Um dos problemas deste país é gastarmos muito mais tempo a ler opiniões de gente burra do que de gente inteligente e bem informada. Ainda agora, a propósito das revoltas no mundo árabe, se percebe isso: damos um pontapé numa pedra na rua e saem de lá dez recentíssimos “egiptólogos” a debitar inanidades sobre a incompatibilidade radical entre a democracia e o mundo árabe. Alguns são os mesmos que há 30 anos garantiam ser impossível haver estados de direito na América Latina e há 20 anos juravam que o sistema democrático jamais vingaria na Europa de Leste.
Os mesmos, sempre os mesmos. Clamam desde o século passado contra o atraso endémico do País enquanto interpretam a evolução do mundo com a argúcia de um camião TIR em marcha-atrás.

São os que têm pesadelos de cada vez que se lembram que o Muro de Berlim já foi derrubado e que a Alemanha já hoje reunificada. A gente conhece-os.
Exactamente, João.
Caríssimo,
“Um dos problemas deste país é gastarmos muito mais tempo a ler opiniões de gente burra do que de gente inteligente e bem informada. “
Certo. Corolário: O Numero de opiniões emitidas por gente burra, como bem constata, é muitíssimo superior as emitidas por gente bem informada.
Ora se estravazarmos para outras áreas e assuntos, obteremos o Pais que fizemos.
Forte abraço e bom fds,
PS: Excelente Post, as usual…
Obrigado, meu caro. Um abraço.
A minha avó que era inteligente, culta, e informada, morreu com muita pena do filhos, netos e bisnetos com 90 e tal anos, dizia muitas vezes que cautelas e caldos de galinha, nunca fizeram mal a ninguem.
Estamos todos a torcer, pelo menos os que gostam de viver em liberdade, para que as coisas corram bem nos paises que se têm revoltado contra os regimes mais ou menos despoticos que os têm governado nas ultimas decadas no norte de Africa.
Mas só por ingenuidade se pode pensar que vai ser facil implantar regimes democraticos nesses países.
Aqui em Portugal a seguir ao 25/4/74, quem é que tomou conta do país? Foi o PCP, o unico partido que estava organizado no terreno, e que tinha estruturas espalhadas de norte a sul, e fez valer as suas soluções politicas, ao ponto de ter nacionalizado a economia, e ter feito um reforma agraria. E não fora uma duzia de militares moderados terem dado a volta a uma reunião do MFA, nem eleições teria havido em Abril de 1975. E foi necessario haver uma quase guerra civil para acabar com aquilo.
Se pensarmos quais são nesses paises, as forças que estão organizadas no terreno e com um poder real sobre as populações, os muçulmanos radicais, isso não augura nada de bom para o seu futuro. Para os arabes, os valores saidos de 1789 não têm nenhum significado. Regem-se pelas leis do Profeta.
Apesar de tudo o muro de Berlim estava na Europa, e de um dos lados estavam democracias, e na America do Sul o apoio dos americanos tambem ajudou.
Estar apreensivo, não é estar contra, é ser prudente.
Alguns espiritos mais criticos, poderiam tambem dizer, que não perceber isto, é ter a argucia de um martelo pilão.
Este aqui foi a doer, Pedro! Brilhante.
(a minha vénia, Laura)
De acordo, meu caro Pedro. Gente que ao longo destes anos nunca escreveu, ou pensou, sobre as relações entre o Islão e a democracia, ou sobre os bloggers árabes, por ex., tornou-se, de repente, especialista na matéria.
abraço
Tal e qual, caro Filipe. O que não é o nosso caso, digamos sem falsas modéstias.
Um abraço.