Os extremos tocam-se


Pedro Correia,

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Os herdeiros de Hitler e Estaline em Berlim, agora agrupados sob as siglas Alternativa Para a Alemanha (extrema-direita) e A Esquerda (extrema-esquerda) uniram-se hoje, no Bundestag, contra a decisão do Governo de enviar armamento pesado para Kiev – medida vital para garantir a legítima defesa da Ucrânia face ao invasor russo.

É enternecedor ver como Vladímir Putin continua a congregar fascistas e comunistas. Os extremos tocam-se.

Felizmente são segmentos minoritários da sociedade alemã, largamente solidária com o martirizado povo ucraniano. A inédita decisão do Executivo tripartido – formado por sociais-democratas, liberais e verdes – mereceu apoio esmagador no Parlamento: 586 votos a favor (incluindo os cristãos-democratas, agora principal força da oposição), 100 contra e sete abstenções.

Tal como naqueles anos de ascensão dos totalitarismos que marcaram quase todo o século XX, a História volta a escrever-se hora a hora à nossa frente. Com posições cada vez mais claras de parte a parte. No futuro lembraremos sempre onde nos situámos, uns e outros, nestes dias. 

8 comentários em “Os extremos tocam-se”

  1. Com posições cada vez mais claras de parte a parte. No futuro lembraremos sempre onde nos situámos, uns e outros, nestes dias.

    Ora nem mais.

  2. 1 – Esse mundo, concebido entre «esquerda»/«direita», terminou. Foi um «regime» (uma lógica, uma concepção) que chegou ao fim. O mundo, concebido como um «regime de oposições binárias, inversas, isomorficamente simétricas, em permanente conflito» iniciou a procissão do seu enterro.
    2 – Para ser “invasor” é necessário que todos aceitem uma mesma fronteira.
    3 – “Fronteira” em eslavo diz-se “ucrânia” — não significa nem nunca significou um povo, uma identidade, ou uma cultura. Desde a batalha de Poltava em 1709, que andam a tentar definir a “fronteira” entre a Rússia e o Ocidente. Ora é mais à frente, a oeste; ora é mais atrás, a leste. Logo, andam a “invadirem-se” uns aos outros há centenas de anos. De 2014 a 2022 o invasor foi os EUA/Nato. Em 24fev2022 foi a vez da Rússia retribuir a delicadeza.
    4 – Qual foi a razão e a justificação que deram esses 100 deputados alemães para votarem contra o fornecimento de armas? Afinal, não há unanimidade quanto à solução de armar a Ucrânia. Porque será?

      1. No entanto faz posts a queixar-se que o parlamento alemão não tem unanimidade torno das posições que defende.
        Se a Alemanha fosse uma ditadura já tinha invadido a Rússia, com unanimidade.

        1. Mas não é falta de unanimidade com comunistas e fascistas entre gente boa, a gente boa é toda unânime.

          Como sempre, os comunistas gostam de criar falácias intelectuais (uns whataboutismos lexicais a ver se pega) mas unanimidade não se confunde com totalitarismo.

          Na Venezuela, que é um narco-estado faminto controlado pelos russos, talvez pegue. Mas aqui não pega.

          Vão lá pró esquerda.net. Vocês por aqui não passam.

          1. Está a esquecer-se da unanimidade do país do camarada Kim. Essa é uma unanimidade que lhe dá gosto. Toda a gente pensa da mesma maneira, logo é tudo gente boa, incluindo o camarada Kim.

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