Em cem dias como líder social-democrata, Pedro Passos Coelhou alcançou o que antes dele não conseguiram Pedro Santana Lopes, Marques Mendes, Luís Filipe Menezes e Manuela Ferreira Leite: pôr o PSD à frente do PS em todas as sondagens.
Mas conseguiu mais que isso. Desde logo, deu passos concretos para a unidade do partido ao convidar Paulo Rangel, seu ex-rival, para liderar uma lista conjunta ao Conselho Nacional e Aguiar-Branco, outro ex-rival, para liderar a comissão que irá rever o programa do PSD. Há muito que o partido não parecia tão pacificado.
Mas fez mais. Encerrou a questão presidencial com o apoio claro e sem reservas à previsível recandidatura de Cavaco Silva. O PSD é mesmo o único partido onde as presidenciais não suscitam polémica.
Mas fez ainda mais. Deu ao PSD uma imagem de responsabilidade como há muito não se via ao tomar a iniciativa de contactar o primeiro-ministro para conversações destinadas ao combate à crise financeira. Enquanto em Espanha governo e oposição estão de costas cada vez mais voltadas, em Portugal os dois principais partidos puderam voltar a estabelecer bases de diálogo para ultrapassar sérios obstáculos no plano nacional.
E Passos não se ficou por aqui. Foi também capaz de pedir desculpa aos portugueses por ter viabilizado o aumento de impostos, contrariando o que o PSD – sem ele ainda ao leme – prometera na campanha eleitoral. Uma atitude de rara humildade num dirigente político, em total contraste com a pose arrogante que se tornou imagem de marca de José Sócrates.
Tudo isto em cem dias. Alguma blogosfera laranjinha acha pouco. Ou, não achando pouco, acha mal. Ou, não achando mal, evita o tema.
Cem dias depois, houve quem não tivesse aprendido nada nem esquecido nada. “Os adversários estão noutros partidos, os inimigos estão no nosso partido”, dizia Churchill. Nisto, como em tanta coisa, estava cheio de razão.
ADENDA de 9 de Julho (0.40): Outra sondagem, da Eurosondagem para a SIC, Expresso e Rádio Renascença, confirma o PSD à frente das intenções de voto.


Não se entusiasme muito e não se contente com pouco, ou com nada.
Acredito que nem tudo possa ter sido perfeito, até admito que PPC tenha algumas incertezas em como agir perante um Sócrates onde falta carácter e mestre em marketing, é normal que perante a dimensão da crise também não exista respostas para todos os problemas, mas que Passos Coelho trouxe esperança ao partido como nenhum outro nos últimos anos… trouxe, refrescou a política portuguesa… refrescou, mexeu com algum acomodados ao sistema… mexeu. Esperemos apenas que não caia nas armadilhas que lhe são postas no caminho (mesmo por companheiros), o discernimento para resolver as questões não lhe falte e conquiste o cargo de Primeiro Ministro. Ainda não me desiludiu, mesmo sendo mais liberal do que eu.
Meu caro,
“Os adversários estão noutros partidos, os inimigos estão no nosso partido”,
Ceaser’s comments:
“Keep your friends and your enemies closer”
Forte abraço,
Aprender sempre. Com Churchill e ‘O Padrinho’.
Abraço
Não estou asim tão certa da consistência política do apontado líder (e sem pretender fazer comparações com o actual líder do governo). A pacificação do partido passaria necessariamente pelo estabelecimento de alianças internas, principalmente com aqueles que poderiam apresentar-se como potencial foco de conflito (algo acessível a alguém que faça uma análise minimamente sensata e inteligente). A questão das presidencias nem terá chegado a ser uma verdadeira questão, porque resolvida antes de o ser, havia candidato natural. As conversações com o governo eram inevitáveis, parece-me. E, finalmente, o pedido de desculpas assemelhou-se mais a um golpe de marketing político do que a um acto de humildade; será que queremos políticos que peçam desculpas ou políticos que façam aquilo que em cada momento entendam adequado com sentido de responsabilidade? Um “contrato” está sujeito a alterações provenientes da alteração anormal das circunstâncias, não há desculpas, mas sim o afirmar e constatar que as circunstâncias se alteraram, e agir perante isso.
Apesar da mudança de “ares” ter sido positiva e da mudança de atitude ser notada, estes 100 dias são 100 dias que não mostram (ainda ou não, não sei…) a afirmação de políticas capazes de alterar o estado das coisas.
Totalmente de acordo, Sílvia. E acrescento mais: por enquanto, prefiro Sócrates.
Isso é que é “esclarecimento”… Com aspas, claro.
Por acaso, acho que esclarece mais do que a própria julga. É que a Esclarecida diz que prefere Sócrates, mas joga à defesa: é só «por enquanto». Por via das dúvidas, não vá o diabo tecê-las sem pré-aviso.
Concordo. No entanto quero deixar 3 notas:
1 – As sondagens “valem o que valem”. Ou seja, para mim, ZERO!! Como já recordei várias vezes, a maioria delas são “encomendadas” e não raras vezes falharam redondamente. Não me canso de referir as sondagens que em 2001 davam 20% a Luis F. Menezes em Gaia, ou a Rui Rio no Porto, a derrota de Seara em Sintra, Capucho em Cascais ou Santana Lopes em Lisboa. Recentemente temos os resultados das Europeias 2009 que davam vitória ao PS e quase faziam desaparecer o CDS.
2 – o Pedro diz que PPC “Deu ao PSD uma imagem de responsabilidade como há muito não se via ao tomar a iniciativa de contactar o primeiro-ministro”. Aqui tendo a discordar, já que foi MFL que recuperou a imagem de responsabilidade, dizendo a verdade aos portugueses. É verdade que não houve muito contacto com o PM, mas isso foi porque ele não quis. Nem sequer queria ouvir, quanto mais ver MFL. Agora, apertado pela maioria relativa e pela crise, viu-se obrigado a falar com PPC.
3 – O Pedro diz que “Enquanto em Espanha governo e oposição estão de costas cada vez mais voltadas, em Portugal os dois principais partidos puderam voltar a estabelecer bases de diálogo”. Isto é tudo muito bonito, enquanto o PS precisar do PSD para se manter no Governo. Quando se começarem a vislumbrar eleições no horizonte (e não está longe) estes entendimentos vão voltar a desaparecer. Vai voltar a esquecer-se o “interesse nacional” e voltará a aparecer o “interesse eleitoral”. Da parte do PS isto é certo como eu me chamar Luís, sempre foi assim. Da parte do PSD não costuma ser, e espero que assim continue.
Obrigado pela sua reflexão, Luís. Não estamos inteiramente de acordo, o que é bom. Tudo menos o monolitismo.
Um abraço.
Concordo que Passos Coelho tem dado os passos certos num caminho mais que provável para o poder. E é bom que o PSD esteja unido e equilibrado, ou o descalabro vai ser tão grande como tem sido até agora com o PS, embora por outras razões. Mas tudo isso é mais estratégia do que humildade, como bem sabes. Seja como for, a liderança faz-se de estratégia. Não tenho nada contra Passos Coelho, só espero para ver. Por enquanto é fácil, enquanto ele for oposição num país onde o poder está entregue a quem está…
Admite, Pedro… Passos Coelho tem tido uma preciosa e inédita ajuda: o próprio Sócrates.
🙂
Eh pá tanto “serviço” em tão pouco tempo. Quer-me cá parecer que já há “gente” a pôr-se na linha da frente para, quando for preciso, substituir os “old boys”, até lá ……….. loas, loas e mais loas …..
Depois de já quase tudo dito em alguns dos excelentes comentários acima, resta-me acrescentar que este PPC ainda não saiu detrás do conveniente biombo que este governo lhe tem generosamente proporcionado até aqui. Movendo-se pelos bastidores, ele não é ainda um verdadeiro actor em palco, mas sim alguém que, fugazmente, entra e sai de cena – um “compère” -aproveitando as deixas possíveis. Para já, pode-se dizer que aproveitou bem umas tantas e não tão bem outras com as quais facilmente poderia ter brilhado. O que se passa na verdade, é que a ‘companhia residente’ é tão má, os seus actores tão fracos, a peça em cena tão “dejá vu”, que não é difícil fazer-se notado alguém que não pertence verdadeiramente ao elenco. Tenho ainda muitas dúvidas acerca deste senhor e se este PSD agora por si capitaneado, não será, mais uma vez, o mesmíssimo PSD dos últimos 35 anos – um PS com um ‘D’ à frente e pintado de outra cor. A ver vamos.
A ver vamos, Luís. Para já, destes 35 anos, PPC só lá está desde os últimos cem dias. E este balanço parece-me positivo, como referi. As sondagens parecem indicar isso mesmo, ao contrário do que sucedeu nos mandatos anteriores.
Coisas destas nem no ‘Povo Livre’ se lêem.
Não sabia que V. lia o Povo Livre. E o Povo Livre também não.
O Francisco prefere o ‘Povo Amarrado’. Ele lá saberá porquê.
Pedro,
Subscrevo a exaltação desse feito único de PPC na história recente (não tão recente quanto isso, recente de de mais de 6 anos) do PSD: a liderança nas sondagens. Perdoe-me o abuso de chamar para aqui o meu blogue – Quinta Emenda – mas tenho dois posts recentes sobre o tema. Um sobre as influências de um certo casamento por coveniência nesse resultado –http://quintaemenda.blogs.sapo.pt/4 263.html – e outro sobre a possível inversão dessa tendência a partir da golden share da PT, essa oportunidade dourada – http://quintaemenda.blogs.sapo.pt/6 611.html
PS: também sou um ex-Vila Forte!
Felicidades para o novo projecto, Eduardo. Abraço.
Pedro Passos Coelho limitou-se a observar as trapalhadas, os disparates, cometidos pelos líderes anteriores.
E teve o bom senso de não os cometer também ele.
Já não é pouco.
Pacificou o partido e já não há dúvidas acerca das presidenciais?
Não tenho tanta certeza, Pedro.
Há lá outro Pedro, que ainda anda por aí, e que continua a agitar a questão das presidenciais.
Por muitos anos que passem, ele nunca perdoará a Cavaco a referência à má moeda.
Em 100 dias poder-se-ia fazer diferente, mas seria difíci fazer melhor. O PSD está pacificado? Não está, Pedro: basta ler a blogosfera que se diz próxima do PSD para se perceber isso. Por isso escrevo que o partido “parece pacificado”, não vou mais longe. O PSD são dois (ou mesmo três) partidos num só. E só o cheiro a poder congrega as hostes. O único trunfo de PPC, faça o que fizer, é continuar a liderar as sondagens. A de hoje confirma essa tendência.