Os partidos mal educados.


Luís Menezes Leitão,

Se há algo que caracteriza as instituições é o respeito pelo cerimonial e pelo formalismo. O Parlamento não é propriamente uma tasca e especialmente uma cerimónia de posse do Presidente da República deve ocorrer com a máxima elevação. Mas parece que, seguindo a influência do Podemos espanhol, que acha que o Parlamento é um lugar para se fazer figuras tristes, o Bloco de Esquerda, o PCP e o seu apêndice PEV decidiram ficar sentados e não aplaudir a tomada de posse do Presidente da República.

 

Trata-se de algo que só é de facto concebível em países como o nosso, em que o respeito pelas instituições anda pelas ruas da amargura. Na América, pode o Congresso ter uma maioria fortemente contrária ao Presidente. Mas quando se ouve o Sergeant at arms anunciar a sua chegada (“Mr. Speaker, the President of the United States“) todos os congressistas se levantam em uníssono e aplaudem vigorosamente a chegada do Presidente. Todos sabem distinguir o respeito pelo cargo das discordâncias que tenham em relação à pessoa que o ocupa.

 

Em Portugal, os partidos da extrema-esquerda manifestamente não sabem fazer essa distinção elementar. Por isso não se dão ao respeito, preferindo como criancinhas fazer a sua birrinha no Parlamento. Só que isso é um péssimo indício de uma absoluta falta de sentido de Estado. E assim os portugueses bem podem perguntar como é que estes partidos podem ser sustentáculos de um Governo. Que garantias temos de que à primeira birra o Governo não cairá?

0 comentários em “Os partidos mal educados.”

  1. Discordo deste post. Aplaude-se aquilo com que se concorda e de quem se gosta. Não se aplaude algo com que não se concorda e alguém de quem não se gosta. E o presidente da república não é um rei.

    1. Sabendo que o Lavoura é do contra, permito-me chamar-lhe a atenção para o seguinte “pormaior”: ninguém defende que se aplauda aquilo com que não se concorda. Seria uma tolice. O que o autor do post defende e eu concordo, é que se aplauda o Presidente da República (PR) quando é empossado, ou quando preside a uma cerimónia pública, p.e.. É que ele representa a nação, tal como acontece com a nossa bandeira ou com o nosso hino, no caso, com a vantagem de ter sido eleito pela maioria dos portugueses. Respeitando o PR, também se respeita o povo que o elegeu. Desrespeitando o PR também se desrespeita o povo português.

      1. Discordo. O Presidente da República não representa a nação (seja lá o que isso fôr – o conceito de “nação” está um bocado fora de moda). Isso era no tempo da Outra Senhora. Eu de facto aprendi na escola primária que o Presidente da República era um “símbolo nacional”. Mas isso, como eu digo, foi no tempo do anterior regime. Hoje em dia os símbolos nacionais são o hino e a bandeira; o presidente já não é.

        1. O Lavoura quer que seja ele (ou alguém do grupo que como ele pensam), a representar o verdadeiro “símbolo” de Portugal, mas não é. Nem será.
          O Lavoura é bom exemplo de um português ressabiado, que ficaria contente se a “boa-fada” cortasse as pernas a todos os outros que não pensam como ele.
          Mas isso nunca vai acontecer, o Lavoura faz parte de uma minoria que não merece grande atenção e assim se irá manter. Como é justo e os portugueses merecem. Deixemos-lo a falar sozinho.

  2. Se todos aplaudem o aplauso perde significado, assim viu-se quem estava contente e quem nem por isso. Mas a eventual falta de cortesia não é exclusivo da esquerda como se constata com a ausência de Passos Coelho no almoço inaugural do novo Presidente da República, numa data 9/Mar anunciada há tanto tempo.

  3. O seu problema, não é o terem aplaudido ou não, o seu problema, é tudo valer para denegrir aqueles que detesta, sejam bons ou não, a si não importa, o que lhe interessa é machucar. Muitas vezes aqueles que mais aplaudem, mais batem com a mão no peito, são aqueles que após as palmas ou antes das mesmas, tiveram ou têm expressões, nada dignas de pessoas de bem e dizem o pior que podemos imaginar de quem acabaram de aplaudir. É irrelevante que se aplauda ou não porque o que importa é não haver fingimentos e sabermos que por agora, este presidente agrada a todos os partidos parlamentares. Esses partidos ainda não fizeram as tristes figuras do irrevogável que passou a revogável. Estas sim foram birrinhas tristes e feias que deixaram de ser birras quando no dia seguinte houve subida de posto. Veja as tristes figuras do antes e só depois se as houver fale dos outros.

  4. Uma casa de (péssimos) espectáculos e a fauna que a frequenta.
    Bastará ver quem é o bípede que “gere” a coisa para aquilatar da qualidade respectiva…
    Aquilo, cá na paróquia, passa por “parlamento” ( como há “lá fora” ), segundo pessoas bem intencionadas…

  5. Infelizmente, tratou-se de uma perfeita manifestação do terceiro-mundismo mental característico da extrema-esquerda portuguesa, gente que ignora em absoluto o que seja a dignidade de estado e do Estado, e incapaz de fazer a destrinça básica entre o órgão de soberania em si mesmo e a pessoa que concretiza – sempre transitoriamente no tempo – a actuação daquele.

  6. O que o BE e o PCP não aplaudem é a Democracia não o Presidente.
    Como o BE e o PCP querem derruba-la à primeira oportunidade é normal.

    Note-se que sobre isto já não se usa a palavra revanchismo, crispação, raiva e outros adjectivos parecidos. Aliás é minha aposta que este caso foi noticiado sem nenhum adjectivo por parte dos jornalistas e da maneira mais sintética possível.
    Ao contrário de outros.

  7. Se o capitão do benfica levar a taça, o capitão vai bater palmas?
    O adversário é sempre um inimigo.
    Vaia-se, isso sim é desportivo!

  8. Não votei neste PR. Não bater palmas nesta situação até pode fazer algum sentido.Na verdade com este PR certamente que haverá muitas ocasiões para palmas e para apupos.

    Até é discutível que o protocolo coloque um eleito por não eleitos (nominalmente) a conduzir o ritual de entronização de alguém que realmente foi eleito em seu nome próprio, directamente pelo eleitorado. Supinamente ridículo o menor a empossar o Maior.

    …Convenhamos, mais sensato seria o Presidente da Comissão Nacional de Eleições -que geriu o processo em nome do eleitor- a conduzir a cerimónia, sob a supervisão de representação judicial afecta ao processo eleitoral. Enfim, mais uma incongruência em tão sagrado evangelho. Imaginemos Napoleão a aceitar a divisa de Imperador de um funcionário mesmo que do Divino…

    O caricato é aqueles fulinanhos -que apenas se representam a eles próprios e aos seus egos constitucionalmente inflacionados- sentados, numa cerimónia oficial a que voluntariamente compareceram. Ninguém os obrigou a assistir a semelhante acto político. Será que se julgam superiores a um resultado eleitoral incomparávelmente mais límpido ao que os lá sentou?.

    Em privado pode-se agir a gosto. Ali, em público, apenas demonstrar quem são e ao que vêm. Enfim, encolheram-se e não conseguiram por-se aos berros e a apupar, o que já não é mau de todo.

  9. Isto de se aplaudir ou não se aplaudir, de respeitar (apesar de sentados) ou não se respeitar lembra-me o Presidente Bush (o filho que, segundo analistas e comentadores era/foi uma nulidade) na visita que fez em Portugal.
    Quando ele entrou na sala todos os repórteres e jornalistas “made in USA” se levantaram e aplaudiram sob um olhar condescendente e de risos dos repórteres e jornalistas portugueses, que não se coibiram de comentar: os gajos levantaram-se quando o gajo entrou…
    Só para dizer que é uma questão de cultura: o “gajo” pode ser uma besta mas é, sobretudo, um símbolo que tem que ser respeitado.
    Em Portugal não há essa cultura; a que temos é no sentido directo de se aplaudir o que se gosta e com que se concorda e não fazê-lo com o contrário.
    Não me parece que daí venha “mal à democracia que temos”, mas cada um aplaudirá o que gosta sem que isso implique condenar os que não gostam do mesmo.
    Cumprimentos.

  10. Que as meninas do Bloco de Esquerda não aplaudissem e/ou não se levantassem, respeitando o acto decorrente de cerimónia de posse não me surpreende, porque além de grosseira a sua preparação o interesse em supri-la é manifestamente diminuto. São radicais! Assim, e por “definição” são contra, e para elas a democracia mora para outros lados … Veja-se a ausência de postura democrática e o facies crispado da mana Mortágua quando no banco da Assembleia usa da palavra para se dirigir aos parlamentares (e a nós)… De fugir!
    Quanto ao PCP com tantos anos de estada parlamentar foi uma vergonha.
    Sem desculpa.

  11. Que dizer? temos (e sempre tivémos) a Esquerda mais estúpida do mundo. E a falta de categoria de que acusam Cavaco é visível sobretudo neles — sempre foi. E grande parte do PS também é assim: só estão mansos porque o chefe lhes pôs açúcar na ração.

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