

Páscoa Feliz, de José Rodrigues Miguéis (1932)
Jogo da Cabra Cega, de José Régio (1934)
Nome de Guerra, de José de Almada Negreiros (1938)
Gaibéus, de Alves Redol (1939)


Páscoa Feliz, de José Rodrigues Miguéis (1932)
Jogo da Cabra Cega, de José Régio (1934)
Nome de Guerra, de José de Almada Negreiros (1938)
Gaibéus, de Alves Redol (1939)
Li apenas Gaibéus. Gostei.
Quanto me falta.
“Gaibéus”, romance introdutório do neo-realismo, antecipando uma tendência que duraria cerca de duas décadas. Um romance com “personagem colectiva”, documentando a condição social dos ceifeiros no Ribatejo da primeira metade do século XX. Original. Inegavelmente bem escrito. Foi muito imitado depois quase sempre por escritores com menos talento.
Li Redol aos 16 anos, que me está ligado por família, e também Gaibéus. Fala-nos aí da transumância e de muito mais para além disto. Foi o marcador de uma época que voltará a emergir na literatura e socialmente. XYg
Deixo aqui, em homenagem ao nosso Pedro Barroso, a ligação para que a partir do minuto 5,19, possam apreciar também o que nos canta dizendo:
“Aprendi nos esteiros com Soeiro
e aprendi na fanga com Redol
Tenho no rio grande o mundo inteiro
E sinto o mundo inteiro no teu colo.”
https://www.youtube.com/watch?v=8glQyFRz
Vá que o Vento está de feição, só falta um sim senhor na mudança da toponímia de Sinel de Cordes para Alves Redol num arruamento de Lisboa, sem argumentar ‘não apoiado e até o próprio não gostaria, se ainda fosse um bairro popular’ .
Na rua continua Redol. A melhor toponímia são os seus escritos e a sua vida.
Redol, grande escritor de Vila Franca. Regionalista, nesse sentido de apego às raízes. Mas com alcance e expressão muito para além da zona de origem. Numa época em que o “eu” dominava a literatura, com a chamada literatura introspectiva muito influenciada pela psicanálise, ele introduz o “nós” – o herói sem nome, o herói colectivo, inserido numa estrutura social.
Hoje parece-nos peça de museu, mas na altura foi uma inovação artística, literária, estética.
Sim, mas também esteve em África, Luanda, e regressou à metrópole. Foi a partir deste momento que se desenvolveu toda a sua obra e pensamento.
Sim.
É importante ainda uma anotação a sua obra Barranco de Cegos. Ele avança para a construção deste livro a partir da passagem do evangelho segundo Mateus, que nos dá conta dos cegos que guiam cegos.
Talvez o Pedro veja interesse em um dia abordar este tema.
Esse já pertence a outra década.
Esta semana trago aqui aqueles que, na minha opinião, são os melhores romances portugueses da década 1931/1940. Aceitando, naturalmente, outras sugestões que os leitores entendam dar.
Correcto. Barranco de Cegos é uma “extensão” da Barca dos Sete Lemes.
Redol voltará a esta série, lá mais para a frente.