
Em 1887, Eça de Queiroz concorreu com A Relíquia ao Prémio D. Luís, instituído por este monarca e atribuído pela Academia Real das Ciências de Lisboa. O júri, presidido por Manuel Pinheiro Chagas (oficial do Exército e historiador menor, um homem que havia sido ministro da Marinha e detestava Eça) excluiu aquele romance, conferindo o galardão à peça teatral O Duque de Viseu, assinada por Henrique Lopes de Mendonça, oficial da Armada, contista e dramaturgo, autor da letra do actual hino nacional.
Cento e trinta e quatro anos depois, A Relíquia é um dos títulos fundamentais da ficção portuguesa do século XIX enquanto o drama de Lopes de Mendonça jaz sepultado na poeira de velhas bibliotecas.
Em 1934, Fernando Pessoa concorreu com Mensagem à primeira edição dos prémios literários promovidos pelo Secretariado de Propaganda Nacional. O júri, presidido por António Ferro, elegeu A Romaria, de Vasco Reis (pseudónimo do padre franciscano Manuel Reis Ventura), como melhor livro de poesia do ano, atribuindo-lhe o Prémio Antero de Quental, enquanto relegava a obra de Pessoa para uma “segunda categoria” com valor pecuniário cinco vezes inferior. Ferro, que presidia ao júri por ser director do SPN, não votou: só lhe caberia escolha num eventual caso de empate. Três dos quatro restantes membros – Alberto Osório de Castro, Acácio de Paiva e Mário Beirão – optaram por Reis (pelo menos dois deles detestavam Pessoa e não guardavam segredo disso). A única mulher com voto, Teresa Leitão de Barros, ficou isolada ao enaltecer a «beleza literária» dos versos pessoanos.
Oitenta e sete anos depois, a Mensagem é um dos títulos fundamentais da poesia portuguesa do século XX enquanto a lírica de Reis desapareceu do mapa e hoje só é lembrada por este triste exemplo de miopia de um júri literário.
Lembro-me sempre destes dois casos cada vez que oiço falar na atribuição de prémios. Tantas vezes os juízos contemporâneos acabam por distinguir e enaltecer a incompetência. Muitas vezes estas escolhas são condicionadas por inaceitáveis preconceitos estéticos ou mesquinhas animosidades pessoais. Assim os Mendonças e os Reis são levados em ombros enquanto os talentosos ficam à margem, como autores sem préstimo nem valia.
É verdade que o tempo acaba por repor a escala de valores, conduzindo cada qual ao lugar que merece. Mas não é menos certo que isso costuma suceder tarde de mais. Eça e Pessoa – figuras incontestáveis do património cultural português, com leitores em todo o mundo – nunca recuperaram por completo destas humilhações que lhes foram infligidas pelos referidos grupúsculos de pequenos e médios literatos. O segundo nem sequer viveria um ano mais: o resto da sua obra acabaria por ser póstuma, aliás à semelhança do que ocorreu com Eça, exceptuando Os Maias, já concluído em 1887 e lançado logo no ano seguinte.
Serão casos isolados? Nem por isso. Pelo contrário, ambos ilustram um velho mal português: acontece asneira quando o critério de julgamento e o poder de decisão são confiados aos medíocres.
O que, para nossa desgraça, acontece quase sempre. Não só na literatura, mas em tudo o resto.

Muitas vezes estas escolhas são condicionadas por inaceitáveis preconceitos estéticos ou mesquinhas animosidades pessoais.
Isto seriam preconceitos naturais, digamos… Os mais monstruosos são os preconceitos políticos que revelam a incompetência da comunidade para distinguir o essencial do acessório e instrumental.
Animosidades e rivalidades pessoais é algo muito mais inaceitável do que discordâncias políticas.
Quem tem má relação com X ou Y, que se apresenta a concurso, pede escusa e sai do júri. Em nome dos mais elementares parâmetros éticos.
Ao contrário do que sucedeu nos dois casos que aqui recordo.
Dois casos emblemáticos, na verdade. Os prémios são o que são, atribuídos por simpatia e compadrio, raro completamente isentos. Dão sempre muito jeito ao autor, seja quem seja. O que os homens criam leva sempre a sua marca.
os homens e as mulheres
Sou da velha escola, quando refiro os homens ou o homem quero dizer a espécie humana. E acho uma palermice muito grande dizer os homens e as mulheres. Outros o farão.
Era assim no passado, continua a ser agora.
Melhorámos em muita coisa, mas nisto não.
1. Mas não é o povo que põe lá, no poder, quem manda?
2. Não é o Corporativismo Estatal que manda em Portugal desde D. Afonso Henriques?
3. O povo quer ser governado pelo Estado Social… Marcelo, Rio e Costa, com os seus fiéis escudeiros Dom Jerónimo, Dona Catarina e Dom Francisco Rodrigo dos Santos.
4. Poucochinho, mas certo.
5. Para chatices e aventuras, já chegaram as dos Descobrimentos e do D. Sebastião, que nos iam dando cabo da independência.
6. É o que hoje a biologia e a antropologia chamam (passo a citar): “A Arte da Parasitagem: novos dados sobre a Evolução Humana através da simbiose e epigenética”.
7. Era o mesmo que, num júri actual presidido pelo PSD/PS dessem um prémio ao André Ventura. Daqui a uns anos, tido como o “Renovador” (quando os dele, saltarem para o poleiro).
8. Enquanto os melhores de Portugal continuarem a ser poetas e palradores, o Fado será sempre este.
9. O “Auto da Lusitânia” será sempre como os dois demónios do Grande Gil, Dinato e Belzebu, ouviram dizer a Todo-o-Mundo e Ninguém na boda que criou Portugal: todo-o-mundo mente, e ninguém diz a verdade.
Por acaso, em recentes anos, trabalhei exactamente na mesma sala que foi o gabinete de António Ferro. E também a fazer propaganda. Portanto, não há grande diferença entre o anterior e o posterior, como tenho repetidamente dito.
As coisas em que julgamos que os portugueses são especialmente maus, muitas vezes também acontecem no estrangeiro.
No caso vertente, a má escolha de prémios também ocorre com o prémio Nobel, tal como o próprio Pedro Correia já aqui fez notar. E também deve ocorrer com muitos outros prémios estrangeiros.
Já agora concretize, que escritor irrelevante já foi galardoado com o prémio nobel? Claro que há um rol extenso de grandes escritores que nunca foram premiados, no entanto, deve-lhe ocorrer pelo menos um premiado que não teve qualquer mérito para fazer tal comparação.
Eu não escrevi que algum escritor irrelevante já tivesse sido galardoado com o Nobel. Escrevi que houve “má escolha de prémios” Nobel. Nem sequer especifiquei que me estivesse a referir ao Nobel da Literatura.
De resto, refiro-o para posts que o Pedro Correia já escreveu sobre esse tema da má atribuição dos Nobel da Literatura. O Pedro Correia sabe muitíssimo mais do assunto do que eu.
Bob Dylan , ganhou certamente por ser do club do nobel , outro motivo não encontro. e há-de haver mais.
Bem mais compreensível e justo distinguir Dylan do que o prémio entregue em 1965 pelo Comité Nobel ao propagandista soviético Cholokov, que escrevia romances por encomenda do Kremlin.
Se em pleno século XXI um cantor ( Bob Dylan) ganha o prémio nobel da literatura, que seriedade e honestidade podemos esperar por parte de quem tem a responsabilidade da atribuição de prémios?
Dylan é muito mais que um “cantor”.
Mas não fez muito mais do que cantigas..
Não me convence.
Cada macaco no seu galho.
Isso é a mesma coisa que um escritor qualquer, de renome, ganhar um grammy porque escreve umas canções muito bonitas.
Um Nobel é um Nobel, e quem o ganhar tem de preencher todos os requisitos, não basta escrever canções.
É um “cantautor”. Tal como Sérgio Godinho ou Jacques Brel. Não tenho a certeza de que tenha sido superior a Brel.
Eu tenho a certeza de que não foi superior a Brel. A poesia de Dylan é rudimentar e são versos de canções que não sobrevivem fora da canção. Já a de Jacques Brel é sofisticada e tem uma componente literária que a de Dylan não tem.
Já a de Sérgio Godinho é muito mazinha — sorry.
Tenho na minha prateleira um livro de capa dura e perto de 400 páginas intitulado “Jacques Brel, obra integral”, composto pelos textos de todas as canções de Brel. Duvido seriamente que os textos de todas as canções de Dylan dessem para encher o mesmo. Isto para falar da quantidade; a qualidade é melhor nem discutir.
Já cá faltava você com a fita métrica.
Não será melhor avaliar a “qualidade” a peso em vez de ser a metro?
Já cá faltava também com o espírito censório que o caracteriza: «A qualidade é melhor nem discutir.»
Então se não se discute a qualidade de uma obra vai discutir-se o quê? O sexo dos anjos? Ou como estamos em “estado de emergência” o melhor é ficarmos todos caladinhos?
Sempre foi assim e será até um dia. Se os melhores não ficarem à parte algo de muito errado estaria acontecendo.
O cristianismo mudou o mundo após a morte do Cristo. Hoje querem sepultá-l´O novamente, e Ele surge com nova pujança em alguns e mundialmente.
Todos os escritores e os ditos líderes têm um cantinho, geralmente como estátuas, e apagam-se. O Cristo continua a ser temido e amado Universalmente. Até o PC Chinês o teme.
“Os céus e a terra passarão, contudo as minhas palavras não passarão”.
Não desespere, Pedro.
O meu escritor favorito neste momento é o presidente Marcelo. O homem obrigou o governo a escrever nos cheques o valor dos apoios sociais.
Com o discurso de posse do presidente fiquei com a sensação que a partir de agora teríamos um governante. O presidente escreve muito bem coisas de grande relevância para a cultura do bem-estar.
Mas o Costa não fez de propósito?
Para responsabilizar o Marcelo e o PSD (e todos os que votaram) no não cumprimento do Orçamento?
Se houver aumento da Despesa, já não o podem acusar.
Foi o Covid-19, e agora é o Orçamento.
O Costa, em país de cegos, é Rei.
E vai pagar esses “apoios sociais” quando? Desconfio que será quando as galinhas tiverem dentes, ou antes das autárquicas.
Andamos cá o tempo suficiente para não sermos enganados.
Meu caro, é muito fácil governar um país não fazendo absolutamente nada que não o de procurar responsabilizar outros pela incapacidade de se fazer melhor e diferente. Foi isto e é isto que Costa, Centeno e os geringonços e geringonças fizeram e fazem.
Por outro lado, há algo que qualquer português sabe que não tem: dúvida. Mas sim dívida. E se cada português sabe que o que tem de certo é dívida, torna-se claro que para pagar dívida só através de dívida. Caso contrário paralisa. Portanto,a dívida paga-se através da geração de receita, e arecita gera-se através da capacidade de aquisição da população.
O mercado e a economia não são as financeiras e as empresas, mas as pessoas. O que Costa e Centeno e os as gerigonço(a)s e os anteriores faziam era conter a capacidade de geração de receita pela asfixia gerada em torno de desemprego, pobreza, saúde … Criando assim uma economia dedicada ao favorecimento de corporações públicas (sindicatos, estado e seus funcionários), privadas, financeiras, bancárias e económicas que gravitam em torno de todos esse desemprego e pobreza e sugam os subsídios que a estes deviam ser atribuídos.
Dito isto, como se celestial que sou, quero que se fodam todos.
Em vez de glorificarem os engenheiros, cientistas e empresas tecnológicas, glorificam os poetas e os literatos. Os que produzem palavras, em vez de riqueza e prosperidade.
A palavra é o motor de toda a riqueza que se pode produzir nas mais diversas áreas, uma vez que só através dela se gera comunicação.
O cálculo também é importante, associado à comunicação. Porém o calculismo não produz receita e não gera riqueza, enriquece alguns e envaidece outros.
A engenharia, a ciência e as tecnológicas de nada servem sem uma arquitectura social inequivocamente estruturada. Somente servem-se do que sobra.
E comer sobras,…
“O calculismo não produz receita”? Ora essa.
É por não se importarem com as Contas, e andarem de palavra em palavra, nessas “arquitecturas sociais”, cada qual pintando a sua, que, durante os últimos 47 anos acumularam bancarrotas sucessivas e deixam a actual Dívida, para a geração seguinte pagar.
É claro que estes gajos e gajas só se preocupam com as contas para querer fazer figura em Bruxelas. Se esta parvoeira a que submetem a nação tivesse sido precedida pelos cálculos que Salazar usou para manter a nação livre e independente, inclusive dando bordoada lá pelas terras do império a quem merecia levar na corneta, mas não contendo o desenvolvimento económico e social que essas terras registaram, que sustentou muitos parasitas económicos e bancários na metrópole, a história teria sido outra.
Não me venha com engenheiros e cientistas e etc e tal, que na parvónia da nação gostam de ser tratados por doutores de secretaria, porque a ruína a que assistimos deve-se a essas engenhocas que os mesmos fabricaram coadjuvados por uma massa de vaidosos e vaidosas que fizeram da profissão uma feira de vaidades.
A arquitectura social que vi nos territórios que a nação teve levava os médicos e enfermeiros a casa dos doentes, os engenheiros a andar de botas e fato de macaco nas obras, fábricas, oficinas, terrenos agrícolas e pecuárias, os cientistas a sujarem as mãos e o corpo para encontrarem novas fórmulas e novos métodos, incluindo nas ciências da computação. E tudo isto ao serviço da população.
Em resumo, uma arquitectura social ao serviço e movimentando-se em direcção ao(s) outro(s).O que estes gajos e gajas fazem nada mais é que criarem a pobreza para depois dizerem que querem dar uma esmola aos pobrezinhos que eles mesmo fabricam.
E agora vêm com fandangues feministas, abortistas, etanasianistas, lgbtistas para adormecer boi.
Agora é que o robô falou bem. Mais umas tiradas dessas e quem fica fã sou eu.
Como diria o outro: “Eu sei bem o que isso é”… Nunca ganhei um prémio em Portugal e tenho quatro do estrangeiro… Tenho quase a certeza que não me atribuíram cá os prémios que mereceria ao abrirem o subscrito com a identificação… até porque declararam “vazios” os prémios… Fui membro de Júri lá fora e também fui “obrigado” a atribuir prémios mesmo quando os concorrentes os não mereciam para “manter o prestígio do concurso”… Enfim. Os casos que menciona são emblemáticos e a situação é mais frequente do que se imagina. Em todos os campos… Por isso, o melhor é não dar qualquer relevo a Concursos. O que mais magoa é que, quando a justiça chega, já é muito tarde…
ap
Um júri composto por gente medíocre e despeitada enxota para canto um escritor genial.
Aconteceu com Eça em 1887.
Aconteceu com Pessoa em 1934.
Não foram casos únicos, longe disso. Mas foram os mais escandalosos. Corrijo: os mais vergonhosos.
Estará a verdade bem contada?… ex.php?option=com_content&task=view&id=171&Itemid=260
http://www.fundacaoantonioquadros.pt/ind
E a acta: ex.php?option=com_content&task=view&id=180&Itemid=269
http://www.fundacaoantonioquadros.pt/ind
Qual verdade?
Pois é Pedro, é que naqueles tempos não haviam “Prémios Prestige” e outros “awards” que por 500 marevedis, têm direito a diploma para pôr na parede da sala ao lado da televisão.
” naqueles tempos não haviam “Prémios Prestige””
Este erro gramatical é dos que mais me irritam. Mesmo mais do que o Acordo Ortográfico. Por favor emende, não fira os meus olhos. É que só de olhar eles ardem-me.
Quando as politiquices se imiscuem na cultura, é sempre uma tragicomédia. Prizes for the Boys em vez de reconhecimento por mérito próprio.
Há sempre politiquices nestes prémios, Dulce. E não só nestes. Veja-se o caso dos Óscares, por exemplo, agora até já com quotas étnicas e raciais e de género – tudo com percentagens definidas à partida.
As escolhas deixaram de ser livres. Agora é tudo por catálogo, obrigatório. Politicamente correcto.
Não é um exclusivo nosso. Nomes, entre muitos outros, e em várias áreas, como os Beatles, Walt Disney, George Lucas, Henry Ford ouviram várias vezes a palavra não, Consta que Charles Chaplin uma vez concorreu a um concurso de imitadores de Charlot e não ganhou…Infelizmente a imbecilidade é universal
Pedro Cunha
Sim, claro, não é exclusivo nosso. Mas, como diz a sabedoria popular, com o mal dos outros podemos nós bem.
Boa tarde Pedro Correia
Além do que magnificamente recorda, o enaltecer de incompetências está na moda por muitas outras áreas, infelizmente.
Boa Páscoa
António Cabral
Sim, António, e a um ritmo galopante. Até se ouvem os cascos a galopar…
Só não me parece que seja um exclusivo português. Kafka e Jorge Luis Borges, por exemplo, nunca ganharam o Nobel da Literatura que foi atribuído a dezenas de escritores menores.
A vossa conversa derivou para o Nobel. Mas discutiremos o Nobel quando for tempo dele, como já me aconteceu.
Agora prefiro debater prémios internos e questões nossas.
A “Mensagem”, de Fernando Pessoa (FP), a única obra literária publicada ainda em vida pelo autor, foi “subsidiada” pelo seu amigo António Sérgio e também foi por sua persistência que, o introvertido FP, aceitou concorrer ao 1.o Prémio Antero de Quental (PAQ), criado um ano antes pelo Secretariado de Propaganda Nacional “fachista”, à sua categoria principal, a de “melhor livro de versos”… só que, de acordo com os regulamentos oficiais iniciais do concurso(*), ela foi relegada para a categoria secundária, a de “um poema ou poesia solta”, já que se apresentou com apenas 96 páginas em vez das, com as no mínimo exigidas, 100.
Uma coisa é certa: FP arrecadou a quantia e, pelo que sei, nem secretamente (intimamente?!?), como era seu hábito, contestou a decisão do “míope” júri que (de acordo com o PC «(pelo menos dois deles detestavam Pessoa e não guardavam segredo disso)»), acabou por lhe atribuir o prémio que era possível (repito-me: pelas regras do concurso) atribuir. Ah, e claro, sem a interferência do «Ferro, que presidia ao júri por ser director do SPN».
———
(*) «1 – O Prémio Antero de Quental será atribuído a obras de duas categorias;
a – ao melhor livro de versos, não inferior a 100 páginas, que seja publicado de 1 de Julho de 1933 a 31 de Outubro de 1934 e em que se revele uma inspiração bem portuguesa e mesmo, de preferência, um alto sentido de exaltação nacionalista;
b – a um poema, ou poesia solta, onde as mesmas qualidades e intenções se manifestem.»
– SÉRGIO, António. “A Politica do Espírito e os Prémios Literários do SPN”, 1950
Dá para perceber que tem tesoura e cola.
Já não lhe falta tudo.
Em defesa do júri de Ferro, diga-se que a Mensagem não preenchia requisitos prévios de forma, por isso não podia ser escolhido. Pode-se sempre reclamar da burocracia e do formalismo, mas era o que era.
O que choca é que a “obra” que ganhou, o tal romaria, era mesmo muito fraquinho (o próprio autor, decadas mais tarde, classificou-o de “uns versinhos de juventude”). Fica aqui um exemplo: “Com o dinheiro da ceia/ Vais comprar uma candeia./ Tem paciência, Zé Miguel!/ Antes sofrer a larica,/ Que andar sempre na botica.”
Fica-se a pensar como seriam as outras obras a concurso que não ficaram tão bem classificadas.
João Pedro, a “Mensagem” reunia os requisitos exigidos. Ultrapassava as 100 páginas, na versão original.
«Tem, de facto, mais de 100 páginas: a última página numerada do livro, a segunda do índice, ostenta o número 100, à qual se seguem ainda a terceira página do índice e a página do cólofon, ambas inumeradas.»
Para mais pormenores, sugestão de leitura: sagem_de_Fernando_Pessoa_e_o_pr%C3%A9mio _de_poesia_do_SPN_de_1934
https://www.academia.edu/37970293/A_Men