Os comentários da semana


Pedro Correia,

«O vírus mata todos os que puder levar, independentemente do credo político, religioso, da raça e do sexo, não estando eu bem certo quanto a estes últimos dois, existindo estatísticas que mostram o contrário. Mas adiante.

O vírus é essencialmente democrático. Não discrimina os que contagia e mata aqueles que tiver oportunidade. Tal como aconteceu com a gripe espanhola, a peste bubónica, a peste negra e tantas outras pestes e pandemias. É o pleno da democracia, unicamente ofuscado pela diversidade genética e pelo facto de nós sermos nós e as nossas circunstâncias.

O vírus mata comunistas, fascistas, ditadores, republicanos, democratas, monárquicos, muçulmanos, cristãos, budistas, judeus, nacionalistas, revolucionários, negros, brancos, vermelhos, amarelos, xenófobos, islamofóbicos, misandríacos, misóginos, ateus, agnósticos, sensatos, irascíveis, simpáticos, inteligentes, estúpidos, figuras conhecidas, pessoas anónimas, ricos, pobres e remediados. E de todos os géneros da “construção social” sistematicamente arrasada pela Biologia.

Mata os que pode e, quanto mais mata, com menor probabilidade de “sobreviver” e de infectar fica. Por isso o vírus, para além de democrata, é estúpido.

Assim como são estúpidas todas as reacções motivadas pelo pânico, pelo medo do desconhecido, pelo stress a que toda a mudança de paradigma obriga, desde que não fundamentada em sólidas bases científicas. Mas esta é a condição humana, espelhada com o destaque habitual nos meios de comunicação e na actuação da generalidade dos governos europeus. Nada de novo, portanto.

Que a “cura” que nos foi imposta se pode vir a revelar pior do que a doença, disso não tenho dúvidas. Que há que aplanar a curva de infectados em função do tempo, para evitar o colapso dos sistemas de saúde, também não me restam dúvidas. Que não se pode parar a actividade económica sem que haja consequências, não há quaisquer dúvidas, basta olhar para o aumento da taxa de mortalidade entre 2009 e 2015.

Entre outros factos ridículos, destaco a inexistência de estimativas, mesmo que grosseiras, do número de vítimas indirectas que a crise económica já instalada irá provocar, por contraposição à multitude de modelos epidemiológicos existente. Até parece que as crises económicas não conduzem a aumentos da taxa de mortalidade.

E não me venham dizer que estou a pretender trocar vidas por euros. Não é verdade. Apenas gostava de poder equacionar óbitos com óbitos, sem ter em conta os custos. Para depois poder equacionar óbitos com óbitos e respectivos custos.

PS – Pelo que tenho conhecimento, já há pessoas a passar fome, devido à paragem forçada da economia que as levou a ficarem sem receita mensal. Entretanto, do outro lado do mundo, em Taiwan e na Coreia do Sul, a vida tem decorrido com a normalidade possível, os restaurantes têm estado sempre abertos e não houve necessidade de quarentenas cegas investidas na qualidade de comissões liquidatárias da economia que nos resta. Ridículo.»

 

Do nosso leitor Elvimonte. A propósito deste texto do José Meireles Graça.

 

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«Muito antes da pandemia já trabalhava a partir de casa (três dias em casa e dois dias no escritório). Tenho a sorte de trabalhar numa empresa que não vê o trabalho a partir de casa como um bicho de sete cabeças e que até me incentivou quando propus este modelo por razões pessoais (passei de uma cidade a 50 quilómetros de Lisboa para uma aldeia a 140 quilómetros). A minha vida melhorou substancialmente, com muito mais tempo para os miúdos.

No meu círculo de amigos tenho alguns que se queixavam (isto antes do Covid) que não tinham tempo para os filhos, por causa do trabalho. Que os deixavam na escola às 7h e iam busca-los às 19h.

Trabalham todos em Lisboa, mas são naturais de várias zonas do país (Alentejo, Oeste, Beira Alta, entre outras), o que me levou a dizer-lhes muitas vezes para voltarem para as terras, mantendo os mesmos trabalhos, propondo à empresa para trabalharem a partir de casa (todos temos trabalhos que podemos trabalhar a partir de casa, basta um computador). As respostas eram “Achas que a minha empresa concordaria?”, “Passada uma semana despediam-me”, entre outras. Agora todos estão em casa a trabalhar remotamente e a produtividade não diminuiu.

Agora já pensam de maneira diferente e alguns ponderam mesmo abordar os responsáveis para trabalharem remotamente.

Obviamente que esta situação é crítica e anormal, mas não deixa de ser oportuna para se pensar em como podemos melhorar a nossa vida no pós-Covid. E o trabalho a partir de casa irá com certeza tornar-se uma realidade. Os gestores das empresas julgo não terem desculpas para não aceitarem este modelo como uma mais-valia garantindo assim o equilíbrio trabalho-vida pessoal que tanta gente apregoa.»

 

Do nosso leitor Trigueiros. A propósito deste meu postal.

40 comentários em “Os comentários da semana”

  1. Pensava inicialmente que este período iria mudar muitas mentalidades sobre o teletrabalho, mas o facto de muitos trabalhadores também terem os filhos em telestudo afetou claramente a produtividade destes.

  2. Gostaria de lembrar ao leitor Elvimonte que a vida na Coreia do Sul tem decorrido com a normalidade possível (restaurantes abertos, etc.) graças à muito contestada «”geolocalização de contágios” por aplicação em telemóvel».

    1. Sim. Para além do uso generalizado de máscaras em recintos públicos fechados, para além da medição de temperatura à entrada de qualquer estabelacimento, não entrando os febris, para além da disponibilização de desinfectantes em todos os estabelecimentos e muito para além da estupidez do vírus e das reacções também estúpidas por ele provocadas, com o pânico, o ficar bem na foto, o seguidismo acrítico, ignorante e quase sempre atrasado e as míticas ilhas de votos a dominarem a racionalidade.

      Concordo.

  3. O teletrabalho obriga a um investimento (estrutura, e cuidados redobrados de segurança) que muitas empresas não vêem como prioritário, e assenta numa relação de confiança entre empregador e empregado que ainda não existe na totalidade.
    Exige também uma auto-disciplina que, convenhamos, é mais fácil com a idade e com um acréscimo de responsabilidade, tal como filhos.
    A empresa onde actualmente trabalho era contra teletrabalho, por razões que não são agora relevantes. Em 3 dias foram obrigados a colocar praticamente 100% da sua força de trabalho em casa. Não correu (corre) propriamente bem… também porque o processo nunca foi prioritário.
    Trabalhando a 100km de casa (também poderíamos falar sobre política de transportes…), o tele-trabalho (que hoje não é o ideal devido às questão das escolas) permita-me um aumento na qualidade de vida, e até no desempenho, pois é menos cansativo. Sinceramente, duvido que aprendamos algo, só se for mesmo por medo é que o trabalho remoto se impõe.

    1. Onde trabalho o fenómeno foi semelhante, e por isso é natural que a empresa não vislumbre o beneficio imediato do medida. Depois o teletrabalho aumenta de forma substancial o risco de ataques informáticos, em março registou-se um acréscimo anormal de ataques com custos enormes para as empresas.

  4. O vírus, nas suas entrelinhas, está longe de ser democrático.

    Atinge mais uns que outros. Os mais velhos. Os mais pobres.

    Como qualquer peste.

    Recordemos as vezes que Évora foi capital do Reino em consequência das pragas de Lisboa.

    Também eu conheço uns que estão nas Quintas do Douro em reclusão, desde Março. E outros que estão reclusos de um emprego de nada, não podendo fazer mais nada.

    Não. O vírus não é democrático.

    1. “O vírus, nas suas entrelinhas, está longe de ser democrático.” Isto só pode ser entendido em sentido metafórico e mesmo assim é difícil dar-lhe um significado preciso (E eu tenho a mania da precisão matemática). Democracia é um conceito que só se aplica a humanos. E faz-me lembrar os direitos dois animais (será que têm deveres?) e uma frase hoje muito comum “o meu cão é muito feliz”. Que significa, para um cão, feliz? O mesmo que para nós? Outra dos defensores dos animais é serem contra os animais em circos e zoológicos. Já li: os animais selvagens precisam de liberdade, não são felizes presos. Lembrei-me logo dos herbívoros e das torturas, brutais e horrorosas só de ver, que os carnívoros lhes infligem. Ora se eu fosse gazela preferiria estar no zoológico com alimentação fácil e sem carnívoros. Que pensarão disto os herbívoros? Será que eles votariam no PAN?

      1. “Democracia é um conceito que só se aplica a humanos”

        E?

        “E faz-me lembrar os direitos dos animais (será que têm deveres?)”

        Um feto ou um lactante têm deveres?

        “Que significa, para um cão, feliz?”

        Tem algum cão? Eu sei quando o meu está feliz e quando está assustado. Quando está feliz a sua expressão facial muda, o seu comportamento também. Quando está assustado também. E sendo o meu cão surdo aprendeu a ler-me na cara a expressão de zangado (fica longe) e a de feliz (pede brincadeira).

        O Homem desde que inventou a ciência, matou deus. Somos nós que julgamos o certo e o errado e deixámos de ver no que existe naturalmente uma fatalidade ou um critério de que deve continuar a existir. – leia Falácia Natural

        “E com a cultura fez-se Luz e o Homem, libertou – se da indiferença dos deuses”

        Génesis, 666

        Adenda :

        Já falamos sobre esta temática várias vezes. Não me vou alongar mais.

        1. “Eu sei quando o meu está feliz e quando está assustado”
          Pensa que sabe. Durante milhares de anos todos os homens pensavam (via-se claramente visto) que o sol andava à roda da Terra.
          “Quando está feliz a sua expressão facial muda,”
          Eu sou o centro, se o cão tem uma expressão parecida comigo (salvo seja) sente como eu.

          1. “Quando está feliz a sua expressão facial muda,”
            Eu sou o centro, se o cão tem uma expressão parecida comigo (salvo seja) sente como eu.

            Errado. Eu sou excêntrico. Se eu tenho uma expressão parecida com a dos outros devo sentir como eles.

            Estás enferrujado, lucklucky

    2. Artigo enésimo da CRP:

      “Não serão discriminadas pessoas em função do credo religioso, do credo ideológico-partidário, da raça e do sexo”.

      Pelo menos, a ideia expressa é essa, tal como aquilo que escrevo:

      “O vírus (…). Não discrimina os que contagia e mata aqueles que tiver oportunidade.”

      No restante, como diria aquele médico que foi responsável da transplantação hepática no Curry Cabral e cujo nome não me ocorre agora:

      “A vida é uma doença sexualmente transmissível cujo prognóstico é sempre fatal.”

      Mais uma nota. Existem estatísticas dos óbitos distribuídos por faixas etárias e patologias antecedentes (Itália, Espanha, UK, EUA, etc.) que mostram claramente que são os mais vulneráveis – em termos de saúde – os mais atingidos.

      Mostre-me números a comprovar que são os mais pobres que estão a ser mais atingidos, que eu mostro-lhe números relativos a pessoas sem abrigo nos EUA a contradizê-lo.

      1. “Mostre-me números a comprovar que são os mais pobres que estão a ser mais atingidos”

        Obrigado pela pergunta, mas é de tal maneira óbvia a relação existente entre pobreza / “income”/índices de saúde , que não me sinto obrigado a pormenorizar, com números, ou gráficos, e colunas, uma realidade por demais evidente.

        Cumprimentos

        PS: veja qual o grupo populacional mais atingido pela covid, nos EUA. Veja qual o segmento racial, étnico, “whatever”, que constitui, maioritariamente, as classes económicas mais baixas nos EUA.

        1. Já notei que prefere as palavras aos números. Como não apresenta números, respondo-lhe também com palavras, nomeadamente citações de publicações científicas.

          “Melanin has photoprotective action and protects the skin from harmful effects of ultraviolet radiations. High melanin level inhibits the production of vitamin D in the skin.”

          “Melanin, which causes skin pigmentation, lowers the skin’s ability to make vitamin D in response to sunlight exposure. Some studies show that older adults with darker skin are at high risk of vitamin D deficiency.”

          “There have been multiple cross-sectional studies associating lower levels of vitamin D with increased infection. One report studied almost 19,000 subjects between 1988 and 1994. Individuals with lower vitamin D levels (<30 ng/ml) were more likely to self-report a recent upper respiratory tract infection than those with sufficient levels, even after adjusting for variables including season, age, gender, body mass and race[8].”

          “Results of studies looking at potential benefits of administering vitamin D to decrease infection have not been consistent, most likely secondary to a number of methodologic concerns[14]. One recent well-designed prospective, double blind placebo study using an objective outcome, nasopharyngeal swab culture (and not self report), and a therapeutic dose of vitamin D showed that vitamin D administration resulted in a statistically significant (42%) decrease in the incidence of influenza infection[15].”

          “The beneficial effects of vitamin D on protective immunity are due in part to its effects on the innate immune system.”

          “Vitamin D has numerous effects on cells within the immune system. It inhibits B cell proliferation and blocks B cell differentiation and immunoglobulin secretion[31-32]. Vitamin D additionally suppresses T cell proliferation[33] and results in a shift from a Th1 to a Th2 phenotype[34-35]. Furthermore, it affects T cell maturation with a skewing away from the inflammatory Th17 phenotype[36-37] and facilitates the induction of T regulatory cells[38-41]. These effects result in decreased production of inflammatory cytokines (IL-17, IL-21) with increased production of anti-inflammatory cytokines such as IL-10 (Figure 1A). Vitamin D also has effects on monocytes and dendritic cells (DCs). It inhibits monocyte production of inflammatory cytokines such as IL-1, IL-6, IL-8, IL-12 and TNFα[42]. It additionally inhibits DC differentiation and maturation with preservation of an immature phenotype as evidenced by a decreased expression of MHC class II molecules, co-stimulatory molecules and IL12[43-45] (Figure 1B).”

          PS: Em face do que transcrevo acima, “veja qual o grupo populacional mais atingido pela covid, nos EUA”. Veja qual o segmento racial, étnico,” que apresentará menores concentrações de vitamina D e tire conclusões fundamentadas na ciência.

          1. Ó Elvas, compare a prevalência de factores de risco como subnutrição, obesidade, diabetes entre os sectores da população mais vulneráveis e os mais previligiados.

            Sobre:

            “Melanin has photoprotective action and protects the skin from harmful effects of ultraviolet radiation”

            Veja se gosta:

            Conclusions: Our findings suggest that patients with vitiligo have a decreased risk of both melanoma and NMSC.

            https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23136900/

            Pesquise na Wikipedia o que é vitiligo.

            Quanto ao resto não li pois o Elvimonte, para mim, passa a valer zero, quando afirma não haver uma relação entre pobreza/ saúde /doença. Existem “n” estudos sobre o assunto. Mas mesmo que não houvesse é de tal maneira óbvia a sua correlação e causalidade que só alguém, “burro”, ou muito “distraído” poderia sugerir que tais variáveis não se inter-relacionam.

            https://www.worldbank.org/en/topic/health/brief/poverty-health

            https://www.google.com/amp/s/api.nationalgeographic.com/distribution/public/amp/history/2020/04/coronavirus-disproportionately-impacts-african-americans

            Adenda :

            Quanto à falta de vitamina D ela é pandémica entre a população branca (a maioria não apanha sol suficiente ou faz medicação que interfere com o metabolismo /síntese da vitamina D).

            https://www.aqualab.pt/medicos/noticias/detalhe/deficiencia-de-vitamina-d-e-uma-verdadeira-epidemia_8264

            É pá você é mesmo chato. Desampare-me o tasco.

          2. Quem é o Elvas?

            Desmentido

            É falso que algumas vez tenha escrito “não haver uma relação entre pobreza/ saúde /doença”.

            O que os artigos científicos que citei colocam em evidência, quase universalmente reconhecida, é a relação entre melanina e produção de vitamina D e a relação entre concentração desta vitamina e o funcionamento do sistema imunitário. Nada mais.

            Todavia, no que se refere a esta pandemia, de cerca de 170 sem-abrigo nova-iorquinos recolhidos num centro de acolhimento, todos testaram positivo ao vírus, apenas um deles teve necessidade de ser hospitalizado e acabou por falecer (fonte algures, é só procurar).

            PS – Para além de um suplemento de vitamina D, que aumenta as defesas imunitárias, tome também magnésio, chá de tília, beta-bloqueantes e umas boas doses de civismo. Ao Zé da Esquina desculpam-se o “burro” e outros epítetos. A si não.

  5. Vírus democrático? É tudo menos isso. Quando daqui uns meses se cruzarem as estatísticas com os estratos sócio-económico-etários das vítimas esse disparate ficará à vista de todos.

    1. Artigo enésimo da CRP:

      “Não serão discriminadas pessoas em função do credo religioso, do credo ideológico-partidário, da raça e do sexo”.

      Pelo menos, a ideia expressa é essa, tal como aquilo que escrevo:

      “O vírus (…). Não discrimina os que contagia e mata aqueles que tiver oportunidade.”

      Permito-me introduzir uma pequena correcção à sua última frase, que ficaria assim:

      “Quando daqui uns meses se cruzarem as estatísticas com os estratos sócio-económico-etários das vítimas, incluindo aquelas que a crise económica já instalada vai provocar, esse disparate da paragem forçada da economia ficará à vista de todos.”

      Assim concordo.

  6. É, o vírus é democrático, é inteligente, é uma praga divina, é liberal, é um pesadelo estatístico, é o motivo para a publicação de um acervo de disparates.

    Afinal o que é que podia sair do cruzamento de um morcego com um pangolim? Um político socialista? Não, um vírus democrático!

    Sorte madrasta. Se calhar foi o Batman, o cruzado capado.

    José de Bêtum

    1. “Afinal o que é que podia sair do cruzamento de um morcego com um pangolim?”

      O pressuposto dessa afirmação carece de comprovação científica. Para além do mais, até “o maior especialista chinês em coranavírus”, em entrevista à Science reproduzida no Observador sob os seguintes título e link:

      «Maior especialista em coronavírus da China: “Grande erro da Europa é não usarem máscaras”»

      https://observador.pt/2020/03/31/maior-especialista-em-coronavirus-na-china-grande-erro-da-europa-e-nao-usarem-mascaras/ ,

      coloca em causa que a origem do vírus tenha sido o “wet market” de Wuhan. Algo de que já se duvidava há muito tempo e que tem implicações. Nomeadamente sobre a segurança do laboratório SL4 do Instituto de Virologia de Wuhan, que já vinha a ser posta em causa desde 2017, salvo erro.

      Somando a isto a resposta inicial chinesa (espero que isto não seja considerado xenofobia) de tentar “meter o lixo debaixo do tapete” e a subsequente tomada de controlo do Instituto de Virologia de Wuhan pelo exécito chinês, ficam imensas dúvidas a pairar no ar.

  7. Boa tarde.
    Respeito sempre a opinião de outrem, quer concorde, quer discorde.
    Isto dito, o vírus será tudo menos democrático, atinge os mais fragilizados, os mais desamparados na sociedade.
    António Cabral

    1. As opiniões e o direito inalianável de as exprimir merecem todo o meu respeito.

      Concordo, de um certo ponto de vista, com a sua afirmação de que “o vírus será tudo menos democrático, atinge os mais fragilizados, os mais desamparados na sociedade.”

      Porém, posso garantir-lhe que a morte “normal” faz mais ou menos o mesmo, genericamente: mata os que pode em determinado momento. E esses são os mais vulneráveis, ou pelo facto de serem idosos, ou pelo facto de terem patologias antecedentes, ou em conjunção dos dois.

      Não existem, tanto quanto é do meu conhecimento, números que mostrem algo de diferente. Até lhe posso mostrar números relativos a uma população de cerca de 170 sem-abrigo nova-iorquinos, todos testados positivos e em que apenas um foi hospitalizado e acabou por falecer.

      Já no que se refere às vítimas provocadas por crises económicas, concordo inteiramente consigo: “atinge os mais fragilizados, os mais desamparados na sociedade.”

  8. O vírus é democrático e ataca qualquer um.
    A capacidade de defesa é que é diferente.

    Em Portugal a fatalidade (já bateu a mortalidade) centra-se nos idosos, nomeadamente em lares. Seria igual se os nossos velhos não estivessem à partida confinados a esses espaços?
    Parece claro que uma consequência imediata será a abolição de eventos com alta densidade de pessoas, os concertos, ginásios apinhados, jogos de futebol; estabelecimentos comerciais e não só terão a sua lotação reduzida. Mas, e os lares, prisões, por exemplo? Como vão os países adequar essas instituições aos novos tempos?
    E transportes e escolas, os comboios e metros cheios, e as turmas sobrelotadas
    Este é o tipo de questões que gostaria de ver respondidas naquele plenário de ontem.

    1. Vou seguir uma regra de uma das minhas “ex-casas”. A regra era implícita e aceite por todos, voluntariamente.

      Durante a realização de reuniões em que se iam discutir assuntos de incidência pessoal (propostas, factos, etc.) sujeitos a votação, o visado, no início do período de discussão, fazia uma síntese do assunto em palavras curtas, abandonava a sala e só voltava depois de terminada a votação.

      Neste caso, prescindo da “síntese em palavras curtas” e limito-me a abandonar a sala. Depois de terminada a votação façam o favor de me avisar.

  9. Elvimonte, há um paradigma que este vírus não pode originar. E este paradigma chama-se direito, liberdades e garantias.

    De forma sucinta, o artº 19 da Constituição diz-nos:

    Suspensão do exercício de direitos

    1. Os órgãos de soberania não podem, conjunta ou separadamente, suspender o exercício dos direitos, liberdades e garantias, salvo em caso de estado de sítio ou de estado de emergência, declarados na forma prevista na Constituição.

    2. O estado de sítio ou o estado de emergência só podem ser declarados, no todo ou em parte do território nacional, nos casos de agressão efetiva ou iminente por forças estrangeiras, de grave ameaça ou perturbação da ordem constitucional democrática ou de calamidade pública.

    3. O estado de emergência é declarado quando os pressupostos referidos no número anterior se revistam de menor gravidade e apenas pode determinar a suspensão de alguns dos direitos, liberdades e garantias suscetíveis de serem suspensos.

    4. A opção pelo estado de sítio ou pelo estado de emergência, bem como as respetivas declaração e execução, devem respeitar o princípio da proporcionalidade e limitar-se, nomeadamente quanto às suas extensão e duração e aos meios utilizados, ao estritamente necessário ao pronto restabelecimento da normalidade constitucional.

    5. A declaração do estado de sítio ou do estado de emergência é adequadamente fundamentada e contém a especificação dos direitos, liberdades e garantias cujo exercício fica suspenso, não podendo o estado declarado ter duração superior a quinze dias, ou à duração fixada por lei quando em consequência de declaração de guerra, sem prejuízo de eventuais renovações, com salvaguarda dos mesmos limites.

    6. A declaração do estado de sítio ou do estado de emergência em nenhum caso pode afetar os direitos à vida, à integridade pessoal, à identidade pessoal, à capacidade civil e à cidadania, a não retroatividade da lei criminal, o direito de defesa dos arguidos e a liberdade de consciência e de religião.

    7. A declaração do estado de sítio ou do estado de emergência só pode alterar a normalidade constitucional nos termos previstos na Constituição e na lei, não podendo nomeadamente afetar a aplicação das regras constitucionais relativas à competência e ao funcionamento dos órgãos de soberania e de governo próprio das regiões autónomas ou os direitos e imunidades dos respetivos titulares.

    8. A declaração do estado de sítio ou do estado de emergência confere às autoridades competência para tomarem as providências necessárias e adequadas ao pronto restabelecimento da normalidade constitucional.

    Porém, o nr. 8 é claro na atribuição conferida, isto é: “ao pronto restabelecimento da normalidade constiyucional”.

    Assim, o estado de emergência não pode conferir ao estado poderes para delegar em outros a responsabilidade que compete às autoridades nacionais e, assim, (des)respeitar a privacidade dos cidadãos.
    Pretendo com isto referir que o estado não pode e não deve delegar nas empresas a atribuição e o direito de monitorar a temperatura dos trabalhadores e cidadãos.
    A possibilidade de monitorar a temperatura quando muito dirá respeito ás diversas ARS do país que, juntamente com os delegados de Saúde e com a autorização expressa dos trabalhadores em articulação com o médico de família, as deve efectuar.
    Assim é uma falácia o que se pretende fazer passar quer ao nível dos restaurantes, controlando temperatura de clientes e trabalhadores, quer ao nível de qualquer outro sector empresarial.

    Pretendo com isto dizer que o estado não pode delegar a responsabilidade da privacidade dos cidadãos de forma arbitrária e sem que as autoridades nacionais de saúde intervenham.

    Importa ainda deixar aqui uma ligação para que todos possam conhecer o que cessa em termos de direitos, liberdades e garantias, mas também o que não deve cessar:

    http://legislacao.mai-gov.info/v/comum/regime-do-estado-de-sitio-e-do-estado-de-emergencia/

    1. Os resultados de décadas de fake news vindas do jornalismo europeu e ocidental dá nisto.

      A sociedade que mais se auto elogia com o “estado social” sem capacidade alguma para lidar sequer com uma emergência.

      Incapazes de pensar independentes do sistema, investidos nas narrativas políticas que lhes dão protagonismo, sem contacto com o que quer que seja real. Mas muito respeitinho pelas credenciais de um sistema universitário corrompido, naturalmente cheio de erros porque é essa a condição humana.
      .
      Veja-se a reacção dos “especialistas” das “entidades” da “informação” às máscaras.

      lucklucky

    2. Caro Vento a mim já me avaliam a temperatura sempre que vou trabalhar vai para dois meses, não só a mim mas também a todos os outros trabalhadores da fábrica e obviamente a todos os visitantes e sub-contractados. Durante o 1º mês e meio, em alguns dias estava em hipotermia, noutros estava morto, desde há quinze dias voltei a estar vivo.

      WW

      1. Lucky e WW,

        a medição da temperatura é uma falácia que nada mais demonstra a ineficácia de um sistema e de um estado que há muito se demitiu da responsabilidade.
        Por outro lado, uma temperatura elevada pode dizer respeito a muitas situações, incluindo situações de alergia – muito típicas no Inverno e Primavera -, que nada têm que ver com a merda do bichinho, que está aí para revelar a estupidez das instituições que dizem reger o país.

        Só o médico, particular ou público, está em condições de discernir sobre o estado do(s) paciente(s).
        Não obstante, nem mesmo o médico está autorizado a revelar matéria que diz respeito à privacidade do paciente, pois a prerrogativa da privacidade diz respeito aos pacientes ou utentes e não a uma instituição ou médico.
        Assim, o médico só pode dizer se o paciente está apto ou não para trabalhar.

        WW, o que eles fazem é uma violação do seu direito, que não cessa mesmo em situação do estado de emergência.

        Ao governo e às instituições públicas: trabalhem e trabalhem com a cabeça. E com a cabeça trabalhem bem para evitar trabalhar muito. Pois é uma lógica da batata esta que rege a cultura nacional de trabalhar muito. Pois, mas trabalha-se muito porque se trabalha muito mal e sem organização no topo da pirâmide. É aqui que reside a baixa produtividade do sector público e privado. São uns marialvas.

        1. Vento o que revelei, serve apenas para pôr a nu da falácia dos direitos liberdades e garantias e que como na empresa mudaram de termómetros voltei a estar vivo.
          Que S. Jorge esteja por nós !

          WW

          1. É verdade, WW. Mas o Costinha julga-se a lei e a constituição e pode ser que se dê mal.
            Abraço

    3. Gostaria de lhe responder com tempo, porque o merece. Não dispondo dele, irei ser breve.

      Começo por referir que, nos últimos 110 anos, já rasgámos três constituições. Trata-se de um facto e tem múltiplas implicações ao nível do direito e da legitimidade, nomeadamente da nossa actual CRP.

      A medição de temperatura, enquadrada na estratégia de diminuição da propagação do vírus, nem será assim tão relevante, quando comparada com a obrigatoriedade do uso máscara em recintos fechados, públicos ou acessíveis ao público.

      Temos ainda que pensar na incerteza associada à medição e naquilo que de facto se pretende medir. Instrumentos calibrados? Medição por infra-vermelhos? Medição por contacto? Onde? Na cabeça, nas mãos, nos ouvidos, na boca, no sovaco ou rectal? Meça como medir, todos os pontos anteriores conduzem a valores diferentes, na mesma pessoa, no mesmo instante. Qual o valor a utilizar e qual a incerteza associada a esse valor?

      Recordo-me que os scanners usados nos aeroportos serão muito mais invasivos da privacidade. Porque não medir também a temperatura, desde que o valor medido seja representativo daquilo que se pretende medir, a incerteza associada seja conhecida e isso sirva o propósito do bem comum, sem grandes transtornos para o cidadão?

      1. Pois é, temos 2 temas: os direitos, liberdades e garantias e a questão da saúde pública.
        Ambas as questões se interligam. E o que subjaz em meu comentário é exactamente o estado comportar-se como marialva; e ao invés de reunir as diferentes ars, que se encontram vincadas pelas regiões do país, juntamente com os delegados de saúde e os médicos de família exactamente para testar os trabalhadores e criar um “perímetro” de segurança para estes e suas famílias, consequentemente, para outros cidadãos, salvaguardando seus dados, opta por fingir que o sector empresarial está bem e salvaguarda com umas medições de temperatura, um paliativo, a saúde destes.

        Eu pensava que o governo e as autoridades de saúde tinham aprendido alguma coisa com o que se conhece em torno do vírus. Mas parece que não. Para estes a actividade económica avança custe a quem custar e, uma vez mais, demarcando-se de suas responsabilidades.

        Quanto aos aeroportos e voos: Só devia viajar quem apresentasse um certificado de teste ao bichinho com registos do teste nas últimas 48 Horas em laboratórios certificados pelas autoridades sanitárias. Este aplicar-se-ia para quem entra e quem sai. É sabido que os aviões apresentam um risco agravado de contágio. Assim, só entra em Portugal quem tiver teste e só viaja quem fizer o teste.

        Salazar trabalhava muito melhor no que respeitava à tuberculose, até carrinhas em ambulatório se deslocavam a escolas e liceus para fazer a chapa. E os delegados de saúde, médicos e enfermeiros acompanhavam a monitorização dos exames. Mas também trabalhava bem na exigência do certificado de vacinas conter os registos de vacinações que eram importantes: febre amarela… E ninguém viajava sem elas.

        1. Para concluir esta minha opinião, vou ali acima a um post do Pedro Correia deixar minha opinião sobre o que devia ser activado e como se devia trabalhar.

          Se estiverem interessados, sigam o post delesobre o “estado de emergência” e “estado de calamidade”.

        2. Vento tem toda a razão, eu ainda sou do tempo em que era necessário ter o boletim de vacinas em dia para as matrículas e era um stress na altura ter de ir ao médico ver se aquele livrinho tinha tudo em “ordem”.
          Salazar criou no seu tempo sanatórios e ainda não havia SNS mas talvez tenha sido para dinamizar economicamente a zona onde nasceu…
          Este pessoal de agora anda a brincar com a saúde e segurança da população e pensam que o bichinho já está controlado pois eu digo o contrário, isto foi só uma amostra.
          Vem aí a “época” de incêndios (que já começaram, os amarelinhos já andam a voar) e eu quero ver quem nos vai valer…
          Um Abraço

          WW

  10. Boa noite , em Espanha as crianças estiveram 42 dias sem poder vir á rua .
    Como é possível aceitar um situação assim ?

    Luis Almeida

    1. Olha, agora que elas foram autorizadas a sair à rua, houve montes de espanhóis a queixarem-se de que era uma vergonha tantas crianças andarem na rua tão perto umas das outras, e que era um escândalo que as crianças tivessem ido à praia, etc. Pelos vistos há muitos espanhóis que acham muito bem que as crianças (dos outros, claro) fiquem presas em casa.

  11. Sorte Deles – Azar dos Outros

    19 de Abril de 2020 – Ficamos a saber que existem espalhados por “Hosteis” (nome pomposo baptizado pelos progressistas às antigas pensões), cerca de 1.000 jovens “refugiados”, afro muçulmanos, requerentes de nacionalidade portuguesa.
    Ficamos a saber ainda que estes jovens, só machos, robustos, pujantes, bem tratados são “refugiados” das “terríveis guerras” entre o Egipto e a Costa do Marfim e “tenebrosos conflitos” entre o Burkina Farso e a Eritreia. E que são transportados aos magotes, através de milhares de Kilómetros, pelas ONG’s esquerdistas e recebidos com estrondo pelos governos socialistas de alguns países ocidentais, na efectivação do Plano Kalergi, que mais não visa que a destruição da Europa e da civilização branca ocidental.
    20 de Abril de 2020 – Ficamos a saber que, num desses “hosteis”, situado na Rua Morais Soares, zona multicultural lisboeta, gaudio dos iluminados e superiores pensantes da nossa praça, viviam e eram sustentados com os impostos dos portugueses, cerca de 200 jovens “refugiados”, surgiu um infectado com o Virus Chinês.
    Alarme nas hostes. Impacto monumental. Zona interdita, dezenas de ambulâncias da Cruz Vermelha, Inem, Bombeiros, e 112. Policia. Protecção civil. Pessoal médico. Paramédico. Enfermeiros. Auxiliares. Radios, jornais e emissões em directo nas Televisões. De imediato testes de despistagem a todos os 200 jovens “refugiados”. Sorte a deles não serem velhos portugueses utentes de Lares de Idosos.
    Ao fim de 3 horas resultados céleres dos testes. Afinal não era um, mas 138 positivos. De imediato tudo evacuado e separado com pompa e circunstância com a supervisão dos mais altos dignatários da Camara Municipal de Lisboa. Uns para a Mesquita de Lisboa. Outros para pousadas da juventude. Sorte a deles não serem velhos portugueses utentes de Lares de Idosos
    Às janelas de uma das pousadas, na Rua Andrade Corvo, era vê-los em directo nas varandas, garbosos e aprumados, falando aos telemoveis e de auscultadores na cabeça, para gaudio das jornalistas das Televisões, deslumbradas e impressionadas com porte gracioso e esbelto dos jovens “refugiados”. Sorte a deles não serem velhos portugueses utentes de Lares de Idosos.
    Decisões rápidas à quase velocidade do som. Requisição da Base Aérea da Ota. Todos os 138 infectados são mudados para a base, rapidamente e em força. Base preparada com todos os requisitos médico sanitários e de logística, para receber as importantes personagens de jovens “refugiados”. Sorte a deles não serem velhos portugueses utentes de Lares de Idosos.
    Emissões em directo nas televisões a acompanhar as viaturas de transporte dos jovens “refugiados” de Lisboa para a Ota, onde foram recebidos pelos Majores e Coroneis. Sorte a deles não serem velhos portugueses utentes de Lares de Idosos.´

    Recebido o texto via mail

    A.Vieira

    21 de Abril – Já se sabia dos tristes acontecimentos que tiveram lugar no Lar Nossa Senhora das Dores em Vila Real em que dezenas de portugueses idosos, abandonados pelo SNS, esperaram vários dias por testes e para serem evacuados, com o Vírus Chinês à solta entre os utentes e funcionários, sempre em convívio directo com a morte.
    Soube-se agora que em Gaia dezenas de utentes de lares estiveram 3 dias à espera de testes do SNS e que os mesmos só tiveram lugar com a intervenção directa da Camara Municipal da cidade. Os resultados do SNS chegaram ao fim de 5 dias. A morte chegou antes.

  12. Eu acho muito bem o teletrabalho, mas somente se essa fôr a vontade tanto do trabalhador como do empregador.

    No teletrabalho o trabalhador subsidia o empregador: dá-lhe um espaço de trabalho, e fornece-lhe a eletricidade, os consumíveis, a ligação à internet, e os serviços de limpeza e de segurança que normalmente o empregador teria que pagar do seu bolso. Ora, o trabalhador não tem nada que ser obrigado a fornecer isso ao seu empregador. Eu não tenho nada que ter que adquirir uma casa maior para poder ter em casa um gabinete no qual possa trabalhar para o meu patrão.

    É claro que, para um teletrabalhador que mora na província, onde as casas são maiores, isso poderá não ser problema nenhum, mas para um teletrabalhador em Lisboa, é.

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