Os tugas (22)


Pedro Correia,

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– Detesto o nome que tu e o pai me puseram, mãe.

– Querias ter outro?

– Nenhuma das minhas colegas se chama assim!

– Como é que elas se chamam?

– Débora, Cátia, Irina, Cheila, Natacha, Vanessa, Solange, Marcela, Ágata, Soraia, Fábia, Tatiana… Isso é que são nomes giros!

– Mas que mal tem o teu nome?

– Não gosto, prontos. Sofia! Nome de cota: onde é que já se viu?

13 comentários em “Os tugas (22)”

  1. Está cada vez mais próximo o dia em que todas se chamarão Dolly, minha menina.

    Fábia?? Talvez uma transgénero para compor o ramalhete…?

  2. Há já um bom par de anos, perguntei a uma criança de 7 anos como se chamava. Ela disse-me: não vai gostar do meu nome. Mas todos os nomes são bonitos, respondi-lhe eu. Mas o meu é muito feio, insistiu. Mas afinal como te chamas: Tatiana Vanessa. Não disse nada à miúda, mas é muito amarelo com azul…..

  3. Sofia quer dizer sabedoria em grego.
    A (antiga) igreja dita “de Santa Sofia” em Istambul é na verdade a igreja da Sabedoria Sagrada.
    Em grego ha outros nomes de mulher interessantes, por exemplo Eleftheria que quer dizer liberdade.

  4. Pobre miúda!… O que a ignorância provoca nesta gente de hoje. Sofia é nome de “cota”?… Pois Débora é um antigo nome bíblico, tal como Sara, Raquel ou Ester, tanto na moda… Natacha (Natália) é o nome mais batido na língua russa e ainda temos Nádia (Esperança); Ágata nome grego que significa “boa” ou mesmo “bela” (também há Águeda) é o nome de uma Santa que viveu, foi martirizada e está sepultada em Catânia… Isso é que são nomes giros?!… E os rapazes estão a ser chamados por nomes predominantemente bíblicos: Pedro, André, Tiago ou Santiago, Lucas… Um dia deste perguntei a um menino: Como te chamas? – Lucas; entretanto chega outro: e tu, como te chamas? – Lucas…

  5. Entra a avó em cena, vinda da cozinha com um pano de cozinha ao ombro e o ar de quem carrega o peso de três gerações de decisões idiotas nas costas.

    Avó: Ouve lá, Sofia, não dês ouvidos à tua mãe. A culpa do teu nome é do inútil do teu pai. Sim, o teu pai, esse monumento à prostração que confunde o sofá com um órgão vital.

    Sofia: O pai? O pai nem escolhe a cor das meias, quanto mais o meu nome!

    Avó: Pois não, mas nesse dia decidiu ter uma “epifania intelectual”. Estava a ler a contracapa de um dicionário e cismou que a filha tinha de ser “sábia”. Sophia, vem do grego. É fascinante, não é? Um homem que ainda hoje não percebe como funciona o comando da Box, queria que a descendência fosse o farol do conhecimento da Bobadela.

    Mãe: Oh, mãe, não comece… Ele achou que era um nome com classe.

    Avó: Classe? Ele achou era que o nome ia compensar a genética que ele te legou.

    Sofia: Pois, mas agora pareço uma tia de Cascais! Olhem para os nomes das minhas amigas! Débora, Natacha, Soraia… isso é que é moderno!

    Avó: Ai, sim, nomes lindíssimos. É o “Festival da Consoante Desnorteada”. Tu queixas-te de “Sofia”? Agradece aos santinhos, minha filha. Se o teu pai tivesse lido a biografia do Quim Barreiros em vez da contracapa do dicionário, hoje chamavas-te Cabritinha.

    Mãe: Mãe, a miúda está mesmo triste…

    Avó: Triste? Triste fico eu de ver esta tragédia grega. Ó Sofia, o teu pai é um nulo, é verdade, mas até um relógio parado acerta duas vezes por dia. Agora vai estudar, para ver se fazes justiça à etimologia da coisa, ou daqui a dez anos estás a pedir para te mudarem o nome para “Desempregada”, que também é muito sonoro.

  6. a carneirada gosta de nomes ”istranjeiros”.
    o meu nome tornou-se ”istranho”. estou a pensar mudar para Wolfgang.

    1. A miúda tinha alguma razão, Déboras, Cátias, Vanessas, etc., valem por si próprias. Já Sofia tende a ser precedido de rainha ou enriquecido com “h” (Mello Breyner Andresen).

      1. Por isso é que as Lisas Soraias, as Tatianas Carlas, e as Andreias Vanessas da vida andam a chamar Maria, Leonor, Matilde, Carminho, Zé Maria e afins aos filhos, para ver se limpam o nome… e para parecerem finas, claro está.

  7. Bom-dia.
    Tínhamos uma Sofia no nosso grupo quando éramos adolescentes parvinhas, i um espírito de contradição como essa Sofia miúda.
    Íamos comer a um café que a senhora fazia umas refeições caseiras deliciosas e no fim ela perguntava se queríamos mousse de chocolate como sobremesa, e nós todas: queremos, queremos, muito obrigada.
    E a Sofia: mas a mousse é da que se compra já feita?
    Não, menina, é mesmo cadeirinha, muito boa. E a Sofia: ah, então não quero, eu gosto é dessa que a minha mãe compra em pó e depois mistura ao leite.
    E nós: ó Sófi, não queres provar só um bocadinho, está deliciosa. E ela: não gosto, vocês não têm gosto, andam a meter coisas estranhas na boca e deram cabo do palato todo.
    E nós: pronto, tá bem, não comas. E não comia mesmo. Nós deliciadas a comer mousse de chocolate caseirinha e ela a pelejar com uma laranja.

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