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O feminismo mais radical e misândrico (por militar sem complexos na misandria) anda aí à solta, de asas ao vento, tentando impor os seus dogmas e a sua cartilha proibicionista. Ei-lo aqui bem exposto num Breve decálogo de ideias para uma escola feminista – elaborado por duas “pedagogas” ligadas às Comissões Operárias, a maior central sindical de Espanha.
O que recomendam tão virtuosas senhoras? Proibir o futebol e “outros jogos competitivos” nos recreios escolares. O fim da separação entre lavabos masculinos e femininos nos estabelecimentos de ensino, crivados de “sexismo”. E a mudança imediata de nomes dos centros educativos, “eliminando todos os que sejam católicos ou façam referências a militares, políticos ou juristas”, substituindo-os por “nomes de mulheres representativas do movimento feminista”.
Mas não ficam por aqui: querem também impor a leitura de obras escritas por mulheres, integrando-a numa estratégia para “feminizar a história da arte e da cultura”. E destacam as suas autoras de eleição: Virginia Woolf (que elas escrevem “Wolf), María Zambrano, Emily Dickinson, Marta Sanz, Jeannet Winterson, Ali Smith, Clarice Lispector (que elas escrevem “Linspector”), Sarah Waters, Alice Walker, Margaret Atwood e Alice Munro.
Vão mais longe, recomendando que os programas escolares passem a incluir “pelo menos tantas mulheres filósofas como homens filósofos”. Exemplos: Marina Garcés, Judith Butler, Donna Haraway, María Zambrano, Hipatia de Alejandría, Mary Wollstonecraft, Hannah Arendt, Chantal Mouffe.
Cereja em cima do bolo: “eliminar livros escritos por autores machistas e misóginos” dos planos de leituras escolares. Proibição total das obras de Arturo Pérez Reverte e Javier Marías, e os Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada, de Pablo Neruda, Nobel da Literatura. Além de denunciarem a “faceta misógina” de filósofos como Kant, Nietzsche e Rousseau – “entre outros”.
Uma destas “pedagogas” apresenta-se como “artista, investigadora e educadora”. A outra é professora da Faculdade de Educação da Universidade Complutense de Madrid. Ambas com férrea vocação censória. Mas estão muito longe de serem vozes isoladas. No dia em que mandarem, proíbem quase tudo – excepto os sanitários mistos.
Confesso-me nada interessado em perceber porquê.

Basta!
Qualquer madre superiora diria o mesmo.
As coisas se levadas suficientemente longe complicam-se. Exemplos. No sexo não devia ser proibido o homem ficar por cima? E não devia ser proibido que fosse o homem a mexer-se? Explico melhor: normalmente é o homem que se move em direcção à mulher que se limita a deitar-se de barriga para o ar e de pernas afastadas. Não é uma atitude demasiado passiva que deveria ser banida? Será complicado inverter isto por razões fisiológicas mas, pelo menos, podia-se tentar. Outra coisa que sempre me impressionou muito. Vejo com frequência um rapaz e uma rapariga viajando de motociclo. Vai sempre o rapaz a conduzir e a rapariga deixa-se conduzir. Há uns 3 ou 4 anos vi uma excepção que ainda hoje guardo na memória. Uma só em anos. Não deveria introduzir-se algo como quotas. Assim: um polícia via passar uns tantos naquelas condições. A partir de certo momento deveria começar a aplicar multas a quem tivesse um comportamento sexista na utilização de motociclos. Pelo menos 40% deveriam ir com a mulher no posto de comando.
Toca em pontos muito sensíveis, Manuel. Incompreensivelmente, estão ausentes do “decálogo” elaborado pelas diaconisas espanholas.
Espero que tal lacuna seja colmatada em versões posteriores do dito documento, revisto e aumentado.
Arrisco-me a dizer que o Sô Tôr toca no ponto G da questão
Pode vir a ser penalizado por isso. As abadessas andam vigilantes.
Ora aí está uma excelente ideia, penalizar quem tocar esse ponto. Condenados a trabalhos manuais, com muito jogo de cintura e alguns intervalos para beberem água ou darem à língua!
“normalmente é o homem que se move em direcção à mulher que se limita a deitar-se de barriga para o ar e de pernas afastadas.”
Com tais percepção e hábito, acredito que vê “com frequência” o mesmo casal “viajando de motociclo”, certamente às voltinhas para sair da falta de imaginação…
“o mesmo casal “viajando de motociclo”,” Não é o mesmo casal, isso eu garanto.
Voto pelos WC mistos! E já agora pelo nudismo na via pública. As roupas são como correntes atávicas de uma moral castradora.
Não esquecer a proibição do futebol “e outros jogos competitivos” nos recreios. As feministas radicais imitam cada vez mais os colégios de freiras.
“Voto pelos WC mistos! ” Eu frequento um ginásio e ando ansioso por balneários mistos. A sério, gramava de ver como as gajas se comportam e de lhes mostrar ums coisa.
Tome cuidado. Elas são capazes de não achar gracinha nenhuma a isso.
“As gajas” não se comportam todas da mesma maneira, pelo que se quer saber algo sobre o assunto sugiro que tente tomar duche com uma. Se alguma aceitar, é um bom começo.
“”As gajas” não se comportam todas da mesma maneira,” A minha experiência pessoal com gajas diz-me que, neste ponto, você está certa.
Eu concordo com as senhoras!
(digo isto porque me considero uma pessoa livre mas não quero levar com o pau da liberdade na cabeça)
:-))
P.S: acho que nem preciso de dizer a minha real opinião. Por acaso, um destes dias comprava uma revista e não deixei de reparar nessa “grande referência” que é “O Diabo” e que também alertava para a moda da liberdade com camuflado.
Coitado do Neruda. Tanta prosa e tanta rima a favor da liberdade e do progresso para levar agora cacetada desta. Bem grossa.
Se fosse hoje, alguém faria um determinado serviço antes de Pinochet… Também tu camarada, diria Neruda 🙂
Estas piradas querem ver os livros do Reverte e do Marías a arder nas piras.
Que vergonha de gente.
Não faço ideia em que “mundo” querem viver…
Clube do Bolinha invertido: menina não entra.
E o Vinícius? Olhe que mesmo a Safo não se safa com as madres.Desconfio que quase toda a literatura será para queimar.Há decerto uma freira descobridora das leis do frade Mendel.E uma Pitágora com um teorema.A incompletude de Godel afinal seria duma Godiva.A Cosí,quase garantido,produto de uma Constança renegada.E sim! à Cleópatra ptolemaica , não! ao opressor Copérnico. Morte ao Sol! Como serão os urinóis mistos depois da fonte Duchamp?
Coitado do Vinícius: hoje, no mínimo, ser-lhe-ia reservado o pelotão de fuzilamento. Com fisga, não com espingarda, que é símbolo fálico e portanto deve ser rigorosamente interditado.
E há que derrubar o Manneken Pis – esse horrendo monumento à falocracia que choca as boas almas puritanas.
Ser Nobel da Literatura ou de outra coisa qualquer não transforma ninguém em exemplo seja do que for – bolas, Winston Churchill?!
De resto, concordo quase na íntegra! Com o Pedro e com o meu amado Neruda, que provavelmente reescreveria em honra destas mulheres um novo “puedo escribir los versos más tristes esta noche”…
Confesso que me intriga a motivação em prol dos sanitários mistos – parafilias?
Aguarda-se, para mais detalhes eventualmente escatológicos, o próximo documento das iluminadas senhoras.
Com sorte, acontecerá como ao papel higiénico e o documento acaba-se quando mais se espera que apareça 🙂
A todas as mulheres que lutaram para mudar a sua condição de acessório masculino, abrindo muito sofridamente o caminho à paridade pela competência, um bem hajam. A história recordá-las-á pelas melhores razões.
A todas as que ainda se empenham diariamente em evoluir , progredindo pela competência, um bem hajam, por fazerem parte da massa anónima que provavelmente a história não relembrará, mas que dignificam o eterno feminino, mantendo e fortalecendo a realidade que é e será a igualdade de género.
A todas as que querem impor a sua misandria instituindo quotas e decretando proibições irracionais e limitativas, por falta de competência , por recalcamento ou vendeta, que a humanidade pare para ouvir , escute bem, o olhe para o lado de onde acena a liberdade e que possam ser mais um borrão inconsequente numa página triste da história do mundo.
Muito bem, Dulce. Da primeira à última frase.
Politicamente Correcto a presente estratégia totalitária Marxista – depois dos falhanços de outras estratégias Marxistas como Comunismo e Fascismo – para atingir o Poder discricionário e o objectivo não declarado de regresso ao primitivismo.
É errado chamar-lhes só censores, o Poder sobre toda “a vida dos outros” é o objectivo. O que lêem, o que comem, o que vestem, como se faz sexo…
” O que lêem, o que comem, o que vestem, como se faz sexo…” Então e como é que se faz cocó?
Fundamental não esquecer tão magna cu-estão.
Não só o defecar será legislado por tais metodólogas neo-escolásticas como os produtos dele serão cuidadosamente analisados em laboratórios escolares para istas,em fim,se comeram conforme os conformes emergentes na media ou se prevaricaram
avaliar se as produtoras são veganas,vegetalistas,herbívoras,mcdonald
com morfes não autorizados.
Importa eliminar os urinóis, esses símbolos do domínio falocêntrico que perpetuam estereótipos de género.
Em tempos já saudei a ideia dos sanitários comuns (mistos não, pois isso pressupõe alguma diferença que se esteja a mesclar), uma necessidade para combater o falocrata discriminatório urinol: https://flavio5706.wordpress.com/2017/0 8/30/meninos-e-meninas/
Gostei deste teu texto, que não tinha lido na altura, e que no essencial, quanto à polémica que lhe serviu de mote, coincide com o que então escrevi aqui.
Quanto à questão dos sanitários, sorri ao ler este trecho:
«São discriminatórias, como qualquer pessoa que tenha estado num velho Dramático de Cascais ou em qualquer discoteca apinhada sabe, tendo visto as enormes filas de raparigas (ou meninas, ou gajas, como se preferir), trémulas em ânsias, enquanto nós outros, rapazes (ou meninos, ou gajos, como se preferir), passávamos triunfantes, copos de cerveja na mão ainda para mais, sorridentes e aliviados.»
Sorri, porque no estádio José Alvalade passa-se tudo assim, mas às avessas.
Serão abolidos os paus? Os bordões ? As bengalas ? As batutas ?
Haverá algo sobre proibição de cuecas,calcinhas ?
A música dita clássica está arrumada e arquivada,só escapa a Hildegarda,talvez a
Alma e a Clara,o resto…E maestrinas a reger falos tá-quieto !
Que desgraça.
Quando usa termos como “misândrico”, o Pedro Correia perde toda a razão (se é que alguma vez a teve).
Ena, acaba de chegar (com quase dois meses de atraso) uma sugestão de lápis azul. Para condenar à ilegalização e porventura até à fogueira o vocábulo “misândrico”.
Coisa fina. Ainda é capaz de ser justificada em nome da “liberdade de expressão”.