmo, CR. O Luís da Rocha é um must em todo o Alentejo. Recomendo também as queijadas e as empadas.
No próximo fim de semana vou lá passar.
A última vez que lá estive foi a 18 de Setembro, deu para passar pelo Luís da Rocha e depois ir assistir ao XI encontro das Palavras Andarilhas.
😉
Pelos idos de Julho,com a minha mulher e filha mais nova,levámos ás Caldas e ao Machado, uma miúda polaca amiga da minha filha e a quem recebemos em retribuição da ida da nossa à Polónia. “Atacámos” nas trouxas e nos “russos” e no fim a miúda quase chorava para a “arrancarmos” de lá…o deslumbramento foi total !!
Os russos do Machado ainda são dos melhores que conheço, Fernando. Um primor.
Estimada(o) CNS,
Como águas mornas sinto – me elogiado com o carinho que fala das Caldas da Rainha.
Sem duvída que a Pastelaria Machado na Rua de Camões é a melhor de todas.
Obrigado.
Não lhes peça é para visitar a cozinha…Acaba-se logo a admiração!
Mas olhe, o que não mata engorda, e são deliciosas na mesma.
Abraço caldense
Ele é queijadinhas, a seguir arroz de pato, agora remata-se com trouxas de ovos.
Bolas D.Ana ! Mas é mesmo preciso pôr as fotografias ?
Acho que é porque os olhos também comem…
É isso mesmo, scp50. Tudo a pensar nos seus olhos!
Grato pelo cuidado. Mas pense antes no meu estômago que fica a trabalhar a 1000 à hora e depois tem que se contentar com uma sopinha aguada e sempre-em-pé na tasca da esquina.
Por isso mesmo, meu amigo. Pense bem: assim comem os olhos, com luxo e sem custos no peso nem na carteira. Quer melhor do que isto?
🙂
Agora que o tempo arrefece e para quem goste,anotem:
Pombos Bravos
num tacho, fritem em azeite pedacinhos de toucinho e rodelas de bom chouriço de carne.Depois de fritos tiram-se e deita-se bastante cebola bem picada.Quando a cebola estiver loura,põem-se os pombos no tacho com alho picado finamente,louro,noz moscada,salsa picada,colorau,sal,pimenta,um pouco de manteiga,um nico de banha,um golo de vinagre e outro de vinho branco,um pouco de aguardente velha e tomate concentrado,se não tiverem a paciência de escaldar e pelar tomate normal.Tapa-se o tacho e coze em lume forte.Destapa-se a seguir e apura o molho em lume brando.
Assim o fazia a minha Avó Maria Inêz.
Bom proveito.
E no fim, para rematar, uma trouxa de ovos?
Bela receita de pombos bravos, Fernando. Hei-de experimentá-la um dia destes. Obrigada.
Com trouxas de ovos da Chamusca, que são queimadas ao de leve por cima !!. E a receita vai bem também com codornizes,narcejas,galinholas,perdizes, enfim, a caça de penas normal.
Escolho as perdizes. Por falta de galinholas, que já é raro conseguir encontrar. Mas com pombos também deve ser bom.
Amo, porque não sou trouxa.
Para que conste:
Ingredientes
12 – Ovos
3 – Gemas de ovo
1 – Kg Assucar
o,5 – Ltº Água em espadana
1 – Cálice vinho do Porto
—-
“Com o meu cartucho de ovos lá fui subindo, melancolicamente, ao lado do Dr Margaride, a rua Nova do Carmo”
Eça de Queiroz
Doze ovos mais três gemas? Um quilo de açúcar? Livra! Estou a imaginar a facilidade com que Eça pode ter depois descido a Rua Nova do Carmo! (Oportuna referência queirosiana, meu caro.)
Meu amigo, só quem sabe alguma coisa de doçaria percebe que para conseguir a sua “água em espadana” tem de pôr o açúcar lá dentro…
E as trouxas de ovos – tal como os fios de ovos e os ovos moles – só levam gemas, nada de claras. Além disso, o cálice de vinho do Porto (a não ser que seja para acompanhar) para mim é uma absoluta novidade.
Mas obrigada pela achega.
a isso ouvi chamar sempre “ovos moles atrapalhados”. Mas são bons e práticos, não chegam é à espadana.. (o Eça deve ter perguntado a receita à cozinheira inglesa que tinha em Bristol 🙂
Também me parece. Mas qualquer receita que seja “atrapalhada” está actualíssima, afinal.
🙂
Sobre isto, digo sempre:
1- Grande povo o nosso, que inventou os doces de ovos, das trouxas aos papos de anjo, barrigas de freira, fatias de Tomar, toucinho do céu, ovos moles queimados, pingos de tocha, pão de rala, etc, etc, etc…………….
2- Lindos e extraordinariamente decorativos, fazem buffets de sobremesas luxuriantes e imbatíveis ( e então se tiverem por perto um determinado azul cantão, sobre o branco do linho…)
3- Posto isto, cá vai o mais insólito: não gosto! Detesto! Só aprecio o lado estético e criativo, mais nada. Incapaz de comer 🙂
Sorte sua, Chloé. Quem me dera poder dizer o mesmo!
Mas o “povo” que inventou todos estes pecados da gula é aquele que não podia (ou não devia) pecar de outra maneira: as freiras, pois claro. Compensações, minha amiga…
Nham nham nham 😀
🙂
Excelentes as trouxas, Ana. A ver se daqui por uns tempos, com o caminho que as coisas tomam, não vai ter que nos apresentar umas austeras omoletas sem ovos.
É bem provável. Mas, até lá, continuemos com o festim gastronómico. Pelo menos visual…
Vocemessê nam tem maneras.Nam nos lembri de cosas destas, q´a genti já nam podi.
Quer mesmo que o lembre de outras coisas, singularis? Olhe que é melhor pensar nestas…
🙂
Outros motivos para morar em Portugal: Viver ao lado de uma pastelaria e vê – las sairem quentinhas todas as manhãs…. hhuummmmm
Isso é um martírio, a não ser que coma uma todas as manhãs.
🙂
E eu que já vivi ao lado de uma fábrica de chocolates. Nunca me esquecerei daquele aroma.