Um dos melhores filmes em cartaz neste momento é Revolutionary Road, de Sam Mendes, com um papel fabuloso de Kate Winslet. Basta o impressionante desempenho desta actriz para justificar a deslocação ao cinema. Acreditem: é um daqueles papéis que nos fazem crer na superioridade da arte de representar. À medida que a acção se desenrola e que a protagonista feminina (interpretada por Winslet) evolui com ela, vemos essa transformação estampada no rosto progressivamente dolorido desta actriz transbordante de talento, candidata a um dos Óscares mais merecidos dos últimos decénios. Pois folheio o Expresso – e o que leio? Um tal Francisco Ferreira, "crítico" de cinema, lá concede duas estrelas ao filme, que o terá feito bocejar, rematando assim a prosa com que nos brinda: "Não fossem os actores, ‘Revolutionary Road’ não seria muito mais do que um telefilme, competente e sem interesse."
Espantosa frase. Como se a qualidade dos actores fosse um pormenor de somenos. Como se assistir a um desempenho magnífico, como este de Kate Winslet, não fizesse toda a diferença. Como se a representação não fosse vital num filme – em qualquer filme.
Anda assim, envolta nesta confrangedora pobreza argumentativa e neste desamor pela Sétima Arte, a crítica de cinema em Portugal.


“candidata a um dos Óscares mais merecidos dos últimos decénios.”
Infelizmente, pelo filme errado. 😉
Penso o mesmo, Jorge.
É sempre mau quando ao invés do jogo falamos do árbitro. Neste caso, o crítico é apenas um elemento externo ao espectáculo que ganha umas massas a falar sobre o mesmo. Vou achar sempre preferível falar de filmes embora, há que o reconhecer, às vezes seja bem difícil aceitar certas opiniões. Mas que fazer!?
Se quiser dar-se ao trabalho, deixo-lhe aqui a prova do que afirmo:
http://cartoriomental.blogspot.com/2008/0 5/susceptibilidades.html
Cumprimentos.
Meu caro, já li e recomendo o seu blogue, que deu entrada aqui na nossa barra lateral.
Do ‘jogo’ tenho falado bastante, aqui e não só. Mas nestes últimos dois dias interessou-me sobretudo falar do ‘árbitro’. Porque já não há paciência para determinada ‘crítica’ que se pratica em Portugal.
Como eu o compreendo, apesar de tudo. Obrigado, abraço.
Gostei muito do Cartório Mental. Uma excelente dica!
Dos filmes Oscarizáveis que já vi, e faltam poucos, este e, indubitavelmente o que leva mais estrelas…
Pedro, desta vez tenho que discordar. Faz a diferença, sim, mas não chega. Contudo, e de uma forma geral, com seu último parágrafo concordo em pleno.
Não chega, por vezes. Mas nunca é um pormenor de somenos, Mike. Quantas vezes grandes actores não transformaram já em obras-primas filmes que poderiam ser só medianos?
Acabei de ver há pouco, Pedro. Grande filme. Esquecido pelos criticos mas também pelos Oscares.
É verdade, Pedro. Lamentavelmente.