Os comentários da semana


Pedro Correia,

«Tive um enfarte agudo do miocárdio em Agosto de 2019. Estava no trabalho (foi a minha sorte) e fui de ambulância para Santa Maria, estive quatro horas numa maca no corredor das urgências. Tive um segundo ataque, saí do corredor e fui visto por uma enfermeira. Aí já não sei quanto tempo passou pois perdi os sentidos e quando acordei já estava na mesa de operações.

Correu tudo bem, felizmente. Apesar do caos, pessoal super simpático.

Agora vem a parte negra da história.

Tinha a primeira consulta em Agosto de 2020 para rever a medicação, foi adiada para Dezembro de 2020 e já foi novamente adiada para Março de 2021.

Será que o gabinete do cardiologista em Santa Maria também foi ocupado com doentes covid?

Ou vou ter de apanhar covid para ter uma consulta de cardiologia em Santa Maria?»

 

Do nosso leitor Carlos Sousa. A propósito deste texto do João Sousa.

 

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«A campanha é um anedota. Mas as pessoas no geral não andam demasiado assustadas, a verdade é essa. Independentemente das tentativas esforçadas da comunicação social, não dá para voltar a Abril de 2020.

Já percebemos o tamanho engodo que isto tudo é, no sentido em que as medidas tomadas são areia para os olhos. Além de não melhorarem a situação têm potencial para piorar a situação.

Todos já conhecemos pessoas infectadas sem demasiada gravidade (assintomáticas ou com sintomas de gripe, mais ou menos forte). Pessoas que não frequentam festas ilegais nem se juntam aos magotes a beber álcool nos jardins públicos. Pessoas que não participaram em bodas, baptizados e banquetes. Pessoas que arejam a casa regularmente e cujos filhos tremem de frio sentados nas suas secretárias nas salas de aula. Usam álcool gel em abundância e máscara sempre. Pessoas que na maior parte das vezes não fazem ideia de como contraíram o virus. Só sabem que não foi nos transportes públicos, porque aí ele não ataca.

Longe de mim desvalorizar o vírus. Mas é preciso perceber que estas medidas de confinamento não fazem nada para travar o vírus. Aliás, é impossível eliminar um vírus disperso na comunidade sem a vacinação significativa da população (nem as ratazanas, as pulgas e os piolhos se conseguem exterminar, quanto mais os vírus). É preciso haver eficiência na gestão dos recursos para tratar os doentes graves e proteger a população mais vulnerável (mas nunca contra a sua vontade). E continuar a viver.»

 

Da nossa leitora Susana V. A propósito deste meu texto.

16 comentários em “Os comentários da semana”

  1. Dizer que as pessoas não andam assustadas?
    Susana V. sei que este texto tem um delay, mas dizer isto(que não andam assustadas) hoje! É a coragem dos tontos.

    1. No Domingo passado as pessoas passeavam ao ar livre. As crianças brincavam na rua com os irmãos. Depois do anúncio do fecho parcial, os comerciantes tentaram manter-se abertos com vendas ao postigo e não lhe faltaram clientes.
      Não digo que não hajam pessoas aterrorizadas, porque as há. Mas, pelo que vejo a generalidade das pessoas está tranquila e faz o que lhe vai sendo permitido fazer.

  2. “Ou vou ter de apanhar covid para ter uma consulta de cardiologia em Santa Maria?»”
    Não diga isso nem a brincar! Isto é demasiado sério! E como o Carlos Sousa, está muita gente infelizmente a espera.

    Isto é uma vergonha!( Não o que o Carlos Sousa escreveu, mas a situação)
    Saúde!

  3. Caro Carlos Sousa,
    Se me permite a intromissão, que tal tentar falar com a equipa médica através de email? Não é o mesmo, mas ajuda. Com certeza a Cardiologia do Santa Maria tem endereço eletrónico (foi desta forma que tratei da medicação habitual no hospital Santo António, no Porto).
    Saúde. Torço para que esteja bem.

    —

    Óptimo comentário da leitora Susana V.

    1. Isabel agradeço a sua preocupação, mas para haver uma revisão de medicamentos é necessário fazer outros exames complementares além das respectivas análises, e isso só mesmo na presença física do médico que me assistiu. No entanto obrigado pela sua sugestão.

  4. “Mas é preciso perceber que estas medidas de confinamento não fazem nada para travar o vírus.”

    Muito se aprende por aqui. Meio mundo enganado. Meia Academia ludibriada. Para a semana, ou na outra, recusarão a vacina porque o bicho é inócuo e a vacina foi martelada.

    Triste dar-se destaque a estas patacoadas. Já imaginou que caso não houvesse confinamento as perdas económicas seriam maiores? Mais pessoas doentes—maior despesa. Mais restrições internacionais e nacionais sobre o país e os “negócios”.

  5. “Todos já conhecemos pessoas infectadas sem demasiada gravidade (assintomáticas ou com sintomas de gripe, mais ou menos forte). Pessoas que não frequentam festas ilegais nem se juntam aos magotes a beber álcool nos jardins públicos.”

    Parte 1 – possivelmente foram infectadas por outros que gostam de “comer” ao ar livre.
    Parte 2- a máscara reduz a probabilidade não a diminui a zero. A Susana deve ser bancária, de certeza
    Parte 3- pois eu conheço pessoas que morreram. E digo-lhe não se atreva a ir com essa conversa para cima dos familiares. É capaz de dar-se mal.
    Parte 4- a comunidade científica através dos seus colégios de especialidade recomenda o confinamento geral em caso de descontrolo epidemiológico. Diz que não é consensual? Olhe, também o médico Pinto Leite tem umas teorias sobre a longevidade (doses cavalares de vitamina D e uns batidos de túbaros) que são uma patacoada à luz do que se sabe.

    Quando existem 15000 casos diários, ou próximo disso , o confinamento geral é mandatório.

    https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(20)32153-X/fulltext

    A primeira parte do comentário é uma autêntica desvalorização. A segunda parte é por isso patética.

    Este país, com esta gente, terá pocilgas na retaguarda e choldra nas vanguardas. Uma cambada de especialistas

  6. Sinceramente, nem deveria ter lido o comentário da Susana. Fiquei insone com tamanho disparate e prosápia.
    Os confinamentos gerais visam “a gestão dos recursos para tratar os doentes graves e proteger a população mais vulnerável”, sobretudo en países depauperados de recursos como o nosso.

    E depois essa das pessoas não andarem assustadas?? Um primo meu não conhece o neto nascido há 2 dias por ter medo de ir de Vila Velha de Ródão a Lisboa. O meu pai faleceu por complicações respiratórias e a minha mãe por medo decidiu passar o Natal sozinha (vive no Alentejo e eu no Porto).

    Isto é de uma boçal insensatez. Hora de tirar férias do Delito. O almoxarife leva semanas a alertar, e bem, sobre a grave situação provocada pela simiesca relativização da pandemia e depois calha a seleccionar uma imbecilidade destas. Suponho que a bem da audiência.

    1. Vorph, fiquei na dúvida se deveria responder a estes seus comentários que, na minha opinião, roçam a má educação. Mas vamos lá.
      Em primeiro lugar os meus sentimentos pela sua perda. Eu não consigo perceber onde é que o meu comentário foi ofensivo para pessoas que perderam entes queridos infectados por Coronavirus. Muitos perderam entes queridos e continuam a perder. Com covid19 ou com outras doenças igualmente mortais ( e injustamente esquecidas, como lembrou o Carlos Sousa no comentário em destaque). Porque a condição necessária para morrer é estar vivo. É a lei da vida e não há volta a dar.
      Essa conversa de que existem pessoas que morrem porque outras passeiam e comem na rua é do mais desonesto que há. É tudo culpa desses malandros, não é? Pois.
      Para finalizar aceite as minhas desculpas pela indisposição que lhe causei. Talvez fosse mais avisado procurar um blog chamado Opinião Permitida ou Pensamento Único. Não ficava sujeito a estes incómodos.

  7. Obrigada pelo destaque Pedro. E obrigada aqueles que valorizam os meus comentários, e que concordando ou não com um ponto de vista específico, prezam a pluralidade de opiniões. Eu aprendi a desconfiar dos consensos. É uma das razões pelas quais gosto de visitar o Delito de Opinião.

    1. A Susana V, gosta de ser irónica e de brincar com as palavras e lá porque ficou desconfortável pelo outro comentário, e depois quer passar a ser uma boa leitora, uma escritora com bom senso, como alguém referiu, mas daquele desagrado desse senhor, existem mais, mas eles calam se e ignoram lhe.

      É o melhor assim. A maldade vai ficar ela, deixe andar o barco das crianças

      João Felgar

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