Os tugas (11)


Pedro Correia,

 

– Olha lá, para que é que andas a dar voltas ao quarteirão?

– É que não se vê um lugar para estacionar o carro…

– Ó pá, parece que és ceguinho! Então não há aí tanto passeio?

4 comentários em “Os tugas (11)”

  1. (Ouve-se um estouro seco de borracha a ceder, seguido do som agoniante de metal a raspar no lancil.)

    Condutor: — Pronto. Merda. Rebentei o pneu. Estás contente agora, ó engenheiro de trânsito?

    Pendura: — Lindo. Parabéns. A precisão cirúrgica de quem tenta subir um passeio com um carro de cidade como se fosse um tanque a entrar em Cabul.

    Condutor: — A culpa é tua, porra! “Sobe o passeio, ceguinho, há tanto passeio!”. O lancil tem meio metro de altura!

    Pendura: — Eu sugeri que estacionasses, não te mandei invadir a calçada portuguesa à maluca. Mas olha, tens de ver o copo meio cheio.

    Condutor: — Qual copo meio cheio, anormal? O pneu rebentou! A jante está marada!

    Pendura: — O copo de que o teu problema de falta de lugar está oficialmente resolvido. Estacionaste. Daqui já não sais. E com a vantagem de que com o carro assim todo coxo, a EMEL nem te passa a multa.

  2. os passeios destinam-se exclusivamente para os cães evacuarem. olhar sempre para ao caminhar durante os passeios.

    1. Das multas e dos espelhos laterais partidos, e das portas riscadas… Tudo a juntar aos pneus borrados com trampa canina, estacionar em cima do passeio é uma alarvidade que já não compensa.
      Há sempre quem arrisque, evidentemente, sobretudo os irredutíveis de duas espécies: os da tanga “é só um instantinho” e os das cargas e descargas, “não vê que estou a trabalhar, porra?!”.
      E os desesperados, que também os há: é ver o circo à volta dos Hospitais da Universidade de Coimbra, consulta ou tratamento com hora marcada e parques todos cheios… Drama partilhado com transportes em carrinha de doentes, note-se.

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