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Num guichê do metro de Lisboa:
– Bom dia, queria dez bilhetes.
– Quer de quais?
– Dez bilhetes, dos simples.
– Mas preciso de saber de quais…
– Um daqueles bilhetinhos de obliterar. Mas com a diferença de que, em vez de ser um, são dez.
– Ah, mas desses não temos.
– Não tem? Ainda a semana passada comprei.
– Só se foi numa loja.
– Não, foi aqui. Olhe, ainda tenho um já usado. É destes.
– Ah, desses. Não estava a perceber. Quantos quer?
– Dez. Já lhe tinha dito.
– Não me lembrava. Também não podemos fixar tudo.

Só isto para me fazer rir esta noite.
Na fila, um Passageiro Impaciente começa a sentir a pressão arterial a subir ao ritmo das faturas que tem para pagar, e debruça-se sobre o ombro do cliente da frente.
— Peço imensa desculpa por interromper esta cimeira de alto nível sobre a ontologia do bilhete de metro. É que eu gostava de chegar ao trabalho antes de atingir a idade da reforma.
— O senhor tem de ter calma. A pressa é a inimiga da perfeição — responde a funcionária do guichê, arrastando as palavras com a lentidão de uma tartaruga com jetlag.
— A perfeição? Minha senhora, acabámos de assistir a um debate de cinco minutos porque não teve a capacidade de processar o número “dez”. Eu percebo perfeitamente, é muita informação junta. Até oito é fácil, o nove já é um esticão, o dez queima o fusível. Compreendo.
— O senhor está a faltar-me ao respeito. Nós aqui não somos máquinas, não podemos decorar tudo o que nos dizem. E se está com tanta pressa, fosse às máquinas automáticas.
— Por acaso eu adoro as máquinas. Mas onde é que eu ia ver, ao vivo, alguém a precisar de um referencial físico para compreender o conceito de “um bilhete simples”? É fascinante.
(O primeiro cliente, já com as mãos nos bilhetes, tenta desamparar a loja.)
— Pronto, pronto, eu já tenho os bilhetes, vou sair…
— Leve-os como um troféu, amigo! — atira o apressado, a aplaudir lentamente.
— (A funcionária, a olhar com puro desdém) E o senhor, o que é que vai querer, já que é tão esperto?
— Eu apenas vou querer carregar o meu passe. É este cartão rígido. É verde, e retangular. Se por acaso a senhora não se lembrar do que é a cor verde, eu tenho aqui uma alface na marmita que lhe posso mostrar.
— Dê cá mas é o cartão, que eu não sou paga para aturar parvoíces.
— Tome lá. E olhe, também vou querer fatura com número de contribuinte. Mas atenção: a fatura é um papelinho branco, fininho, com letras pretas impressas, que diz quanto é que eu paguei. Só com a diferença de que, não quero dez papéis, é só um. Se a meio do processo se esquecer do que é, não se preocupe, eu vou lembrando.
Ah, estamos em 1986. Agora faz sentido.
Caro Senhor
Os “Outros”, na sua ridícula tacanhice, ignorância, estupidez, etc, etc, são tão cómicos, ridículos, tão vitamínicos para a Minha Auto estima.
Até lhes chamamos de tugas (designação utilizada pelos terroristas para designar o inimigo, no ultramar Portugês; designação genérica depreciativa, na África portuguesa, dos portugueses brancos do continente; mais tarde, designação idiota e aculturada da selecção de futebol portuguesa).
Sentimo-nos tão … melhores (?!) quando falamos deles, …
Cumprimentos