Os nossos tradutores no Afeganistão


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Nunca quis botar sobre o Ministério da Defesa, é uma área de que nada sei e algo opaca (e assim o deve ser). E sobre a saída do Afeganistão nada digo, pois também nada sei, apenas lamento o processo. Mas ouço na televisão que o governo português se prepara para trazer alguns afegãos que trabalharam com o destacamento português (são referidos tradutores, mas possivelmente haverá outros). E cada um terá o direito de vir acompanhado pela esposa. Sendo explicitado que por “apenas uma esposa”, no caso de serem indivíduos em casamentos poligínicos. Ou seja, terão que optar por uma delas. E pelos respectivos filhos, decerto.

 

Ora esta decisão extravasa completamente os assuntos da tutela e são totalmente inaceitáveis. Presumo que virá a ser acolhida pelo silêncio do mundo dos “identitaristas”, os que cultuam as Filomenas Cautelas e quejandas. Mas que fique bem explícito para os socratistas, os do governo português e os intelectuais genderísticos, sempre ávidos de usarem “identidades” para sacarem recursos do Estado e nisso incapazes de criticar os santos do PS: diante da poliginia a única posição legítima é defender a total igualdade de direitos de todas as esposas e das suas proles. E esta decisão do governo português – independentemente da sua efectividade -, é uma barbárie (uso o termo de modo consciente), uma sobrevivência ignorante do pior da evangelização de séculos atrás. Em pleno 2021 um paroquialismo de sacristia. Uma vergonha.

38 comentários em “Os nossos tradutores no Afeganistão”

  1. Convém explicar que os cidadãos Afegãos que pretendem sair do seu país, eram colaboradores do regime da Inglaterra, da Agência Central de Inteligência (CIA, pela sua sigla em Inglês), e da OTAN.

    Esses cidadãos Afegãos que pretendem sair do Afeganistão, não são refugiados nem fogem dos Taliban (organização terrorista), mas sim dos seus próprios compatriotas a quem fizeram mal e contribuíram com o seu colaboracionismo, para desgraça e caos que se instalou no Afeganistão devido à invasão Norte-Americana.

    O Presidente Vladimir Putin deixou o alerta:

    «…Não queremos que apareçam aqui milicianos sob o disfarce de refugiados do Afeganistão…»

    Fonte: https://actualidad.rt.com/actualidad/401641-putin-aparecer-milicanos-disfraz-refugiados

    Esperemos que as crianças Afegãs que estão a chegar a diversos países Europeus – e que já sofreram bastante – não venham agora a ser capturadas por traficantes ligados à pedofilia.

  2. No tempo em que havia torneios de cartas aqui na associação da terra, quando o ás de trunfo era batido, havia sempre alguém a dizer:
    – Patummm!
    Lembrei-me disso depois de ler este postal.

    1. Sim senhor, um Delito de post e um delírio de comentário.
      Toda a gente percebeu, que a informação é referente a indivíduos muçulmanos que lhes permitido pela sua religião um homem casar com várias mulheres. Dizem, ouvi dizer, que para evitar ter amantes e andar enrolados com as criadas.

      1. No tempo de de Maomé, os árabes eram politeístas e divididos em tribos que se guerreavam há dois ou três séculos, Guerra era um assunto de homens e, naturalmente, eram homens que morriam. Assim a proporção de homens para mulheres seria nesse tempo de 1 para 4.
        Maomé, ao impor a regra de cada homem poder ter 4 – e apenas 4 – mulheres, não só estava a disciplinar moralmente os poderosos que tinham haréns, como estava a impor uma medida socialmente profiláctica.
        Tal como a obrigatoriedade de entrar descalço no templo, de lavar pés e mãos, de não comer carne de porco, eram medidas de profilaxia.
        Ao contrário das igrejas cristãs que atribuíram aos Papas em concílio, a possibilidade de fazer evoluir a doutrina, os muçulmanos não têm uma chefia que o possa fazer e continuam a seguir ensinamentos de Maomé que não fazem sentido na realidade actual.
        Sem querer ser pedante ou moralista, sugiro que alguma leitura, é preferível ao ouvir dizer.
        P.S. Suponho que essa do andar enrolado com as criadas se refira a Karl Marx.

        1. Francisco Almeida, obrigado pela explicação.
          Como sabe não apenas os ensinamentos de Maomé, são também as “leis” impostas pelos califas que têm de ser cumpridas.
          Qual Karl Marx qual carapuça, o ‘não te envolvas com a tua criada, antes passe a ser tua mulher’ é de quem?

          1. Não sei de quem é mas Marx, casado com a filha de um barão, envolveu-se com a criada/governanta, de quem teve um filho bastardo que foi depois adoptado por Engels..

  3. Perante a situação de pessoas que apoiaram as forças portuguesas num território hostil e que arriscam consequências graves, o comentário é: não aceitamos poligamias? Não é que esteja errado, mas o post foi escrito essencialmente para notar isso?

      1. A pergunta é legítima, mesmo que dela discorde. As suas opiniões são suas e pode pensar de mim o que quiser, mas depois deste comentário, mínimo e que apenas aponta que eu discordo de si, é isso que diz. Que eu tenho atrevimento de comentar aqui? Que tipo de pessoa é você quando passa post atrás de post a atacar aquilo que lhe apetece?

      2. Já agora, note que eu até o interpretei mal. Entendi que você não queria mais que uma mulher quando a sua posição (lido de novo e tentando ignorar as diatribes sobre governos e socratistas*) me parece ser de facto a oposta (e correctíssima) que deveriam vir todas as mulheres desses colaboradores, mas que devem ter todas os mesmos direitos.
        Por isso peço desculpa por o ter treslido.

        Só deixo outra pergunta: fica assim tão incomodado por eu comentar. Faz-lhe urticária? Discordância é assim tão fora do que pode tolerar? Ou é só por mim? Só para saber.

        * – a sério que ainda anda de volta dos “socratismos”? O mundo já deu umas voltas ao Sol desde então.

        1. A minha resposta é explícita. A minha implícita deve ser bem visível e não a boto aqui porque você e eu somos aqui co-bloguistas e por isso não parecerá bem botá-la com todas as letras. E quanto aos seus comentários não os apago exactamente porque você e eu temos aqui o mesmo estatuto, e como tal não me vou arrogar a impedi-los. Mas não tornarei a responder-lhe.

          1. jpt e João André tratam-se assim tão mal?! Não é usual em co-bloguistas.
            Qual a razão para tanto fel?

          2. Por que razão não há-de haver dissonâncias e zangas entre autores do mesmo blogue? Não vejo motivo nenhum para que isso não aconteça. O DO não é uma seita.

            E podem sempre jantar em lado opostos da mesa. Depois no fim. já com os copos. fazem as pazes. Até é lindo.

    1. No caso da poligamia entre muçulmanos trata-se de casamentos por leis religiosas.
      Por isso por cá, os homens até podem casar com uma mão cheia de mulheres, só conta o Registo Civil

  4. Diz bem.
    E se são tão estúpidos que cumpriram a lei (nossa) de nada poder saber sobre quem se emprega, merecem que cada um dos desgraçados traga quatro.

    1. Decerto que num caso destes houve informações sobre os contratados (os destacamentos militares portugueses no estrangeiro são extremamente competentes). Mas a questão dos conteúdos familiares dos contratados nunca terá sido item excluente dos candidatos (ou dos necessários,….)

  5. diante da poliginia a única posição legítima é defender a total igualdade de direitos de todas as esposas

    É precisamente isso que a lei islâmica mandata: que o homem trate com total igualdade todas as suas esposas.

  6. O problema é que na lei portuguesa a poliginia não existe, ou seja, não está enquadrada. Com que estatuto legal ficariam os afegãos polígamos em Portugal?

    (Não sei se há muçulmanos polígamos em Portugal, nem como é enquadrada legalmente essa poligamia. Note-se que a poliginia, embora permitida pelo Islão, não é atualmente frequente, a não ser entre homens muito ricos.)

  7. Seria conveniente, antes de tudo, averiguar se há algum homem afegão a quem Portugal deseje dar proteção e que tenha mais que uma esposa. Eu duvido que haja. Se não houver, como eu presumo, evitar-se-ia estar a dicutir um problema inexistente.

    1. V. tem razão, balio – e eu vou nesse rumo quando noto que a questão se coloca “independemente da sua efectividade”. É certo que os militares que estiveram no terreno conhecem os seus colaboradores e saberão, grosso modo, das características familiares/demográficas desse pequeno universo. Mas pode-se presumir que os que procurarem refúgio serão na sua maioria monogâmicos (por várias razões que não interessam aqui): ou seja, é uma questão académica. Então para quê colocá-la, para que são estas afirmações destemperadas?

  8. Eu diria que a cavalo dado não se olha o dente. Portugal oferece proteção a certos homens específicos. E, com generosidade, estende essa proteção a uma mulher por cada homem, e aos filhos dessa mulher com esse homem. O homem não tem nada que regatear: é pegar ou largar. Se, por quaisquer motivos (esposas, mães e pais, outros filhos, outros familiares dependentes, etc), não quiser aceitar a oferta de Portugal, não aceita, e prontos.

    1. E se os filhos da mulher forem de outro homem?
      Não temos obrigação de os receber.
      Teste adn prévio, pela via das dúvidas.

  9. Referia-me ao primeiro comentário, claro.
    Aceite as minhas desculpas por não me ter explicado devidamente.
    Cpmts.
    JSP

  10. Coloco aqui uma hipótese de explicação/justificação (que pode não comprovar-se).
    Portugal tem 4 militares no terreno, para funções de apoio. A evacuação pretendida pelos portugueses será gerida por outras forças militares (concretamente os espanhois) e serão usadas aeronaves de outros países. O relógio está a contar, a janela de abertura para a evacuação com um mínimo de segurança está prestes a terminar. Imagino que a Portugal tenha sido dispensado um número de lugares determinado, provavelmente reduzido e abaixo do pretendido. Face à situação, houve que definir um critério: quem poderá embarcar, quem terá de ficar. É mesmo possível que tal critério nem tenha sido definido pelas autoridades portuguesas mas lhes tenha sido imposto.
    Infelizmente, pelas notícias que chegam, se Portugal conseguir resgatar metade das pessoas que estão actualmente na lista, já será uma façanha.

    1. Confirma-se que o critério foi definido pela NATO.
      Mas só o ministro português se lembrou de o partilhar em público.

  11. Os familiares de 4 patas estão autorizados?
    Também são família, o Afegão não pode ser obrigado a escolher.
    Isto das indignações das redes sociais é um mundo complexo.

  12. Não devia era vir para cá ninguém. Já temos ruralóides que cheguem. O que é que estes fanáticos ignorantes vêm para cá fazer? Transformar isto num país ainda mais falhado como fizeram ao deles.

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