
Eu acho que todos os reformados têm razão em protestar contra a contribuição especial de solidariedade, que é um verdadeiro imposto de classe e por isso claramente inconstitucional. Agora aparecer um movimento de reformados ricos, essencialmente composto por banqueiros, a querer misturar-se com os movimentos de reformados pobres, demonstra uma falta de senso que brada aos céus. Era previsível o flop em que iria cair a apresentação do seu movimento, com o imediato surgimento de um reformado verdadeiramente indignado a protestar contra este tipo de indignados. Na verdade, só lhes faltou solicitar o alto patrocínio de Cavaco Silva para o seu movimento, ele também um reformado veementemente indignado com a pensão que não lhe chega para as despesas.
A estratégia do Governo tem sido explorar as divisões que existem entre os portugueses. Inicialmente virou os do sector privado contra os funcionários públicos. Depois virou os trabalhadores do activo contra os reformados. Agora este movimento conseguiu virar os reformados pobres contra os ricos, prestando com isso um enorme serviço ao Governo na sua estratégia de dividir para reinar. A luta contra a contribuição especial de soiidariedade vai esmorecer por causa deste disparate, assim se aceitando o confisco por via fiscal das pensões de pessoas que descontaram uma vida toda para ter reformas. E a opinião pública vai aceitar pacificamente este esbulho, julgando estar a castigar os banqueiros. Pior era impossível.

Coitado do Cavaco, tomara ele ter a pensão desse tal Pinhal directamente proveniente do BCP dos tempos de vacas gordas…
Nesse ponto tem razão.
moralidade já 1w
http://www.youtube.com/watch?v=N5Sa6ravE
“Eu acho que todos os reformados têm razão em protestar contra a contribuição especial de solidariedade, que é um verdadeiro imposto de classe e por isso claramente inconstitucional.”
Essa tem uma piada do caraças – se os impostos sobre reformados são impostos sobre uma “classe” então os impostos sobre os ricos são o quê?
Ou os ricos já não têm direito à Constituição do Luís Menezes Leitão?
Nem é preciso ir aos ricos, os impostos socialistas de esquerda e direita que aumentaram sempre durante os últimos 30 anos sobre quem cria riqueza – ricos e pobres- não são inconstitucionais?
A Constituição não é minha. Não fui eu que a fiz. Mas existe e deve ser respeitada.
Governar, ou seja mandar nos outros implica quase sempre “Discriminar”.
Subscrevo seu pensamento, e em particular a conclusão: “E a opinião pública vai aceitar pacificamente este esbulho, julgando estar a castigar os banqueiros. Pior era impossível.”.
Esquece este desgoverno que a verdadeira assistência social, aquela que ainda é possível existir, vem precisamente dos reformados e dos trabalhadores ainda no activo, os que podem. São este que sustentam, ainda, filhos, netos em dificuldades; ajudando em pagamentos de rendas, comida, livros, vestuário e até mesmo em medicamentos. Titrem mais a estes e vão ver as formas de indignação que surgirão. Têm sido os reformados, pais, tios, amigos… o verdadeiro veículo promotor da paz social neste país. Continuem assim, para que vos possamos ver no buraco e a terra, sem escoras, a cair-vos em cima.
Gostaria de acrescentar algo ao comentário anterior.: Este desgoverno navega entre duas águas: o pior do “marxismo” e o pior do liberalismo, isto é, centraliza o roubo e liberaliza o esbulho.
Só falta saber se não há mão do Governo ou das suas gentes no surgimento deste movimento… É que está tão de acordo com a estratégia do Governo e surge tão convenientemente após se ter constituído um movimento (APRe) que, em poucos meses, conseguiu ser tão dinâmico, que me parece que a coincidência é, digamos, demasiada coincidência! Até porque o Dr. Pinhal tem umas multas elevadas para pagar e, claro, não as quererá pagar…
Para mim faz imenso sentido o Estado retirar algum dos ricos – em vez de tirar ainda mais aos pobres.
O presidente deste movimento tinha uma reforma de 70 mil euros. Depois da taxa fica com 14 mil. Não tenho pena nenhuma.
Isso é marxismo radical. Que direito tem o Estado a meter ao bolso 80% do rendimento de um privado? E só faz isso porque ele é pensionista, uma vez que sabe que se fizesse o mesmo a um trabalhador no activo, ele ou deixaria de trabalhar ou ir-se-ia embora. Não foi o que fez o Gerard Dépardieu?
o confisco por via fiscal das pensões de pessoas que descontaram uma vida toda para ter reformas
A palavra “confisco” é em si mesma demagógica.
E o choradinho seguinte ainda mais o é. Boa parte das pensões de reforma são muito mais do que aquilo que as pessoas descontaram ao longo da vida. Foram atribuídas com base apenas no que as pessoas ganhavam nos últimos anos da sua vida de trabalho.
Não gosta da palavra “confisco?”. Que outro nome se poderá dar à retirada por via fiscal de 80% de um rendimento? Esbulho, roubo, assalto? Talvez “contribuição especial de solidariedade” soe melhor. Mas o eufemismo não altera a realidade.
Quanto aos descontos, resultam de um contrato com um fundo de pensões privado, que tinha as contrapartidas que as partes estabeleceram, nas condições acordadas. A que propósito há-de o Estado ficar com essas contrapartidas?
Eu referia-me aos reformados em geral. Não me referia aos bancários, muito menos a Filipe Pinhal. Penso que o segundo parágrafo do seu post, de onde retirei a frase comentada, também se refere aos reformados em geral.