Os Meus Carros (6)


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Quando eu andava sempre de calções, os táxis eram quase todos Mercedes-Benz 180D, igualmente designados pela marca como W120 Ponton.

Também havia — não necessariamente táxis — os 190 (W121) e nem sempre D (de Diesel), pois podiam ser S e SE, entre outros modelos da marca alemã, cuja reconversão a partir do pós-Guerra nunca parou de evoluir e de se impor pela fiabilidade e resistência — características apreciáveis que, aliás, já faziam parte da História anterior da Mercedes-Benz.

Os Mercedes Ponton foram produzidos de 1953 a 1962. Muitos ainda se mostravam claramente estimáveis e prestavam grandes serviços nos anos 70 — estimáveis e bem respeitáveis, porque não ganharam fama sem proveito.

Nessa época, uma família desafogada não desdenhava mostrar-se com o seu 190S ou um luxuoso 220 SE, por exemplo, o que confirmava um certo estatuto social.

 

 

Hoje em dia, como clássico, talvez não seja um carro muito empolgante, mas nenhum coleccionador recusa um Ponton em estado invejável de fazer virar a cabeça a tanta gente que o conheceu por fora e por viajar dentro de algum.

Lá em casa, se a minha mãe e/ou alguma das minhas tias precisava, telefonava-se para a praça de táxis mais próxima, a que ficava no interior da Praça de Mouzinho de Albuquerque (vulgo Rotunda da Boavista), virada a Poente. Era então normal aparecer-nos à porta o senhor Fonseca, já nosso conhecido de tantas saídas, de fato e gravata ao volante do seu impecável 180D sempre a brilhar.

Fartei-me de ir à Baixa nesse Mercedes azul escuro do senhor Fonseca, muito antes da norma que impôs que os táxis fossem pretos com o tejadilho num verde invulgar, para se distinguirem com facilidade dos restantes carros.

 

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