Os novos censores andam aí (2)


Pedro Correia,

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Escolas do Estado da Virgínia, nos EUA, baniram dos programas escolares o estudo do célebre romance Matar uma Cotovia (To Kill a Mockingbird), de Harper Lee – galardoado em 1961 com o Prémio Pulitzer e considerado uma obra-prima da literatura anti-racista.

Na origem da decisão esteve a denúncia de uma encarregada de educação, ofendida com a utilização do termo “preto” (nigger) e expressões coloquiais conotadas com a segregação racial em diversos trechos desta obra.

Há pelo menos quatro versões diferentes deste romance no mercado editorial português, com outros tantos títulos: Não Matem a Cotovia (Europa-América), Mataram a Cotovia (Relógio d’ Água), Matar a Cotovia (Editorial Presença) e Por Favor, Não Matem a Cotovia (Difel).

18 comentários em “Os novos censores andam aí (2)”

  1. Pedro, creio que será relevante informar (para os que não sabem) que as pessoas que promove(ra)m a censura ao livro da Harper Lee, ao «E Tudo o Vento Levou» (retirado de um cinema de Memphis, tema que abordou num texto anterior) e ainda a muitas outras obras e autores (aqui se incluindo comunicações, discursos, ensaios, palestras, em universidades e em empresas) se situam ideológica e invariavelmente na esquerda, no Partido Democrata. E que, frequentemente, exercem essa censura pela violência física, ameaçada ou mesmo concretizada.

    1. Historicamente, o Partido Democrata é o partido dos racistas e esclavagistas do sul dos EUA. O general Robert Lee, cujas estátuas têm vindo a ser derrubadas, era um apoiante do PD. Mas não me interessa partidarizar este tema. É demasiado importante e demasiado grave para caber em parâmetros partidários.

          1. vocabulário e não só. atenção que esse camões, além de heteronormativo, era islamofóbico. o melhor é retirar.

  2. Para democratas puristas, estes incultos nem fazem ideia do que quer dizer democracia.
    Quem sabe termos tão corriqueiros do calão americano tais como Hymies, Bucks, Gooks, Spice, Dagos, Hadjis, Honkies, Micks, Slopes, façam parte do seu vocabulário sem os conotarem com ofensa e segregação…
    Que pobreza de espírito. Que falta de conhecimento histórico, literário… sei lá.
    Uma tristeza entre muitas que contribui largamente para o embrutecimento do mundo.

  3. Por favor não matem os censores, mas deixem-nos divulgar arte humanista e denunciadoras da injustiça como esta e não deixem a humanidade ficar refém de mentes tão pequenas.

  4. A breve nota que rabisquei no exemplar cá de casa diz que o comprei na feira do livro de Lisboa, a 31 de Maio de 2015. “Paperback”, barato (bem mais do que nas traduções de “capa dura”) e sem riscos de traição do tradutor (com todo o respeito pela tão nobre missão).

    Está em lista de espera para ser lido. Preterido já, mais do que uma vez. Mas é acabar a incursão pelo Douro que tenho agora em mãos…

    Poucas vezes, se alguma, me senti tão reaccionário. E orgulhoso disso.

    Costa

    1. O romance de Harper Lee bem merece uma leitura atenta. E também vale a pena revisitar o filme de Robert Mulligan, com Gregory Peck no principal papel, inspirado nessa obra. Um filme que entre nós (bem) se chamou ‘Na Sombra e no Silêncio’.

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