Acho piada a algumas notícias e escândalos de dez minutos. O de hoje é a Parque Escolar, empresa criada pelo governo anterior para gerir e reformar as infraestruturas escolares. Os gritos de protesto acumulam-se: porque eles gastam muito dinheiro!; porque as escolas são demasiado luxuosas!; porque as escolas triplicaram a factura energética! E por aí fora, com maior ou menor razão. Mas nunca ninguém se lembra de um pequenino pormenor. Os engenheiros e arquitectos da Parque Escolar não decidem fazer uma escola em mármore porque lhes dá na real gana (exemplo inventado por mim); nem decidem que todas as salas devem ter ar condicionado e janelas de bandeira porque a ideia lhes ocorreu durante o pequeno-almoço. Há regulamentos para a construção. Neste país, praticamente tudo se encontra regulado, através de regimentos, decretos-leis e sei lá mais o quê. Mas a ninguém ocorre responsabilizar os criadores dessa mesma legislação pelas suas desastrosas consequências financeiras. A ninguém ocorre alterar essas mesmas leis e regulamentos, antes de crucificar na praça pública o trabalho feito.
Os escândalos de dez minutos
cadernoelastico,

Tem razão, as mudanças têm que ser estruturais, por isso entendo que, só, aumentar impostos não resolve.
Ana, nessa lógica todas as escolas de tamanho parecido teriam preços semelhantes…
O que não se verifica.
Portanto das três, uma:
1-A legislação obriga e alguns arquitectos, engenheiros e construtores construíram escolas ilegais pois cortaram custos indo contra as regulamentações
2-Os engenheiros e arquitectos construíram o que lhes apeteceu em função do tipo de queijo comeram ao pequeno almoço
3-A regulamentação apenas define condições mínimas de construção, mas não condições máximas. E os arq. e eng. ampliaram os custos muito (mais nuns casos que outros) porque a parque escolar foi um veiculo usado pelo PS para criar trabalho temporário (antes das eleições) e enriquecer os bolsos de uns quantos amigos arquitectos, engenheiros e construtores… (sim, porque todos ganham mais em função do custo da obra)
Mas como foi tudo feito em concurso aberto tenho a certeza que foi sempre a proposta tecnicamente correcta e mais barata (aqui ironicamente porque o modelo foi claramente um modelo de ajuste directo encapuçado..)
Porque é que essa empresa, Parque Escolar, foi dispensada de cumprir a lei?
Como é que foi o processo de escolha e contratação dos arquitectos que fizeram os projectos?
E das empresas de construção civil?
Meu Deus…
Não tivesse lido… não acreditava em tamanho “fora -de jogo”!!!
E urgente mudar a lei do disparate!
Caro João
Permita-me que faça minhas as suas palavras.
Sinceramente não descortino onde a autora do texto foi arranjar tão disparatado argumento.
Pegando no exemplo dado:…” Os engenheiros arquitectos não decidem fazer uma escola em marmore…”
Claro que não… como não os obriga a “engenhar” e arquitectar” uma escola aplicando marmore de Carrara!!! ( muito menos ao preço de… )
A questão do preço das escolas ser diferente é completamente falaciosa…
Cada escola é uma escola. Escolas com mais reabilitação, escolas com mais demolição. Reabilitar não custa o mesmo que construir de novo.
Tudo isto a juntar ainda, que cada escola tem actividades lectivas, alunos, programas lectivos diferentes e consequentemente espaços que apesar de terem áreas semelhantes têm funções diferentes e custos superiores e/ou inferiores.
Algumas escolas são em localidades frias e precisam de mais aquecimento, outras menos.
Enfim. Uma quantidade enorme de situações que justificam diferenças de preço.
Acabamentos podem encarecer projectos e se é aplicado o “mármore” é errado.
Uma coisa é certa: os regulamentos são demasiado exigentes para as necessidades dos edifícios. Esta é a realidade. Regulamentos feitos por técnicos de empresas que fornecem equipamentos, não fazem mais do que arranjar trabalho para essas empresas. Seja AVAC seja Arqueologia.
Da legislação não sei mas sei que os engenheiros e arquitectos da Parque Escolar são capazes de coisas no mínimo impressionantes, como mandar pintar de azul-cueca e de tinta de qualidade duvidosa um bengaleiro antiquíssimo que havia na minha escola, assim tipo peça de museu e uma cómoda também. Olha que não deve ter sido a legislação que obrigou a tal coisa. Além de haver uns estores muito lindos mas impossíveis para a ventania aqui da zona. E ainda, pelo que ouvi a Parque Escolar é soberana, fazem o que querem e lhes apetece. 010/09/escola-zul-cueca.html
A saga aqui contada: http://o-meu-pai-e-eu.blogspot.com/2
É verdade que em Portugal existem leis para tudo e mais alguma coisa, mas duvido muito que sejam as leis a determinar os excessos de luxo da Parque Escolar. Uma vez que escreveu o post, é capaz de indicar essa legislação?
Julgo que a explicação é mais simples: a Parque Escolar ganha tanto mais dinheiro quanto as obras forem demoradas e complexas. Na Escola João de Deus em Faro deitaram abaixo um auditório com 5 anos e construíram um novo. Acha que há alguma lei que imponha uma loucura dessas? O que se passa é quanto mais construírem mais ganham.