Um dos melhores textos que tenho lido desde que isto começou


Pedro Correia,

 

«Acabei de ler mais um daqueles textos virais nas redes sociais que juntam na mesma frase palavras como “covid-19” e “gratidão” e confesso que estou, neste exacto momento, a martelar em fúria as teclas do computador. Já dei dezenas de voltas à cabeça e continuo sem conseguir perceber como é que alguém pode achar que devemos estar gratos por estar a viver uma situação de pandemia que nos obriga a medidas de isolamento social extremas.»

 

«A infecção por covid-19, para a esmagadora maioria da população, é uma experiência essencialmente de medo e há milhares de pessoas a braços com uma terrível e angustiante ansiedade. E não, o mundo não está a meter nada no lugar quando há cidades italianas onde os mortos são tantos que os caixões têm de ser recolhidos em camiões do exército. É verdade que a poluição atmosférica diminuiu e que os canais de Veneza estão mais limpos mas, pergunto eu, a que custo?»

 

«Depois lemos que devemos agarrar esta oportunidade para olhar para dentro e crescer… Como é que se olha para dentro numa altura destas é coisa que não faço ideia, confesso desde já. Pessoalmente só tenho olhado para fora, para lá dos muros do meu quintal, para lá das fronteiras do meu país. E tenho medo do que vejo e daquilo que ainda vou ver. Mesmo sem perceber nada de economia tenho medo do que aí vem, tenho medo do aumento do número de desempregados, tenho medo dos pequenos empresários que vão levar a estocada final com esta pandemia que outros parecem querer fazer-nos acreditar que chegou para bem da humanidade.»

 

Carmen Garcia, Podem parar de romantizar a pandemia? (excertos) 

Público, 21 de Março

35 comentários em “Um dos melhores textos que tenho lido desde que isto começou”

  1. há cidades italianas onde os mortos são tantos que os caixões têm de ser recolhidos em camiões do exército

    Isto não é bem assim. Os corpos têm que ser recolhidos em camiões do exército porque foi tornado obrigatório por lei cremá-los, e os crematórios da região não têm, de facto, capacidade para tantos mortos, por não ser muito usual em Itália cremar os cadáveres. Ou seja, não foi por ser um número muito elevado de mortos, mas sim por haver uma determinação legal de cremação, que teve que ser necesário retirar os corpos dali em camiões.

    1. e os crematórios da região não têm, de facto, capacidade para tantos mortos, por não ser muito usual em Itália cremar os cadáveres. Ou seja, não foi por ser um número muito elevado de mortos, mas sim por haver uma determinação legal

      Há aqui contradição… “não foi por ser um número muito elevado de mortos” não bate certo com “os crematórios da região não têm, de facto, capacidade para tantos mortos, por não ser muito usual em Itália cremar os cadáveres”. Se não era passava a ser… porque a a verdade é que SÃO MUITOS, muito mais do que normal.

      Ou ainda acha que isto é uma gripezinha?

      1. O comentário de Lavoura tem certa lógica. Se os crematórios não são lá muitos, não se podem inventar de um dia para o outro. Isso obriga a uma logística diferente. Claro que as imagens impressionam, não é uma gripezinha, e em Bérgamo que o digam, mas saber interpretar os factos ajuda.

  2. Pedro, julgo que estou no caminho certo. O vírus não me tem ensinado nada, talvez por ter tido nos livros a minha escola. Só tenho pena de uma coisa. Não poder ajudar, agora, quem mais necessita (vivê-se sozinho e já me teria voluntariado para ajudar quem mais precisa). A vida vê-se de outra forma quando a “gastamos” na vida dos demais. Não há sentimento mais afortunado, mais profundo, do que sentirmos termos feito a diferença na vida de alguém, sem nada, dela, ou de Alguém, esperar.

  3. Adenda :

    Sim, os livros, alguns, poucos, são grandes Mestres. Ensinam – nos a pensar de maneira diversa situações que não sendo nossas se tornam vividas depois de lidas.

    Oxalá todos tivessem como livro de todos os dias, este:

    “Envelhecemos. Relemos os mesmos livros. Parcialmente, tudo isso é verdade: quando faço a contabilidade dos últimos tempos, vejo que repeti a dose em certos casos. Mas só existe um livro que releio a um ritmo anual. São as ‘Cartas a Lucílio’, de Lúcio Aneu Séneca (4 a.C.? – 65)”

    https://www.google.com/amp/s/www.cmjornal.pt/mais-cm/domingo/escolhas/amp/sempre_seneca

    Estando esgotado o livro e os direitos de autor, fica aqui :

    https://onemorelibrary.com/index.php/en/books/philosophy-and-psychology/book/ancient-greek-philosophy-227/moral-letters-from-lucilius-letters-from-a-stoic-3166

    Se a morte me levasse hoje não me arrependeria de nada. Lamentaria, apenas, ter-me casado há tão só 6 anos com uma mulher fenomenal.
    E se deus houver, prometo-lhe o bater de punho pela sua falta de vergonha.

  4. Não sei se esta é a Carmen Garcia que conheço. Para o caso nem interessa. Concordo com a garota. Essa ideia de crescermos confinados não me assenta. É claro que podemos aproveitar do tempo que temos para algumas utilidades. Mas julgo que não vamos além de remendos. Sem liberdade, pouco ou nada se cria. Sem saúde e com a perspectiva económica que se abeira, há uma espontaneidade trágica a espreitar-nos o futuro. Claro, podemos olhar para dentro, mas não se se a paisagem exterior não nos condiciona a apreciação e sai uma desolação pegada.
    Contudo, e apesar de, um sorriso ajuda na primeira, na segunda, e na terceira pessoa. Agora é singular, mas há-de ser plural.
    Boa tarde

  5. Viva Pedro,
    Agora que já passaram não sei quantas semanas disto, eu diria que temos tempo e espaço para todas as emoções e sensações. Cabe a gratidão, por exemplo, pelo trabalho dos profissionais de saúde, de toda a gente que não deixa o país parar no que é mais essencial. E cabe medo, pela doença, pelas consequência e curto e longo prazo desta paragem forçada nas nossas vidas e daqueles que nos rodeiam.
    Tenho lido muitos, muitos mesmo, posts sobre esta crise, e quando temos essa perspetiva aérea, por assim dizer, temos ainda mais noção de como é impossível pensarmos e sentirmos todos o mesmo ao mesmo tempo.
    Ou seja, este é um tempo que exige compreensão e respeito mútuo, na gratidão, no medo e tudo pelo meio.

  6. Também não vejo vantagem nenhuma numa coisa destas, a não ser para verificar de uma vez por todas se a nossa actividade e a utilização de combustíveis influem directamente (sublinho directamente) na regulação das temperaturas do planeta — se esta a quebra agora corresponder uma oscilação significativa nos dados daqui a uns tempos.

    Mas de resto, viver como preconizam a Greta e os amiguinhos da Greta é visivelmente muito complicado — já não estamos no tempo do Abraão.

    1. também estou impaciente para ver quantos graus vai descer a temperatura. ou subir
      acho que é mesmo a única coisa positiva , a prova dos nove à teoria aquecimento global antropogênico.

      1. Posso garantir-lhe que a concentração atmosférica de CO2 já está a descer, ou vai começar a descer em breve.

        Acontece isso todos os anos desde que o laboratório ESRL – NOAA, situado em Mauna Loa, tem registos (1958?).

        A concentração atmosférica de CO2 (valores médios mensais) atinge um máximo em Março/Abril, registando-se um mínimo em Setembro/Outubro.

        https://www.esrl.noaa.gov/gmd/ccgg/trends/

        Descarregue os dados de concentração atmosférica de CO2 (valores médios mensais) aí disponíveis, descarregue as séries de temperaturas que quiser (Met UK, GISS-NASA, UAH, RSS), coloque tudo numa folha de cálculo e prove-me que o CO2 é a causa do aumento de temperatura. Dispomos de dados fiáveis, mas ainda ninguém o fez. Porque será?

  7. “Depois lemos que devemos agarrar esta oportunidade para olhar para dentro e crescer”

    Normal, hoje em dia um indivíduo não é despedido, limita-se a ficar disponível no mercado de trabalho, não está desempregado, mas sim entre desafios profissionais. Tudo é uma oportunidade, tudo é possibilidade de crescimento pessoal, uma nova experiência (outro termo da moda).
    Até morrer deve ser encarado como a derradeira oportunidade de provar à humanidade de que há vida após a morte.

    1. Foi esse o sentido do “emigração? que mal é que tem — é normal” do Passos Coelho que toda a gente deturpou e com que toda a gente ficou ofendidíssima.

  8. De resto estou bastante preocupado com as sequelas que vão ficar mesmo depois de podermos regressar à vida normal.

    O contacto, as precauções e uma série de comportamentos vão ser bastantes diferentes durante muito tempo — e receio que o Turismo, que é de onde vem a maior parte do dinheiro agora, demore 3 ou 4 anos a recuperar se é que vai voltar ao que era. Tenho as minhas dúvidas — acho que se quebrou qualquer coisa que não vai dar para recuperar

    Não diria que algo mudou definitivamente (como sabem não defendo essas teses até porque as verdadeiras mudanças resultam de acumulações e de continuidades e não de factos isolados) mas é bem provável que emerjam novas maneiras de fazer turismo até porque a globalização centrada em produtos baratos (centrada na China) parece-me que vai levar uma machadada daquelas sem reparação possível. A haver alguma mudança brusca na ressaca da pandemia, vai ser isso.

      1. Ahah — não tenho dúvidas nenhumas. Até porque um espirro de um cão é uma manifestação pagã de um espírito antigo da velha arcádia!

      2. Esta agora, Vorph…liquidou-me.
        Então esteve até agora sem abraçar nem ser abraçado?
        Eu estive; mas eu sou eu que para lá de velho não sirvo de exemplo para ninguém.

    1. Concordo consigo, ponto por ponto vírgula por vírgula.
      Nada ficará igual, ou vai levar longo tempo a, mais ou menos, normalizar a vida até agora conhecida.
      Mesmo depois da doença debelada, mesmo que o governo e os profissionais da saúde digam que já nada há a temer, restará sempre uma dúvida que dificilmente será quebrada.
      Perdeu-se o melhor, aquilo que verdadeiramente dá significado à vida. Perdeu-se a confiança e sem ela a vida torna-se muito difícil.
      Recuperar-se-á? Sem dúvida, mas levará o seu tempo. Muito tempo.
      No futuro à primeira gripezinha que surgir, a primeira tosse ou nariz a pingar, infalivelmente o pânico do covid renasce.
      E uma vida sob o signo do medo, não é, de todo, a vida normal que conhecíamos.

      1. Perdeu-se a confiança? Ou a ilusão típica de um habitante do primeiro mundo de que tínhamos finalmente conquistado o direito a viver felizes uma vida de 100 anos (salvo alguma estupidez na estrada o o azar de um cancro)? E escondíamos e tornávamos tabu a doença, a velhice e a morte, para que não se duvidasse de que qualquer um podia agora ter acesso à fonte da eterna juventude?

        Convencidos andávamos de sermos quase imortais. Néscios.

        1. Sim, é mais isso. A ilusão da nossa infalibilidade, ou ainda melhor traduzido, a veleidade do conhecimento absoluto. Afinal decifrámos os enigmas de um buraco negro a 50.000 milhões de distância anos-luz, que mais podemos aprender?
          E afinal somos apenas hóspedes de um planeta que nunca foi nosso. Somos, como sempre fomos desde os primórdios, os seres vivos mais vulneráveis no complexo enigma da vida. Sempre dependemos dos outros para vivermos, e nenhum outro dependeu de nós para existir.
          A confiança que referi foi uma expressão, uma maneira à falta de melhor, de descrever a passagem de um estado de tranquilidade para outro diametralmente oposto. Mas o sampy foi mais elucidativo.
          Cumprimentos e votos de uma excelente saúde.

        2. Essa é que é essa, o privilégio de viver no “lado certo” do mundo, vivêssemos nós em Aleppo, na Rocinha ou em Dharavi e há muito que a perspetiva seria diferente.

  9. Carmen Garcia, que nem sei se me irá ler.

    O que encontra abaixo são excertos de um comentário que fiz neste blogue, talvez há mais de um mês ( https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/lavouradas-da-semana-11428650#comentarios ) e que já reflectiam algumas das suas preocupações.

    “De acordo com os epidemiologistas, a imunidade colectiva atinge-se quando entre 40% a 80% da população tiver sido infectada, ou tiver sido vacinada, dependendo do agente causador e de uma série de outros factores.

    Este vírus tem uma particularidade que dificulta em muito as contas: de acordo com o único estudo epidemiológico realizado no terreno, em Vò, vila italiana onde surgiu o primeiro caso confirmado, cerca de 50% a 75% dos casos são assintomáticos. Porquê? Isso é outra questão para a qual ainda não há resposta. Mas os números diferem e da Coreia do Sul, de acordo com os dados recolhidos até há uns dias atrás, essa percentagem rondava os 30%.

    Também de acordo com aquilo que já se sabe, dada a escassez de testes e o número de casos assintomáticos verificado, o número real de infectados pode ser superior ao conhecido por um factor de 10 a 20 vezes mais.

    Quanto à distruição do número de óbitos por faixas etárias e patologias antecedentes, também já sabemos muita coisa. São os mais vulneráveis que têm maior probabilidade de morrer, seja em consequência da idade, que constitui um imunodepressor, seja em consequência das tais patologias antecedentes, ou em conjugação de ambos os factores.

    Sabe-se também que números realistas da “case fatality rate”, tal como noutra epidemia qualquer, só podem ser determinados após o términus da pandemia. Contudo, têm sido avançadas estimativas para esse número de óbitos dividido pelo número total de infectados situadas entre os 0.6% e 1.2%.

    Não obstante, continuamos sem ter estimativas, mesmo que groseiras, do número de óbitos que se vão registar em consequência da crise económica que se avizinha. É ridículo, mas é verdade. Até parece que as crises económicas não conduzem a aumentos da taxa de mortalidade.

    De que eu tenha conhecimento, nunca ninguém fez um estudo decente do número de mortos em consequência da Grande Depressão de 1929, ou do números de vítimas que terão perecido em consequência da crise económica de 2008. E neste último caso temos dados fiáveis que evidenciam o aumento da taxa de mortalidade entre 2009 e 2015. Mas reconheço que se trata de um assunto de difícil abordagem.

    Vou-lhe repetir algumas das perguntas que tenho colocado neste blogue, por questões de retórica e porque ainda ninguém me deu resposta, eu também não as sei e duvido que alguém as saiba.

    Será que a “cura” que nos estão a impôr não vai ser pior do que a doença?

    Será que a paragem forçada da actividade económica não nos vai conduzir directamente à fome?

    Quantas pessoas terão morrido fruto das consequências indirectas da Grande Depressão de 1929, ou da crise económica de 2008?

    Quantas pessoas irão morrer desta vez, em consequência da crise económica que se avizinha?

    Qto a esta última questão, sei de antemão que a sua morte vai ser silenciosa, que não vai conduzir ao colapso dos sistemas de saúde e os orgãos de comunicação não irão dedicar-se ao assunto, porque não é gerador de alarmismo e consequentemente de receita.

    Numa realidade com uma incerteza desta magnitude, temos que ser humildes: pura e simplesmente não sabemos e não podemos colocar em prática a metodologia experimental do método científico, no que diz respeito às questões relacionadas com a paragem forçada da actividade económica.

    PS – Se quiser ir jantar fora, os restaurantes em Taiwan [Japão substituído por Taiwan] e na Coreia do Sul continuam abertos.

    PPS – Aplanem a curva do número de infectados em função do tempo; não aplanem a economia. Caso contrário, a cura vai ser muito pior do que a doença.

  10. Bom serviço de clipping, caro Pedro Correia.

    De facto, passámos da defesa do estado de emergência como forma de impedir o colapso na resposta dos serviços de saúde para defender o confinamento (quase) compulsivo em casa para debelarmos a pandemia.

    Não sei onde e quando é que este virar de agulha descambou, mas vai ser difícil meter algum racional no espaço mediático.

    E lá continuamos a ver “notícias” que dão conta do “aumento” de mortes, com direito a percentagens e tudo (como se noutras patologias também não houvesse aumento de mortes), sem que ninguém venham dizer que o número de mortes diárias está a diminuir.

    Já não aguento o mantra fique em casa.

  11. nao, a pandemia nao chegou para bem da humanidade como bem diz …

    “Chegou o ‘comunavírus’”. Ministro brasileiro diz que pandemia é usada para instaurar o comunismo e ataca OMS

    …titulo neste momento no Sapo-24.

    Quanto ao post, que nao é do PC mas se sua responsabilidade, nao percebi nada, e no maximo é mais do mesmo.

  12. Viva,

    Muito antes da pandemia já trabalhava a partir de casa (3 dias em casa e 2 dias no escritório). Tenho a sorte de trabalhar numa empresa que não vê o trabalho a partir de casa como um bicho de sete cabeças e que até me incentivou quando propus este modelo por razões pessoais (passei de uma cidade a 50 KM de Lisboa para uma aldeia a 140KM). A minha vida melhorou substancialmente, com muito mais tempo para os miúdos.

    No meu círculo de amigos tenho alguns que se queixavam (isto antes do COVID) que não tinham tempo para os filhos, por causa do trabalho. Que os deixavam na escola às 7h e iam busca-los às 19h.

    Trabalham todos em Lisboa, mas são naturais de várias zonas do país (Alentejo, Oeste, Beira Alta entre outras) o que me levou a dizer-lhes muitas vezes para voltarem para as terras, mantendo os mesmos trabalhos, propondo à empresa para trabalharem a partir de casa (todos temos trabalhos que podemos trabalhar a partir de casa. Basta um computador). As respostas eram “Achas que a minha empresa concordaria?”, “Passado uma semana despediam-me”, entre outras. Agora todos estão em casa a trabalhar remotamente e a produtividade não diminuiu.

    Agora já pensam de maneira diferente e alguns ponderam mesmo abordar os responsáveis para trabalharem remotamente.

    Obviamente que esta situação é crítica e anormal, mas não deixa de ser oportuna para se pensar em como podemos melhorar a nossa vida no pós-COVID. E o trabalho a partir de casa irá com certeza tornar-se uma realidade. Os gestores das empresas julgo não terem desculpas para não aceitarem este modelo como uma mais valia garantindo assim o equilíbrio trabalho-vida pessoal que tanta gente apregoa.

    Um abraço

    1. a produtividade não diminuiu

      Como sabe?

      Eu não sei bem como é que se mede a produtividade de uma pessoa cujo trabalho pode ser feito domente com um computador.

      Quando vindimei em França, há muitos anos, era para mim evidente que a minha produtividade era substancialmente inferior à de alguns colegas: o balde deles enchia-se muito mais depressa de uvas que o meu.

      o trabalho a partir de casa irá com certeza tornar-se uma realidade. Os gestores das empresas julgo não terem desculpas para não aceitarem este modelo

      Eu penso é que os trabalhadores têm muitas razões para não aceitarem.

      Para os gestores o trabalho a partir de casa é uma maravilha: poupam em instalações, em eletricidade, em água, em segurança, em limpeza, e em refeitórios. O trabalhador paga o seu espaço de trabalho, o seu computador, as reparações que lhe sejam necessárias, mais a internet, e mais a comida. O gestor não tem que dar nada ao trabalhador. O trabalhador paga tudo aquilo que anteriormente o gestor era obrigado a dar-lhe.

      Eu não estou disposto a isso.

  13. nao interessa o que penso da solidariedade, mas aqui fica um exemplo …

    ‘Leve o que precisar, deixe o que puder’: Já há mais de 400 ‘Caixas Solidárias’ espalhadas pelo país
    SIC Mulher 10 horas atrás

  14. Sim, eu também prezo muito a queda da poluição do ar (aliás um catalisador da letalidade deste vírus, como já aqui escrevi há uns tempos), da queda das rendas e do preço da gasolina, da ausência de terrorismo (tirando Moçambique), etc. Se virmos bem, todos os problemas de que nos queixávamos estão por ora resolvidos.
    Mas gostava sinceramente de os resolver fora de um cenário como a desta maldita situação.
    Ah, e outra coisa com a qual não se pode é aquele animismo new age anti-humanista do “nós é que estamos a mais”, ” a natureza quis-se vingar da humanidade”, etc. Deve ser gente com uma vida realmente miserável.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *