Os melhores romances e novelas portugueses do século XX


Pedro Correia,

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Memorial do Convento, de José Saramago (1982)

Para Sempre, de Vergílio Ferreira (1983)

O Ano da Morte de Ricardo Reis, de José Saramago (1984)

Auto dos Danados, de António Lobo Antunes (1985)

Adeus, Princesa, de Clara Pinto Correia (1985)

A Costa dos Murmúrios, de Lídia Jorge (1988)

24 comentários em “Os melhores romances e novelas portugueses do século XX”

  1. Vergílio Ferreira é um dos meus autores de eleição e “Para Sempre” uma obra que não esquece. Não sei se é a densidade que empresta a toda a prosa, se o modo desgarrado como conta. Mas revemo-nos nas interrogações, nas misérias do corpo que envelhece e se aproxima do fim, naquele profundo meditar que é a escrita do autor. Lê-lo é parar para pensar.

    1. ‘Para Sempre’ é um dos livros mais deslumbrantes que já li. Romance intemporal, universal, sobre um homem que se confronta com o seu fim no cenário das raízes. O fecho de um círculo absoluto. Com uma escrita límpida e um domínio magistral da técnica narrativa.

  2. “O Ano da Morte de Ricardo Reis”. Saramago não consegue esconder a admiração que sentia por Pessoa apesar de arrasar a narrativa existente sobre este. Pessoa é uma personagem assexuada e sou tentado a concordar com Saramago. É sem dúvida um romance superior. “Adeus Princesa” as aventuras de Mitó em terras de Catarina Eufémia é o meu preferido. Dos romances citados li 4.

    1. Há os escritores que nos seduzem pela emoção e os que nos conquistam pelo cérebro. Saramago inclui-se nestes últimos, com o seu estilo inconfundível.

      ‘Adeus, Princesa’ – que há pouco reli – é um dos romances mais importantes da década de 80, reflectindo como poucos o que foi aquela década da ressaca revolucionária, em tempos de “bloco central”, de que agora tanto se fala outra vez num contexto diferente. Romance escrito por uma miúda de 24 ou 25 anos, o que o torna ainda mais notável.

    1. Saiu em 1985, Pedro. E foi escrito – creio – no ano anterior quando esta moça era jornalista do semanário ‘O Jornal’ e tinha apenas 24 aninhos (sendo uma das mais belas mulheres da sua, também minha, geração).

      1. Li todos os livros de José Saramago e gostei.
        Não tenho sentido critico literário, por isso fico com pormenores de cada obra na ideia.
        No “Ensaio sobre a cegueira” é o andarmos cegos sobre o que se passa à nossa volta e ‘…está aí um cego que vê..’ o único verdadeiramente cego.
        No “Intermitências da Morte” escreve sobre a nossa existência e ‘..organizam-se excursões para ir morrer a Badadoz..’
        Na “Jangada de Pedra” é analisada a alta política e ‘…. as pessoas iam para Marrocos ver a Península Ibérica passar…’
        Na obra prima “Memorial do Convento” é como uma crónica de costumes, e a Bulimunda com fome vê a intimidade das pessoas.

        1. Qualquer de nós pode ter essa capacidade, sem requisitos especiais. Basta gostar de ler, ir lendo bastante e saber comparar.
          No momento em que concluímos que X é superior a Y pelo motivo W ou Z já estamos a exercer o nosso direito à crítica.

  3. Nunca li o “Adeus Princesa”. O “A Costa dos Murmúrios” é muito interessante (e ainda mais para quem olha para Moçambique) mas a “casa das máquinas” não é tão poderosa como as que outros escritores têm.

    1. ‘Adeus, Princesa’ é um livro muito interessante. Passado em Beja e arredores. Espécie de autópsia da revolução, na zona central da chamada “reforma agrária”. Um livro que nos fala de política sem pregações nem cartilhas. Um policial com desfecho inesperado, como é de regra entre as obras do género.

  4. Já li todos e gostei bastante. Difícil escolher o preferido. Talvez o Para Sempre ou o Memorial do Convento.

    1. Eu tenho a minha preferência, década por década. Mas não revelarei nada por enquanto. A palavra agora cabe aos leitores.
      Nesta década de 80 houve alguns dos melhores livros da nossa ficção do século XX. E também alguns dos piores – mas destes não falo, pelo menos para já.

  5. Excelente escolha. Já os li todos e cada um deles acrescentou algo na minha cultura. Bem haja por esta divulgação

    Pedro Cunha

  6. De Lobo Antunes nada li, e tendo longe a memória do ” Adeus Princesa” apraz-me dizer que li com muito agrado os restantes, nem tanto ” A Costa dos Murmúrios ” , e sublinho “O Ano da morte de Ricardo Reis” como uma obra admirável.
    Maria

    1. Lobo Antunes tem três livros de que gosto muito, de épocas (e décadas) diferentes. Um já tinha mencionado aqui: ‘Os Cus de Judas’, centrado na experiência que teve como médico militar durante a guerra em Angola, precisamente na região que à época muitos portugueses mencionavam com a expressão imortalizada no título.
      Outro é este, agora destacado. Um excelente romance que funciona como balanço daquela era encerrada com a nossa adesão à CEE. A era do “orgulhosamente sós” e da “revolução original”, que moldou a nossa paisagem social e política, tanto antes como depois do 25 de Abril. Em menos de uma década Portugal despedia-se do império e despedia-se da revolução – ficava um travo de amargura em duas gerações diferentes aqui muito bem reflectidas.
      O terceiro há-de aparecer para a semana.

      No confronto Saramago-Lobo Antunes vou-me dividindo, sem ter de optar necessariamente por um deles. Saramago é muito mais cerebral, Antunes é muito mais visceral. Tudo depende, em grande parte, também do nosso estado de espírito.

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