Reportagem “em directo” no canal de notícias da RTP. Repórter junto do aeroporto de Figo Maduro, à distância, aguardando a chegada do avião que transporta a chanceler alemã. Ninguém nas redondezas? Ninguém não: aproximam-se aqueles dois patuscos, o Jel e o irmão, que ganharam um festival de cançonetas promovido pela própria TV pública.
Que fazem eles ali? Nada de especial: só querem protagonismo. Publicidade gratuita. Quem não quer?
“Trazemos uma prenda para a Merkel”, dizem entre risos, mostrando um grande embrulho. Está-se mesmo a perceber o que é, mas a repórter da RTP, necessitando de encher chouriços (a expressão vem muito a propósito), insiste: quer ver do que se trata. Eles lá desembrulham aquilo e salta de lá um… exemplar de típica louça regional das Caldas, tamanho XL.
Tudo em directo, ao vivo e a cores. O jornalismo “de referência” capturado pelo entertainment puro e duro.
De Merkel, claro, nada se viu. “A chanceler optou por uma saída alternativa. É uma informação que não conseguimos confirmar em absoluto. É uma desilusão para as poucas dezenas de pessoas que aqui estão com cartazes com palavras pouco abonatórias para Angela Merkel”, esclareceu outro repórter da RTP destacado para Figo Maduro.
Merkel não recebeu a prenda. Ficou ali, nas mãos do Jel, como símbolo de uma reportagem falhada.

Quando se se baixa o nível para esses patamares perde-se toda a razão.
Por este andar, desconfio que lá para o final do dia terei passado a ser um simpatizante de Frau Merkel.
TV brega, de serviço “púbico”.
Uma correcção: os tais patuscos não apareceram lá em busca de protagonismo ou de publicidade gratuita. Eles estavam lá em trabalho. Eles ganham para fazer aquilo; e enquanto fizerem aquilo.
Como diria um sindicalista: “o meu emprego é dar voz aos desempregados”.
Mais me ajuda, Sampy. Informação zero. Aquele período devia estar sob a alçada da direcção de programas, não da direcção de informação.
Sim de facto não tarda nada com tanta palermice vamos todos ficar fãs da Merkel… Esses rapazes sem graça nenhuma os ” Jel´s ” da vida que colocam uma brilhantina no cabelo e vestem umas roupas anos 70 deviam era de fazer qualquer pela vida. São muito críticos, mas só criticam o que lhes convém, aliás eles têm andado tão sumidinhos que ninguém diz que eles criticam ou dão voz a alguma coisa. Desculpe lá Pedro, mas de patuscos é que eles não têm nada, na minha opinião eles podiam ir para a Casa dos Segredos, porque são ” bonecos ” que se enquadram com aquela filosofia de protagonismo.
Desta vez não apareceram em duo, mas em trio. Com outro “boneco” debaixo do embrulho.
Era, …era mais uma dose de provincianismo se faz favor!
Como se vê, esta crise tem algo de muito positivo. Vê-se melhor o país que nunca deixamos de ser.
Tugal no seu melhor.
Mister Pedro devia alterar o tag e incluir nele o topico:Humor
É uma alegria…
Chego a ter pena dos repórteres destacados para estes directos, fazem figuras tristíssimas.
Dantes só enchiam chouriços, Ana. Agora enchem também salsichas e salpicões.
O risco dos directos ou o triunfo do jornalismo da treta.
As redacções despacham dúzias de “jornalistas” (estagiários?) para determinados locais, à espera do tão apreciado (?) directo.
Isto não tem nada que ver com informação, mas apenas com (triste) espectáculo.
Umas vezes à espera da (barda) Merkel, outras à espera que os incêndios ou as inundações destruam habitações, outras à espera que os clubes grandes anunciem a contratação de um qualquer jogador, e entretanto vão-se entretendo a fazer perguntas estúpidas a gente est… normal.
Entretanto extinguiu-se um género outrora apreciado: o jornalismo de investigação.
E depois as pessoas dizem que a culpa do estado a que chegámos é… do Sócrates.
O pior cego…
O presidente da câmara das Caldas, Fernando Costa, deve ter adorado aquele momento de publicidade grátis a um produto típico do seu concelho.