De acordo, Luís: devemos preocupar-nos exclusivamente com os interesses portugueses. Mas mais importante do que chegar a esta conclusão talvez seja determinar como é que isso se faz. Ignorando as exigências para (em alguns casos, necessidades reconhecidas de) reformar, esperando que as tranches do fundo de resgate continuem ainda assim a chegar? Anunciando o default, total ou parcial, sendo que os bancos portugueses e vários fundos de investimento, entre os quais o da Segurança Social, sofreriam rombos assinaláveis, quiçá incomportáveis? Anunciando um default somente para os créditos detidos por bancos e fundos de investimento estrangeiros, como a tua frase «Talvez por isso fosse altura de o parlamento português se preocupar com os interesses dos nossos cidadãos em vez de tudo fazer para contentar os credores internacionais» parece deixar subentendido? Solicitando apenas ajustes de pormenor ao plano actual? Neste caso, quais? Devem pedir-se já ou mais tarde? Se forem recusados, o que se faz? E poderão ajustes de pormenor representar uma alteração de política como a que o teu texto parece advogar?
Exactamente como é que se defendem os interesses dos «nossos cidadãos»?

As questões formulam uma boa série de alternativas e outras mais haverá. Eu não me convenço é de que esta austeridade em agravamento contínuo seja a maneira adequada para sairmos da crise. Basta contabilizar o número diário de insolvências. Aposto que daqui a um ano vamos estar como a Grécia ou pior. E os nossos inimigos europeus, perdão os nossos parceiros europeus, deixar-nos-ão entregues às feras.
É muito possível. Mas a minha questão tem a ver com a qualidade das alternativas: ou seja, tirando a possibilidade de efectuar alguns ajustamentos (por exemplo, prazos para a correcção – mas quanto mais tempo demorarmos mais dívida iremos contrair entretanto – e juros dos empréstimos), quais são as verdadeiras alternativas que não nos façam tombar no colapso? Algumas (por exemplo, o default acompanhado da saída do euro) apresentam pontos positivos a longo prazo – mas a curto os efeitos seriam duríssimos. Estamos mais preparados para eles do que para as medidas previstas (ainda que com mais algumas adicionais)? E quer isto dizer que já assumimos ser o Estado incapaz de reformar-se e de cortar na sua própria despesa?