
(Postal de 6.7.2021)
“Selfie” (6.7.21, alvorada). Já nem velho vou, mas mesmo ancião. E como todos nós, que a este assim chegámos, convoco o “no meu tempo” nele encontrando uma robustez moral bem superior à dissoluta anomia deste mísero hoje em dia.
E nisso recordo que nesse “no meu tempo”, no dia em que tratei de me candidatar à universidade fui jantar com magote de amigos. E depois arrancámos – com um saco de cervejas e uns bolsos com outros consumíveis – para perto da 5 de Outubro lisboeta. Por lá aportámos cerca da meia-noite, fazendo fila já em lugares bastante recuados para a inscrição… matinal. E lembro o dia gasto, em transportes e longas esperas, na inspecção militar em Setúbal. Ou, já agora, chegar mancebo quase de madrugada aos claustros do Calhau de Mafra para ali entrar, assim tornado instruendo, ao fim da tarde. Ou as horas passadas, jovenzinho, nas inscrições escolares. Ou, já mais crescido, em filas administrativas, para impostos, certificados, e tralhas similares. E, mais do que tudo, as horas passadas esperando consultas, desde a pediatria à geriatria actual, tanto na medicina pública, como na corporativa e privada, folheando aquelas resmas de revistas usadas que tão típicas eram antes deste telefonismo de agora. Nesse “meu tempo” acontecia isso, sabíamos esperar. Um pouco demais, até.
Agora o Estado vacina-nos. Uma vacinação universal mas não obrigatória. Em emergência, urgente. A campanha começou mal, pejada dos aldrabismos típicos do nepotismo. Mas arrepiou caminho, convocado que foi o saber de gestão logística militar – ainda assim o Almirante-em-chefe já é criticado pelos plumitivos PS por não papaguear o relambório retórico do Público/DN/activistas-académicos, pois é preciso que não fique ele com muitos créditos dado que, afinal de contas, o lema é “o PS é que fez, o PS é que faz”, adaptado do slogan do Frelimo.
E que leio eu agora? Acelerado que foi o processo de vacinação – pois no afã dos Reis Magos turistas o país reinfectou-se [oops “o PS é que fez, o PS é que faz”] e o governo desaustinado sequestrou a constituição – em alguns locais vão acontecendo algumas demoras. As pessoas são obrigadas a esperar pela vacina. Uma hora, até duas, por vezes mesmo um pouco mais. “O Horror, o Horror”! E vêm clamar para as redes sociais, umas queixando-se do acontecido. Outras anunciando que nunca aceitarão por isso passar. “Jamais!”. Preferem até não se vacinar.
Ora quem eu vejo botar isto é gente da minha geração. Essa mesmo do “meu tempo”. Gente que esperou ao longo da vida, ainda que cada vez esperando menos. Mas que envelheceram assim. Num pateta individualismo que nada tem a ver com a defesa do livre-arbítrio (eu a sair de casa para fumar um cigarro à meia-noite sem ser detido ilegalmente, por exemplo). Mas apenas um “individualismo” do burguesote imbecil que se acha “indivíduo muito importante”. Que tem o “direito adquirido” de ser atendido à hora certa, de não esperar um momento que seja. Gente cheia de si-mesma, patetas repletos do vácuo que são.
E não se pode exterminá-los(?).

Uma ou duas horas? É preciso sorte. Eu fui vacinado três horas e meia depois da prevista, pelo que só almoçei às seis e meia da tarde.
O almoço foi após a vacina? Óptimo, está feito!
Demasiado depois.
Eu cá vou levar um banquinho portatil. Já tenho a minha 2 dose com hora marcada (viva as sms). Espero o que tiver de esperar! Até lanche levo, carago! Mas vou ser vacinada com a 2a dose. Já disse que vou levar a vacinação completa?? Desculpem, mas no meio desta pandemia toda, o facto de conseguirmos vacinar cerca de 100.000 pessoas por dia é mesmo de valor, e ele deve ser atribuído a quem o merece. Precisávamos mesmo de disciplina militar para isto ir para a frente. Agora um aparte: esperar fazia parte do quotidiano de antigamente, sempre fez, mas caramba, ainda tenho trauma com as horas de espera no cabeleireiro. A unica coisa boa que veio desta pandemia foi agora ser obrigatório ir a esses sítios semrpe com hora marcada! 🙂
(Sorriso, com essa do cabeleireiro)
Excelente organização por parte do Vice-Almirante. Vacinada totalmente desde 15 de maio e testada com frequência. Já com certificado digital à espera de um.chip , talvez, para almoçar, lanchar, jantar, viajar. Ainda bem que o vírus só ataca de sexta a domingo ao jantar !
Mais um magnífico pedaço de prosa, caro jpt. Desabrido, descomplexado, com a premência da verdade e sem falsos sentimentalismos. Tudo à revelia deste tempo. Já sentia falta desta sua prosa!!
Um grande bem haja,
Obrigado pela sua simpatia
Claro que as pessoas têm o direito de ser atendidas à hora certa. Se há uma hora marcada, então essa marcação é para se cumprir, não é?
Da mesma forma que quando se marca uma entrevista, ou uma consulta médica, ou um encontro, ou um exame, ou seja o que fôr, a hora marcada é para ser cumprida.
É verdade que há um antigo costume português de haver atrasos, mas esse costume é para erradicar, não é para manter!
Então as noivas são piores que a virgem Maria
Sim, Balio, tem toda a razão.
“E não se pode exterminá-los(?).”
Talvez se esteja a tratar disso. Li para aí umas coisas provenientes de relatórios ingleses que confirmei e que me levam a pensar isso. Lá diz o ditado popular: as cadelas apressadas parem os cachorros cegos. Mas a ver vamos.
“32. The resurgence in both hospitalisations and deaths is dominated by those that have received two doses of the vaccine, comprising around 60% and 70% of the wave respectively. This can be attributed to the high levels of uptake in the most at-risk age groups, such that immunisation failures account for more serious illness than unvaccinated individuals. This is discussed further in paragraphs 55 and 56.” k/government/uploads/system/uploads/atta chment_data/file/975909/S1182_SPI-M-O_Su mmary_of_modelling_of_easing_roadmap_ste p_2_restrictions.pdf )
(https://assets.publishing.service.gov.u
E no mesmo comentário: k/ ment_data/file/994839/Variants_of_
“Relativamente à variante delta – com a qual nos andam a meter medo – a taxa de mortalidade não é superior à das outras variantes, antes pelo contrário. No entanto, dos dados apresentados na tabela 4 que figura na página 12 [Table 4. Attendance to emergency care and deaths by vaccination status among Delta confirmed cases (sequencing and genotyping) in England, 1 February 2021 to 14 June 2021.], pode concluir-se que a taxa de mortalidade dos vacinados é 6 vezes maior do que a dos não-vacinados.
Números a reter:
não-vacinados – 35521 casos, 34 mortos
vacinados, 2ª dose há mais de 14 dias – 4087 casos, 26 mortos”
(https://assets.publishing.service.gov.u
government/uploads/system/uploads/attach
Concern_VOC_Technical_Briefing_16.pdf )
Isto foi publicado há dias atrás em comentario num blogue da concorrência (acho que não devo dizer o nome). Confirmei os links e é verdade, está lá tudo. Confesso que fiquei apreensivo. Então as vacinas não nos deviam proteger?