Os palavrões do costume


Pedro Correia,

Longo debate na RTP sobre as primeiras medidas do Governo e as melhores formas de enfrentar a crise. E lá surgem, em catadupa, os palavrões do costume: ‘janela de oportunidade’, ‘novo paradigma’, ‘sustentabilidade’, ‘troika’, ‘rating’, ‘despesismo’, ‘alavancagem’, ‘efectivamente’.

Chego cansado ao fim do programa. E não é por causa da crise: é por causa deste palavreado tecnocrático que a toda a hora nos invade o domicílio, através da televisão, transformando o nosso belo idioma num linguajar insuportável.

Interrogo-me: serei só eu a pensar assim?

22 comentários em “Os palavrões do costume”

    1. Era o que eu ia dizer.
      O seu mal foi ter visto o programa, já devia saber o que todos sabem, que a D. Fátima é uma nulidade insuprível que se defende com palavras caras, de sete e quinhentos para cima, mas o nível e o conteúdo valem zero.
      Olhe, eu não vi o programa e estou aqui fresco e bem disposto…

  1. Taí um programa que odeio: assenta no equívoco de que se se deixar todas as correntes dizerem uma coisinha, o mosaico final é esclarecedor; é obsequioso para o Poder (pelo menos era, e se bem topo a Senhora vai continuar a ser); os convidados são sempre apresentados com anúncio das albardas doutorais ou funcionais que os fazem putativamente de escol; e o palavreado é esse que V. diz – enjoativo. Não percebo é porque se dá ao trabalho.

  2. De certeza que não és o único. Quando abandono o alto da serra e desço ao povoado, não queiras saber o que ouço. Anda todo o mundo enjoado com certos analistas e comentadores. Se lançassem um “imposto extraordinário” sobre certos comentários, provavelmente, a receita cobrada era uma boa ajuda para o défice

  3. Estes debates são feitos para entendermos alguma coisa? Por outro lado os “palavrões” não são de admirar, num País onde toda a gente (quase toda a genta ) é formada….. Só é dificil para a minha geração, porque nem todos conseguiram ou tiveram possibilidades de se formar. Sendo uma geração que ainda tem alguns analfabetos, pessoas que não tiveram possibilidades de aprender a ler, ou porque começaram a trabalhar muito cedo ou porque não havia escolas. Hoje há escolas e tentam acabar com elas, mas isto já é outro assunto.

    1. Sabe, zeparafuso, conheço muita gente que não teve a oportunidade de estudar. Não são da minha geração, mas andam lá perto. No entanto, não são analfabetos. Mas eu compreendo que lutar contra a corrente e fazer esforços é muito mais complicado do que nos deitarmos no chão e fingir de mortos. No caso do nosso rico Portugal, já é sobejamente conhecida a atitude de ficar no seu cantinho a lamuriar-se, em vez de ir à luta.
      Quanto aos formados, sendo eu formada, coisa que me custou bastante porque tive de ir à luta, posso afiançar-lhe que conheço muitos engenheiros extremamente competentes na sua área. No entanto, são uma nulidade na sua língua materna (ou noutra qualquer). Basta que para isso sejam aprovados cursos sem uma única disciplina de Língua Portuguesa.
      Mas isso é outra conversa e vim aqui para me manifestar contra os “palavrões”. Faz-me especial confusão que usem constantemente o termo “novo paradigma”, quando na minha perspectiva socioeconómica e política o paradigma continua a ser o mesmo de sempre. Aliás, está tão enraizado na nossa sociedade, que dificilmente mudará.

      1. Acredito que a Helena se tivesse formado indo à luta. Nem ponho isso em causa. No entanto reafirmo aquilo que disse no comentário que fiz ” Alguns são analfabetos ” porque nem sequer tiveram oportunidade de ir à luta. Se o ser quase da sua geração tiver uma diferença de 10 ou 20 anos….será outra geração e outros tempos. Tal como a Helena conhece pessoas que, não sendo da sua geração, mas quase e não são analfabetos, eu conheço pessoas da minha geração que começaram a trabalhar com 10 anos e nunca tiveram tempo para ir à luta. Hoje trabalhar aos 10 anos é considerado crime, naquela altura era necessário, para alguns. Para não passar fome alguns tiveram que ir à luta… trabalhando. Ainda bem que já não são muitos e os da geração que se seguiu tiveram mais sorte, foram à luta, fizeram a instrução primária e a formatura. Pois como a Helena diz…alguns deitaram-se no chão, fingiram de mortos, provavelmente encostados ao trabalho, quando não lhes deram a oportunidade de fazer mais nada.

  4. Eu ainda vou aproveitando para algumas associações melómanas. Sempre que ouço falar de troika, lá me vem à cabeça as notas do Tenente Kijé…

    Mas o Pedro Correia tem razão: a panorâmica comentadeira televisiva é realmente patética. Oh, Tchaikovsky…

  5. Muito dos desculpas pá mas voces os pretos não cumpreendem lingua dos branco aquela madame fala muito dos bem dos problema da puluissão das doença dos maus dos alhados da coltura dos alfaces e tomates das problematicas dos problema da iscola das coisas da vida que nos encomoda… voces os encultos não perecebem a madame então estão querer vender os rtps aos brancos rassistas …. aprendem com madame ela sabe da foda das arvores todas..

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