
João Carvalho: «Quando os parlamentares ignoram que a forma masculina também aglutina gramaticalmente ambos os géneros e, nessa ignorância, não são capazes de perceber que “senhores deputados” é um vocativo q.b., só têm uma saída: “senhoras deputadas e senhores deputados”. Não o fazendo e insistindo em “senhoras e senhores deputados», a asneirada é óbvia e lê-se assim: “senhoras coisa-nenhuma e senhores deputados”.»
Luís M. Jorge: «O PSD fez publicar hoje as linhas de orientação para a elaboração do seu programa eleitoral. Alguns espíritos malévolos talvez observem que o líder social-democrata, ocupando o cargo desde 26 de Março de 2010, já teria tido tempo de nos proporcionar um documento maduro e definitivo em vez destes bitaites enjorcados.»
Miguel Noronha: «Chama-se “culto da carga” à tentativa de sociedades tecnologicamente atrasadas adoptarem, de forma ritualista, os sinais exteriores de progresso das mais desenvolvidas. Ainda que não consigam discernir de forma correcta a relação de causalidade, esperam com isso obter as mesmas comodidades das últimas.»
Rui Rocha: «O discurso oficial e oficioso do PS passa pela descredibilização de Passos Coelho e por exigir que este apresente alternativas. É verdade que o PSD e o seu líder devem ganhar em consistência se quiserem aparecer aos olhos dos eleitores como solução para a situação a que o governo do PS nos conduziu. Todavia, esta linha de argumentação parece muito pobre quando analisada pelo seu valor intrínseco. O interessante (diria mesmo, o imperativo democrático) seria que o PS esclarecesse se o que tem para oferecer ao país é mais do mesmo (líder, discurso, prática, PEC) ou se a sua proposta inclui, para além de um indispensável acto de contrição, uma mudança (de política, de programa, de atitude).»

Coca-bichinhos em acção (alguém tem de o ser e, como diria o outro, calhou-me a mim). O Pedro não deve ter reparado que as duas primeiras citações são repetidas: já foram repescadas no dia 27.
O próprio Miguel Noronha sofria um bocado desse “culto da carga”. Pretendia que Portugal copiasse acriticamente todos os sinais exteriores do Reino Unido e dos Estados Unidos da América, convencido de que dessa forma Portugal se tornaria tão rico como esses países.
Há dez anos muita coisa era diferente. Nem havia “balio”, só havia Lavoura.