Henrique Pereira dos Santos, aqui, e Luís Aguiar-Conraria no Facebook, pronunciaram-se sobre o caso do pai de Famalicão cujos filhos foram chumbados por faltas à disciplina de Cidadania. Diz o segundo:
“É extraordinária a incapacidade de tanta gente de separar dois assuntos. Uma coisa é a sua opinião sobre se uma disciplina na escola deve ser obrigatória ou não, outra é a autonomia que um pai deve ter para impedir que uma criança não frequente uma disciplina obrigatória. Vá, esforcem-se, são dois assuntos diferentes. É possível ser contra que uma dada disciplina (História ou Cidadania, por exemplo) seja obrigatória e mesmo assim considerar inaceitável que um pai impeça os filhos de a frequentar”.
Nunca ouvi falar de ninguém que se opusesse ao ensino de História. É claro que um historiador marxista acentua no processo histórico aspectos diferentes, e deduz causalidades diferentes, do que aquele que o interpreta sem a obsessão da luta de classes, do materialismo dialéctico e dos outros versículos da bíblia marxista; que um clássico se baseia mais nas acções de personagens ilustres e um moderno em factores geo-estratégicos ou climáticos ou de evolução tecnológica, ou, ou, ou – as combinações são infinitas; que constantemente aparecem novos dados, documentos e contributos de ciências ancilares, que originam novas interpretações; e que o esforço de interpretação nunca está inteiramente esgotado, desde logo porque é um exercício quase inacessível despir a pele das nossas convicções, interesses e conhecimentos ex post facto para vestir a dos contemporâneos e imaginar-lhes as motivações e intenções, para não dizer que boa parte dos historiadores usa a História para ilustrar os seus preconceitos, e actualmente, com frequência, para ajustar contas com ela, corrigindo reais ou imaginários tortos do passado.
Estas e outras dificuldades fazem com que a História de Portugal e a Universal que se ensinam hoje não sejam a mesma coisa que se ensinava há 40 anos, nem a que se ensinará daqui a 20.
O que tudo junto, porém, não obsta a que o ensino da História seja uma necessidade pacífica, já porque só podemos entender o que somos e o que os outros são se conhecermos o que fomos e foram eles, já porque quem não conhece os erros do passado se condena a repeti-los, e um imenso etc. – a justificação vem às vezes no princípio dos manuais de História e quase toda a gente aceita o seu estudo e ensino como fazendo parte do acervo mínimo dos conhecimentos do cidadão alfabetizado.
Daí que a comparação seja infeliz: a História, as línguas, a Geografia ou as Ciências da Natureza, a Matemática ou o Desenho, enfim, o conjunto das disciplinas que compõem o ensino básico e secundário, não comporta a conflitualidade política que a disciplina de Cidadania inclui necessariamente nem abre descaradamente a porta à formatação das cabeças dos meninos em mundividências que, no caso, calha serem com frequência de esquerda.
O próprio Aguiar-Conraria diz algures que não vê a necessidade da disciplina, e por isso sistematicamente, na esgrima verbal em que se deleita por vezes nas redes (como eu) cascou a este propósito em quem quis ver nas palavras dele a defesa dela, e não a das crianças que resultaram prejudicadas. Um bom argumento, que contestei num comentário que fiz no mural onde estava uma grande balbúrdia comentarial, e que transcrevo a final.
Já Henrique Pereira dos Santos defende o pai com excelentes argumentos, como é costume dele, no texto lincado acima, mas diz a certo passo que
“O relevante aqui é que a limitação do direito à asneira dos pais deveria, em primeiro lugar, ser decidida por escolas que deveriam ter autonomia para aplicar modelos educativos que, respeitando um conteúdo escolar mínimo que se entende que é o que respeita o direito à educação das crianças, poderiam ter uma grande diversidade.
Ora neste caso o conflito é entre uns pais que têm a coragem de afirmar os seus valores, tendo contra si todo o Estado, incluindo o seu sistema escolar, podendo estar a fazer uma enorme asneira (é um direito que lhes assiste) e um Estado cobarde que tem medo de lhes retirar a tutela dos filhos por entender que estão a prejudicar irremediavelmente o direito à educação dos filhos”.
Em parte, não o acompanho. Para mim, o sistema de ensino deve fornecer um selo de garantia de um certo conjunto de conhecimentos, o que implica programas e exames iguais em sucessivos graus, com classificações e correcções atribuídas e feitas por professores diferentes dos dos próprios alunos, ainda que os estabelecimentos devam ter a liberdade de adoptar os métodos pedagógicos que entendam, em escolas que deveriam estar, mas não estão, em concorrência por “clientes”, isto é, alunos. O que quer dizer liberdade na escolha do estabelecimento e, provavelmente, vantagem para os alunos oriundos de famílias com meios, pelo que fórmulas de intervencionismo correctivo seriam necessárias.
Mas isto não é a mesma coisa que defender a liberdade das escolas na aceitação ou rejeição de miúdos provenientes de famílias com idiossincrasias familiares de índole religiosa, política ou outra: tal escola é só para miúdos católicos, ou judeus, ou muçulmanos, ou comunistas, ou anti-touradas, ou pró-toiro, ou fanáticos da igualdade de género (come on, a propósito: o género é homo sapiens, o masculino e o feminino são sexos. Logo, a igualdade de géneros não existe senão por construção demencial de engenheiros sociais) ou das alterações climáticas? Então ꟷ não. Numa escola católica ou de outra denominação cristã, a existirem, o ensino religioso pode ser ministrado, desde que não seja obrigatório e desde que isso não implique a exclusão, se baseada em razões religiosas, de alunos. Porque, se não se entender assim, não se perceberá a que título é que amanhã não poderemos ter madrassas a formar terroristas e cidadãos inassimiláveis. E que se dane o multiculturalismo suicidário.
Não sei portanto qual a extensão da autonomia das escolas que HPS defende, mas parece ser bem maior do que a minha. De resto, nisto como em outras coisas, não sou adepto de localismos nem regionalismos: o meu Estado é pequeno mas forte, não local porque se o for não pode ser pequeno. Nem a liberdade se acrescenta pelo efeito de o Estado vir para mais perto.
No mais, sobre o caso de Famalicão, até podia demitir-me de acrescentar o que fosse. Mas como abundei em considerações no café do Facebook abaixo transcrevo uma delas porque quem teve a paciência de ler até aqui pode bem sofrer o resto:
O motivo por que há tanta gente (da variedade que pensa; a maioria aceita qualquer coisa desde que corresponda a uma opinião maioritária e esteja vertida no DR) que entende que a disciplina nem sequer devia existir (e gente que não é suspeita de acolher opiniões delirantes ou crenças esotéricas) é que reconhece que a disciplina tem, e não pode deixar de ter, um conteúdo programático que implica fatalmente escolhas em matéria de ordenação social. Essas escolhas têm um conteúdo ligado aos fundamentos civilizacionais da nossa sociedade e do lugar em que estamos no mundo, e não precisam de ser ensinadas nas escolas sob a forma de moralidade oficial; ou reportam a matérias objecto de controvérsia e lutas políticas e são portanto uma escolha partidária em que os militantes de determinadas correntes, no caso maioritárias, reivindicam o direito de formatar os filhos dos outros. Separar as duas questões, isto é, achar que a existência da disciplina é uma coisa diferente da sua obrigatoriedade, é o mesmo que dizer que a leis iníquas é devida obediência. Mas não, a leis iníquas não é devida obediência. E este pai, ao dar esse exemplo aos seus filhos, está-lhes a ensinar cidadania. Da boa.

Que tudo pode ser distorcido, assim não haja uma formulação programática, serve para quase toda a disciplina; donde o Estado formular programas e validar publicações com eles concordes.
Outra questão é saber onde o Estado não tem de definir programas; aí, se o fizer, poderá quando muito disponibilizá-los facultativamente.
Como todo o trapaceiro, faz uma mistela compósita, que nem cabalmente define, e torna-a obrigatória, confiando ao corretês vigente impôr a tralha progressista.
Sem dúvida cem porcento de acordo.
Subscrevo:
“A leis iníquas não é devida obediência (…) este pai (…) está-lhes a ensinar cidadania. Da boa”.
Aos filhos e aos outros, acrescento eu, aos que fazem as leis iníquas e à carneirada que as segue balindo obedientemente.
No tempo em que eu estudava, por exemplo, a disciplina de “Religião e Moral” era facultativa -frequentava quem queria.
Não seria de considerar assim ? …
A disciplina de Cidadania é Anti Constituicional
Artigo 43.º da Constituição
2. O Estado não pode programar a educação e a cultura segundo quaisquer diretrizes filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas.
O Estado socialista, como dizia o outro, está-se “…” para a Constituição, quando lhe convém.
Estes modelos de reflexão que nos apresenta necessitam de um complemento celestial.
No dia 19 de Outubro de 2021 foi atribuída a honra e menção no panteão à figura do ilustre Aristides de Sousa Mendes. Este homem salvou vidas e não foi um defensor do regime republicano. Mas ficar pela simples afirmação de ter salvo vidas humanas seria reduzir a dimensão grandiosa de seu gesto, pois o motivo substantivo por ele ter salvo vidas foi a sua ousadia em se ter antecipado ao convite que hoje continua a fazer desde o túmulo panteónico e de sua eterna memória no além que está bem próximo e inibido por pseudo-teorias de cidadania: DESOBEDEÇAM, foi esta a sua proposta.
Assim, de pé diante dos homens e de joelhos perante Deus, em obediência divina desobedecendo aos deuses, morreu na miséria e assistido em seus últimos momentos por congregação de franciscanos.
Os pais de Famalicão são verdadeiros embaixadores deste princípio numa sociedade hodierna truncada por mitos psico-ideológicos que visam a corrupção social através da estrutura basilar que é a família. A atitude destes país pretende ainda referir que não podem ser as causas e as estruturas disfuncionais a ditar a funcionalidade das famílias e da sociedade que ainda funciona.
Dito isto, passo ao compasso seguinte:
É uma treta do maior tamanho a questão da ideologia e da igualdade de género, porquanto a única coisa que em comum poderá ter o género humano é a sua estagnação psico-mental-espiritual evolutiva.
O primeiríssimo e único que se fez igual entre os que são diferentes de si mesmo foi Jesus, o Cristo por antonomásia, precisamente para demonstrar e ajudar a compreender que o parir-se de novo, ou o renascimento, era a via única, incontestável e inalienável para que a diferença, mantendo-se, se tornasse igual.
A proposta que usou para demonstrar a eficácia de tal procedimento foi precisamente DESOBEDECER aos homens em OBEDIÊNCIA a Deus. Para tal, voluntariamente submete-se à morte de Cruz, demonstrando que nessa mesma Cruz a morte em que o homem se encontra pôde ser vencida.
Portanto, se algum mistério a Cruz revela é o de que só o Amor pode vencer a morte. Porém não se ama a qualquer preço, mas custe o que custar.
Assim, os actuais vendilhões do templo, que o estado em si mesmo ergue agregado a grupelhos, esquecem que a via do humanismo e da cidadania é para gente retrógrada, acéfala e não-pensante. Por ser impossível colocar vinho novo em odre velhos e corruptos, Jesus continua a ser esquecido em sua Palavra.
O evolucionismo tem de passar do humano e do psiquismo – psiquismo que nada mais revela que a razão está limitada e estagnada – para uma outra dimensão que conduza à reflexão e interiorização que pela transformação da mente, que supera a razão e os mecanismos cognitivos da engenharia mecânica social, se processará uma igualdade verdadeira pela negação do que é perverso, errado e diabólico (diabolos significa separador ou divisor).
Dito isto, todas as formas e fórmulas psíquicas neo-fascistas de feminismos, lgbtismos, eutanasianismos, abortismos (um crime de estado), humanismos e caciquismos cairão por terra. E cairão por terra porque só n´Ele tudo se transforma, e sem Ele nada podeis.
‘Mal acomparado’!
O homem no Panteão foi tomado por bandeira do corretês que nos oprime!
Os israelitas o elevaram – que para eles natural é os favores dos gentios serem pagos.
Os abrilescos disso se socorreram para tentar evitar o inevitável – Salazar venceu o concurso.
Ainda hoje lhes é útil para promover o acolhimento de estranhos que cumpram as tarefas das quais as mordomias que compram votos afastam os nacionais; por bónus não despiciendo, prosseguem a demonização do Estado Novo.
Pois foi contra o corretês falso e mesquinho que eu chamei à colação o ilustre Aristides Sousa Mendes. srael-e-bom-para-os-eua/
Por outro lado, ainda não viu, e eu também não, nenhum membro da comunidade judaica portuguesa pronunciar-se sobre o feito de Aristides.
Outra coisa são os testemunhos publicados por judeus em outros quadrantes (América, Canadá….), a maioria vindo de descendentes, que comprovam a dita Desobediência e apresentam os vistos emitidos. O conflito existente entre Aristides e o governo de Salazar não foi uma questão de regime, mas de atitude perante uma circunstância. Circunstância esta que levou-o a passar o que passou e a morrer como morreu sem ajudas de qualquer israelita ou judeu. Foram os franciscanos que o acolheram no leito da morte.
Mais ainda, Aristides também ajudou a família grã-ducal luxemburguesa, e não vejo que isto o tivesse beneficiado.
A reabilitação da memória de Aristides não foi uma iniciativa do estado português, mas a força e o esforço penoso de alguns familiares que demonstraram o quanto injusta a história tinha sido para com Aristides. Foi este esforço que levou ao reconhecimento do seu valor, ainda que tivesse sido a Joacine a propor o panteão, onde não se encontra o corpo, pois seus restos mortais mantêm-se no jazigo da família em Cabanas do Viriato. Local onde está em curso as obras da casa-museu de Aristides Sousa Mendes, que se presume seja inaugurada proximamente.
Israel não paga aos pagãos, são os norte-americanos através de seus impostos que os sustentam.
Porém existem várias teses:
https://midiasemmascara.net/o-lobby-pro-i
Leia o livro do embaixador Carlos Fernandes ‘O cônsul Aristides de Sousa Mendes’ e ficará com melhor ideia do que a transmitida por uma família, que segundo um jornal, ganhou uma qualquer indemnização à conta dos seus impostos.
A solução final dos nazis foi decidida em 1942, estava o cônsul em Lisboa há já tempos a contas com o seu último processo disciplinar.
Conheço toda essa história.
A questão da indeminização que refere deve-se única e simplesmente aos acertos feitos ao que era devido a Aristides, que como lhe referi viveu na miséria e com a própria casa hipotecada à banca e os consequentes padecimentos que a sua família sofreu.
A solução final aplica-se em 1942, mas a perseguição ocorre antes. Para o ajudar a situar-se melhor sobre quando ocorre esta perseguição, uso o exemplo de Edith Stein, judia convertida ao catolicismo, que se tornou Santa Teresa Benedita da Cruz, que depois de várias perseguições acaba morta em Auschwitz.
Nem a reforma antecipada nem o vencimento base sustentavam a estendida família Aristides.
Falta-me informação, em valor, sobre o seu passado que dã sua falta de bom-senso já estou servido.
Ouvi na televisão um tipo – que suponho ter a seu cargo aplicar dinheiros publicos em erigir o ‘santuário Aristides na casa de família – referir uns vitrais artísticos provenientes das seguramente lucrativas andanças do Aristides pela Europa que aplicou no imenso casarão.
Uma coisa tenho por certo: funcionário público desleal e com rasto de peculato, tem lugar no Panteão tornado abrilesco!
Verifico que ficámos esclarecidos no que respeita aos anteriores pormenores. E agora apresenta novas formulações.
O “santuário” Aristides, como refere, deixou de ser casa de família ainda com Aristides em vida, pois como lhe referi foi hipotecada e perdeu-a. Essa casa foi adquirida há poucos anos para o propósito de casa-museu, e foi reconhecida pela Unesco como património. Portanto, continua a não pertencer à família.
Fico em especial surpreendido que uma casa em ruínas tivesse tais vitrais, pois não tinha. Dito isto, deixo ao critério da sua fonte especular sobre o tema.
O meu caro pretende justificar sua tese com um ataque ad hominem que em nada contribui para arruinar o gesto que ele teve e que salvou muitas vidas.
Todavia, partindo do princípio que ele até teria sido tudo o que você desejasse imaginar, há um princípio no cristianismo, isto é: em Cristo, que deixa claro o seguinte: não existem santos sem passado nem pecadores sem futuro.
Paz à sua eterna alma e reconheça-se o seu gesto imortal.
“Circunstância esta que levou-o a passar o que passou e a morrer como morreu sem ajudas de qualquer israelita ou judeu.”
De onde veio essa?
As his financial situation deteriorated, he would sometimes write to the people he had helped asking for money.[131] On one occasion, Maurice de Rothschild sent him 30,000 Portuguese escudos, a considerable amount of money in Portugal at that time.[132]
Afonso, Rui (1995). Um homem bom: Aristides de Sousa Mendes, o “Wallenberg portugues” (in Portuguese). Lisbon: Editorial Caminho
Da wiki.
Meu caro, ou sou eu que julgo escrever o que não escrevi ou então alguém não quer compreender o que de facto escrevi.
O homem morreu na miséria. Hipotecou bens e pleitou com o estado. Certamente que tal hipoteca serviu para pagar seus compromissos e ajudar na pleita que se mostrou inglória. Porém acabou arruinado e acolhido por franciscanos no leito da morte. Em última instância foram os credores que recuperaram bens.
E agora você vem com uma ajuda, certamente paga através da hipoteca feita, para demonstrar o quê? Que o homem viveu faustosamente até à morte ajudado pelos israelitas ou judeus como refere outro comentador acima?
Já não sabe ler o que escreve?
“o género é homo sapiens, o masculino e o feminino são sexos”
Lapidar!!! Já sugeri aos meus filhos o que deverão responder quando lhe perguntarem qual o seu género.
Infelizmente já veio tarde a sugestão, porque uma das minhas filhas assistiu à primeira de um conjunto de “aulas” sobre o género, ministradas por estudantes de medicina (para dar um ar científico às ideias veiculadas).
A disciplina de cidadania nos moldes em que existe, nunca deveria ser de frequência obrigatória. Dito isto, eu nunca arrastaria os meus filhos para as minhas lutas privadas. Até porque as ideias, mesmo as mais absurdas, são passíveis de ser discutidas (e em muitos casos ridicularizadas).
“É um exercício quase inacessível despir a pele das nossas convicções, interesses e conhecimentos”, mas, como alguém disse, é esse o papel do juiz, quando veste a toga. Independentemente da autonomia das escolas e da posição a favor ou contra a existência da disciplina de Cidadania ou de outra semelhante que por aí surja, a decisão dificilmente poderá ser outra que não a da reprovação dos alunos, como sustento em https://mosaicosemportugues.blogspot.com/2 021/11/o-caos-seria-alternativa.html.
Pela parte que me toca, não me causa arrepios a existência de uma disciplina com estas características, desde que o Estado se não imiscua em áreas reservadas aos educadores, função de que, nos mais recentes tempos, o mesmo Estado implícita mas categoricamente cada vez mais se demitiu.
Em qualquer caso, não penso que a questão fundamental possa ser encarada de ânimo leve, antes exige uma reflexão profunda; e, quem sabe, talvez a eleição do novo Parlamento acabe por refletir o que a população pensa acerca dos excessos até agora cometidos.
Se a chamada ‘linguagem inclusiva’ já é um perfeito disparate que viola boa parte das regras gramaticais estabelecidas, o resto que está em causa nesta problemática poderá ultrapassar todas as linhas vermelhas do decoro, da contenção e, até, da boa educação de quem não tem, ainda, idade para, sobre a mesma problemática, produzir o desejável juízo crítico.
Bom fim-de-semana!
“Se a chamada ‘linguagem inclusiva’ já é um perfeito disparate”
Não é um disparate atendendo a como dá poder e poder para violência política a quem a usa e defende.
Se bem me lembro, a ideia da disciplina de Cidadania surgiu como alternativa e oposição à de Religião e Moral, controlada pela Igreja católica. Mas, no início, estava previsto que funcionassem ambas nos mesmos moldes: ou inscrição obrigatória numa delas; ou inscrição livre em qualquer delas e sem efeitos para a classificação final.
Completamente de acordo, como aliás, muitas vezes.
Não tenho já filhos na escola, mas quando por lá passaram já este ‘cenário’ se preparava, nomeadamente com umas visitinhas ditas de estudo a uns certos locais, mas a matéria ‘estudada’ era algo peculiar. Refiro-me a uma porcaria qualquer lá para Peniche e aberrações quejandas.
Felizmente que consegui, em casa, contrariar os efeitos dessas iniciativas de carácter mais ou menos fétido.
No seu texto, há apenas um pequeno pormenor algo ‘desconsentâneo’. Trata-se da expressão “engenheiros sociais”.
Engenheiro é um profissional que aplica as chamadas ciências exactas com o fim de executar obras ou processos com utilidade e perenidade.
No caso em apreço, os tais sociais não têm ciência exacta nenhuma, recorrendo apenas à aldrabice para construções demenciais, como diz no texto.
Mesmo em sentido figurado, como por certo é o que usou, é uma associação que não lisonjeia ninguém de bem
100% de acordo com o texto, e 100% de acordo com os pais de Famalicão.
A pergunta que se impõe é:
– Na educação de uma criança que disciplinas é que acrescentam valor científico e quais as disciplinas que formam a personalidade?
As disciplinas que acrescentam valor científico, podem ser dadas em qualquer parte do mundo que as diferenças são mínimas. A matemática tanto faz ser dada aqui como na Coreia do Norte, é igual.
As disciplinas que formam a personalidade variam consoante o regime político.
Será que a educação para a cidadania na Coreia do Norte é igual à educação para a cidadania em Portugal?
Não seria melhor, se em vez de medirem o comprimento das pilinhas, os juízes visassem o real e efectivo interesse das crianças?
Eh pá! Pensei que ia ser ‘….em vez de medirem o comprimento das pilinhas….visassem..’ que o tamanho não interessa.
Para bom entendedor meia pilinha basta.
Uma questão é a obrigatoriedade de uma disciplina como cidadania, outra é a matéria da mesma.
Boicotar uma disciplina por se discordar do conteúdo é duvidoso, um papá pode bem impedir o filhote de ir às aulas de História porque a professora se recusa a chamar o Vasco da Gama de negreiro ou invasor, preferindo o termo “descobridor”.
Fantástico, precisamente o argumento que o texto demole, e que volta a ser usado como se fosse uma evidência que não precisa de demonstração. Mais me valia não escrever nada.
Essa do Vasco da Gama negreiro foi mal inventada, no tempo dele o que estava a dar era a pimenta e noz-moscada.
Essa da ‘…versículos da bíblia marxista’ já está desatualizada.
Então com que versículos vamos hoje ensinar Economia ?
Versículos de Fukuyama no ‘tudo à balda e fé em Deus’, ou nos “marxistas” do Nobel David Card.?
Mas na questão de Famalicão resta saber, verdadeiramente, que versículos da Bíblia lê o pai da criança, e não se trata de um fanático/ditador religioso.
Começando como Carlos Sousa, 100% de acordo com o autor e com os pais de Famalicão. Dito isto, receio que algum conhecimento não tenha sido levado em conta. A Educação para a Cidadania, após vários anos de debate, foi unanimemente aprovada em Conselho de Ministros da UE e é hoje leccionada em toda a União, sem excepção que conheça. Quer isto dizer que pugnar por ser apenas uma matéria opcional, terá contra si o argumento da unanimidade europeia.
Por isso, divergindo do autor, considero que o essencial são mesmo os conteúdos.
Não acredito que filosofia “woke” em geral faça parte dos conteúdos na grande maioria dos países da União nem que as escolas dessa maioria, tenham as características e os perigos, do ensino público português.
Claro que para mim, seria válido o argumento de que a unanimidade europeia é uma treta, bastando lembrar que, ao tempo, Inquisição e escravatura gozaram dessa unanimidade das nações, da Europa ambas e do mundo a segunda. Mas o bom senso aponta para que não será grande argumento num tribunal.
Será muto difícil em juízo identificar caso a caso, quais os conteúdos que efectivamente ofendem o Artº 43º da Constituição e, sem querer aspirar a uma coluna de previsões, prevejo mesmo que será um caso perdido nas 3 instâncias e de duvidoso resultado no Tribunal Constitucional. Mais certo, teria de ir a Estrasburgo consumindo tempo não é compatível com a situação de dois jovens que, ou estagnariam ou chegariam à Universidade antes do Acórdão final.
Mas o que está efectivamente em caso é um ataque mortal às opções de vida tradicionais em que me insiro e, que ninguém duvide, a não muito longo prazo a todos os que têm a liberdade como valor essencial. E, reforço, o que deve contar é substância e não a forma, os conteúdos e não a obrigatoriedade ou não. Poucos serão os pais com a coragem dos Mesquita Guimarães e muitíssimos mais, por receio de se exporem, preferirão que os filhos frequentem a disciplina. E isso afectará inexoravelmente o futuro de todos e não apenas de alguns.
É a circunstância portuguesa que é preciso ter em conta. Por exemplo, na Alemanha não há ensino privado e todo o ensino é público mas isso não constitui grande perigo para a liberdade.
Os partidos repartem-se por coniventes ou desinteressados. No mínimo não consideram um assunto prioritário. Ora a dupla circunstância de uma comunicação social, na grandíssima maioria, alinhada à esquerda e do domínio de parte importante do sistema de ensino, com resultados já bem visíveis nas fornadas das faculdades de assuntos sociais mas também na Escola Superior de Jornalismo e até e desde há muito co CEJ. Passada já a fase da propaganda, vê-se já a fase da intimidação, por exemplo quando a reitoria da NOVA, que tinha previamente aprovado, acabou por proibir uma palestra de Jaime Nogueira Pinto; e, pelo que sei, em Coimbra será pior.
Tudo me leva crer que a melhor e talvez última oportunidade, parta de uma mobilização excepcional da sociedade civil e para isso, pode ser instrumental a divulgação do caso dos Mesquita Guimarães (que não é único). Bem hajam por isso, eles e todos os que contribuem para a sua divulgação, obviamento como o autor do postal.
“A leis iníquas não é devida obediência”. Justamente assim fez Aristides de Sousa Mendes, que agiu por um “imperativo categórico de consciência” e desobedeceu a uma ordem (lei) iníqua.
A sua conduta pautou-se unicamente por uma preocupação moral intrínseca e fê-lo _ e por certo voltaria a fazê-lo_ independentemente de qualquer punição, ou prejuízo (ou vantagem ou lucro).
Nas decisões ou comportamentos por imperativo de consciência está implícito que a pessoa age como gostaria que todos agissem (sem excepção) de forma a que se tornasse uma lei para todos, universal.
Independentemente da repercussão, a motivação para a ação é, acima de tudo, com o Dever, com as convicções de ordem moral e ética, com um total desprendimento de eventuais lucros ou prejuízos, mas com a firmeza de estar a fazer o certo, de forma coerente com os seus princípios.
Assim agiu Aristides Pereira. “E este pai, ao dar esse exemplo aos seus filhos, está-lhes a ensinar cidadania. Da boa”.
BFª
A escola pública é para “todos”, portanto é inclusiva. Isso é ponto assente. As escolas públicas são frequentadas por alunos de todas as línguas, “cores e feitios”, provenientes de várias culturas, religiões, usos e costumes. Logo, o que é ensinado na Escola pública deve “integrar” todos, logo, não pode ser direccionado para um grupo particular em especial, sob pena de excluir ou causar incómodo aos restantes. Significa isto que não pode haver diferenciação nem discriminação a nenhum nível. E porque a escola actual é multicultural e a-c-o-l-h-e «todos» na sua diversidade, logicamente está pressuposto um compromisso: 1) a “aceitação” o-b-r-i-g-a-t-ó-r-i-a daquilo que cada um «é» e “transporta” das sua raízes e crenças e 2) o “respeito” a-b-s-o-l-u-t-o por aquilo que cada um “acumulou” dentro da sua comunidade e cultura familiar. O que é ensinado deve, por isso, procurar ser o mais NEUTRO possível, para que não haja “rejeição” por parte de um grupo concreto e para que tal aconteça, deve encontrar «O» Denominador Comum, que a todos ensina por igual. Em suma, uma Escola Pública abrangente como prevê a Constituição. Evitam-se segregações e “chogues” étnicos, culturais, religiosos, filosóficos, políticos, etc. “choques”que trazem mal-estar desnecessários. Este é também o modelo consagrado pela Constituição e o mais democrático e respeitador dos direitos e liberdades de todos e de cada um. É também o procedimento mais prudente, sábio e o mais respeitador das diferenças. Não há qualquer dificuldade em encontrar “esse” chão comum que une Todos os grupos humanos mesmo com origens diferentes: o Conhecimento e o desejo de aprender. Então, basta somente que as matérias leccionadas tenham um carácter objectivo, científico, “Geral e Universal”, de tal modo que aquilo que se ensina e aprende “Aqui” seja válido em qualquer parte do Globo.
Com inteligência, bom senso e empatia pelo(s) Outro(s), evitam-se matérias subjectivas, susceptíveis de causar controvérsias ou mal-estar, por colidirem com os «princípios» e as “convicções” dos vários grupos.
Escola Pública = Ensino “Neutro” e de carácter Universal. Só assim a Escola é para Todos e por isso mais inclusiva.
Na Escola Pública não há escolas com orientações confessionais, nem ideológicas, políticas, como “obriga” a Constituição, para um ensino a-b-r-a-n-g-e-n-t-e.
O “resto” (que é muito), aprende-se na outra escola, a Escola “exterior”_ que é família, os amigos, enfim, a Vida_ ela encarregar-se-a também de ensinar o que falta (e que é muito). Tudo o que se aprende “lá fora” , com as Experiências pessoais, constituem o conjunto de todas as “Influências” que nos moldam e ensinam.
Mas com uma grande diferença: é que, “cá fora” não estou “encurralado” dentro duma sala e por conseguinte NÃO sou «forçado» a estar sob “influencias” ou “ingerências” que não desejo “Cá fora” tenho sempre opções, por ex.. posso escolher livremente “sair da frente”, pelas razões que eu entender sem sofrer qualquer punição ou represália. Parte sempre de mim,ou aceito ou rejeito, logo, é da minha inteira responsabilidade a minha opção e o meu caminho.
“Na vida há sempre os que comandam, os que são comandados e os que saem da frente, simplesmente.”