Os desiludidos fãs de Queiroz


Pedro Correia,

 

Carlos Queiroz, acolhido há dois anos como seleccionador nacional por um coro quase unânime dos comentadores futebolísticos, ao jeito de um concerto para piano e vuvuzelas, recebe agora as primeiras críticas dignas desse nome na chamada imprensa da especialidade. Mais vale tarde que nunca. Mas convém não esquecer que estes mesmos “críticos” são aqueles que festejaram entusiasticamente a contratação de Queiroz por Gilberto Madaíl, como alternativa ao odiado Scolari.

A mudança de posição deles é tão grande que, para contrariar esta plêiade de “analistas” da bola, quase me apetece agora defender Queiroz. Só não o faço por uma questão de elementar coerência. Acontece que, no momento em que o actual seleccionador português ainda era levado em ombros pela opinião pública futebolística, já eu destoava do tom geral. Em textos como este: A brilhante selecção da era Queiroz (11 de Setembro de 2008). Ou este: Toma lá mais seis, Queiroz (20 de Novembro de 2008). Ou ainda este: O clube de fãs de Queiroz (24 de Novembro de 2008).

Como é óbvio, nada tenho a alterar em relação ao que então escrevi. Mas vale a pena ler os comentários que esses meus textos suscitaram para se perceber melhor como era favorável o ambiente da ‘opinião pública’ relativamente a Queiroz, o homem que teve tudo ao seu dispor e agora vem queixar-se da “estrutura amadora” que ele próprio construiu, numa versão recauchutada dos inqualificáveis desabafos proferidos em 1994, ao falhar a qualificação da selecção nacional para o Mundial dos Estados Unidos. Dê o mundo as voltas que der, há coisas que nunca mudam.

11 comentários em “Os desiludidos fãs de Queiroz”

  1. Pois fui ler os comentários e como dizia na altura, vamos dar oportunidade ao Homem e se falhar rua.
    Está tudo dito.
    abraço Pedro

    1. É isso, Pedro. Parece-me não haver alternativa. Mesmo na estação pateta, há coisas que não devem ser toleradas. Quanto a alternativas, sei lá. Talvez o polvo…
      Abraço

  2. Bom, eu tenho uma antipatia por este senhor desde a selecção dos pequenitos.
    É daquelas coisas que não tem explicação, até a voz dele me irrita.
    E não gosto do tom dele para explicar as coisas, todos são ” brilhantes ” ” fantásticos ” e os resultados estão á vista.
    Quando ” perco ” no meu desempenho profissional, o meu chefe não me chama e diz: fostes brilhante, esforçada, o resultado foi uma merda mas paciência!

    1. O que considero mais reprovável, para usar um termo brando, é esta tendência do professor Queiroz de nunca assumir as culpas próprias, tentando sempre arranjar bodes-expiatórios. Como se não lhe tivesse sido dada carta branca para proceder como entendesse à frente das selecções portuguesas de futebol.

  3. Pedro, carradas de comentadores estiveram desde o início contra Queirós. Não tenho a mesma paciência para procurar arquivos, mas desde lhe chamarem adjunto até berrarem “Scolari” a cada passo, muitas vozes contrárias houve.

    Quanto à mudança de opinião, eu tive uma opinião favorável a Queirós, a qual esmoreceu um pouco entretanto, mas mantenho-me a apoiá-lo. Não acho que tenha feito um mau trabalho na selecção e, se há de facto uma estrutura que é amadora, não é em 2 anos que ela é eliminada.

    Ainda em relação aos apoios, não vejo o mal de ser a favor de Queirós e depois, em função dos resultados, mudar de opinião. Parece-me extremamente saudável que assim seja. Desde que haja argumentos viáveis (e sinceramente não me parece que haja), a flexibilidade de opiniões é de salutar. Coerência de valores é uma coisa, inflexibilidade é outra bem diferente.

    1. Caro João:
      Não me refiro à ‘vox populi’, mas aos comentadores encartados da especialidade. Houve quase unanimidade dos nossos analistas futebolísticos mal Madaíl anunciou a contratação de Queiroz – com a excepção, pública e notória, do Jorge Baptista (talvez por isso tenha depois levado um murro do seleccionador). E não me refiro só a apoio, mas aos elogios mais desbragados como se viesse aí o D. Sebastião redimir a pátria. Ninguém sequer mencionou, que eu me lembre, a desastrosa passagem anterior de CQ pelo cargo de seleccionador em que falhou as qualificações para o Europeu na Suécia e o Mundial nos EUA.

  4. Eu não sou encartada, não sei falar de futebol e, no entanto, detesto o homem, acho que não tem jeito para líder, quanto mais para pôr um rebanho desgarrado e tresmalhado, cheio de manias individuais, a afinar pelo mesmo diapasão.

    Quem não domina/controla os balneários não pode ter pretensões de conduzir o jogo.

    Podíamos ter ido mais além, mas não com este seleccionador.

  5. Como sempre o considerei um looser…
    Ganhar competições com equipas sub-21, em 1989 e 1991, não é um currículo que me impressione.
    O que me impressiona são os pontapés no rabo praticamente nos cinco continentes.
    Poderá ser bom a descobrir e formar talentos.
    Mais do que isso, tenho a certeza que não é, nunca foi, nunca será.

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