
Escombros no centro de Mariúpol, cidade-mártir destruída pelos russos
«Contemplo as fotografias captadas na Ucrânia durantes estes intermináveis dias de uma guerra que parecia inconcebível ao ponto de ainda agora nos custar a crer que esteja a desenrolar-se. Aqui estão as ruas de Carcóvia: o lixo, as vigas, os buracos negros em vez de janelas, as silhuetas dos belos edifícios com entranhas carbonizadas. Aqui está a estação, a multidão de refugiados em busca de um lugar no comboio que parte. Aqui há uma mulher com um cão nos braços, devem apressar-se rumo a um refúgio em Kiev. Mariúpol depois do bombardeamento, nem a descreverei.
A minha amiga de 80 anos conta-me um sonho que teve uma vez: era uma terra sem limites, onde as pessoas jaziam em camas de ferro. Um lamento ressoa no pântano. Eu – diz ela – sempre soube que isto era de esperar. Que viria. Os sonhos com catástrofes são recorrentes em quem vive nesse espaço que hoje é difícil denominar pós-soviético: creio que terá outro nome ou outros nomes muito em breve. Geralmente a catástrofe tem a ver com a guerra (muito parecida com a II Guerra Mundial) ou com a prisão ou o campo de detenção. Sonhos similares aos que já começam a ter com esta guerra aqueles agora com 20 anos, cujas noites não deveriam converter-se num espaço para os medos e o desespero de há oito décadas.
Eu não sou excepção. Nos últimos dias, nas últimas noites, estes sonhos tornaram-se realidade. Uma realidade ainda mais terrível do que possa parecer. Nessa realidade a violência, a agressão e o mal falam a língua russa. Como disse alguém: “Sonho que os nazis nos invadiram e esses nazis somos nós”.»
Maria Stepanova, poetisa, romancista e jornalista russa, directora da revista digital Colta.ru. Excertos de um texto publicado no diário italiano Corriere della Sera.
(Tradução minha)

“Sonho que os nazis nos invadiram e esses nazis somos nós”
Exacto. Enquanto nos entretemos a chamar nomes antigos aos novos barbarismos esquecemo-nos dos seus nomes verdadeiros: comunista, russo, islamita, etc.
Verdade.
Por aqui, e não só, ainda há medo de denunciar os crimes perpetrados pelos comunistas.
Não consigo imaginar o terror. Nós que estamos longe e seguimos com a nossa vida normal, que nos indignados a cada bombardeamento, que choramos com as imagens dos noticiários e aliviados a nossa consciência “culpada” em transferências para IBANS e preparações de cabazes humanitários, não fazemos ideia da destruição nem conseguimos imaginar o terror.
Este texto é serviço público.
pediram-me uma vez o CV
parei no 2º parágrafo ao escrever
« mais de 70 anos de luta inglória contra a burrocracia do estado ».
« a luta continua!» a avaliar pelo desgoverno e seu orçamentes e pela brilhante qualidade e quantidade ps e não só, mas também.
os Nazis eram Nacional-socialistas.
o funeral está a cargo da agência Largo dos ratos
Bonito e sentido texto.
Obrigado pela partilha.
(Tradução minha)
O Pedro Correia sabe italiano? Que excelente! Então, não tem razão para continuar com a argumentação que aqui por vezes expõe, de que as línguas cultas têm letras que não se lêem. É que o italiano, que é (suponho eu!) uma língua culta, tem escritas somente as letras que se lêem.
Já foi uma língua culta. Agora é uma caralhada suburbana que não interessa a ninguém.
falso
gh= g, como ghetto / ch=q,como fichetta
D. Ursula, uma mulher com tomates.
os aleijadinhos zurram de longe