Os tugas (13)


Pedro Correia,

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– Tenha paciência, mas vou ter de levá-lo para a esquadra.

– Então porquê, senhor guarda?

– Ainda pergunta? Você percorreu dezoito quilómetros de auto-estrada em contramão!

– Tem graça. Pensei que toda aquela malta que passava por mim a fazer sinais de luzes é que vinha de passo trocado, juro pela alma da minha mãe. Até comentei aqui com a minha esposa que agora já não se ensina a conduzir como antigamente, quando eu tirei a carta. É um perigo um homem fazer-se à estrada com esta gentinha que anda aí.

4 comentários em “Os tugas (13)”

  1. O guarda suspira, já a antever o relatório de três páginas, quando um vidro traseiro desce com o chiar de quem não vê óleo desde a Expo 98. Uma senhora com um penteado que desafia as leis da gravidade e do bom gosto inclina-se para fora:

    — Ó senhor guarda, não lhe dê ouvidos que o estupor está podre de bêbedo! — grasna uma voz vinda do banco de trás, abrindo a janela e libertando um cheiro intenso a laca. — Emborcou três jarros de tinto da casa ao almoço! Diz que era para aguentar as curvas da serra, o imundo!

    — Mãe, por amor de Deus… — murmura a esposa, escondida atrás de uns óculos de sol maiores que a dignidade da família.

    — Cala-te, Adelaide! — retorque a velha, com um brilho sádico nos olhos. — O teu marido está tão lúcido que, se lhe pedissem para soprar no balão, o aparelho ardia só com o bafo.

    — Raios parta a velha que não se cala. Ó sô guarda não ligue, é o Alzheimer a falar…a senhora minha sogra sofre de alucinações visuais.

    O guarda suspira, massaja as têmporas, tira o alcoolímetro do bolso e aponta-o ao condutor:

    — Bem, vamos lá acabar com a conversa. O senhor faça o favor de sair da viatura e soprar aqui no balão até eu mandar parar.

    — Soprar nisso? Ó sô guarda, tenha dó… Com o que eu venho a aturar desde Alverca nem preciso de soprar, leve-me já para a esquadra. Mas por amor de Deus, tire a velha de perto do carro patrulha antes que ela abra a boca e lhe derreta os pneus com o bafo a veneno.

    A sogra cruza os braços, indignada:

    — Estás a ver, Adelaide? Eu bem te avisei que ele era um marginal. O teu ex-noivo, o engenheiro, é que era homem para ti!

  2. Tem mais de 75 anos, há que tirar-lhe a carta
    Um episódio , anual? de 20/20 anos?
    Enquanto isso o “ pessoal “ de 20-40 anos bate em tudo que mexe

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