Os comentários da semana


Pedro Correia,

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«Como criar um país decente e mais rico se quase ninguém está disposto a cumprir? Quando os candidatos a emprego começam por pesar o número de faltas que podem dar e uma vez a trabalhar ficam completamente alheados do seu real peso na estrutura. E a ridícula ascensão das chefias não por mérito – por saberem do ofício – mas por serem detentoras do que chamam perfil de liderança, que como sabemos entre nós se traduz numa de duas coisas: cunha ou parlapiê inconsequente. Patrões a ver os funcionários apenas como encargo, não os reconhecendo como aliados, nem considerando o rendimento que dão às empresas. E a pagar mal, muito mal. Um Estado que esmaga a possibilidade de crescimento sadio das empresas com impostos e burocracias excessivas. Camadas e camadas de funcionários públicos com baixas médicas fraudulentas e outros benefícios a enviesar completamente os dados sobre as reais necessidades do sector público. E, a propósito, uma comunicação social – bacoca e ideologicamente comprometida – que raramente fala escorreito e a direito. Um sindicalismo caduco. E, mais do que tudo, injusto e virado somente para o seu eleitorado. Protegendo apenas a função pública e um punhado de gente na grande indústria.

Enfim, está tudo mal. Mas se não fosse a maldita epidemia podíamos ir para a praia espairecer. Como diz o outro, o que é preciso é saber como se melhora. E só vejo uma maneira. Sendo mais honesto. Resta saber se o País está para aí virado.»

 

Da nossa leitora Isabel Paulos. A propósito deste meu texto.

 

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«Convém não esquecer que a velha Europa é mais velha para uns do que para outros. Em termos de mentalidade proteccionista do sistema social, os países do sul são-no em maior dose. Quando digo dose, refiro-me ao facto de exercer o dever de protecção, exigindo pouco ou nada em troca. Não se admite na Noruega que um cidadão que usufrui de um subsídio de desemprego rejeite uma proposta para trabalhar, sem consequências. Não se admite que um cidadão na Holanda resida numa habitação social, sem a obrigação de cuidar da mesma, de cumprir as regras de higiene comunitária, higiene dos filhos, obrigatoriedade de os mandar para a escola. Ou seja, na Europa menos velha, os direitos equilibram-se com os deveres. Na Europa mais velha, dá-se gratuitamente, sem tão pouco se preocuparem com a importância pedagógica da vida em sociedade. E lá estamos nós a bater na mentalidade. Porque esta mentalidade de dar sem exigir é transversal em todas as áreas: habitação, educação e trabalho.

Nas sociedades novas não se nota tanto, tiveram a possibilidade de começar do zero. Cansados do que levaram do velho continente. Não quero com isto que é melhor, ou pior, mas é diferente.

E a grande diferença está nos costumes e na valorização.

Com a evolução da mentalidade sindicalista, verificou-se que, 20 anos depois, havia mais gente a acabar o liceu, a entrar para as universidades, que se multiplicaram na década de 70, fruto da capacidade financeira das famílias. Aumentou a criação de emprego próprio, o operário passou a ter formação e dinheiro para se lançar no mercado. Isto criou emprego, riqueza. O mérito passou a ser reconhecido e recompensado. O patrão passou a valorizar o empregado e o empregado passou a empenhar-se mais. O emprego deixou de ser um lugar cativo, foi necessário justificá-lo.

O pobre passou a ter a oportunidade de enriquecer, fruto do seu trabalho e da sua capacidade.

Por cá, o rico já nasce rico, raramente se torna rico. Primeiro porque não se valoriza, depois porque não vale a pena valorizar-se, pois mesmo que tenha valor, ninguém o vai reconhecer.»

 

Do nosso leitor Chuck Norris. A propósito deste meu texto.

54 comentários em “Os comentários da semana”

    1. É uma ideia. Falta-me essa experiência excepcional (não obedece às regras dos comuns mortais) da mais importante festa política e cultural portuguesa. É a oportunidade de me tentar com a cevada e o estontear fumegante e de, durante umas horas, o mundo das reivindicações dos direitos sem os correspondentes deveres passar a fazer sentido.

  1. “Por cá, o rico já nasce rico, raramente se torna rico”

    Por cá e por lá.

    Quanto ao Estado Social Meridional ele é decalcado do Setentrional. Duas diferenças. Num lado as leis previstas aplicam – se. No outro, não. Falta, por cá, pessoal ou falha o Sistema

    1. Acha mesmo? Acha que o epíteto land of opportunity nasceu do nada? A tv Globo produziu um documentário à uns tempos sobre os atuais milionários que vieram do nada.
      Dos 10, 5 eram americanos, um canadiano e 2 asiáticos que só conseguiram fazer fortuna nos EUA.
      Restam um russo e um de hong kong. O de hong kong fez o seu primeiro milhão lá, mas só saltou para a lista dos mais ricos do mundo quando expandiu os negócios para a América.
      Por isso, por lá é mais frequente.

      1. Land of opportunity for the f***** bastards.

        A classe média americana tem vindo a empobrecer miseravelmente (talvez o segredo dos milionários de que fala) . Uma classe média que se tem o azar de ficar doente tem de escolher entre perder a mão direita ou a esquerda.

        Não me fio muito nesses números, nem nesses lemas batidos. The land of the opportunity, o sonho americano, desperta na China. Um modelo,sem dúvida.

        https://www.google.com/amp/s/amp.ft.com/content/a11fb804-7537-11e8-b6ad-3823e4384287

        China produces 182 new billionaires, triple the new faces in the US, while Shanghai overtakes Hong Kong for the first time

        https://amp.scmp.com/business/companies/article/3052462/china-produces-182-new-billionaires-triple-new-faces-us-while

        1. Pelo que li do comentário original ao post, a discussão tinha a a haver com a segunda metade do sex XX e o que alterou com a mudança de mentalidades dos sindicalistas nos EUA. Comparar os EUA de 1970 à china de 2020 é como comparar a idade da pedra à revolução industrial.

          1. Caro, Aldo :
            “Não se admite que um cidadão na Holanda resida numa habitação social, sem a obrigação de cuidar da mesma, de cumprir as regras de higiene comunitária, higiene dos filhos, obrigatoriedade de os mandar para a escola.”

            Cá, em casa, vulgo Portugal, também não. Só que não basta a letra da lei. É necessário que alguém a dite. O problema de Portugal é esse. Ao mesmo tempo que toda a gente sabe, ninguém quer saber.

            Sobre :

            ” Nas sociedades novas não se nota tanto, tiveram a possibilidade de começar do zero. Cansados do que levaram do velho continente”

            Se falarmos na americana, a nova Ordem fez – se com o pior da Velha. Fundamentalistas anarquistas em que a força da comunidade resultou, primeiro, da soma do mesmo credo e mais tarde de um tipo de epiderme. Foram expulsos de Velho Continente como corpos estranhos.

            O Sindicalismo mudou lá, como cá, e em todo o lado. Não fruto de uma mudança de mentalidades, mas de uma transformação do modelo social e económico – Ascenção da globalização e Queda do Socialismo (Social Democracia). E para a queda da Social Democracia contribuiu em muito a política externa americana/Wallstreet e a cumplicidade europeia.

          2. Não queira comparar o incomparável. Nem deixe que um mero desprezo pela América lhe tolde o juízo.
            Obviamente que eles também têm telhados de vidro… também… o que quer dizer que os europeus também os têm. Os americanos não são melhores nem piores, são diferentes… e foi isso que eu retirei da discussão.
            O assunto era o sindicalismo e a mentalidade do patrão e do trabalhador no pós II guerra mundial e de facto, eu também concordo que houve uma evolução de mentalidades, que resultou numa melhor qualidade de vida para todos. Se houve atropelos à moral e bons costumes? Claro que houve. Não existem sociedades perfeitas, excepto na cabeça dos comunistas.
            E o sindicalismo não mudou assim tanto cá. Desde 1974 até agora, diga-me o que é que mudou? Nada. O sindicalista continua mais preocupado com o que ganha o empresário, do que com o que ele pode ganhar. O empresário só vê o lucro à custa do parco vencimento do funcionário, porque nunca o ensinaram a pensar que quanto mais motivado estiver o funcionário, mais irá produzir e mais ele irá ganhar.
            Não há um brainstorming neste país, que junte todos na procura de uma solução.
            O sindicalista continua naquela lutazinha que não leva a lado nenhum e o empresário aproveita essa atitude que não aquece nem arrefece, que é mais do mesmo e já ninguém liga nenhuma.
            E para terminar, um facto que faz toda a diferença… a ligação e dependência umbilical dos sindicatos portugueses com os partidos políticos, deixando-se utilizar como arma de arremesso e colocando as ideologias e questões políticas acima do seu objetivo.
            Lá, nos states, essa dependência não existe. O sindicato é sindicato. Tem como objetivo o bem estar do trabalhador e não tendo que dar satisfações a partidos políticos, trata do trabalhador com muito maior eficácia.

          3. E sabe porque é que surgem? Porque é uma mama. Porque disfarçam-se de sindicalistas para ganhar dias sem trabalhar e algum poder junto doa seus patrões. Não seja naif ao ponto de pensar que oa sindicatos que surgem, surgem por devoção à causa, ou com o objetivo de fazer algo diferente. Veja o caso da PSP, com dezenas de sindicatos e associações, cada uma com dezenas de dirigentes que ganham dias sem trabalhar, subsídios e no final fazem todos a mesma coisa.
            E quantos mais sindicatos, mais cresce o poder dos partidos políticos, nomeadamente pcp e bloco.
            Não existe em Portugal mentalidade progressista no que concerne à qualidade de vida do trabalhador. Precisamente por isso, porque os sindicatos não queren saber da qualidade de vida dos trabalhadores, querem saber apenas dos direitos doa trabalhadores. Que são duas coisas diferentes. Para a primeira precisam de criar harmonia entre estes e os patrões, com ganhos para os dois, para a segunda já não.

          4. “Não existe em Portugal mentalidade progressista no que concerne à qualidade de vida do trabalhado”

            Sabe quanto é que ganha um enfermeiro no SNS ou no Privado (€/h)?

            Fica a questão. O problema é do Sindicato ou do Patronato?

          5. É de todos. Inclusive do estado e dos partidos políticos. Começa logo à anos atrás quando se formaram enfermeiros a dar com um pau, formados em grande maioria pelas faculdades privadas. Quer dizer, inundam o mercado de trabalho, a oferta excede a procura em muitos por cento e não querem que o preço baixe? Mas vivemos aonde? Ou o país é obrigado a dar emprego a toda a gente? Depois passa pela relação mafiosa entre estado e privados, ppp’s manhosas e mal feitas, que não garantem as condições dos trabalhadores. Porque não determinar nas ppp’s determinadas obrigações para com os trabalhadores? Não foi por falta de sugestão, foi por falta de vontade. Passa ainda pelos lobbys seja dos médicos, seja dos enfermeiros, que ao fim de anos ainda andam com as guerrinhas dos doutores para aqui e para ali. E uns são doutores e não admitem mais doutores, outros não eram doutores, agora são doutores e já não podem fazer determinados trabalhos… resultado, há que contratar auxiliares, porque os enfermeiros agora são doutores e não podem fazer determinadas coisas…. e vamos lá ter mais gastos com o pessoal… no entanto vão para o estrangeiro e fazem-nas. Lá fora fazem aquilo que o enfermeiro fazia à uns anos atrás…. antes de se armar em doutor.
            Como se vê é tudo uma questão de mentalidades.

          6. Tem carência mas apenas porque não os contrata, não é por haver falta deles. O sns é como qualquer órgão do estado. Mal gerido. Se calhar se formos a ver até nem tem falta de enfermeiros, tendo em conta as unidades de saúde existentes. Se calhar é um problema idêntico aos polícias, que não são poucos, estão é mal distribuídos e a fazerem coisas que não lhes competem.
            O sns é do estado, como tal não deve servir de exemplo, a não ser para mostrar como não se deve fazer.
            O sns, sendo estado, tem administrações incompetentes, tem profissionais que abusam e se aproveitam, tem gente acomodada em funções fúteis e inúteis… os tachos.
            Como disse, é um problema transversal dos órgãos públicos.
            Se fizer as contas ao número de cidadãos por polícia, chega à conclusão que temos dos melhores racios da europa. Mas então onde estão os polícias? Estão a fazer trabalhos de burocracia, pois somos os reis da burocracia, estão a fazer de cozinheiros, faxineiros, secretários, eletricistas… estão enfiados em gabinetes a compilar estatística, que é uma doença neste país, estão a fazer tudo, menos policiar.
            Welcome to reality.
            Sou o Aldo, nasci em 1970 e já vivi em 8 países, tive 17 profissões diferentes, comecei a trabalhar com 12 anos, tirei um curso superior com 33 e tenho quase 50 pessoas a trabalhar para mim em 3 países diferentes e nenhuma até hoje se despediu…

          7. Teve 17 profissões?

            Não vejo como alguém pode ser bom, profissionalmente, mudando tantas vezes de emprego. Mas entendo, afinal trabalhava quando deveria aprender na Escola. No seu caso houve claramente falta de Estado e doutras coisas. Possivelmente um neófito, estereotipado, nesse síndrome com o mesmo nome. Um tipo que nasceu pobre, e que através de uma sorte aditivada a qualidades intrínsecas (forte sentido de auto estima, alguma inteligência, algum sentido de oportunidade, alguma canalhice, mordida num mundo cão ) , desdenha, esses, outros, que continuam a recordar o que o nosso “herói”, Aldo, nunca deixou de ser,apesar do esforço em esquecer . Um pacóvio. Agosto é o querido mês de Aldo.

            PS: no Tinder, o Aldo terá no Costa um perfect match.

          8. Se está a tentar uma de mentalista, mude de idéias, porque não tem jeito nenhum.

            O meu tempo é demasiado precioso para ser gasto com idiotas, por isso:

            Vorph, fuck you man

            I won’t be back

  2. Em Portugal legisla-se muito, e mal.
    Quem teve de por razões profissionais ler um DR, não sendo jurista, deve ter ficado a pensar que a legislação por cá é feita em estado de embriaguez avançada.
    E depois, por razões várias, não se aplica o que se legisla.

    “Não se admite na Noruega que um cidadão que usufrui de um subsídio de desemprego rejeite uma proposta para trabalhar, sem consequências.”

    Concordo. Mas também não se admite que um empregador apresente propostas a roçar a subserviência. E algumas destas subsidiadas.

    1. Com toda a razão.
      Veja-se o caso dos países exportadores como o nosso e os preços mais competitivos. Parece que os preços mais competitivos têm a ver com o valor dos salários de quem os produz. Repare-se nas exportações de cada país e veja-se os produtos das suas exportações, exceptuando os casos de grandes produções agrícolas ou das pescas.
      É fácil de ver o caso do Luxemburgo que tem o ordenado mínimo mais elevado da UE ser precisamente onde o maior número da população ganha o ordenado mínimo.
      Por cá, como é que se pode viver a ganhar o ordenado mínimo, trabalhando oito e mais horas, residir longe do local de trabalho e querer constituir família.
      Com certeza que quem está no desemprego tem que fazer contas para saber se calhar tem que pagar para trabalhar.

      1. O Luxemburgo é obrigado a ter um ordenado mínimo elevado, senão entrava em bancarrota. O Luxemburgo não exporta, logo, a sua economia vive das trocas comerciais internas. Se os ordenados fossem baixos, os cidadãos não compravam, se não compravam a economia asfixiava.
        Os Luxemburgo tem de facto esse mérito de ter uma visão mais à frente, de pensar de uma forma que poucos pensaram.
        Os cidadãos do Luxemburgo são consumidores ávidos, o que permite que o dinheiro circule e só há dinheiro de houver bons ordenados. Não é difícil chegar a este raciocínio.

    2. Aplicar aplica-se, mas há uns que se estão a cagar para a lei porque estão acima dela, outros que fazem da lei um exercício de geometria variável e ninguém os condena porque são uns gajos porreiros — e há outros que sabem das leis antes de ser leis e passam a perna a toda a gente e quando a lei chega já despacharam o berbicacho para o colo de um patego qualquer.

      Continuem a votar neles.

    3. E para um jurista a leitura do DR não provocará, creia, sensação muito diferente. De resto, além do conteúdo da legislação, melhor ou pior, há a questão da sua extraordinária abundância, sobretudo quanto à alteração ou substituição de legislação. Não há entre nós um módico de estabilidade legislativa. Bom ou mau, aquilo com que se conta hoje, aquilo que se pensa dominar, em que se julga saber operar com segurança, podendo assim decidir com solidez, muda com extraordinária facilidade. Com efeitos fáceis de imaginar. Aliás a simples leitura da fundamentação de posições ou decisões, inevitavelmente apresentando uma longa lista de diplomas e suas sucessivas alterações, chega roçar o patético.

      Quanto ao resto que refere, a verdade é que o “trabalhador” (denominação por cá carregada de orgulhoso ódio de classe, meticulosamente fomentado) parece neste país ter um verdadeiro fascínio – o trabalhador que o pode ter, claro; abundam os que não podem, sob pena dos rendimento do seu trabalho lhes fugir porque lhes fugiu o trabalho – pelo conhecimento profundo de todas as disposições legais, regulamentares, convencionais que o aliviem do fardo imenso de prestar trabalho ou da responsabilidade sobre a sua boa execução.

      E há de facto os “patrões” que oferecem compensações insultuosas. Quantas vezes menores do que o subsídio de desemprego que se recebe, seja em termos absolutos seja atendendo ao custo que “ir trabalhar” necessariamente tem. E não se pense que isso se verifica apenas no trabalho pouco ou não qualificado. A escravatura moderna avança onde menos se esperaria.

      Entre uns e outros, um estado fiscalmente insaciável, verdadeiro pirata em orgia de saque, que afoga todos em obrigações infindas. Que cultiva metodicamente uma relação kafkiana com o cidadão e com as empresas, uma relação em que só por sorte (ou capacidade financeira) se não cai, o cidadão ou a empresa, na condição de faltoso. Com o cortejo de horrores que lhe está associado. Um estado que parece precisar desse pesadelo burocrático que impõe a tudo e todos, como forma de justificar a legião de “trabalhadores” que no seu seio são especialistas precisamente no conhecimento profundo de todas as disposições legais, regulamentares, convencionais que os aliviem do fardo imenso de prestar trabalho.

      Um pesadelo burocrático que em nada contribui para melhorar a condição de uns e impedir a acção deplorável (ou inevitável) de outros. Um pesadelo que existe para se alimentar a si mesmo. E uma legião absolutamente preciosa, na hora de depositar o boletim de voto.

      Terrível que seja, entre o norte e o sul há diferenças. Que em nada beneficiam o sul. E não se vê como possam mudar. Por cá gosta-se disto como está.

      Costa

    4. Nos países nórdicos não se aplicam as taxas de impostos que se aplicam aqui, para começar. Não precisam, pois não têm tanta gente a viver do estado. Depois, porque o próprio estado é muito mais pequeno. A máquina administrativa daqueles países é muito mais pequena. Depois, porque trabalho para o estado não é um direito adquirido, um emprego para a vida. Quem não cumpre, é despedido. O estado não é uma associação de beneficência.
      Outro ponto é o facto de naqueles países se praticar o princípio da amplitude mínima de salários. Isto é o princípio de que se uma empresa tiver uma amplitude máxima de x, entre o ordenado mais alto e o mais baixo, usufrui de benefícios fiscais.
      Outro exemplo é que os nórdicos privilegiam o mérito. O patrão tem benefícios ao investir na formação do empregado, caso ache que o mesmo tem capacidade para subir na hierarquia. Fazem isso até nas forças armadas, onde não existe uma escola de aristocratas como a nossa academia militar, por exemplo.
      Outro exemplo que esses países nos dão é o facto de nenhuma obra pública derrapar nas contas e das poucas vezes que derrapa, há consequências.
      Em suma, lá a culpa não morre solteira. Aqui é o que se vê.
      Como se pode ler no post original, é uma questão de mentalidades sim senhor. De patrões, empregados, estado e sindicatos.

      1. Meu caro Aldo,
        nos países nórdicos vivem todos do estado, pois todos pagam para o estado e o estado paga por todos. Mas a lei do estado é mesmo lei, até mesmo para decidir quando um residente deve deixar sua casa para ir para uma residência de idosos. E se a casa fica vazia, se não for vendida ou reverter a favor da necessidade social, o dono deixa de ser dono. A tal ponto se vive do estado que mesmo trabalhando o estado subsidia, e por vezes paga a totalidade, o conforto energético do lar.

        Penso que confunde o significado de viver do estado.

        Tanto que vivem do estado, que recentemente a Suécia, através do estado, penitenciou-se pelos erros cometidos que provocaram a morte de seus idosos nesta pandemia. E o estado não pediu responsabilidades individuais, como se faz nos estados em que se diz que se vive do estado sem nunca ter estado. Se isto não é viver do estado, então, o conceito de estado nos nórdicos anda a ser deturpado.

    5. O sistema legal e judicial português é a maior anedota da nossa sociedade. Elaborada por gente incompetente, que do alto do seu ego legisla sem consultar quem de direito.
      Somos um país com milhares, repito, milhares de leis, dec. Leis, dec. Regulamentares, circulares, etc… a justiça está como está por causa disto. Um juiz em Portugal tem de ser um génio, um sobredotado. Como não é, acabamos a bater o recorde de processos no tribunal europeu dos direitos do homem, de todos os países da ue. E com o estado a ser, invariavelmente, o arguido. Processos que se arrastam 8 e 10 anos.
      Temos uma constituição arcaica, que permite recursos em cima de recursos, que obriga a que a prova tenha de ser provada, provada de novo e outra vez provada. Temos uma burocracia brutal, onde o queixoso é quase sempre o principal penalizado.
      Uma justiça para ricos, pois os não ricos, estão feitos ao bife.
      Uma justiça onde o mp deveria ser o acusador e é uma espécie de provedor da justiça. Onde o advogado oficioso, faça muito ou nada, é pago na mesma e a maior parte nada faz.
      Um sistema judicial onde as dívidas a terceiros não são convertidas em dias de prisão. Um Salgado, até pode cumprir pena pelo crime, mas não é obrigado a devolver o que desviou… como ele todos, até aqueles com dívidas de 100 euros. Ninguém paga nada. Um empresário vive no medo dos calotes. Até vai para tribunal, o devedor até é condenado, a uma pena suspensa, normalmente, mas não paga e ninguém obriga, pois já se desfez de todos os seus bens.
      As leis são feitas por corruptos para corruptos. Exemplo do Sócrates, com a lei dos depósitos do estrangeiro… passa a lei e beneficia quem? Ele e mais alguns milionários que durante anos depauperaram o país.
      Somos dos paises que mais dinheiro mete em offshores, e a justiça vê-se manietada com um sem número de regras constitucionais e de proteção de dados e não consegue investigar.
      Quando tiverem dívidas e forem para um tribunal, vão ver a dura realidade.

      1. O pior pagador é conhecido: é o estado, a administração pública. Que não paga a tempo e horas, gozando da importância de ser tantas vezes um cliente demasiado importante para ser recusado e da autoridade impune de se ser poder. O mesmo mau pagador que rejeita sistematicamente qualquer possibilidade de encontro de contas com os seus credores. Credores mais do que uma vez levados à vergonha de não poderem comparecer a concursos públicos e à ruína por não pagarem ao estado, nos prazos este impõe e que, antes de tudo isso, lhes não pagou (lhes não paga) atempadamente.

        E a esse caloteiro, nem juros nem prisão.

        Costa

  3. se não fosse a maldita epidemia podíamos ir para a praia espairecer

    Quem nos impede de ir para a praia não é a epidemia.

    Quem nos impede de ir para a praia é o maldito governo.

    E a chuva.

  4. Aqui ao canto, a falar comigo mesmo : além da evidente “posta ao espelho” do “torrãozinho de açúcar” , quer queiramos quer não, isto remete-nos para a velha, de séculos, questão católicos vs. protestantes ( um leque bem alargado…).
    E faunas respectivas, está bem de ver…

    JSP

    1. Também me parece que a sul preferimos fazer pouco dos rigores protestantes, como se fossem coisa de gente ingénua e pouco dotada. Estamos sempre de tanga, mas temos o consolo de ser uns ‘sabidolas’.

      1. Sim, somos largamente assim. Uns verdadeiros tesos, falidos ou quase por entre empréstimos e cartões de crédito. Mas muito importantes Drs. e Engs., que deixam o saco do lixo no chão, encostado ao contentor, porque nos não rebaixamos a abrir a tampa do mesmo.

        Isso enquanto verberamos os americanos que nunca teremos noutra conta que não a de crianças grandes e estúpidas, causadoras de todos os males do mundo (o americano que não é estúpido é perfidamente mau, como bem se sabe), os alemães que só pensam em impor o Reich por outros meios, os escandinavos que são frios como o seu clima e os ingleses que não sabem cozinhar e são pedantes. Que horror de países, ainda por cima alguns com tão pouco sol…

        Haja onde abanar o capacete até às tantas, ver e ser visto, passear o copo, o relógio, a roupa de marca fina, enfim (e em breve futebol, parece; finalmente!). É que agora nem isso…

        Costa

          1. Olha o Vorph a dedicar-se à “sumamente penosa” prática de ler o que eu escrevo. Você tem recaídas, homem.

            Nem Manhattan, nem Beverly Hills. Versões contemporâneas para si, creio não errar, de Sodoma e Gomorra (aliás tudo aquilo, de costa a costa). É mais este (neste) jardim à beira mar plantado.

            Costa

          2. Engana – se. Sobre aqueles que se pavoneiam, mostrando – se, lembro – me destes, playboys, estilosos, ao modo de John “Estrumpfe”

            https://www.google.com/amp/s/www.bbc.com/news/amp/business-37491982

            Entre os que gostam de mostrar, não tendo, e os outros , que mostram, tendo, vejo esta esquisita ligação. Os que servem de “modelo”, aos “com pouco”, são os mesmos que os “roubam”, de uma forma limpa, imaculada, segundo os ditames da lei. Não me importo com os “ricos”. Salta-me a tampa quando ouço um canalha gabar-se de “conseguimentos” sanguíneos, à custa da estupidez, das pobreza, de outros, e dos abismos gigantes cavados pelas pás trituradoras da “Lei”

            Ó Costa, eu sou proprietário imobiliário, sou um porco capitalista burguês, mas isso não quer dizer que seja parvo e não veja que, pelo trabalho honesto, dificilmente se chegue a algum lado, que não a uma pobreza, digamos, remediada. E este retrato que aqui pinto não tem como modelo o “nosso” quintal. Existem exemplos de self made men? Claro, mas são usados com o propósito e de propósito para um fingimento de uma realidade pouco real. São servidos como pratos de propaganda que alimentam funcionários de ficções. Esses que penam hoje, em trabalhos, empregos, da treta, em nome de um Futuro que nunca terão. Atrever – me – ia a dizer propaganda para a propagação de homenzinhos , como o Costa. Cretinos que enquanto são f….. oferecem, educadamente, a vaselina.

          3. Vorph, eu poderia prolongar esta nossa troca de comentários debatendo a questão que você suscita. Mas você, para a ilustrar (ilustrar a sua magna descoberta de que os frutos do trabalho honesto, por si só, raríssimas vezes proporcionam mais, na melhor hipótese, do que uma “aurea mediocritas”; se de todo for áurea, ou sequer mediania), sentiu necessidade – ou genuíno gosto – de me insultar.

            Chamar cretino ao oponente, numa pública troca de pontos de vista que ainda se presume entre seres civilizados (mesmo que muito vivaz essa troca e muito afastados os pontos de vista; e no caso talvez nem o fossem), é coisa forte. No limite do aceitável, muito aceso que o debate fosse. Se é que o não passa. E nem sequer tem a graça estética de um oitocentista “V. Exa. é uma besta!”, seguido da ameaça de umas bengaladas. Dizer de mim que sou um “homenzinho” e que me sujeito com gosto a práticas sodomitas enquanto ofereço educadamente o lubrificante, isso é entrar com orgulhoso fragor pelo campo da pura má-educação, da mais desqualificadora (daquele que a ela recorre, entenda) grosseria.

            É consigo, é a sua opinião, a sua forma de estar num local como este. Define-o, Vorph. E nesse sentido foi muito útil.

            Costa

          4. O meu caro é um homem sem rasgo, medindo as palavras a esquadro. Tudo direitinho, tudo certinho, e quem ousa bufar, bradar, aqui-d´el-rei. É de passada curta, pensamento míope. Um burguesote de toga, a quem foi dada a liberalidade de uma cadeira de escritório. Representa o mal deste país! Hajam outros que ajam sem medo, ao contrário, que se levantem de conho na mão e varram este sistema de mofos.
            O Costa, permita-me , mas não sabe nada. O que se passa cá, é exibido todos os dias em telas maiores, lá fora. O problema não surge de Portugal, não é de cá. É outra vez as ideias de fora, o sistema importado, dos “States” (Bretton Woods), que hoje mais do que nunca privilegia sicofantas e práticas sodomitas.

            E depois é sempre a mesma lenga-lenga. Discute-se o sistema, e há sempre alguém que aponte ao imoderado indigesto o cominho de comunista e natural de sodoma.

            Deixemo-nos de tangas e falsas urbanidades. Eu sei que sabe, decerto, o que penso de si, do filo a que pertence, e sei, também, o que pensa do género que sou. O Costa é planta de regadio, eu sou urze e giesta.

          5. .
            (Eu respondi já a este comentário do Vorph – o das 13:12 -, mas temo tê-lo por meu erro feito perder. A ser o caso, agradeço a eliminação desta nota prévia e a publicação deste que agora envio. Se a minha anterior resposta tiver sido recebida e tiver sido publicada, agradeço que se ignore tudo isto que agora envio).

            Vorph, não e “hajam” é “haja”. Bem sei que um lapsus calami é coisa que a qualquer um acontece e não é fundamento para questionar a substância do que é escrito. Mas convém usar de algum rigor quando se pretende dar uma lição a um “burguesote de toga”. Mas como não o sou, um burguesote de toga, essa lição não me era seguramente destinada.

            Em todo o caso tenho na verdade uma cadeira. Não é de escritório, todavia, e até é mais do que uma. Não ma deram, não no sentido pejorativo que você pretende significar: paguei a minha longa formação, submeti-me a rigorosas avaliações; submeto-me ainda, regularmente, a severas avaliações. E não me convém falhar: pode dar fundamento para despedimento com justa causa. Nem, sinceramente, me convém errar, erros severos, e sobreviver. Isso não faz de mim nem herói nem mártir, claro; “faz parte”, digamos, e não falta quem possa dizer o mesmo.

            Mas, lamento, não sou um crápula, não sou o Alípio Severo de Noronha Abranhos que você quer que eu seja. Você presumiu vindicativamente, demonstrando o que para si seria uma evidência – e decerto aliviando-se de um odiózinho de estimação – qual fosse a minha profissão. E espalhou-se redondamente: até uso farda, é verdade, mas não uso toga.

            Quanto ao resto, você Vorph é um deslumbrado. Diz você que eu nada sei (enfim, não sofre você da doença da modéstia e desconsidera liminarmente quem pensa de forma diversa) e comporta-se você, afinal um verdadeiro burguesote bem instalado (o que para mim nada tem em abstracto de mal, mas para si será absoluto anátema), como uma vanguarda revolucionária. Acha-se o Conducatore, enfim. É próprio e natural de quem, pelo que aqui escreve, se acha um caudilho, como tal acima do vulgo e deste credor de inquestionada admiração e obediência, e oscila entre o estalinismo e o fascismo. Ou o outro ismo mais, digamos, wagneriano. Não são assim tão diferentes, aliás. Achando-se um salvador do mundo, você tem dias. Não é o primeiro.

            Apaixonado pelo seu umbigo, Vorph, você acha-se a urze e a giesta – pelos vistos a esfera superior do reino vegetal – e fulmina-me com a planta de regadio. Coisa, está visto, de intolerável mesquinhez. E decerto, pois que eu serei mesmo mau, regadio em latifúndio de proprietário absentista (mesmo que uma coisa e outra sejam historicamente contraditórias). Caia pois uma reforma agrária sobre mim, reservando-me até o cadafalso, como você aqui há uns tempos reclamava sobre já não sei quem e a propósito de já não sei de quê.

            Em qualquer caso, Vorph, você não deixa de ser um grande mal-educado. Um grosseiro que entende ser o bom nome de quem de si discorda, algo a espezinhar sem contemplações (se calhar por, para si, nem ser haver aí bom nome a respeitar). Um deslumbrado, um estalinista, um fascista, um… enfim.

            Costa

          6. Rotunda tirada, Vorph, esta sua. Vácua de conteúdo, banal em absoluto, mas, digamos, dá para tudo.

            Ficamos por aqui?

            Costa

      1. Com toda a justiça que merece.
        Escreve muito bem e explicita-se primorosamente num elegante descritivo claro e transparente.
        Além disso é senhora de um requintado gosto musical.

        Uma excelente semana

  5. Holandeses e noruegueses, quando quiserem vir passar férias à “velha” Europa, só o qualificativo é significativo, que paguem, e que paguem a peso de ouro, que é para que aprendam que têm muito a perder quando roem a corda aos países do sul. Estamos a brincar ou quê? Sempre o o mesmo paternalismo, e sempre os vasconcelos do costume, a minar por dentro, como se tivéssemos de pedir desculpa aos “virtuosos” do norte.. Metam os vossos costumes por aquele sítio onde não há sol e os holandeses não perdem por esperar, mais dia menos dia, com o aquecimento global, estando eles abaixo do nível do mar, não haverá offshores que os safem e bem o o merecem.

    1. O holandês planador já se arrependeu, por isso não lhe vamos rogar pragas de afogamento.
      Só uma gripe mais contundente devido aos pés molhados.

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