Os Yes Men.


Luís Menezes Leitão,

Dou inteira razão à Teresa neste post. Infelizmente a vida partidária está cheia de yes men, incapazes de ter algum posicionamento crítico e limitando-se a concordar, atentos, veneradores e obrigados, com aquilo que o líder propõe. Podem os próprios sair beneficiados, com cargos atribuídos para recompensar as fidelidades, mas esse é um factor de enorme empobrecimento dos partidos, e no final acaba por prejudicar os próprios líderes.

 

A este propósito recordo-me de uma conversa elucidativa que tive com um professor norte-americano, logo após a eleição de George W. Bush para presidente dos Estados Unidos. Na altura esse professor norte-americano disse-me que estava muito preocupado com as fracas capacidades intelectuais do presidente eleito, claramente visíveis no seu discurso, considerando que isso poderia ser muito prejudicial para o país. Na altura observei que ele se tinha feito rodear de uma excelente equipa, onde pontificavam nomes como Colin Powell e Condoleezza Rice, e que por isso não havia razão para preocupações. A resposta que ele me deu foi elucidativa: “Não concordo que ele tenha uma excelente equipa, mas mesmo que a tivesse, tem que ter a inteligência necessária para saber a quem ouvir. E se todos lhe estiverem a dizer o mesmo, terá seguramente uma péssima equipa“.

 

Pensei muitas vezes nessa observação, quando vi os sucessivos desastres a que George W. Bush conduziu os Estados Unidos. De facto o grande problema dele era estar rodeado de yes men, incapazes de lhe chamar a atenção para os erros das suas políticas.

 

 

Não há efectivamente nada pior para um político que rodear-se de uma corte de yes men, que só lhe dizem aquilo que ele quer ouvir. Cedo ou tarde, isso só pode conduzir esse político à derrota. É estranho por isso que os políticos recorram tanto a esse tipo de gente.

 

Razão tinha Samuel Goldwin quando disse: “Não quero yes men à minha volta. Quero pessoas capazes de me dizerem a verdade, mesmo que isso lhes custe o emprego“.

0 comentários em “Os Yes Men.”

  1. Muito bom dia. Respeitosamente,não me parece nada estranho, pois pululam por cá e lá fora, políticos e politiqueiros muito semelhantes a caciques, e uma enorme escassez de estadistas que tenham aprendido a ler e ver dicionários e, em consequência, interiorizar as noções de, decência, hombridade, honestidade intelectual, e de serviço. Cumprimentos. António Cabral

  2. Para pessoas com bom senso e formação cívica é fácil compreender as verdades que reflecte em seu texto e o apadrinhamento que faz da reflexão da Teresa.

    Mas o tema carece de outros exemplos. Vi por aqui os politólogos de serviço e os cientistas políticos (na realidade a política é para os cientistas do fingimento) muito indignados pela não atitude por parte de uma formação parlamentar relativamente ao tema das condenações operadas em Angola.

    No entanto, a situação inverteu-se e fez-se silêncio. Mas o silêncio destes não serviu para abafar a voz de homens livres, e eu também não abafo a minha:

    http://rr.sapo.pt/noticia/50798/historicos_do_cds_chocados_com_chumbo_a_condenacao_a_angola?utm_source=rss

    Aqui temos, bem próximo de cada um de nós, um exemplo dos Yes men.

    Por vezes eu gostaria de ter jeito para grandes e teatrais indignações.

  3. Julgo que em Portugal (e muito provavelmente noutros países) o problema dos yes-man poderá não ser o maior dos problemas. Ou seja, na minha opinião um problema ainda mais agudo na política Portuguesa é falta de honestidade intelectual dos seus actores motivada pela necessidade de defesa, não de posições partidárias, mas de meros interesses partidários.

  4. Razão tinha Samuel Goldwin quando disse: “Não quero yes men à minha volta. Quero pessoas capazes de me dizerem a verdade, mesmo que isso lhes custe o emprego”.

    Declaração politicamente mais cínica e pessoalmente mais egoísta não poderia existir!

    João de Brito

  5. Mais depressa diria que Bush era ele mesmo um “yes man” de quem era realmente influente, do que chamaria a Colin Powell e Condoleezza Rice “yes men”.

  6. O que me faz confusão no seu post e também, e especialmente, no da sua colega de Blog é que tais reflexões apareçam com PPC como catalisador – num País que foi capturado e amestrado pela Socretinada, a começar pelas maltas da “xuxalada” e a acabar no ‘Beau Monde’ das academias, finança, comunicação social e consultorias da Capital, onde tanta gente sempre ‘prenhe’ de ideias e de visões de mundo (ou ‘mundovisões’) se calou perante tanta labrega histeria e demagogia alimentada a mamar créditos sem caução, achar que PPC é mote de parabola sobre “yes man” – que alias teve, no PSD e até no próprio Governo, criticos dos mais acérrimos e que lhe fizeram tudo menos favores (Crato, perante uma licenciatura Manhosa, correu com Relvas do Governo ; Gaspar, perante os outros ministros a ditar, desde sempre, “não há dinheiro”;Ferreira Leite, Marques Mendes, o actual Presidente Marcelo, até o Presidente Cavaco, p.ex. na crise do “irrevogável” ou nas sucessivas avaliações de constucionalidades) – é de sorrir como perante aquela plausibilidade que nos querem impor naquele anuncio antigo do Trinaranjus onde aparece um Gago ” ‘ta…’ta…’tava a gu…gu..guzar com..comigo?” “nã…nã..não- ‘ta…tava a gu..guzar com ele..”

  7. O autor não sabe do que fala.

    Não fez investigação nenhuma sobre G.W.Bush.
    Talvez possa ler Bob Woodward sim o do Watergate por exemplo. E outros.

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